Eu Trocaria a Eternidade por essa Noite
Eu só queria ser eu mesma quando não tenho mais nada para ser. E ainda que eu não seja, continuo sendo sem querer.
Para alguns eu sou luz. Para outros um conforto em momentos difíceis. E embora eu me ame muito, tem momentos que sou só tristeza.
As pessoas erram o tempo todo. Mas quando eu erro, parece o fim do mundo. E não é para as pessoas, é para mim mesma. E os erros podem ser perdoados. As atitudes erradas podem ser corrigidas. Quase sempre podemos voltar atrás. Nem que seja só pelo arrependimento.
Um dia eu tive um jardim. Começamos, eu e minha prima a observar que as plantas estavam secas, sem vida. Resolvemos molhar elas e aquilo se tornou um compromisso de infância. O jardim era na casa dela e não na minha. Mas a casa dela era como minha casa e onde passei muitos dos melhores momentos da infância e adolescência. Aos poucos vimos as plantas mais verdes e começamos a plantar flores. Elas deram vida de forma indescritível. Se tornou nosso jardim. Hoje me deu vontade de aguar um jardim.
Agora que a miragem se desfez, euavisto o horizonte da promessa; uma reconstrução daquilo que estava certo no único lugar onde a vida fazia sentido.
Eu acho incrível as pessoas que moram em uma casa com sua família a vida inteira. Criam memórias, lembranças, laços que atravessam anos e décadas. Não tive essa experiência. Vivíamos mudando de casa e de endereço. Éramos como nômades, ciganos. Mesmo constituindo minha própria família, acabei reproduzindo esse padrão. Não tenho essas memórias de forma física. Não tenho uma casa do passado para mostrar que estivemos lá. Também não pude preservar o quarto do meu filho.
Em silêncio, sem que ninguém saiba, eu choro a morte do meu filho todos os dias. Hoje me perguntaram por que eu chorava, se alguém havia morrido. Quando disse que era pelo meu filho, ouvi como resposta: "Mas já se passaram sete anos?". Preferi não explicar, apenas calei. As pessoas realmente não entendem que o tempo não apaga a ausência de um filho.
O golpe mais cruel e baixo que a vida me deu foi perder o meu filho. Se alguém tinha que partir, eu sentia que deveria ser eu, e não consigo me conformar com essa inversão. Essa dor consegue doer mais do que a ideia da minha própria morte — e olha que eu sou absolutamente apaixonada pela vida.
Eu não acreditava que a vida era tão dura, mesmo ela sendo dura lá atrás. Achei que o mundo era colorido, os problemas possíveis de resolver e que dava para crescer sem grandes danos. Mas a realidade me cobrou caro. Sigo enfrentando batalhas sem trégua desde que nasci. Isso não alterou a minha fé, ainda que a abalasse. Minha esperança é de que, em breve, poderei romper todos os grilhões e cadeias que hoje me prendem e por fim, possa viver o melhor dessa vida ainda com plena saúde e autonomia.
Às vezes, ao tentar ajudar, acabamos nos complicando. Que eu tenha discernimento para reconhecer onde Deus está trabalhando e não entrar em provas desnecessárias.
Ser pai espiritual…
Talvez eu tenha demorado para entender que ser pai na fé não é apenas conduzir pessoas a um culto, mas receber de Deus a responsabilidade de ajudar a formar almas, cuidar de vidas e pastorear destinos.
A paternidade espiritual me ensinou que existem presentes que não cabem em caixas, não se medem em dinheiro e não podem ser comprados. Existem presentes que chegam pelas mãos de Deus e transformam para sempre o sentido da nossa existência.
E Deus me confiou esses presentes: as ovelhas desta casa, a Igreja Catedral do Avivamento Nova Vida.
Cada um de vocês, com suas histórias, suas lutas, suas personalidades e suas jornadas… e dentro de cada vida, um pedaço do coração pastoral que Deus me deu.
Ser pai na fé de vocês é descobrir que o amor também corrige, que a disciplina também ensina, que a intercessão é uma forma silenciosa de amar e que, muitas vezes, quando penso que estou ensinando vocês a caminhar com Deus, são vocês que me ensinam o verdadeiro significado da dependência do Senhor.
Vocês me fizeram compreender que o maior legado de um pastor não é aquilo que ele constrói em estruturas, mas aquilo que permanece no coração daqueles que ele amou e serviu em Deus.
Um dia, talvez, vocês sigam seus próprios caminhos, enfrentem suas próprias batalhas, construam suas próprias histórias e amadureçam na fé de formas que hoje nem consigo imaginar. E, quando esse dia chegar, talvez eu não possa mais estar tão perto de cada um como estou em oração e cuidado hoje.
Mas haverá algo que o tempo jamais poderá tirar de mim: a certeza de que Deus me permitiu ser pai espiritual de vocês.
E por isso eu agradeço.
Obrigado, meu Deus, por cada ovelha desta casa.
Obrigado, meu Deus, por cada vida confiada ao meu pastoreio.
Obrigado, meu Deus, pela Igreja Catedral do Avivamento Nova Vida.
Que eu tenha sabedoria para corrigir sem ferir, força para proteger sem aprisionar, humildade para aprender com vocês e amor suficiente para que, mesmo quando eu não estiver por perto, vocês carreguem dentro de si a certeza de que foram profundamente amados em Cristo.
Porque ser pai espiritual não é preparar filhos na fé para dependerem de nós.
É prepará-los para caminharem com Deus, sem nunca esquecerem de onde vieram, quem os amou e de Quem veio a bênção sobre suas vidas.
Se algum dia me perguntarem qual foi a maior riqueza que Deus me deu como pastor, eu não precisarei pensar.
Direi com convicção:
As ovelhas que Ele me confiou.
Vocês não são apenas parte da minha história.
Vocês são uma das razões pelas quais a minha história pastoral vale a pena.
E se Deus me concedesse a oportunidade de viver tudo novamente, com todas as lutas, noites em oração, preocupações, lágrimas e sacrifícios…
Eu escolheria pastorear vocês outra vez.
Sem hesitar.
Porque algumas bênçãos não apenas mudam a nossa vida.
Elas dão sentido a ela.
Obrigado, Senhor, por me permitir ser pai espiritual.
E obrigado por ter confiado a mim vidas que eu amarei enquanto Deus me permitir servir neste altar.
Meus filhos na fé, meu legado espiritual, minha oração constante e uma das maiores provas de que Deus foi generoso comigo. ❤️🙏
Resolvi falar sobre a tristeza, pois eu sei que ela existe. E como é mais forte a tristeza, depois de termos conhecido a alegria, torna-se então, a tristeza ainda mais triste.
With you, eu descobri que a verdadeira coragem não é a ausência do medo, mas sim a certeza de que existe uma mão segurando a minha para enfrentarmos qualquer coisa juntos. Você me deu a segurança de ser exatamente quem eu sou, me abraçando com todas as minhas falhas e virtudes.
_Enzo Ruchell_
napoli.
Eu ainda não conheço Napoli.
E talvez seja justamente por isso que Napoli tenha conseguido existir tanto dentro de mim.
Antes de conhecer uma cidade, a gente inventa uma versão dela. Junta fotos, histórias, músicas, filmes, partidas de futebol, prédios antigos, ruas que nunca atravessou e um mar que só conhece pela tela. Vai montando, aos poucos, um lugar que talvez nem exista exatamente daquele jeito.
Mas existe Napoli.
Pelo menos a Napoli que eu imagino.
Napoli, para mim, começa antes do avião pousar.
Começa naquele instante em que eu imagino sair de algum lugar e simplesmente caminhar sem saber direito para onde estou indo. Napoli sendo o nome das placas, o idioma nas conversas, as roupas penduradas entre os prédios, o barulho das pessoas atravessando uma rua estreita enquanto alguma janela permanece aberta.
Eu imagino Napoli assim.
Imperfeita.
Viva.
Um pouco suja, um pouco caótica, um pouco triste.
Bonita justamente porque não parece estar preocupada em ser.
Napoli não é uma foto que eu quero visitar.
É uma sensação que eu quero descobrir se existe.
Eu penso em Napoli e penso no Vesúvio.
Não pelo vulcão em si, mas pela ideia de uma cidade inteira vivendo diante de alguma coisa que poderia destruí-la e, ainda assim, acordando todos os dias para continuar.
Isso me fascina.
Talvez porque eu goste de lugares que carregam uma ameaça sem precisar falar sobre ela.
Napoli parece ter alguma coisa disso.
Uma cidade que sabe que o chão pode tremer, que o passado pode voltar em forma de cinzas, que o mar pode guardar histórias demais, mas que ainda assim existe café pela manhã, futebol à tarde e gente voltando para casa à noite.
É assim que eu imagino Napoli.
Não como um paraíso.
Como um lugar humano.
Eu imagino o futebol em Napoli quase como uma religião antiga. Imagino o nome de Maradona ainda atravessando paredes, camisas, conversas, crianças que talvez nem tenham nascido quando ele jogava, mas cresceram ouvindo que houve um homem que fez uma cidade acreditar em alguma coisa.
E talvez seja isso que eu procuro quando penso em Napoli.
Não uma cidade perfeita.
Uma cidade que acredita.
Napoli acredita no futebol.
Napoli acredita no mar.
Napoli acredita na própria história.
Napoli acredita até nas próprias contradições.
E talvez eu queira acreditar também.
Às vezes penso em como seria estar em Napoli sem ter nada para fazer.
Sem roteiro.
Sem obrigação.
Sem aquela pressa de transformar cada lugar em foto.
Só estar.
Sentar em algum lugar e observar uma cidade que eu passei tanto tempo imaginando finalmente existir na minha frente.
Talvez eu olhasse para o Vesúvio.
Talvez para o mar.
Talvez para uma rua qualquer.
E provavelmente pensaria:
"Então era isso que eu estava tentando imaginar."
Mas existe uma coisa ainda mais bonita em não conhecer Napoli.
Eu ainda posso sonhar.
Ainda posso colocar em Napoli tudo aquilo que procuro no mundo.
A possibilidade de recomeçar.
A sensação de estar longe o suficiente para ouvir meus próprios pensamentos.
A liberdade de ser desconhecido.
A melancolia de perceber que uma vida pode caber em outro lugar.
Eu não sei se Napoli é assim.
Talvez não seja.
Talvez eu chegue lá e descubra que algumas das coisas que inventei nunca existiram.
Talvez o café seja apenas café.
Talvez as ruas sejam mais barulhentas do que bonitas.
Talvez o Vesúvio não pareça tão imenso.
Talvez Napoli não tenha nada da Napoli que eu criei.
E tudo bem.
Porque existe uma beleza estranha em desejar um lugar antes de conhecê-lo.
Você começa a construir uma casa dentro de uma cidade onde ainda não colocou os pés.
Napoli é essa casa, por enquanto.
Uma casa imaginada.
Um nome repetido.
Napoli.
Napoli.
Napoli.
Como se repetir fosse uma maneira de aproximar.
E talvez um dia eu chegue…
Talvez eu desça do avião, respire aquele ar pela primeira vez e perceba que a cidade real é completamente diferente da cidade que construí na cabeça.
Mas talvez, no meio de alguma rua qualquer, com o Vesúvio aparecendo ao longe e o mar existindo onde eu só conhecia por fotos imaginárias, eu entenda uma coisa
Alguns lugares a gente visita pela primeira vez duas vezes.
A primeira é quando chega.
A segunda é quando percebe que passou anos sonhando com aquele momento.
E quando esse dia chegar, eu não vou querer que Napoli seja exatamente como imaginei.
Vou querer apenas olhar para ela e pensar:
Napoli.
Então era você.
A cidade que eu conheci antes de chegar.
Terra a vista...
Eu, o barco e o adeus,
O mar calmo, muitos pássaros me acompanhando e a noite se aproximando,
As cicatrizes existem, a distância assusta e o silêncio é rei,
Em busca da paz desaparecer tornou-se inegociável,
A história revela fatos, as promessas revelam pessoas, bem como as atitudes apresentam os novos sonhos,
Amanheceu, no infinito um potinho é avistado lembrando uma miragem, o barco se aproxima mais um pouco, um grito cheio de euforia é dado,
_ Terra a vista!
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