Eu Vou mais eu Volto meu Amor
E agora, José?
A sexta chegou,
meu dinheiro acabou,
o advogado sumiu,
o juiz nem me viu,
você que tem nome,
que zomba dos outros,
não susta o protesto,
e agora, José?
Estou sem mulher,
estou sem recurso,
estou sem carinho,
já não posso comer,
pois não posso pagar,
fugir eu não posso,
a onça pegou,
o amigo não veio,
recurso não veio,
marmitex não veio,
não tenho farinha,
e tudo acabou,
e tudo sumiu,
e nada mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Essa meia palavra,
esse instante de febre,
minha gula e jejum,
minha prateleira vazia,
minha geladeira vazia,
sem grana emprestada,
pura incoerência,
o ódio me aflora!
Com a defesa na mão
quero abrir a porta,
mas trancaram a porta;
quero chegar ao juiz,
mas o juiz recusou;
quero ligar pra Brasília,
Brasília não atende.
José, e agora?
Se eu gritasse,
se eu ofendesse,
se eu recusasse
a defesa gratuita,
se eu pagasse,
se eu quisesse,
que o juiz morresse,
Mas ele não morre,
ele é duro, José!
Sozinho na vida
qual bicho-do-mato
com muita agonia,
sem moradia própria
para me abrigar,
sem amigos fiéis
que queiram ajudar,
que falta de sorte,
vou me mudar,José!
José, para onde?
(Nota: Paródia político-jurídica inspirada no poema "José" de Carlos Drummond de Andrade)
Tu
Tu és o poema que não ouso escrever, mas que o meu coração declama-o em segredo.
Tu és o segredo do meu corpo
quando ele pede mais.
Cada suspiro meu, tem a tua pele ,
cada gemido, a tua eternidade em mim.
Tu és o fogo que me devora
e a calma que me consome depois.
Quando tu me prendes ao teu corpo, sou infinito.
Dentro de ti, descubro que o amor
também sabe ser vulcão .
O teu calor envolve -me inteiro,
as tuas unhas riscam o meu desejo,
e dentro de ti, vagarosamente,
afundo-me cada vez mais fundo.
Não há palavra — só o choque,
o atrito, a explosão de nós dois,
quando o mundo se dissolve
no momento em que
juntos gememos um verso de fogo.
Suor da Lua
O teu corpo aproxima-se do meu como um inevitável eclipse, e o universo inteiro vibra
à força do que pulsa entre nós.
Quando tu me tocas,
não é apenas pele — é tempestade,
é um magnetismo profundo
que grita por dentro
e reacende tudo
o que eu escondi.
O teu cheiro envolve-me,
prende-me, arrasta-me
e eu deixo-me levar
porque há algo em ti
que fala diretamente
ao que em mim é puro fogo.
O teu hálito roça o meu silêncio, entre sombras, a tua pele acende o meu desejo em chama lenta.
No toque que quase acontece,
perco-me internamente
na promessa do teu corpo,
onde os poros bebem o suor da lua.
E quando a tua boca encontra a minha boca, com essa urgência densa, selvagem,
o tempo rende-se, e o meu nome submerso na tua saliva, arde insanamente na tua boca.
Que este Natal nos envolva,
como um laço leve e eterno,
e que o meu abraço
seja o teu porto seguro,
e o teu beijo seja
o meu abrigo de luz que acalma.
Existe magia nesta época,
ela vive em nós dois,
no gesto simples de estarmos juntos, és chama mansa e luminosa
a aquecer o meu inverno interior.
Contigo perto perto de mim,
é Natal no meu peito inteiro.
A Casa que Fazes em Mim
Quando visitas o meu pensamento,
as horas derretem-se
como se o tempo tivesse aprendido
a respirar ao ritmo do teu nome.
O amor torna-se simples,
quase uma luz que se acende sozinha no silêncio onde cabemos os dois.
E há em ti qualquer coisa de infinito,
um gesto que me chama,
um abraço onde o coração
encontra casa.
Se amar é perder-me,
que seja sempre assim:
perdido em ti, e finalmente inteiro.
Humilde homenagem ao meu Espírito Santo
Por Marcio Melo
A7+ D7M
Olha, lá!
A7+
Cucina do peito
Bm7 A7+
A fé que se inspira na reza
D7M
de quem sabe acreditar
Bm7 A7+
Daqui debaixo o olhar puro
C#m7 Bm7
de um povo simples na humildade
D7M
de um sorriso que vive neste
A7+ D7M
paraíso
A7+ D7M
Ah! Espírito Santo
Bm7 C#m7
minha casa, cheio de belezas naturais
Bm7 C#m7
das montanhas de onde se escorrem suas
Bm7 C9
águas em cachoeiras
A7+ D7M C#m7
de Vitória a Serra de Cariacica e
Bm7
Viana
Em A7+
das praias onde se põe o sol
D7M
Povo que trabalha e canta
A7+
da pesca de rede e ao sol
E E7 A7+ D7M
Este é o meu lugar, orgulho de ser capixaba
Confia em mim
Deita em meu peito pra desabafar
E chorar serei o sol
Para secar toda essa chuva que quer te molhar
Poesia vive em mim
Poesia quero morar contigo
Poesia não abandona o meu coração
Poesia seja o meu pensamento de cada amanhecer
Dizemos minha mãe, meu filho(a), meu amigo, mas não são nossos!
Todos nos foram apenas emprestados para aprender a amar.
Marilia Masgalos
