Eu Vou mais eu Volto meu Amor
Eu já escutei "eu te amo", de gente que uma semana depois de ter me dito adeus, como se eu fosse uma peça de roupas que se descarta, já estava jogando outro jogo de cartas.
Eu já acreditei em mentiras que falaram sobre mim, em acusações de que eu seria uma pessoa vazia e ruim, no fim, a história não era bem assim.
Eu já escutei o amor ser banalizado por gente que aprendeu a arte cruel de brincar, de bagunçar a gente, e que faz desse sentimento um representante da dor, mas amor não é isso! Amor é um poema escrito para roubar sorrisos, para levar a gente aos paraísos.
Nildinha Freitas
Eu sou a que vive o dia de hoje, a hora que no relógio grita.
Eu sou a que perdoa, ainda que doa olhar para o lugar da dor.
Eu sou a que aprendeu que não adianta fazer birra e empancar. É andar, andar e andar.
Eu sou a que não tem medo de mostrar a cara limpa e nua para quem eu confio o meu coração.
Eu sou um ser imperfeito, mas estou em mutação e me cansei de tanta ilusão.
Se sou anjo? Não!
Nildinha Freitas
Só eu sei como foi difícil arrumar a bagunça que ficou, depois de tudo o que eu enfrentei na vida. Quem olha para as cicatrizes acaba lembrando a dor das feridas e a vida nunca foi fácil.
É que de graça tem quem abomine o meu sorriso, quem até senta na arquibancada esperando a minha queda. Eu sei que vai se frustrar quem pensa que eu vou me quebrar, pois posso até "cair", mas é para testar o chão e quem quiser que olhe quando eu me levantar, pois eu nasci foi para flutuar, voar, pairando leve no ar.
Nildinha Freitas
Alguém me disse: alimente a esperança que ela cresce!
Regue a roseira que ela floresce!
Eu nem sempre entendi que o amor vence o ódio e que não é preciso planejar vinganças para os que nos desejam o mal.
Apertar o gatilho me faz ser igual e se alguém foi comigo desumano, por qual motivo eu seria tão irracional?
Nildinha Freitas
Eu gostaria de ter escrito um poema sobre todas as mulheres que conheci. Um poema sobre como cada uma sentia o mundo por entre suas pernas. Mesmo eu não tendo tido tantas assim, (mas quem dera eu tivesse), eu faria como Bukowski e teria argumentos para escrever sobre elas e os seus sonhos escondidos nas madrugadas quentes.
Nildinha Freitas
Se me perguntarem se eu já errei na vida, direi: quem nunca arrancou a casca da própria ferida?!
Eu já falhei, errei, tentei de novo, caí, me cupei, me chicoteei, já carreguei culpas em todo meu corpo, e foi difícil, mas me perdoei.
Sendo quem sou, eu bem sei que ainda errarei, mas juro, que os mesmos erros nunca mais cometerei.
Aprendi do passado a lição, aumentei minha fé em mim e o autoperdão.
Sigo, fazendo o melhor que posso, com o que tenho em minhas mãos.
Nildinha Freitas
No meio das pedras, há um caminho, e eu sigo por ele, sem medo de ferir os meus pés.
Nildinha Freitas
Eu me sinto livre dos rótulos, dos estereótipos, dos conceitos e preceitos alheios.
Hoje, nem mesmo eu permito julgamento de mim.
Vou revendo meus passos, perdoando-me pelos percalços, "errando", reconhecendo, "acertando" e recomeçando.
Viver nada mais é do que caminhar.
Nildinha Freitas
Eu fui abrindo espaços para você entrar, deixando tudo no lugar.
Aqui, não deixei resquícios de ninguém, só o que era meu!
Meu mundo!
Meu cheiro!
Meu sorriso escrito nas entrelinhas e nas paredes antigas dessa casa que sou.
Tudo está pronto e espero você chegar, mas aviso: vou abrir a porta da casa para você entrar, porque você abriu a sua para mim
e não deixou a chave lá fora para quando eu chegasse, antes do nascer do sol.
Para você ofereço reciprocidade, inteireza e verdade.
Nildinha Freitas
Eu fui abrindo espaços para você entrar, deixando tudo no lugar. Aqui, não deixei resquícios de ninguém, só o que era meu!
Meu mundo!
Meu cheiro!
Meu sorriso escrito nas entrelinhas e nas paredes antigas dessa casa que sou.
Eu, que já atravessei tantas tempestades, que já tive que nadar contra a maré da esperança, que já olhei na cara da morte e que já tive azar e sorte. Hoje estou aqui, para me redimir dos erros que contra mim mesma cometi e para pedir perdão das incontáveis vezes que me puni. É que eu não entendia bem, que viver é erro e acerto, que finais podem ser o novo começo e que o agora é o único instante que cabe em minhas mãos.
Nildinha Freitas
Ah, amar eu amei!
Eu sempre olhei às pessoas como se elas fossem perfeitas, e não são. No máximo, se quiserem, estão buscando evolução.
Ah, amar eu amei.
Eu sempre me dei por inteira, sem ressalvas e acreditei sem questionar nas "verdades" que me contavam, nas lágrimas que caiam como se fosse dor e era, pois não estou aqui na posição de um julgador.
Ah, amar eu amei e não tenho medo de dizer: amei e ainda amarei, pois meu coração é um solo fértil pronto para germinar amor.
Nildinha Freitas
Agradecimento
Eu agradeço por ter acordado neste dia lindo e por meus ouvidos ouvirem o cantar dos pássaros.
Eu agradeço por sentir este vento me descabelando, por pisar na areia e poder me energizar com a força da terra.
Eu agradeço pelas minhas mãos, estas que escrevem o que o meu grato coração sente.
Eu agradeço pelos meus pés que caminham em direção ao melhor de mim.
Eu agradeço pelos meus olhos e por poder enxergar além da epiderme.
Eu agradecerei por tudo, enquanto eu estiver a viver, mesmo tendo a certeza que o meu corpo um dia vai morrer, mas eu, eu sou eterna, sou uma viajante imortal.
Nildinha Freitas
Eu sou uma pedra lapidada, fui me transformando ao passar do tempo e parei de cantar o lamento. Viver também é dádiva, não é só sofrimento.
Nildinha Freitas
Eu amo cada marca que está em mim, desde as que fiz por escolha própria, até as que fizeram sem minha permissão.
Sem elas eu não seria assim, tão forte, tão coração.
Nildinha Freitas
Eu cansei destes"amores" unilaterais, onde só uma pessoa quer, onde só uma corre atrás.
Cansei de ser a presa, cansei de ser algoz e cansei de amarrar e de desatar os nós.
Nildinha Freitas
O poema de ALICE
Eu queria ter conhecido Alice, mas só ouvi falar do timbre de sua voz e que sua alma nua era linda igual a noite de lua. Eu queria ter sido amiga dela, ter escutado o seu sorriso e ter sorrido com ela, gargalhando de piadas que nem todo mundo entende.
Eu queria ter sentado numa mesa de cafeteria, ter bebido um café com Alice, conversado sobre vida após vida e sobre morrer não dói. Falar sobre mudanças, evoluções e sobre a coragem de assumir-se quem é, mas não deu, a gente não se conheceu. Ela arrumou a bagagem, a bagunça que ainda insistia ao seu redor e fez a viagem sem a gente se ver.
Fico com as memórias que dela ouvi dizer e só de saber que ela resistiu, eu aprendi a amar essa Alice que não vive em um país das maravilhas, mas que vive, ainda que não a vejam com olhos carnais.
Nildinha Freitas
