Eu Vou mais eu Volto meu Amor

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Cartas que Não Enviei


Se amar fosse um erro,
eu colecionaria pecados como estrelas,
cada batida do peito uma confissão
escrita em tinta invisível.
Cada carta guarda um segredo:
o tremor da mão ao traçar teu nome,
a saudade que se disfarça de ponto final,


o “eu te amo” escondido entre as linhas
como quem tem medo de ser lido inteiro.
E eu, a mais sortuda dos errantes,
continuo escrevendo sem selo,
sem endereço, sem coragem de enviar...


porque entregar-te o coração
é o único erro que eu faria
mil vezes, sem pedir perdão.

Vênus Indecifrável


aquela que eu
contemplei
pelo espelho,


num instante
tão inigualável,
único e particular,


que mesmo
os deuses
mais poderosos,


em teus suntuosos
tronos grandiosos,


me invejaram
e desejaram estar
em meu lugar.


05/11/23
Michel F.M.

⁠Eu gosto da minha saudade, porque gera em mim ocasião favorável para te amar.

O berro.
O ferro.
As bombas que incomodam o repouso.
Escuto. Eu ouço.


A perda da paz,
faminta, voraz...
Será que foi reflexo
do meu grito sem nexo?

⁠Quando estou triste, eu vivo um personagem, fantasiando mentiras sobre mim. Assim, esqueço quem sou eu. Enquanto a vida vai passando.

"Deus viu em mim um valor que eu mesmo ainda estou aprendendo a enxergar."

Eu não consigo entender um universo tão bem feito, no nível macro cósmico e micro cósmico, sem que haja uma mente prodigiosa por trás, eu olho para uma gota d'água, uma folha de árvore ou a beleza do olho humano, enfim quando eu olho para natureza, eu olho sempre com esse olhar, eu espero morrer com esse olhar de admiração, e eu me curvo diante dessa coisa extraordinária, que para mim tem um nome que é DEUS.

Eu sempre fui seletivo com amigos, antes eu contava alguns nos dedos de uma mão só, e sobravam dedos.
Hoje sobra a mão toda.

Tudo o que eu falar agora pode mudar. O que eu disse ontem talvez nem seja verdade amanhã. É estranho viver assim, sem se conhecer direito. Mas no fim, acredito que vou me conhecer melhor do que ninguém. Porque todo mundo está sempre mudando. E eu também, principalmente agora. Tudo à minha volta está diferente, e eu preciso me acostumar com esse mundo novo que está surgindo. Tenho medo, todo mundo tem. Mas quando tudo isso passar, vou poder, enfim, descansar.
Coisa de Gente!

Alexandre Sefardi

Gaza Livre

Entre eu e o abismo,
Pasmem o que descobri.
Existe uma vontade
Que não posso alimentar.
Entre eu e a vida,
Pasmem o que descobri.
Existe uma vontade
Faminta que me devora.
Essa vontade se chama
Sonho.

Às vezes eu danço na beira do poço, flertando com o caos que um dia me acolheu.

"Se a desumanização do outro não me doer,
serei eu o desumano:
pobre de alma, morto de espírito,
condenado aos confins do inferno
de minha própria mente, eternamente."
-B.M.

Eu decoro as praias com alfabetos de espuma e desperto a primavera com o perfume adormecido das cores quando o silêncio floresce as palavras maduras que o vento carrega na eternidade bolsos de sementes de futuro. A memoria é um jardim onde nunca termina o outono. As folhas secas contam histórias de árvores floridas e frondosas. As horas bordam linhas na minha face e minha memória se torna mais jovem quando altiva se mostra bondosa. E eu diria que o tempo é um trem que sempre volta no mesmo horário. A névoa abraçou a manhã como quem protege um segredo meu, que é evidente quando falo em amor. O coração constrói pontes onde a razão levanta muros, mas o sentimento desconhece o concreto. A noite derramou tinta sobre o orvalho e mais coloridos ficam as flores. O rios nunca esquecem o caminho das estrelas. Eu fecho os olhos e vejo sua face. O último raio de sol pediu licença ao horizonte, pois a solidão cultiva jardins sem vida. A esperança acendeu uma vela dentro da tempestade. Fazia sol e chovia. As nuvens escondem cartas escritas anônimas. São cartas que o orvalho escreveu sobre as pétalas. As árvores respiram a paciência das estações. E o amor ultrapassou a paciência e virou uma doce resignação. O crepúsculo guardou brasas douradas sobre as asas do céu e minha face se vestia de ouro na luz que recolheu os fragmentos da noite em suas mãos. Eu te observava como uma borboleta que adornava um livro. Era a lembrança da beleza silenciosa entre letras. O rio aprendeu a cantar observando o voo dos pássaros e a saudade cultiva jardins suspensos de momentos ternos. O sol semeou espelhos sobre a superfície do lago. Eu pensava se eu amo como águas de um rio que nunca mais verei. E o amor é um sonho impossível, que escreve beleza na luz do dia. O tempo afia suas asas nos séculos e o sentimento adormece no oceano profundo. O amor não tem destinatário, são fragmentos de um tempo passado. Mas esse amor é o brilho que me faz sonhar acordada. Mais nada.

Se você soubesse o quanto eu te amo, era melhor contar quantas estrelas tem no universo!

Eu lamentava o peso das minhas memórias, até que encontrei alguém que não possuía sequer um ontem para carregar.

Eu não guardo rancor de você, pois até a mágoa exige uma importância que você já não possui.

Você me olhava com uma promessa imensa no sorriso, mas suas atitudes nunca saíam do papel. E eu, mergulhado na vontade de dar certo, confundi a sua falta de opção com reciprocidade. Dei palco para as suas desculpas porque queria acreditar que o problema era o tempo, e não a sua falta de querer.
Você usou a minha calmaria para abafar o caos da sua bagunça interna. Validou o seu ego com o meu cuidado, colhendo o melhor de mim enquanto me deixava apenas com as suas sobras. Fez com que eu me sentisse especial na mesma proporção em que me descartava quando a conveniência mudava de direção.
Você dizia que o nosso encaixe era raro, mas preferiu a pressa dos desapegos. Dizia que adorava a minha companhia, mas sumia sempre que a rotina exigia presença. Dizia que tinha medo de me machucar, mas usou justamente esse medo como escudo para não se comprometer.
E sabe o que deixa um nó na garganta?
É dar-se conta de que eu estava construindo bases sólidas para nós dois, enquanto você só queria um abrigo passageiro para os dias de chuva. Eu apostava no que a gente poderia ser, e você só se ocupava em ter certeza de que poderia ir embora a qualquer minuto.
Hoje, eu decido fechar essa porta.
Escolho resgatar a intensidade que gastei com quem era raso.
Escolho a certeza que você nunca soube me dar e a dignidade de não caber mais em espaços tão pequenos. Eu não aceito mais ser o rascunho de alguém que nem sabe o que quer escrever.

Eu queria nunca ter cruzado o teu caminho.
Não porque você tenha sido uma pessoa ruim, mas porque você me fez enxergar um futuro que só existia na minha cabeça.
Você chegou justamente quando eu estava tentando me reconstruir, e, sem que eu percebesse, acabou se tornando o meu norte. Eu mergulhei de cabeça de um jeito que hoje até me assusta. Dediquei a você o meu melhor sorriso, o meu tempo mais precioso, o meu cuidado e toda a minha entrega.
E o que sobrou para mim? Apenas o eco do seu silêncio, a frieza da sua distância e o vazio da sua ausência.
O que mais machuca não é ver você ir embora. É olhar para trás e perceber que, para você, tanto faz se eu estou aqui ou não. Dói ver que a minha presença nunca fez diferença real na sua vida.
Quantas vezes eu deixei os avisos de lado, engoli o meu orgulho, quebrei a cara e insisti... tudo isso para, no final, abrir os olhos e notar que eu era o único lutando por nós dois. Eu estava sustentando sozinho uma ponte que você já tinha abandonado.
Quem sabe o tempo cure e um dia tudo isso faça algum sentido. Até lá, sigo recolhendo os meus pedaços, tentando me refazer e reaprendendo que o amor de verdade não deveria machucar tanto.

Achou que o seu gelo ia me congelar? Pois veste o casaco, porque eu acabei de decretar o inverno.

Mas até agora, eu nunca me senti vivo. Até.. eu pintar aquele quadro azul.
- Blue Period