Eu Vou mais eu Volto meu Amor
CANÇÃO PERDIDA
Quem sabe, talvez, o mundo não me quer.
Serei eu resto dum naufrágio incompleto?
Talvez seja resto de uma madeira qualquer
Sem ter a marca ou penhor d’um dialeto...
Ou, quem sabe, talvez, seja chaga sem poder,
Seja ferida que ninguém vê por completo...
Uma estranha voz, uma canção d’um querer,
Talvez seja eu, um enigma, um ser indireto!
Eu sei que a minha sorte não é neste mundo...
Talvez, pela explosão, d’um céu moribundo
Sou quem anseia estrelas no reflexo do mar!
Eu sei que, nesta esfera, sou um ser perdido
Que busca encontrar neste mundo ferido
Uma melodia, talvez, que seja pra cantar!
DEPÓS A CHUVA
(A prometida)
Então, depois, que chegaste sorrindo
e bela, quando triste eu já estava,
sorriu... a minh’alma, que enlevada
de sonhos, a noite foi se cumprindo...
Hoje, que me és a luz deslumbrada
e infinda, infindo eu me vejo sentindo
orgulho dos meus olhos, que nada
enxergava de esperança se abrindo...
Certo que de euforia imensa e leve
possa pulsar por teu sangue que tece
o meu imenso coração elevado,
Elevar-te-ei o luar da noite cumprida,
por certo que me foi prometida
para morrermos de amor lado a lado...
PRETEXTO
Que nada me fosse vil! E pecado
Ao firmamento! E eu seria um santo,
Que, no mundo, o meu pesado
Seria o meu provar de acalanto...
E de toda à vida, eu seria um manto
Ao destino, que se prega andado,
Mudo. E, qual razão teria um pranto?
E de qual amor seria meu curvado...
Por tudo é essencialmente puro!
E nada é de vão momento...
Nem adúltero, nem enlouquecido...
Por tudo o que é desgraça, impuro!
E canto, e disperso ao vento
Do meu santo mundo o ardor vivido...
DESEJOS EM AGONIA
Eu queria ser a brisa no teu esplendor
Galgar pelo tempo, ao vento imenso!
Eu queria ser alma em tudo que penso...
A aura do teu sentido e o teu frescor!
Eu queria ser o gosto do teu beijo denso,
O mel que escorre da tua boca em flor!
Ser as lágrimas do teu pranto sem dor
Que beija a tua face, sob o desejo tenso!
Eu te desejo sobre o langor dos sentidos
Por tempos curtos passados e perdidos,
Num dia de noite, sobre trevas sem fim...
Minha alma vagueia ao tempo em agonia
Por deixar-te passar ao vento aquele dia
Em que o ar teu perfume errou em mim!
HORAS QUENTES
Se eu pudesse ter-te, oh, amada minha,
Nesta hora em que os desejos aflorados
Consomem todos os medos e pecados
Deste Poeta louco que te adivinha...
Toda louca que tu és, bem à noitinha,
Vem ao pôr-do-sol a lua dos amados
A deixar-te em suspiros amargurados,
A estender-se pela noite, tão sozinha...
Se eu pudesse ter-te às horas quentes,
Sob roupas íntimas que te põe ardentes,
Rasgaria em linhas as vontades tuas...
Deixaria estas loucuras sem passado...
E no momento que tivesse do meu lado,
Suavizados, faríamos amor... às luas!
SUBSTÂNCIA FLUIDA
Eu só queria ser o que nunca fui;
Vida, som, ar... não sei o quê.
Queria ser a tua fragrância que dilui...
E, nos ares do amor, amar você!
Eu só queria ser o que inteiro flui...
Na alma, brotar o que não vê.
Queria ser o teu amor que não deflui
E dentro de mim, o teu por quê!
Queria ser a tua substância fluida,
Jazer em tua alma numa outra vida
E ser inteiramente o teu querer...
Mas se me ponho em outras esferas,
Neste presente que são as tuas eras
Cairia no abandono o meu ser...
CINDERELA
Era ela, a minha amada: a que alucino...
Veio pra mim naquela carruagem.
– Bem que eu sabia que seria ao meu destino
Aquela que me era uma miragem...
Veio ela, sem que me fosse de passagem,
A minha poesia, o meu sol, o meu desatino...
Era ela: o meu encanto de roupagem,
Veio pra mim com seu amor intenso e fino...
Era ela, a minha amada, aquela coisinha,
De amar sem sofrer, sem sentir dor,
– Que das canções alucinava de ser minha...
Mas quando de verdade eu a cantava... ai, o dia!
Uma luz a iluminava em tão primor
E me acordava da mentira em que eu sorria...
LOUCO
Deste acaso imprecado sem razão,
Em que eu vivo a desventura,
Tudo é pálido, é morto, tudo é vão
Dentre a minh’alma intensa e dura!
Não me há sentimento de ilusão
Neste transbordar de tortura...
Que já inventivo à solidão
Transpõe os meus olhos e perdura...
Eu já tanto sinto esse compasso,
Que já me é amor, que já é laço,
Que já me é tormento de conforto!
E deste blasfemo que vence a morte,
Que sorrio pela vida, desta sorte,
Já me sou de afeto intenso e absorto...
SENTIMENTOS SÓRDIDOS
Eu sou a sensibilidade dos teus sentidos,
O abortamento da tua inaudível paixão;
O alento que fita a tua alma da solidão,
E os teus mais tensos sentimentos vividos.
Eu sou a tua escolha de fardos erguidos,
O amor, o fogo, a chama de teu coração;
A dor que não dói, sou a tua ilusão...
Os prazeres que por ti serão consumidos.
Eu sou o teu querer e os teus encantos,
Os teus momentos, eu sou teus prantos,
A tua alegria, a tua esperança e o teu viver...
Mas quem vive e sente também sonha,
No entanto, sou também a tua artimanha
De amar e amar pra não se perder...
POR TEU PRAZER
Eu queria ser apenas o teu querer,
Queria ser a tua paixão, tão louca...
Quem por um dia se fez perder
Com apenas um beijo de sua boca.
Apenas queria ser de tua voz rouca
Uma causa finita de prazer,
Mesmo que a sentisse tão pouca
Ser-me-ia de esperança em viver...
Queria ser o mar de teus desejos,
O estalado molhado dos teus beijos
E também a boca que vier beijar...
Mas não apenas só ser sentimento,
Também queria ser todo o momento
Da tua louca vontade de amar!
ALMA PERFEITA
Se eu pudesse ser
Cada sentir de teus desejos,
O calor que sai de teus beijos,
A emoção que te faz viver...
Se eu pudesse ser
O pulsar de seu coração,
O teu sangue quente, em expansão...
Que a si se faz exceder!
Se eu pudesse ser
A tua magia e o teu encanto,
A paixão, que em ti és tanto,
O afeto, que não te faz perecer!
Se eu pudesse ser
Só em ti, a tua alma pura,
Tão meiga, oh, bela criatura,
Por amor, jamais iria sofrer!
Você não pode pensar que é forte por não temer a morte. Eu temo a morte; possuo o maior dos instintos. Não confunda «temer» com «aceitar».
Só que eu tenho esse coração que sonha na velocidade das suas batidas, nunca para, sempre acelera, vive num agito constante.
O REI DOS LÍRIOS
O rei dos lírios quer me ver feliz
E que eu desfrute de um prazer sem fim.
Ele me deu cem mil maravedis
E comprou um castelo para mim.
O rei dos lírios quer me nomear
Embaixador no reino do Sião
Para que eu possa lá me consolar
Do tédio que corrói meu coração.
O rei dos lírios disse que vou ser
Um nobre em sua corte sideral,
Com direito a fazer e acontecer.
Livre de tudo que me cause mal.
E vai me dar, em bom jacarandá,
Uma cama onde eu possa dormir bem
E esquecer esta angústia que em mim há.
E por todos os séculos. Amém.
Eu só queria saber, ter uma imagem,
uma foto qualquer do período em que
tudo começa a dar errado. Lembro dos
quartos sujos, dos azuis, dos
parques e cidades distantes. Lembro
do orgulho de ter algum sentimento.
Eu sei definir maus momentos,
irritantes gestos, mas não o primeiro
instante em que tudo teve início. Deixa eu colocar assim, como
uma desgraça cósmica que pairou
sobre todos nós. Queria zerar o
placar e trocar um eu, sedentário, por
atleta de verdade. Deixa eu
afastar os mundos logo um do outro
que talvez seja melhor. Eu não tenho
que pedir desculpas ao mundo pela minha loucura, eu não tenho que pedir
permissão pra poder ir tentando se
acertar em meio a tantos erros de
cálculo óbvios e tiros no coração de
raspão. Opostos, negativo e
positivo, extremos distintos, juntos
nunca dão ‘mais’. É sempre um ‘menos’
preciso que a gente vai encontrar no
caminho, é sempre um ‘menos’ frio que
vai bater na nossa cara não
importando pro lado que a gente
vire.
E não importa o quanto eu tente.
Nada rima, nada combina com Lobos-Cinza da Polinésia.
Jonas Greco.
E esse sentimento zerou, sem chances de marcar mais um ponto no placar, sem mais ter de me importar com um orgulho.
Orgulhos são pedaços de vidro dentro da garganta:
Se engolir morre, se cuspir fora cada palavra, cada momento... sangra, sangra muito.
Não estou tentando parecer poeta, até porque poetas não amam. Só tentando explicar que sua definição "uma desgraça cósmica" me acertou, um ponto, no placar. Ainda.
E se opostos se atraem, porque me sinto tão igual á você? Será mesmo que extremos distintos nunca dão ‘mais’?. Isso aqui é jornada, não um jogo, que quanto mais matamos e ganhemos vida, no final o velho ‘chefão’ estará lá.
Não querendo ser mórbida.
É verdade, nada rima com Lobos-cinza da Polinésia.
Brena Lobo.
Durante a nossa vida, conhecemos uma infinidade de pessoas. Algumas nos marcam, por diferentes motivos. Quando eu estiver velhinho ainda me lembrarei da sintonia assombrosa que temos. Os opostos se.atraem por representar um mundo diferente um ao outro. Porém, esses casos, geralmente, estão fadados ao tédio quando passa a empolgação da novidade. E sobre o "chefão", eu me identifico. Sinto-me como ele quando vejo uma ex-namorada/ex-amigo feliz.
Jonas Greco.
Eu quero que os seus olhos sejam os primeiros que eu veja a acordar, que seu sorriso e o seu rosto sejam a inspiração para amar
Eu quero me casar com você!
Eu quero que os seus braços sejam o abrigo quando o frio aparecer, e que eu esqueça o mundo inteiro quando eu ficar bem perto de você
Eu quero me casar com você
Tô cansada das coisas que eu quero não darem certo. Me foco e jogo toda minha força nisso sem olhar para o lado. Talvez seja melhor eu tentar enxergar nas coisas "erradas", algo "certo" que ainda não percebi. Existem grandes chances do errado me levar para o caminho certo.
