Eu sou o Homem Certo pra Voce
"Quando era criança, a vida me deu mamadeira de leite para eu crescer. Aos 3, recebi uma canequinha de plástico, e todo dia a vida a enchia para mim de água doce. Porém, por ser ansioso, acabava derrubando essa canequinha quase todo dia, mas ela, paciente, sempre a pegava e colocava em minhas pequenas mãos. Aos 7, recebi um copo de plástico, o qual era enchido diariamente de água sem gosto, porém refrescante. Ocasionalmente, eu derrubava o copo, mas, dessa vez, eu mesmo tinha que pegá-lo. Aos 12, recebi um copo de vidro, sendo preenchido diariamente como a vida sempre fez, mas, desta vez, por uma água levemente amarga; não era mais refrescante como antes. E, se o derrubasse, teria que juntar os cacos um por um e remendar para tê-lo novamente. Infelizmente, isso aconteceu várias vezes até a maioridade. Enquanto não juntava e remendava os cacos, não conseguia beber da água, mas consegui me virar. Aos 18, a água se tornou inteiramente amarga, não refrescando mais. De tanto remendar cacos, minhas mãos estavam machucadas, mas tentei. Aos 19, cansei. Perguntava-me se em algum momento teria minha canequinha e água doce novamente."
“O Doce Lugar Onde os Livros Moram”
Eu morava em Macabéa, no Beco dos Milagres, e fique sabendo: Meus Passos Vêm de Longe. Talvez venham de um lugar onde os homens aprendem cedo que a vida é maior do que a estrada que conseguem enxergar e que, para atravessar certas distâncias, basta abrir um livro e aceitar o risco de nunca mais voltar sendo o mesmo.
Foi assim que um dia encontrei Dom Quixote. Vi aquele homem magro levantar sua lança contra os moinhos e compreendi que há uma espécie de dignidade reservada aos que ainda ousam lutar contra aquilo que o mundo inteiro já aceitou. Chamaram-no de louco. Talvez fosse. Mas desde então desconfio que algumas loucuras são apenas sonhos que se recusaram a aprender a linguagem da resignação.
Continuei andando.
Entrei no Grande Sertão: Veredas e descobri que o sertão não termina onde acaba a terra seca. O sertão entra no homem. Tem encruzilhadas, medos, demônios e perguntas que nenhuma estrada responde. Foi ali que encontrei também o Burrinho Pedrês e atravessei Campo Geral, percebendo que Guimarães Rosa sabia uma coisa que poucos sabem: até o silêncio de um bicho pode contar a história inteira de um homem.
Mais adiante encontrei Vidas Secas. E aquelas vidas me ensinaram que a fome também possui linguagem, embora quase nunca tenha voz. Vi homens, mulheres, crianças e uma cachorra atravessando uma terra onde até a esperança parecia precisar economizar água. Depois entrei n’O Cortiço e encontrei outro Brasil: apertado, barulhento, desigual, fervendo de desejos, misérias, preconceitos e sobrevivências. Ali compreendi que algumas casas possuem paredes, enquanto outras possuem destinos.
Mas continuei.
Porque meus passos vêm de longe.
Passei pela Memória do Cárcere e descobri que existem grades capazes de prender o corpo sem conseguir aprisionar o pensamento. E foi talvez por isso que, quando encontrei A Rosa do Povo, compreendi que a poesia também pode nascer no meio do concreto, da guerra, do medo e da injustiça. Há rosas que não foram feitas apenas para perfumar. Algumas nascem para incomodar o mundo.
Carreguei comigo O Livro dos Abraços, porque depois de tantas dores precisava acreditar que a humanidade ainda cabia no gesto de dois braços. Mas Eduardo Galeano não me deixou descansar por muito tempo. Abriu diante de mim As Veias Abertas da América Latina, e eu vi um continente belo sangrando através dos séculos: ouro, prata, terra, suor, povos e sonhos atravessados pela cobiça. Percebi então que há feridas que pertencem a uma pessoa e outras que atravessam gerações inteiras.
Foi nessa caminhada que encontrei O Santo e a Porca e aprendi a rir das contradições humanas, porque Ariano Suassuna sabia que até nossa miséria pode carregar graça, esperteza e uma profunda vontade de continuar vivendo. Depois veio A Cabeça do Santo, lembrando-me de que o extraordinário às vezes escolhe justamente os lugares esquecidos para acontecer.
Mas houve um livro diante do qual precisei diminuir os passos.
O Avesso da Pele.
Porque existem histórias que não pedem apenas leitura. Pedem consciência. Há peles sobre as quais o mundo escreveu violências antes mesmo de perguntar o nome de quem as carregava. E quando viramos essa pele pelo avesso, encontramos memória, identidade, amor, ausência e uma humanidade que tantas vezes tentaram reduzir à aparência.
Então compreendi por que havia caminhado tanto.
Eu não estava procurando o final de nenhuma história.
Estava procurando pedaços de mim.
Um pouco de mim ficou com Dom Quixote diante dos moinhos. Outro atravessou as veredas do grande sertão. Uma parte sentiu sede com as Vidas Secas, outra espiou pela janela d’O Cortiço. Fui prisioneiro por algumas páginas na Memória do Cárcere, segurei A Rosa do Povo entre as mãos, recebi O Livro dos Abraços contra o peito e senti correr diante de mim As Veias Abertas da América Latina.
Ri com O Santo e a Porca. Escutei os mistérios d’A Cabeça do Santo. Toquei, com cuidado, O Avesso da Pele. Atravessei Campo Geral ao lado de um Burrinho Pedrês e, depois de tanta terra, tanta gente, tanta dor e tanta beleza, cheguei aos Contos do Mar sem Fim.
Foi quando finalmente entendi:
eu nunca morei apenas numa casa.
Passei por Macabéa e pelo Beco dos Milagres. Cruzei sertões e veredas, conheci o cortiço e senti de perto as paredes do cárcere. Andei entre santos e porcas, colhi rosas, recebi abraços e encontrei homens, bichos, loucos e retirantes pelo caminho.
No fim, descobri que minha verdadeira morada sempre esteve nas páginas.
E fique sabendo, caso algum dia encontre minhas pegadas entre um livro e outro: meus passos vêm de longe.
Vêm de todos os escritores que me emprestaram seus olhos para que eu pudesse enxergar um pouco além dos meus.
Porque existem livros que a gente lê e coloca de volta na estante.
Mas existem outros que fazem justamente o contrário:
abrem a gente,
entram devagar,
e passam o resto da vida morando em nós.
“existem livros que a gente lê… e outros que passam o resto da vida morando em nós”
Hoje estás perto
e eu preferia que não estivesses.
Não porque não queira ver-te.
Esse é exatamente o problema.
Eu quero.
Quero olhar para ti,
falar contigo,
saber como estás.
Mas não vou.
Hoje passei por ti
e continuei.
Respirei,
não olhei,
não fiz nada para que reparasses em mim.
E custou-me mais do que devia.
Na sexta disseram-me que estavas aqui
e deu-me vontade de chorar.
Agora sei porquê.
Não foi porque estavas aqui.
Foi porque estavas aqui
e não me procuraste.
Eu sei que não tens de o fazer.
Não me deves nada.
Nunca me deves nada.
Eu só gostava
que tivesses querido.
Então vou evitar-te,
não para sentires a minha falta,
não para reparares,
mas porque neste momento
a distância dá-me paz.
Ainda te quero perto.
Só estou a aprender
que fico melhor longe
Saudades
Que saudades do tempo que eu era feliz,
Tudo tinha cor,
Tudo tinha alegria,
Tudo tinha amor,
Mas agora é so tristeza e decepção.
No tempo que não existia maldade
O mundo era melhor,
Sem dor,
Sem sofrimento,
Sem ninguém para atrapalhar.
Hoje em dia
As pessoas estão difíceis ,
Estão chatas,
Estão insuportáveis,
E as vezes sempre é minha culpa...
Queria viver em um mundo sem ninguém,
Somente eu...
Que pelo ou menos sozinho,
Poderia ser mais feliz
Hoje em dia estou sorrindo... Inverso.
E as vezes fico me perguntando;
Cadê a criança que existia em mim?
Sumiu?
Ela se escondeu?
Ou está somente "sumindo" por um moment
E também me pergunto;
Será que valeu a pena crescer?
Valeu a pena sobreviver ate aqui?
E todas as vezes me questiono por ser assim
E so queria viver em um mundo que as pessoas focem boas
Sem dor
Sem massacres
Sem assasinatos
Sem suicídios
E sem pessoas más...
Glórias ao Rock In Rio
Demétrio Sena - Magé
Eu também estaria lá no Rock in Rio, se pudesse. Pelo menos hoje, quando me emociono, via tevê, com Vanessa da Matta, Roupa Nova, Guilherme Arantes, Luiza Sonza junto ao Roberto Menescal, e ainda o Gilberto Gil. Mais tarde verei o Elton John. Ontem, o Jota Quest me levou às lágrimas, quando convidou o Tony Tornado para dar um show de alegria, energia e talento, aos 96 anos. Alguém quer falar de bênçãos?
Todo mundo cantando o amor; celebrando amizades; de corações abertos gritando a paz. Isso para mim é culto; é a verdadeira religação com todos os possíveis sagrados que nenhum livro manipulado explica. E quando alguém decide protestar, é justamente contra maldades, guerras, injustiças, desigualdades sociais, preconceitos religiosos e domínios; escravidões ideológicas.
Não troco estes momentos por nenhuma sessão de homilias, orações e louvores denominacionais dentro de uma igreja. Porque lá nas igrejas, bem sabemos quais, estão promovendo corporativismo contra os menos favorecidos, dominação ideológica, religiosa, de proteção da bolha e ódio; perseguição contra o mundo restante. Pior de tudo, oferecendo palco a políticos extremistas e corruptos.
Rendo glórias ao Rock In Rio, na língua dos anjos! Aos que dão shows no palco e na plateia! Grito em silêncio, aqui dentro de mim, "ribalábalá" em homenagem aos momentos de arte, união, alegria, entretenimento e paz, nessa festa que me anima e renova minhas esperanças! Tudo por saber que nem todos estão nos templos onde os inimigos do povo se fortalecem para conspirar contra o nosso país.
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Respeite autorias. É lei
O que é a felicidade pra mim?
Antigamente, eu diria que amar e ser amada, preferencialmente trabalhando com o que ama também. O que, pra mim, já que essa é uma pergunta muito subjetiva, seria tudo o que eu queria e precisava. Hoje, eu digo que a felicidade só existe realmente em filmes e séries onde a justiça sempre acontece e geralmente o amor dá certo de alguma forma, por mais improvável que seja. Hoje eu não acredito em felicidade, só em momentos felizes que nunca duram o bastante e raramente acontecem.
O nosso mundo é uma fábrica de dor, não de sorrisos. É inútil esperar pela felicidade. Raramente alguém consegue isso. A dor é a única certeza da vida, tanto física quanto emocional. Quando você para de esperar por algo bom, é quando para de sofrer tanto pela falta disso. Você entende o jogo.
Se há felicidade, não é aqui. Talvez do outro lado, em outra vida, em outro mundo. Mas não aqui. Raros sortudos conseguem isso, mas mesmo assim, costuma acabar em algum momento. Se a gente considerar o amor como parte da felicidade de alguém, que é sempre subjetivo, a vida sempre vai dar um jeito de arrancar a pessoa de você, ou te arrancar dela se você tiver mais sorte e viver menos. Mesmo que encontre o "felizes para sempre", em algum momento vai perder ou será a perda. Claro, eu preferiria viver isso, mesmo que perdesse, do que não, mas... Pra os raros que conseguem isso de verdade, além da fachada, ou de relações de plástico, por conveniência, onde seria fácil deixar o outro pra trás, mesmo esses não costumam ter um final feliz, ainda que consigam, contra todas as probabilidades, uma vida assim.
As vezes sinto falta de acreditar nisso, mas raramente eu sinto de novo como se o impossível fosse possível. Talvez, por crescer entre o fim dos anos 90 e início dos 2000, vendo comédias românticas, me tornei uma romântica e tive, desde que me entendo por gente, o amor como a razão da tudo. Hoje o amor é algo fora de moda, considerado tosco e até estranho. Essa não é mesmo a minha época. Sinto que perder isso foi como perder o sentido de tudo. Isso era a felicidade pra mim. Antes eu dizia, e realmente acreditava, que poderia morar embaixo de uma ponte e ser feliz, contanto que estivesse com quem amo. Eu sei, é estúpido. Mas essa é a verdade sobre mim. Felicidade, pra mim, é ilusão.
Hoje o dinheiro é o que mais importa pra tornar a vida um pouco menos insuportável, já que ele vale mais que a vida de qualquer pessoa no sistema que vivemos. Além disso, por minhas questões de saúde, jamais poderia morar embaixo de uma ponte hoje. No fundo, ainda daria tudo pra reencontrar o que perdi e mudar de ideia, mas... Aqui é a vida real, não é?
- Marcela Lobato
Tudo que eu passei na vida foi um sinal de que deus estava me alertando que aquilo pra mim não era bom e sim um livramento 🙏🏻
Eu prefiro a saúde, porque quando o jogo acaba o rei e o peão vão para a mesma caixa.
(Patrick Jane)
Coração de fogo
Coração de Luz
Coração que vive
Dentro do meu peito
Ainda que eu não queira viver
Cansado
Ele vive!
O Poeta na Cama...
Quero
despertar feras
no teu corpo!
Enquanto chove lá fora...
Esta noite eu quero
Riscar
fósforos
na tua pele!
Nutrir
o teu mais louco desejo
Ser -permanecer-ficar-cantar-viver-feliz
teu alimento!
Te dar de beber
na boca...
chocolate quente
Pra espantar o frio
indecente!
Eu colori
de sentido
e beleza
a minha vida medíocre
E coroei de glória
a minha existência
sem utilidade!
Mesmo que seja só pra mim
A minha arte...
viveu!
Agradeço a quem me protege sem que eu veja...
Que segue ao meu lado
(Como um dia me prometeu.)
Mesmo que eu não mereça
Mãe, amiga, guerreira
Rainha do Universo
Mãe Divina ordenadora da Lei
Triunfante! Majestosa
O teu poder não tem fim
A tua tempestade não há quem resista
Trabalhas de dia e de noite
No sol e na lua
Na treva e na luz
Relampeja
Venta,
Reluz,
Acende,
Ilumina!
Reenergiza e Cura.
A Glória de Deus em mim...
Eu de poeta não tenho nem o nome
Eu de poeta não tenho nada!
Por que não é meu
este verso que nasce
involuntário
do meu peito!
E hoje está cada vez mais presente
feito a humidade de um rio caudaloso!
De poeta eu não tenho nada
nao bebo vinho
não grito na calçada
nem me escondo em grupos
ou concursos literários!
Sou egoísta e reservado
Pensem o que quiserem
Eu apenas vivo o meu verso
feito o trovão no final da tarde!
William Marques de Oliveira
Ah, se vocês soubessem
da poesia que trago em meu peito
Eu poderia rimar com bandido
este peito...
E com poeta menino
o Universo!
Ah, se vocês soubessem
da poesia que este menino
carrega em seu peito!...
Então se explicaria
toda esta rebeldia
e este não aceitar
e este sonhar encantos...
Todos se comoveriam...
Finalmente desobscurecidos!
Saberiam o motivo de sua dor
e como seu coração é
de vendaval e fogo!
Perdoariam sim, tanta irreverência...
Tanta sapiência
e impaciência...
Que só poderia dar em dor!
Neste mundo onde o "certo"
é o "errado"
O "sagrado"
é o "profano"...
Ele sabe de histórias, meu Deus!
Tão antigas quanto o tempo!...
E tem fé na vida
e tem sorte, sim!
O saber sentir,
lhe é um privilégio
E o martírio santo de ser poeta
uma dádiva e uma nova chance!
Imaginem só!
Ninguém pode escutar
a sua voz
Ninguém ousa desatar
os seus nós
E seus rótulos todos
já estão vencidos!
Geminiano quer falar com o mundo!
Há vezes que eu tenho
CONVULSÕES
De me pintar de rosa e amarelo
de cantar para o príncipe Charles
de chorar com as crianças da palestina
De estar simplesmente lá
na hora do tsunami
De dar um tapa na cara do ditador da nossa era...
Eu queria que meu poema fosse ouvido
e há vezes que tenho convulsões
de falar com o mundo inteiro
ser ouvido!
Se o mundo me ouvisse, ah!
Eu sou aquela velha tia
gorada
e preta
que sempre tem razão!
E esta ânsia por ter fama
e eu sou do século passado
desencaixado
Eu queria que meu poema fosse ouvido
e há vezes que tenho convulsões
de falar com o mundo inteiro
ser ouvido!
Se o mundo me ouvisse, ah!
Eu sou aquela velha tia
gorada
e preta
que sempre tem razão!
E esta ânsia por ter fama
e eu sou do século passado
desencaixado
Eu queria mesmo era ter ouro no banco!
Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião.
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