Eu Vou Errando e Acertando
Eu amo essa troca de olhares. Ainda mais quando você sorri. Acabo retribuindo... Não consigo conter a alegria de ter os seus olhos nos meus.
Na sincronia entre coincidência e destino, cá estou eu à espera de que esse amor não seja simplesmente um acaso.
Porque eu também sinto medo, e haverá a morte um dia. A vida é apenas uma ponte entre dois nadas e tenho pressa.
É preciso que eu suporte duas ou três lagartas se eu quiser conhecer as borboletas...
Eu sou assim, gosto de ser assim. Do meu jeito, com manias, amores, defeitos, loucuras, sonhos impossíveis, fantasias… E não tenho a menor intenção de mudar. Não para agradar alguém. A não ser que esse alguém… seja eu mesma.
Os olhos... dizem que são as janelas da alma e eu diria mais, diria que são também as vitrines do coração.
Ainda não sei explicar a mistura de emoções que sinto nessa breve eternidade de olho no olho.
Paixão, laços eternos, atração irresistível, sensação de mergulhar dentro do outro. Faíscas de desejo, amor sem fim, troca de energia, outra realidade. Uma comunicação muda tão cheia de significados...
O brilho entrega que quer viver o momento, uma luz maravilhosa invade todo ser e então, ocorre uma transmissão de pensamentos.
Cada olhar tem o seu segredo... A paixão recolhida, o amor incondicional, o medo da atração, a vontade de viver! Os olhos gritam para a liberdade, o desejo de ser feliz, a canção do amanhecer...
Existem também aqueles olhos tristes... olhos tristes com vontade de chorar...
Chorar por tudo que não conseguiu viver, por aquilo que perdeu no meio do caminho, por ter perdido o compaço da dança. Podados por sua pouca alegria, por pessoas cruéis, sem sonhos e sem poesias...
Mas em todo olhar há uma beleza pronta ou esperando para ser lapidada...
Enfim, o que mais me encanta no olhar é que, o contrário da boca, eles nunca conseguem desmentir o coração.
Do que adianta eu ser durão e o coração ser vulnerável?
O vento não, ele é suave, mas é frio e implacável!
Eu não sei usar espadas, não sei navegar, também não sei cozinhar e não sei mentir, o que eu sei, é que dependo dos meus amigos se quiser continuar vivendo!
"Liberdade, igualdade, fraternidade" – eles se esqueceram de obrigações e deveres, eu acho. E então, é claro, a fraternidade desapareceu por muito tempo.
“Eu não tenho certeza de como colocar em palavras... É só quando eu ouço você dizendo essas asneiras de carregar tudo em suas costas eu meio que... Sinto a dor também. Não tem como eu ignorar isso!!”
Eu vi minha vida ramificando-se diante de mim como a figueira verde da história.
Na ponta de cada galho, como um figo gordo e roxo, um futuro maravilhoso acenava e piscava. Um figo era um marido, um lar feliz e filhos, outro era uma poetisa famosa e consagrada, outro era uma professora brilhante, outro era a Europa, a África e a América do Sul, outro era Constantino e Sócrates e Átila e outros vários amantes com nomes exóticos e profissões excêntricas, outro ainda era uma campeã olímpica. E, acima de tais figos, havia muitos outros. Eu não conseguia prosseguir. Encontrei-me sentada na forquilha da figueira, morrendo de fome, só porque não conseguia optar entre um dos figos. Eu gostaria de devorar a todos, mas escolher um significava perder todos os outros. Talvez querer tudo signifique não querer nada. Então, enquanto eu permanecia sentada, incapaz de optar, os figos começaram a murchar e escurecer e, um por um, despencar aos meus pés.
