Eu sou o q sou Mesmo Caindo me Levanto Sempre
A atividade física que eu mais gosto é dormir.
Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei;
O que só agora vejo que deveria ter feito,
O que só agora claramente vejo que deveria ter sido —
Isso é que é morto para além de todos os Deuses,
Isso — e foi afinal o melhor de mim — é que nem os Deuses fazem
viver …
Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;
Se em certo momento
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro —
Se tudo isso tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado a ser outro também.
Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido,
Não virei nem pensei em virar, e só agora o percebo;
Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse;
Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas,
Claras, inevitáveis, naturais,
A conversa fechada concludentemente,
A matéria toda resolvida…
Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói.
O que falhei deveras não tem esperança nenhuma
Em sistema metafísico nenhum.
Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei,
Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?
Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver.
Enterro-o no meu coração para sempre, para todo o tempo, para
todos os universos.
Nota: Trecho do poema "Na noite terrível"
Esse não era o papel que eu queria, pode ter certeza. Queria fazer valer seus instantes perdidos me observando numa festa cheia e tentando entender meus enigmas. Eu sou uma decepção. Parecia tão interessante, tão cheia de luz. E agora sou essa criança que só quer agarrar você e proibir de brincar com os outros amiguinhos. Só meu, não empresto.
Não acredito em almas gêmeas ou frutas pela metade, mas eu acho que a gente se pertence, de alguma forma.
A minha crítica, quando eu chamo de moda de comportamento, não é às pessoas que não comem carne; a minha crítica é às pessoas que acham que porque não comem carne ou são veganas elas são moralmente superiores.
Eu não quero lembrar que eu vou acordar
Sabendo que meus olhos não vão te encontrar
Eu não quero lembrar que tudo acabou pra mim
(...) E eu não sinto o seu gosto porque o salgado continua por toda partee enquanto você não vem. Não é por falta de pedidos, ansiedades e, tampouco, de piedade. É pela falta em si...
Só que hoje é tudo tão diferente. Tantas vezes eu acordo esperando que meu braço esteja quase gangrenado por ter vocêe em cima dele, tantas vezes eu me pego programando coisas bonitas, tantas vezes eu me arrumo tanto pra você não me ver. Amadurecer uma idéia e um sentimento faz com que tudo seja muito mais concreto depois e eu me orgulho tanto de a gente ter conseguido. Mas pior do que não querer é não ter como fazer acontecer o depois. Quando o depois sempre é o depois, ela nunca vira o agora.A minha necessidade de você é tão desesperada.Todas as coisas dessa vida nunca me pareceram tão sem cor. E a rapidez das nossas coisas, nunca me pareceu tão necessária."
E como no outono as folhas caem para se renovarem com as estações seguintes. Aqui estou eu, sem medos, só permitindo minhas folhas se libertarem para as próximas estações que vivenciarei.
Eu era uma pessoa com dignidade e respeito próprio, e não deveria me considerar pior que qualquer outra pessoa só porque era negra.
Eu queria saber por quê? Só isso. Queria saber o porquê do seu jeito, porque você me trata assim, me amargura tanto com o seu silêncio. Eu não sei se você é assim com todos ou só comigo. Não sei se o problema está em mim, ou em você. Eu não sei se você tem raiva, medo ou apenas indiferença. Eu não sei se sou o motivo do seu silêncio. Se eu sou o motivo da sua timidez. Eu não sei se causo algo em você, seja a timidez, seja o silêncio, seja tudo, seja nada. Eu não sei, porque você não me diz. Você se oprime para si e me reprime contra mim. Se esconde e me tortura. Eu nada sei de você, eu nada entendo, eu nada percebo. Você não transcende, não pergunta, não responde. Você fica mudo, no seu mundo. Eu queria, quero na verdade, conhecer você. Eu não quero permissão pra calar a sua mente ou curar seu coração, só peço que me deixe ouvir o que ela grita e sentir o que ele sente.
Tudo se intensificou depois do que passou, é claro. Mas sempre foi assim, eu sempre senti você tão distante e tão perto de mim. Sempre quis conhecer você, conversar com você. Sempre achei você tão parecido, mas agora eu vejo, o quanto somos diferentes. Eu só queria saber por que, eu já gosto tanto de você.
Eu divido a Humanidade em duas metades: de um lado os que gostam de mim e concordam comigo. Do outro, os equivocados.
Eu perdi. Perdi noites de sono em baladas freqüentadas por garotas de saias e cabeças pequenas. Por playboys deslumbrados, com algum dinheiro e nenhum pedigree. Por corpos sarados e mentes doentes. Festas com muita pose e pouca atitude. Com convites que custam caro e pessoas que se vendem por tão pouco. Me perdi e não encontrei ninguém. Torrei meu dinheiro e minha paciência. Estourei meu cartão de crédito e, por pouco, não estouro meus tímpanos. Mas, quer saber? Cansei de música alta. Prefiro quando você fala baixo no meu ouvido. Prefiro ficar vendo os aviões brancos dando rasantes sobre nossos corpos tintos. Prefiro você suave. Prefiro o silencio dos seus olhos me dizendo que me ama. Prefiro sua voz de madrugada. Prefiro quando você se perde nas notas. Prefiro sua música, seu tom. Por você, eu dei uma nova chance a mim mesma. Eu dei minha cara a tapa. Por você, eu voltei a acreditar no amor adolescente e a ter calafrios na espinha. Por você, comecei a ter ciúme. Por você, posso largar música agitada e aprender a gostar de jazz. Por você, eu largo os vinhos baratos, os xampus caros e as roupas curtas. Porque quando você está dentro, não existe mais nada lá fora. O mundo acaba aqui, na gente. Porque você me faz tão sua. Porque você me faz tão eu.
PACIÊNCIA — por Jorgeane Borges
Às vezes eu sinto que o mundo corre rápido demais para mim.
Como se tudo pedisse pressa respostas, decisões, coragem
enquanto eu mal consigo acompanhar o ritmo da própria respiração.
Dizem para ter paciência.
E eu tento.
Juro que tento.
Mas há dias em que a paciência pesa mais do que o cansaço,
e tudo que eu queria era um lugar onde o tempo parasse,
onde eu pudesse me recolher sem culpa,
onde ninguém exigisse que eu fosse forte só porque já aguentei demais.
A verdade é que eu tenho carregado um silêncio enorme.
Um silêncio cheio de medos, de urgências internas,
de vontades que eu nem sei se são minhas ou do mundo.
E mesmo assim, continuo esperando
por um alívio, por um respiro,
por um pouco de luz que me lembre que ainda vale a pena.
Mas paciência não é só esperar.
É sobreviver ao intervalo.
É suportar o próprio peso sem desabar de vez.
É acordar mesmo sem querer,
levantar mesmo sem força,
e acreditar que talvez, só talvez,
o amanhã não doa tanto quanto hoje.
E enquanto eu não encontro todas as respostas,
eu sigo no meu tempo.
No meu ritmo.
Nas minhas pausas.
Tentando não me cobrar por não ser mais rápida,
por não ser mais forte,
por não ser aquilo que esperam
quando a única coisa que eu consigo ser agora
é alguém que luta em silêncio para não desistir de si.
E se paciência é isso,
então eu estou aprendendo.
Devagar, no passo que dá,
no passo que eu posso.
E talvez seja assim mesmo:
algumas coisas não chegam quando a gente quer,
mas quando a gente enfim consegue respirar.
Eu não posso acabar com todos os seus problemas, dúvidas ou medos,mas eu posso ouvir você e juntos podemos procurar soluções.
Eu não posso apagar as mágoas e as dores do seu passado nem posso decidir qual será o seu futuro, mas no presente eu posso estar com você se precisar de mim.
Eu não posso impedir que você leve tombos, mas posso oferecer minha mão para você agarrar e levantar-se. Suas alegrias, triunfos, sucessos e felicidades não me pertencem,
mas seus risos e sorrisos fazem parte dos meus maiores bens.
Não é de minha alçada tomar decisões por você, nem posso julgar as decisões que você toma, mas eu posso apoiar, encorajar e ajudar se me pedir.
Eu não posso traçar ou impor-lhe limites, mas posso apontar-lhe caminhos alternativos, procurar com você medidas de crescimento, formas de encontrar-se, meios de ser você mesmo sem medo da rejeição.
Eu não posso salvar o seu coração de ser partido pela dor, pela mágoa, perda ou tristeza, mas posso chorar com você e ajudá-la juntar os pedaços
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