Eu sou tudo e nada
A Imperfeição de Deus.
Está tudo no lugar errado
Desde quando o Mundo é Mundo
A começar
Pelo cálculo dos horas
E a miraculosa causa de nossas vidas
A pausa para o descanso
No voo dos gansos selvagens
Isso sem falar
Na mansidão da noite
Ou na brancura da nuvem que passa lá no Céu
Fazendo sombra sobre mim agora
Eu acho muito chato tudo ser assim
É simplesmente um erro
O formato rotundo do Planeta Terra
A lágrima daquele que erra
O engano daquele que chora
Todo mundo sabia fazer melhor
Portanto
Está tudo exatamente no lugar errado
Este é o único fato concreto
A noite dá lugar ao dia
O dia que se torna noite
Tudo isso, sem tocar no fato
de que Mares e Oceanos
Árvores, Estrelas, A Morte, A Doença
Nada disso deveria estar nos planos
Gente que pensa e que não pensa
O advento da Humanidade
As Máximas da nossa vã filosofia
Deus nem ao menos perguntou
Se alguém queria
A próxima mudança de Estação
As batidas do coração
A dor que dói agora
Quando a chuva cai
Ou quando ela não vem
A tempestade que destrói
A verdade que um dia aparece
E que destrói também
A fumaça que sobe
A gravidade, que a tudo faz descer
O lamaçal escorre
A grama cresce
O inesperado a causar espanto
O suave canto da Coruja
A viscosidade na língua do sapo
Quando impede que o inseto fuja
A Luz do Sol
Projetando a Sombra da Terra
Quando a Lua míngua
Água limpa, consciência suja
Um mundo todo errado
Ninguém que eu conheço erra
E tem sido assim desde o começo
O gato que mia
O latido do cão
Tá tudo errado
Abençoada imperfeição!
Ainda bem
Pois, Quem criou tudo isso
Não deixou que nada
Ou quase nada eu tenha feito
Neste Mundo abarrotado de defeitos
Pois, de certo
Assim me resta
E não presta do mesmo jeito
Somente a modesta e desprendida inspiração
Em saber reconhecer em mim
Que a tudo que fiz em vida
Nunca fiz nada direito.
Edson Ricardo Paiva.
Difícil responder
O que vai ou permanece
Tudo um dia se vai
Inclusive a gente
Que simplesmente vive
E se esquece
de atentar para um fato:
Em meio a tanta mudança
Existirá clareza na lembrança?
Não sabemos dizer
Se as águas do rio se foram
Ou se o rio carregou a gente
A paisagem muda
Conforme a ilusão
Há, contudo, uma certeza
Tudo se vai
Quase tudo se foi
E se a gente também não ficou
Será que as águas do rio passaram
Ou o rio carregou a gente
Paisagens, imagens, miragens
Será esta vida uma passagem
Ou a gente há de ficar
Enquanto o tempo e a vida
Assim como as águas de um rio
Haverão de sumir na curva
A visão vai turvando
Eu aqui, calado
De vez em quando me pergunto
Será que tudo passou pela gente
Nas águas de um rio gelado
Ou o rio carregou todo mundo
E aquele tempo ficou no passado?
Edson Ricardo Paiva
Já pensou
Se a imperfeição
Que se enxerga na vida
E em tudo que se vê
Pode ser simplesmente
A inversão refletida
do espelho da mente
Desvendando
Que na verdade era você
Se mirando ao contrário
E que o fim
Nem sempre precisa
Ser cinza
Se ... das cinzas ao pó
E do pó ao ser vivo
O nada ecoando
No silêncio que se escuta
Pense
Que em termos absolutos
Tudo é relativo, sempre
Inclusive o pensamento negativo
Que a tudo corrompe
E que a tantos atormenta
Quando de passagem
Pela ilusão desta vida
Um novo engano
Provisoriamente eterno
E que nunca funcionou direito
E pode ser que ela
Esteja sendo vista
Ao contrário
Como a tudo que se vê
Quando a gente olha no espelho
Sem saber
Que não se olha
Sua mente somente reflete
A imagem à sua escolha
E seu ser verdadeiro
Está do outro lado do espelho
Mirando você
Viva miragem
Vivendo iludida
E vendo a imperfeição
Em quase tudo.
Edson Ricardo Paiva.
Se fez
Faz segredo
Se fizer errado
Sinta medo
Saiba
Que no fundo
Tudo é raso
Não há malfeito que se oculte
O que a gente chama acaso
É somente o Universo corrigindo
os incidentes de percurso
Pra que tudo corra entre dois trilhos
O rio da vida segue um curso
e cumpre um prazo
Todo desconhecido
Tem nome e endereço
e é pesado e medido
e tem preço definido
O deus do justo é um andarilho
Um pedinte, um giramundo
Pra que assim
Possa chegar perto da gente
Invisivelmente , sem que se atente
Que pra tudo existe
um custo a pagar
Triste ou contente
Pois, por mais que se fuja ou se faça
O tempo enferruja
E não permite nada
Sem limite
Cada minuto é contado
E nada na vida é de graça.
Edson Ricardo Paiva.
Quem poderia dizer
Que hoje seria assim
Se tudo que dá na terra
Acontece por sob ela
Ocorre com o passar do tempo
O frio em calor transforma
E assume outra forma
Cada essência traz um gosto e seu aroma
Acontece nas fibras mais íntimas de tudo
Entrelaçando e trançando
Coisas que cegos que enxergam
Acreditam tê-las visto em linha reta
Resultado inesperado
E o jogo ainda no meio
Alguns crendo saber tudo
Sem ao menos suspeitar
Onde vai e a quê veio
Faça as tuas apostas
A resposta aparece ao anoitecer
Numa linha de tempo diferente
Tênue e muitas vezes branda
Mais ou menos parecida
Com o jogo de mais e menos
A mesma luz
Que faz a química da vida
É a luz que desvenda a mímica mal feita
da terceira versão
Nisso consiste a perfeição da vida
Onde cada um de nós se conduz
No escuro caminho da solidão
É tudo espetáculo de sombra e luz.
A beleza duradoura
No lugar onde o tempo inexiste
Esperança
Em tudo que podia, sim
Ter ou não ter sido
Só presente
Sem futuro ou passado
Beleza eternamente bela
Aquela na qual se acreditou
Tendo ela acontecido em mim
Assim eu vou levando a vida
Lembrando da esperança
e da fé que depositei
Agora estou vivo ainda
Perdidas tantas apostas
Creia ainda na beleza das promessas
da vida que há de existir depois desta
Onde a gente simplesmente
Depositou tanta esperança
Beleza ilusória
Alegria inexistente.
Edson Ricardo Paiva.
Vita.
Nesta pouca vida
Quase tudo é verdade inventada
Uma grande quantidade de ar azul
Deserto suspenso, que de perto, é nada.
.
Penso ser tudo olhar da mente
Todo dia é sempre dia
de partida, chegada e olhar desatento
O mundo gira pro mesmo lado, sempre.
.
Essa vida é um castelo de cartas
Uma folha no chão
Uma pluma no vento.
.
Pluma, vento, chão , mente que mente
A gente só vê ao que quer e inventa
Quando a lente do olhar aumenta: é o nada.
Edson Ricardo Paiva.
Transformar
Não não se resume
A mudar a forma
Nem tampouco o conteúdo
Transformação muda tudo
Desnuda a alma
Que se lava na chuva
E depois se purifica
À luz do Sol
Mesmo assim
Permanece o mesmo
Após imutado
Quem o olha
Sem molhar-se nessa tempestade
Diz que parece inalterado
Desconhece a verdade invisível
Realidade, onde nada existe
Transformar é perceber
Que tudo que tem uma forma
Simplesmente a tem
Por seguir as normas
Das mentes que não enxergam
Translúcido e nem transparente
Vendo a reles realidade
Das verdades aparentes
Aos olhos de quem
Tem olhos
Que nada vêem.
Edson Ricardo Paiva.
Vida efêmera
Vivida longe de tudo
e sem acesso a um escudo
Que pudesse me afastar
Das passagens frívolas
Que gostaria de não ter vivido
Vida hilária
Na qual não passei de pária
Observando à distância
e descobrindo
Que sendo este mundo uma esfera
O menor caminho
Quase nunca é reto
Porém a trajetória
É muitas vezes temerária
Poucas vezes concreta
e quase sempre
Na direção contrária
Em uma estrada muito fria
Em companhia
De mim mesmo
Ensimesmado
E muita coisa ainda falta
Pouca coisa resta
Na parte que ainda
Não foi vivida
A estrada que percorri
Foi simplesmente
Sinuosa e descabida
Eu vejo gente arvorada
Em impérios imaginários
Apoiando os pés no nada
Quando este rio houver
Finalmente desaguado
No inexorável Oceano de verdades
Infinitamente capaz
De apagar a pira
do todas as vaidades
Pouca coisa emergirá
Além da ira
Incapaz de qualquer vingança
À luz da alva verdade
Que há de tornar toda gente muda
de forma aguda e incisiva
A finalmente perceber
Que a vida era passageira
Tem horas em que a gente
Simplesmente olha em volta
e percebe que perdeu tudo
Perdeu o tempo, que não volta
E a posse temporária
da própria vida
e vive a realidade
de nem mais possuir
o direito à uma revolta
Sente somente a dor aguda
Daquelas
que te fazem ficar mudo
Tem dias em que a gente
Finalmente percebe
Que foi tudo uma ilusão
E que na verdade
Nunca teve nada
Portanto, ilusória foi a perda
Derrotas, vitórias
É tudo somente questão
de ponto de vista
Nada é de verdade
Alegrias ou dificuldades
O êxtase da conquista
A Luz que te iluminava
O amor ao qual se apega
A única verdade
À luz da realidade
É que toda a gente é cega
Ser feliz
É ter um calo que dói
Esquecer a dor e ir trabalhar
Ser feliz é entregar tudo que tem
Sem nunca pedir nada em troca
Por crêr que não é preciso
Nem tudo a gente sabe
aonde é que se inicia
Porém, todo mundo sabe
Que tudo um dia chega ao fim
A vida te dá o que pedires
Pede então, a parte que te cabe
Peça o que houver
Lá no fim do Arco-íris
Pois antes que a vida se acabe
Muita coisa chega ao fim
Simples assim
Termina pra você
Excede também pra mim
Resta apenas a Luz da Lua
Iluminando a nosso casa
Que ficava no fim da rua
Hoje a gente nem mora mais lá
Chegamos ao fim do caminho
Hoje, estou aqui sozinho
Melhor que seja mesmo assim
Enfim, vou-me embora
do mesmo jeito que um dia vim
enfim
Tudo um dia chega ao fim.
Escrevam em seus diários
Enterrem no fundo dos seus quintais
Anexem aos seus cabedais
Tudo aquilo que presentemente
Nós sabemos que não volta nunca mais
Cada dia de uma vida
São coisas passageiras, efêmeras, transitórias...
temporárias
Cada dia é a própria vida
dividida em várias peças
Não se esqueça de montar corretamente
Teu jogo de encaixe
usando para isso
Cada pedacinho que te chega
a cada vez que teu tempo diário
Avisar que hoje é outro dia
Mesmo que às vezes a vida te impeça
de montar corretamente a tua parte
Viver é uma arte
Um mosaico dependente de você
na qual estão inclusas
essas partes difíceis
Mesmo que não pareça
Portanto; as faça
Sem elas, te garanto
Que a vida não teria a mesma graça.
Senhor, Deus do infinito
Que se faça hoje em minha vida
Tudo aquilo que disseste
Caia sobre mim, Tua Luz Celeste
e tudo mais que Está Escrito
Aquilo que me foi revelado
e tudo mais, que porventura
Ainda me for oculto
Tudo que acho e sempre achei
Muito bonito
Mostra a mim, Meu Pai
Teu Rosto, Tua Verdade, Teu Vulto
Revela a mim Tua Bondade e Teu Amor
Retira a dor do meu caminho
Retira a mim mesmo do caminho dos homens
Me mostra, Meu Pai, como é doce a Tua Companhia
Se, porventura, houver chegado ao fim minha missão
Senão, esclarece-me uma vez mais
Por teu amor e compaixão
Só não me deixe aqui no chão
Vivendo à esmo
Faz então, um cisma em minha vida
Eu sei que o Senhor pode dividí-la
Como bem lhE aprouver
Me mostra o que o Senhor quer
e pretende de mim
Pois muita coisa aqui, chegou ao fim
Portanto
Não me abandona, Senhor
Vivendo de um modo qualquer
Há momentos em que tudo que penso
é somente sumir, partir, ir embora
Estou por aqui há tanto tempo
Que nem ao menos me lembro
Qual das pernas eu uso
Pra dar o primeiro passo
Sinto saudades de um dia
Que nem ao menos sei dizer
Se realmente existiu
Ou se meu coração o criou
Pra espantar a tristeza
Num momento de rara beleza
Eu voava por sobre pântanos e montanhas
E me sentei, cansado
Embaixo de uma árvore
Arreada de lindos e estranhos frutos
Ao meu lado uma voz me dizia
Que aquele havia sido
O dia mais divertido de nossas vidas
Hoje, tudo que me resta
Além de dias diminutos
É a vontade de reencontrar
Os pássaros que voaram comigo
Numa antiga lembrança
de uma hora amiga
Que eu não sei dizer
Se realmente existiu.
Desde quando a gente nasce
tudo vai matando a gente
um pouco e todo dia
As palavras ruins
As fofocas da tia
O mosquito que morde em mim
Os ouvidos moucos
Que o mundo oferece
enquanto a gente cresce
e se não mata
pelo menos deixa rouco
Desde quando a gente nasce
desde que não morra no parto
esta vida é um infarto constante
é a fumaça das velas
o barro nos pés
os gases invisíveis e inodoros
os pontapés que a vida dá
quase sempre leva ao chão
a cara amarrada do patrão
o quase nada que eu trago pra casa
a demência lenta e galopante
a que somos condenados
pois quando nascemos gente
nascemos, então
sem asas
Amputados da delícia de voar
vamos vivendo de más notícias
Maus olhados e olhares ruins
e casos de polícia
ou cobiça do ladrão
desde quando a gente nasce
tudo vem matando a gente
lentamente, desde então
Quando tudo tiver passado
E não houver ninguém
Pra me amar ou me odiar
Um dia assim, igual a hoje
Mas hoje ainda não é o fim
é só um dia banal,
sem ninguém ao meu lado
Talvez então, eu me sinta magoado
Contudo, vou levar recordações felizes
e concluir que a vida valeu à pena
Apesar de algumas tristezas
Pois a vida sempre pode ser boa
Mesmo que neste mundo
Tanta coisa conspire
Pra que aconteça o contrário
Quando tudo houver se acabado
E eu olhar pros lados
E Perceber
Que meu tempo passou
Vou me sentir agradecido
Olhar para a frente e seguir
Humilde e sem glória
Rumo ao desconhecido
Onde eu sei, tenho certeza
de que há de iniciar-se outra história
talvez em língua portuguesa
talvez não
Mas tudo que eu vi e senti
Há de seguir comigo
Vou levar pra sempre esta existência
Guardada
Aqui no meu coração
A vida vai correndo
O tempo a tudo desfaz
Aquilo que antes transbordava
Vai aos poucos se rarefazendo
Felizes daqueles que compreendem
As leis da vida e da natureza
E as aceitam
Pois se prepararam pra esse momento
E não perdem aquela alegria
Que parecia pertencer à juventude
Pois cada idade tem a sua beleza
A vida é uma coisa linda
Quando bem vivida
E quando chega no momento certo
Até a morte pode ser bem vinda
Os sonhos haverão de permanecer
Mas os desejos vão se amiudando
De maneira obedecer e cumprir
Um ciclo natural
Toda vida é uma missão
Que consiste em vivê-la
Com simplicidade e alegria
E deixar aos que ficam
Um exemplo, uma lição
Pois toda vida termina
Assim, como termina o dia.
Um dia, tudo que é inexplicável
Será finalmente compreendido
E a gente, então, vai descobrir
Que este mundo não era assim
Tão complicado quanto se pensava
Um dia, todo mundo vai poder
Sair às ruas cantando
Canções de rua
Em todas as ruas do Mundo
Um dia, todo mundo vai poder
Se visitar de vez em quando
Sem pressa
Um dia todos terão direito
A uma segunda chance e até
A uma segunda opinião
Um dia, ninguém mais
vai dormir no chão
E ninguém também vai poder
acordar quem tá dormindo
Um dia, vai nascer um dia lindo
Em todos os lugares do Mundo
E será lindo pra todo mundo
E esse dia vem vindo
Vai chegar
Só não sei quando.
Um dia
todo mundo queria
Que um dia
Todo mundo fosse feliz
e assim estaria
tudo pronto e acabado
Mas o que ninguém sabia
é que esse dia
talvez já tivesse chegado
Mas todo mundo
estava muito ocupado
Sonhando
ou vivendo o sonho errado
e assim
mais um dia foi passando
enquanto todo mundo procurava
aquilo que mais queria
e estava ali
o tempo todo.
Mas todo mundo, ao mesmo tempo
Estava olhando pro outro lado
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