Eu sou uma Menina Levada mas Quietinha
O passado é uma estação: você pode honrá-lo com um último olhar, mas não precisa permanecer onde os trilhos já não levam a lugar nenhum.
Marcilene Dumont
Londres 2023
Não há muralha que detenha uma mulher que aprendeu a fazer da dor o seu próprio alicerce.
Marcilene Dumont
Uma vida alinhada dispensa explicações e excessos.
Ela se traduz em clareza, coerência e resultados inevitáveis.
Uma mente alinhada não se dispersa ,ela direciona.
E por isso alcança com precisão aquilo que muitos apenas desejam.
A fortaleza de uma mulher está em buscar, nas entranhas de sua sobrevivência, a razão para continuar.
Uma mãe é hábil em ultrapassar os limites da dor para ver os olhos de quem ama e isso é apenas o começo daquilo que ela e capaz.
Perdi as contas de quantas vezes te escrevi
E hoje não poderia ser diferente
Alguém disse uma vez, que cabeça vazia é oficina do diabo
Concordo com esse ditado, pois ontem estava entediada e sem ter o que fazer
Resolvi dar uma olhada em você, em como você está
Vivo, mas falta aquele brilho no seu olhar
Não sei o que aconteceu desde que partiu, mas a boa notícia
É que pela primeira vez, eu não senti nada
Não senti aquela tristeza arrebatadora
Não senti inveja da sua vida "perfeita"
Eu só senti o vazio, nada que me tocasse a alma
E isso é algo novo pra mim
Não é algo bom ou ruim
É um grande nada, pela primeira vez meu coração não doeu
É um sentimento de paz depois de anos de tempestade
Você foi um tsunami na minha vida
Chegou, levou tudo e foi embora
Sinceramente, espero nunca mais perder o controle da minha vida
Não quero perder o controle dos meus sentimentos
Não quero tentar caber nos lugares que não foram feitos para mim
Não quero um amor impossível
Eu quero um amor leve
Eu quero um amor fácil
Eu quero ser a escolha de alguém
14 de abril de 2026
"Pai não é apenas um título biológico, é uma função de presença. Se ele não ocupou o cargo, ele perdeu a oportunidade de ver a pessoa incrível que você se tornou."
"Existe uma armadilha cruel em achar que o amor falhou. Quem falhou foi o caráter de quem não soube honrar o que recebeu. A traição diz muito sobre o traidor: sobre a insegurança dele, sobre a falta de integridade e caráter."
"Os homens são fiéis às suas parceiras enquanto não acham uma mulher que desperte seu interesse mas, quando eles a encontram, essa mulher entra em sua mente como um parasita, pronto para se alimentar da infidelidade."
- Vanessa Costa Lima
O amor incondicional é o que uma mãe tem por um filho. Entre um casal, o amor é recíproco.
- Vanessa Costa Lima
O "felizes para sempre" é uma ficção que nos impede de viver o "felizes agora."
- Vanessa Costa Lima
Cuidado para não dar as chaves da sua casa interna para quem só quer passar uma noite e ir embora. Você é lar, não é um quarto de hotel de beira de estrada
Às vezes sinto
que vejo o mundo
como uma enorme lixeira
transbordando...
um aterro de consciências,
onde se empilham
mentiras em decomposição
e vaidades com cheiro de podre.
Um lugar onde
se descartam princípios
como embalagens vazias,
onde a ética
é jogada no fundo do saco
junto com restos de conveniência.
O ar
anda pesado de hipocrisia,
e os urubus da esperteza
sobrevoam satisfeitos
esse banquete de decadência.
E eu,
com o estômago da alma embrulhado,
reviro os escombros humanos
procurando,
entre latas amassadas de caráter
e plásticos rasgados de moral,
algum vestígio ainda vivo
de moralidade e de humanidade.
O mundo é um enorme lixão
que transborda sujeira e fedor
por todos os lados,
até no espaço extraterrestre!
✍@MiriamDaCosta
Na mente de uma nação que elege um politico corrupto, o vazio não é falta é excesso de ignorância ocupando espaço.
Marcilene Dumont
Quando o interlocutor já não consegue esperar o outro concluir uma frase, ambos podem não ter mais assunto relevante para tratar.
Há um momento em que a pressa de responder mata a dignidade do diálogo.
Não se trata apenas de interrupção, mas de algo mais profundo: a incapacidade de escutar até o fim revela, muitas vezes, que já não se busca compreender — apenas reagir.
E quando a reação toma o lugar da escuta, a conversa deixa de ser encontro e passa a ser disputa de egos, vaidades e certezas apressadas.
Esperar o outro concluir é muito mais do que um gesto de educação; é uma demonstração de respeito pela existência de um pensamento que não nos pertence.
Quem atropela a fala alheia quase sempre não está interessado no que será dito, mas em encaixar, quanto antes, a própria ansiedade dentro do debate.
Nesse cenário, a palavra deixa de construir pontes e passa a servir apenas como arma de ocupação de espaço.
Talvez por isso tantas conversas hoje se esgotem sem produzir nenhuma verdade, qualquer aprendizado ou qualquer aproximação.
Fala-se muito, escuta-se muito pouco, e compreende-se muito menos ainda.
O barulho da impaciência transforma qualquer troca em ruído, e o ruído, por sua vez, tem o péssimo hábito de se fantasiar de profundidade.
Mas não há profundidade alguma onde ninguém desce até o fim do que o outro quer dizer.
Há diálogos que terminam antes mesmo de acabarem.
Permanecem em curso apenas na aparência, sustentados por interrupções, suposições e respostas fabricadas antes da hora.
Quando isso acontece, talvez já não exista ali assunto relevante, porque a relevância de uma conversa não nasce apenas do tema, mas da disposição mútua de tratá-lo com presença, atenção e maturidade.
No fim, conversar de verdade exige uma virtude cada vez mais rara: suportar o tempo do outro.
Porque escutar até o fim é reconhecer que nem tudo gira ao redor da nossa urgência.
E onde essa humildade desaparece, a fala pode até continuar — mas o diálogo, esse já se retirou há muito tempo.
Os que não deixam o outro concluir uma frase são os mesmos que transbordam Paciência ouvindo Vozes Artificiais.
Há alguma coisa de profundamente reveladora nisso.
Não apenas sobre a pressa do nosso tempo, mas sobre o tipo de escuta que estamos desaprendendo a oferecer uns aos outros.
Entre humanos, a interrupção virou reflexo.
A fala do outro mal começa e já recebe por cima a ansiedade, a opinião, a réplica pronta, a necessidade quase física de tomar a palavra de volta.
Como se ouvir fosse perder terreno.
Como se esperar o fim de uma frase fosse um sacrifício excessivo para egos treinados no imediatismo.
No entanto, as mesmas pessoas que não suportam os tropeços, as pausas, os desvios e as respirações de uma conversa real se mostram surpreendentemente dóceis diante de uma voz sintética.
Esperam a instrução inteira.
Escutam até o fim.
Repetem o comando.
Ajustam o tom.
Têm paciência com a máquina.
Aceitam sua lentidão, sua didática, suas falhas de interpretação.
Oferecem à voz artificial uma delicadeza que negam muitas vezes ao semelhante sentado à sua frente.
Talvez porque a máquina não confronte.
Não fira.
Não traga o peso de uma subjetividade viva.
A voz artificial pode até errar, mas erra sem abalar ninguém.
Não exige reciprocidade emocional.
Não devolve ao ouvinte o espelho incômodo de sua própria pressa.
Com ela, não há disputa por espaço afetivo, nem o risco de descobrir algo que desorganize certezas.
Escutar uma máquina é, em certo sentido, mais confortável do que escutar uma pessoa.
A máquina informa; o humano implica.
Eis a ironia do nosso tempo: desenvolvemos tecnologias cada vez mais sofisticadas para simular presença, enquanto enfraquecemos a musculatura íntima necessária para sustentar a presença real.
Perdemos a paciência com a hesitação humana, mas admiramos a cadência programada.
Rejeitamos a fala atravessada por emoção, mas acolhemos a fala atravessada por algoritmo.
Talvez não seja apenas fascínio tecnológico.
Talvez seja cansaço moral.
Talvez ouvir gente tenha se dificultado porque gente exige de nós mais do que atenção: exige disponibilidade.
Concluir uma frase, afinal, é mais do que terminar um raciocínio.
É receber do outro a autorização silenciosa de existir por inteiro naquele instante.
Quem interrompe o tempo todo não corta apenas palavras; corta presenças.
Comunica, ainda que sem perceber, que já entendeu o bastante, que o resto é excesso, que a interioridade alheia pode ser resumida antes mesmo de se revelar.
E isso produz uma solidão muito específica: a de falar sem realmente chegar ao outro.
Talvez por isso tanta gente esteja se habituando a falar com sistemas, assistentes, interfaces e vozes sem rosto.
Não porque ali encontre profundidade, mas porque ao menos encontra um tipo de estabilidade.
A máquina espera o comando; o humano, cada vez mais, parece não esperar nada.
E nesse deslocamento silencioso há um empobrecimento afetivo grave: estamos terceirizando para a tecnologia uma paciência que antes sustentava vínculos.
No fundo, a questão não é sobre inteligência artificial, mas sobre miséria relacional.
Sobre o quanto nos tornamos incapazes de habitar o tempo do outro.
Sobre o quanto confundimos comunicação com emissão, diálogo com desempenho e resposta com escuta.
A máquina nos escuta porque foi programada para isso.
O humano escuta por escolha — e justamente por isso sua escuta tem valor ético, amoroso e civilizatório.
Talvez a verdadeira modernidade não esteja em conversar com vozes artificiais, mas em reaprender a não atropelar vozes humanas.
Porque uma sociedade pode até se orgulhar de suas tecnologias conversacionais, mas fracassa intimamente quando já não consegue oferecer a alguém o gesto elementar de deixá-lo terminar uma frase.
Nem toda certeza nasce da verdade — às vezes, é apenas fruto de uma manipulação muito bem-sucedida.
Há um certo conforto nas certezas.
Elas nos poupam do esforço de questionar, da angústia da dúvida, do desconforto de admitir que talvez não saibamos tanto quanto cremos.
No entanto, esse mesmo conforto pode se tornar uma armadilha silenciosa, onde ideias são aceitas não por sua veracidade, mas pela forma convincente com que se apresentam.
A manipulação eficaz não se impõe com violência; ela seduz.
Ela se disfarça de lógica, de senso comum, de urgência.
Ela encontra brechas nas emoções — medo, raiva, pertencimento — e se instala ali, criando convicções que parecem sólidas, mas que, na verdade, foram cuidadosamente construídas para servir a interesses que nem sempre são os nossos.
O mais inquietante é que, uma vez convencidos, passamos a defender essas certezas como se fossem descobertas próprias.
Compartilhamos, repetimos e até protegemos.
E assim, sem perceber, deixamos de ser apenas influenciados para nos tornarmos agentes da própria manipulação que nos alcançou.
Reconhecer isso exige muita coragem.
Não a coragem de enfrentar o outro, mas a de confrontar a si mesmo.
Questionar o que parece óbvio, revisar o que parece indiscutível, admitir a possibilidade de erro.
Em um mundo saturado de informações, talvez a verdadeira lucidez não esteja em ter respostas rápidas, mas em cultivar perguntas honestas.
Porque, no fim, a liberdade de pensar por conta própria começa exatamente no momento em que desconfiamos das certezas que nunca nos deram trabalho para questioná-las.
