Eu sou o Homem Certo pra Voce

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“Se eu não te amasse, achas que seria difícil dizer-te que não te amo?”
Daniel Perato Furucuto

Ela falou um mucado de coisa
eu nada disse.

Cada limite me obrigou a descobrir uma força que eu ainda não conhecia. Cada perda ampliou minha profundidade, e cada erro despertou uma consciência mais lúcida sobre quem sou.

A pessoa que me tornei não nasceu do caminho perfeito, mas do caminho possível. Foi justamente nele, entre desafios, recomeços e imperfeições, que aprendi a construir, sustentar e honrar a minha própria essência.

Não sei eu, mas se fosse por mim, a tolice deveria ser considerada um crime! Como um país pode ter tantos tolos?

PÁSSARO SELVAGEM
Por P. H. Amancio.




A quem eu pertenço? Para onde vou eu,
se quem eu escolhi jamais me escolheu?
Por onde caminho, o que me faz ser eu,
se tudo o que desejo só encontro nos braços de Morfeu?


Tira-me das amarras, deixa-me voar,
pássaro selvagem, só o vento sabe onde está.
Veja-me sem medo, com vontade de errar;
se um dia me quiser, precisará me alcançar.


Numa queda livre, encontro-me perdido,
as asas que eu tenho já nem fazem sentido.
Salto pelos muros, digo ao mundo: “Aí vou eu!”,
correndo atrás daquilo que um dia deveria ser meu.


Engano-me sempre naquele canto ao deitar,
inventando histórias de amor que minha história não terá.
Vento, ventania, na janela vem lembrar:
quem é natural não precisa se encontrar.


Talvez eu não pertença a lugar algum,
talvez meu destino seja não pertencer.
Talvez amar seja correr sem saber de onde,
e ser livre seja nunca precisar se prender.


E se um dia alguém me encontrar pelo caminho,
que não tente me mudar, nem me ensine a ficar.
Que apenas caminhe comigo por algum tempo,
porque pássaro selvagem não nasceu para pousar.

Pela janela do meu carro

⁠O sinal estava fechando e eu fui desacelerando. À minha frente duas motos já estavam paradas.
Na faixa de pedestres, indo para o lado esquerdo, atravessou um mulher muito bonita, corpinho de violão, daquelas que "param o trânsito".
Um dos motoqueiros não hesitou e levou automaticamente o pescoço e a cabeça para o lado esquerdo, acompanhando os passos da beldade. O outro motoqueiro logo em seguida fez o mesmo movimento e não perdeu a oportunidade de admirar aquela beleza.
E quem disse que homem disfarça essas coisas?
O mais interessante é que durante aquele pouco tempo entre sinal amarelo e vermelho os dois trocaram figurinhas.
Minha imaginação:
- Pô, cara, viu só aquela mulher como é gostosa?
- Pois é, ô mulherão!
Durante o papo um deles balançava a cabeça confirmando algo.
Acho até que já se tornaram melhores amigos.

P.S.: Vou começar a aproveitar essas histórias e criar contos do cotidiano. Rsrs

E mesmo antes de eu despertar para um novo dia
Lá está ela, a dor
Minha amarga companhia

Melhor idade

Há muito tempo se atribui a melhor idade à velhice, pois eu discordo.

Depois dos 60 anos o ser humano já adquiriu a sabedoria necessária para fazê-lo refletir sobre o sentido da vida, mas por que devo concordar que essa é a melhor idade, se o corpo fica mais vulnerável às doenças?

Pois bem, criei minha própria teoria, mas antes preciso apresentar meus argumentos...

A melhor idade seria aos 5 anos? Não! Nesta etapa a criança tem muita energia, mas só sabe brincar e por vezes chora gratuitamente. Porém, há um detalhe relevante, ela não tem noção do que está acontecendo e não lembrará de grande parte dos fatos. Portanto, 5 anos não é a melhor idade!

A melhor idade seria aos 18 anos? Não! É claro que é um período lindo, com muita vitalidade, beleza física em evidência, início da maioridade e sonhos a serem realizados. Certamente a memória será lembrada, contudo, o cérebro ainda não está totalmente desenvolvido e a chance de se tomar decisões erradas é muito grande. Conclusão, 18 anos não é a melhor idade!

A melhor idade seria aos 35 anos? Não! Apesar do cérebro maduro, decisões mais assertivas, memória permanente, possível estabilidade financeira e relação afetiva sólida, o corpo já começa a dar o seu recado e a energia física não é a mesma. Obviamente, 35 anos não é a melhor idade!

A melhor idade seria entre 45 e 59 anos? Não! Nesta etapa o ser humano está ensaiando momentos de sabedoria, sente-se bem resolvido em ter mais experiência de vida, eventualmente descobre-se como alguém necessário no trabalho e na família, soma-se realização profissional, independência financeira e bom relacionamento conjugal, mas o recado do corpo é mais alto e os estresses com os cuidados à saúde triplicam. Absolutamente, essa fase não é a melhor idade!

Portanto, minha humilde opinião traz como a melhor idade o período entre 25 e 27 anos, eu diria, a era do ouro do ser humano, com vigor, pele macia, cérebro desenvolvido, chance de estabilidade financeira e emocional. O organismo pode até estar começando a envelhecer, mas ainda não é perceptível e a memória será para sempre.

Um parêntese: Essa melhor idade pode ser subjetiva, pois cada fase da vida tem a sua essência e quem vai torná-la interessante somos nós, a partir de nossas escolhas e ações.

Descubra qual é a sua melhor idade!!!

Eu, feminista!


Ser feminista é importante, relevante, necessário, urgente.
Historicamente, durante muitos anos a mulher viveu subordinada aos homens, com direitos limitados e “vocação” única para cuidar dos filhos.
No mundo da ciência, algumas contribuições de nomes femininos ficaram ocultas devido ao preconceito, favorecendo somente os homens de sua época.
No mercado de trabalho, as pesquisas apontam que mulheres ganham menos que os homens, especialmente por fatores como discriminação e acúmulo de responsabilidades domésticas.
Na vida pessoal, durante várias gerações a mulher teve que aceitar casamentos arranjados com submissão aos maridos.
Felizmente, mesmo que de forma lenta, surgiram mulheres que começaram a questionar a privação dos direitos femininos e iniciaram lutas que resultaram em alguns feitos.
A sociedade começou um novo olhar para a figura feminina e passou a enxergar a sua capacidade, mas além de suas conquistas, a mulher também acumulou tarefas, pois precisava se dedicar ao trabalho e aos filhos.
Conclusão: mesmo ganhando, a mulher teve perdas.
Soma-se a isso a realidade feminina: a mulher menstrua todos os meses durante anos, sofre com cólicas, enfrenta enxaqueca, acolhe no útero uma vida por nove meses, sente a dor intensa do parto, preocupa-se diariamente depois que os filhos nascem, sofre quando os filhos saem de casa.
Um detalhe relevante é que, apesar da mulher sentir tantas dores, sabe-se que ela é fisicamente mais frágil que o homem e isso contribui para que ao longo de anos muitas delas sejam vítimas de violência doméstica e atualmente, de forma assustadora, de feminicídio. A mulher entra em um relacionamento e nem sabe se continuará viva, quando sair dele.
Por esses fatos aterrorizantes é que sou feminista e defendo que toda mulher faça o mesmo. A sororidade não deve ser uma condição, mas uma necessidade. A mulheres precisam se apoiar e se defender, sempre.
No relacionamento, o respeito deve ser mútuo. Se houver conflitos, deve existir o diálogo. É fato que, se uma briga for iniciada, a mulher sempre sairá perdendo.
Homens, o que os torna mais fortes não é a sua força física, mas a sua sabedoria em usá-la somente para o bem.
Mulheres, nenhum homem deve ser mais importante que a sua vontade de lutar pelos objetivos pessoais.
Chega de feminicídio!!!!!

Se Eu Me Aproximar

Há dias em que pareço inteira.
Sigo em frente, resolvo o que precisa ser resolvido,
sorrio como quem aprendeu
a não deixar transparecer as próprias ruínas.

Mas há uma parte de mim
que ninguém vê.

Uma parte cansada de ser forte,
que gostaria, por um instante,
de não precisar sustentar o mundo
sobre os próprios ombros.

Às vezes, tudo o que eu queria
era encontrar um lugar seguro
onde pudesse baixar a guarda,
silenciar os medos
e simplesmente descansar.

E talvez seja por isso
que, quando penso em você,
alguma coisa em mim queira se aproximar.

Não porque eu precise ser salva,
mas porque existem dores
que ficam menores quando encontram presença.

Eu queria saber
se, quando eu finalmente deixar cair
as paredes que construí para me proteger,
você ainda estará ali.

Se eu chegar sem a armadura,
sem respostas,
sem a força que finjo ter todos os dias,
você ficará?

Ou será que, ao conhecer
a mulher por trás daquilo que aparento,
você também escolherá partir?

É esse o meu medo.

Não é chegar até você.
É chegar
e não encontrar onde permanecer.

Porque eu também quero colo.
Também quero cuidado.
Também quero alguém que olhe para mim
e enxergue além daquilo que mostro.

Alguém que não se assuste
com a minha fragilidade.

Alguém que compreenda
que, às vezes, até quem parece forte
só está procurando um lugar
onde possa, finalmente,
não precisar ser.

Tudo o que eu precisas ou aquilo que mereces.

Tudo o que preciso ou aquilo que eu mereço.
🌵

Eu não peço, eu declaro, porque em tudo que tu crês te pertence ou acontece.

A vida* me pôs a prova por 6 meses mas eu já estava preparado para 6 décadas.

Eu vivo e deixo viver... se eu tiver que me explicar fecho os olhos e falo com quem mais confio.
🙏🏽

Dentro de mim


Demétrio Sena - Magé


Mora dentro de mim, eu sei que mora
uma fauna impossível de conter,
sou a flora sombria dessa fauna
que não sei responder de qual espécie...
Correm dentro de mim, demônios tantos,
e tão tontos que sempre se atropelam,
não há santos na sombra de quem sou
entre vastas folhagens; galhos fartos...
Caem dentro das minhas armadilhas,
mas conhecem meus truques e se livram,
as matilhas de todo e qualquer bicho...
Ando fora de mim, porque não tenho
uma vaga na minha escuridão;
nem perdão por fugir do próprio ser...
... ... ...


Respeite autorias. É lei

Eu e a minha dor



Eu, intensa, ela também.

Eu, temerosa, ela, tenebrosa.

Eu, pensativa, ela, ofensiva.

Ela é invisível, mas existe, e vem potente.

Ela é traiçoeira, não avisa, apenas surge e me derruba.

Sim, é uma dor minha, uma dor que eu não escolhi.

Se você me olha e me vê aparentemente feliz, não faz ideia de quanto dói aqui por dentro.

E mesmo que você se mostre solidário, jamais entenderá o que eu sinto.

Às vezes sou Frida: “A dor é parte da vida e pode se tornar a própria vida”, outras vezes sou Fiona: “À noite de um jeito, de dia de outro”.

Mas a vida segue e eu escolho ser feliz.





Nota:

Eu faço parte de 3% da população brasileira que é afetada pela fibromialgia, uma condição em que a dor é minha companhia.

No começo eu até pensava: “Tem gente que sente muita dor, pra mim é mais tranquilo.” Acontece que hoje eu passei a fazer parte daquele grupo também e isso me assusta.

É preciso viver um dia de cada vez, mas cada dia vem cheio de dor e angústia.

02/10/25

NA QUITANDA DA VIDA

Na quitanda da vida,
eu aprendi que viver
não vem pronto.

A vida se oferece em porções:
tem dias que adoçam a boca,
outros que amargam a alma.
Tem dias de fartura
e dias em que a gente precisa
dividir o pouco
para ninguém ficar sem comer.

Foi no meu quilombo que aprendi
que a vida não se mede pelo que se possui,
mas pelo que se partilha.

Minha primeira escola foi o território.

Foi olhando a terra,
ouvindo os mais velhos,
sentindo o cheiro da chuva,
vendo o dendê nas mãos,
escutando as histórias que não estavam nos livros,
que comecei a compreender
que memória também é conhecimento.

Eu sou feita dessas coisas.

Do chão que meus ancestrais pisaram.
Das palavras que sobreviveram ao silêncio.
Das mulheres que sustentaram suas famílias
quando quase ninguém olhava para elas.
Das mãos que plantaram, colheram, cozinharam,
criaram filhos e mantiveram a comunidade de pé.

Por isso, quando digo quilombola,
não estou apenas dizendo quem sou.

Estou dizendo de onde venho.
Estou dizendo o que carrego.
Estou dizendo aquilo que não aceito perder.

Minha identidade não é fantasia.
Não é adereço.
Não é tema para novembro.

É existência.

É estar no mundo
sabendo que antes de mim
muita gente precisou resistir
para que eu pudesse estar aqui.

E estar aqui também é resistência.

Eu não quero que contem minha história
como quem observa de longe.

Quero falar.

Quero contar.

Quero produzir conhecimento
a partir do lugar onde meus pés estão.

Porque também fazemos ciência
quando guardamos a memória.
Também fazemos educação
quando ensinamos uma criança a conhecer sua história.
Também fazemos cultura
quando transformamos nossas vivências em arte.

O quilombo não é passado.

O quilombo é presente.

Está na criança que pergunta.
Na mulher que enfrenta.
No jovem que permanece.
No mais velho que aconselha.
Na comunidade que se reúne.
Na terra que alimenta.
Na memória que insiste em permanecer viva.

E eu sigo nessa quitanda da vida
escolhendo o que quero carregar.

Não levo tudo.

Algumas dores eu deixo na banca.
Alguns silêncios eu devolvo.
Algumas histórias eu reescrevo.

Mas a ancestralidade,
essa eu levo comigo.

Porque aprendi que não basta sobreviver.

É preciso existir com dignidade.
É preciso ocupar.
É preciso falar.
É preciso criar.
É preciso deixar marcas.

E quando perguntarem
o que é ser quilombola,
talvez eu não precise explicar tanto.

Basta olhar para mim.

Eu sou mulher.
Sou território.
Sou memória.
Sou continuidade.

Sou uma voz que veio de longe
e ainda está chegando.

E enquanto eu tiver voz,
o quilombo continuará falando.

Eu e os livros,

mares de encontros que me atravessam,

ventos que me levam a navegar saberes.

Cada página acende em mim

a chama esquecida,

essência adormecida que desperta

no entrelaçar de vidas,

na confluência dos caminhos

que me habitam.

O tempo passa, o tempo voa, e eu, aqui, permanecerei — sereno, de consciência tranquila e seguindo a minha caminhada.