Eu sou aquilo que Perdi Fernando Pessoa
Sou quem virou, homenageou,
Pra agora tomara, virará.
Sem homenagem, sem ninguém,
Partiu que ninguém viu.
Básico e ocupado, predestinado,
Fuga da manhã amanhã.
Escuro de fim muro,
Mostrou, começou e terminou...
Gosto de dormir até tarde, sou preguiçoso — mas ainda assim, ninguém me supera.
Tudo que você faz, eu também posso fazer.
E se for com dedicação, Fasso mil vezes melhor.
Estude o seu inimigo, porque assim ele não terá outro além de você.
No fim, todos saberão quem ele é:
o reflexo do que nunca conseguiu ser.
Poema do solito.
Sou assim, tenho muy pouco,
por sinal, quase nada;
me basta uma payada
num galpão ao anoitecer,
vendo uma estrela se perder,
quase se apagar na coxilha.
Eu, deitado na encilha,
com cheiro do colorado,
o candeeiro enfumaçado,
pendurado no travessão,
que sustenta a velha quincha,
apertada como sincha
na coberta do galpão.
Minha cama é um catre,
pelego é o meu colchão;
e nas noites de invernada
tenho a alma abrigada
e amadrinhada no xergão.
Por vezes, no imaginário,
nessa coisa de solidão,
penso em outros tempos
enquanto sopra o vento,
assoviando no oitão.
Nesse silêncio velado
de campo e alambrado,
quase no fim da pampa,
donde o gaúcho é estampa
que mantém a tradição.
Quis assim o destino:
que eu, paisano e fronteiriço,
índio, guasca mestiço,
fosse guardião destas terras.
A tropilha, o gado que berra,
o tarrã no banhado,
o quero-quero entonado
no ofício de posteiro,
desconfiado do orneiro
que segue barreando o ninho,
pra não terminar sozinho
igual este rude peão.
Não quis china nem cria,
mas me contento solito:
companheiro, o mate, o pito
e o colorado que fiz pra mim.
Enfrenei, domei e, por fim,
vivo nele enfurquilhado.
Às vezes vou ao povoado
ou no bolicho da ramada,
onde se junta a indiada
pra carpeta, algum bichinho…
E o meu pingo, ao relincho,
me espera na madrugada.
Renato Jaguarão
"Sou vários espelhos em revezamento
leio de novo e mudo o leitor
o texto me troca de eixo
o eu se refrata no ato de ler.
No jogo de linguagem
existir cobra senha de identidade
pede critérios e reidentificação
não aceita só o brilho do instante.
Penso é ato
existo soa estado
quando o verbo encena substância
escorrega a gramática do ser.
O cogito acende presença
não decreta essência
há pensamento
logo há um alguém em ato.
Heráclito passa
sou rio no próprio leito
cada papel é uma margem
cada respiração um começo.
Enquanto vivo sou processo
sou rastro que se redesenha
a definição chega tarde
quando a narrativa congela.
Não me encontro
me construo em variáveis
o encontro pertence ao que é
eu opero no que devém.
Assim falo ao cartógrafo cartesiano:
tua bússola marca o ato
não o continente
confundes faísca com metal.
Conclusão cantada em pedra líquida:
penso logo apareço
sou em ato
cogito ergo fluo.
Tradução precisa
do evento pensar
não se segue substância
segue presença
identidade é narrativa em curso."
– Daniel A. K. Müller
Não é porque sou da igreja que sou um anjo de tão santa. Marcos 2:17 "Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores", eu sou pecadora, eu sou doente e procuro por cura que os homens não podem curar. Ass: Ester Hadassa 🌻🌻
“A arte é a mais profunda forma de existir: se penso, logo sou; sendo, sinto; e, sentindo, logo me expresso. Eis tu, ó arte!”
Pedido Romântico:
Sei que sou bastante tímido
Mas vou enfrentar esse medo em uma arena e te dizer
Tu queres ser minha namorada?
Tu queres ser só minha?
Nós vamos poder viver juntos momentos que só nós vamos saber
Eternamente, vamos viver eles
Que todos os casais passam
Esse é o nosso juramento
E ele diz que devemos ter amabilidade
Se você passar por alguma coisa anfigúrica
Eu estarei ali para lhe ajudar
Não vamos ter pressa, não com um tom sublime
Vamos manter a calma, com um tom sereno
E vamos ir a algum lugar
Vamos tomar um sorvete
E depois que chegarmos-vos
Podemos ir de mansinho
Indo devagarinho
Apenas perto de você
O nosso amor é cercado por girassóis
Que envolve o meu pedido romântico
Como algo cabal, que é perfeito
E que não é estreito
Como um casal
E se porventura, esse vai ser o nosso caminho?
Eu vou seguir esse trilho
Como um menino apaixonado
Meus olhos brilham só de olhar para você
E o vosso aconchego é o meu ninho
Hei de falar a verdade
Que eu admiro sua lealdade
E eu já senti isso antes da derradeira esperança
Que sempre vou amar minha companheira
No romance que o infinito há
Sou feita de cuidado.
Das palavras que não querem apenas dizer, mas tocar.
Dos gestos que não aceitam o mais ou menos — porque aprendi que o que é feito com verdade precisa ser inteiro.
Sou educadora por vocação, escritora por essência.
Não me contento com o raso.
Busco profundidade.
Quero beleza com propósito, imagem com sentimento, texto com alma.
Tenho um olhar apurado para os detalhes e gosto de transformar o simples em algo memorável.
Sim, sou exigente — mas não por vaidade.
É por respeito ao que acredito, ao que entrego, ao que represento.
Sou ponte: entre o sensível e o profissional, entre o lúdico e o necessário, entre o afeto e a ação.
Sou raiz e voo. Palavra e silêncio.
Não passo pela vida apenas — eu deixo marca.
Não crio só conteúdos — eu cultivo sentimentos.
E isso… não se aprende em qualquer lugar.
É dom. É missão.
É ser quem eu sou: com presença, entrega e amor.
Às vezes sou só silêncio tentando respirar entre lembranças. O pôr do sol me entende — ele também se despede bonito, mesmo doendo.
Contradições
Sou contraditório.
Às vezes acho que sou um escritor “bom”.
Quando releio o que escrevi e sinto algo real.
Como se as palavras fossem minhas cicatrizes com nome.
Outrora, vejo que sou apenas um iniciante.
Perdido entre ideias soltas,
com medo de nunca ter algo original pra dizer.
Me sinto vazio por dentro.
Como se tivessem me secado aos poucos,
sem que eu percebesse.
Mas transbordo nos meus textos quando ninguém tá olhando.
Textos de puro sentimento.
Intensos demais.
Quase vergonhosos.
Quase como se alguém estivesse me lendo por dentro.
É um excesso disfarçado de ausência,
uma sobrecarga emocional
camuflada de silêncio.
Duvido do meu valor.
Todos os dias.
Nos detalhes, nos silêncios, nas comparações que faço com os outros.
Mas luto pra tentar demonstrar.
Escrevo, continuo, me exponho.
Mesmo com medo de não ser suficiente.
Mesmo tremendo.
Porque cada palavra é
a prova viva de que eu ainda sinto algo.
E enquanto escrevo,
ainda resiste em mim uma parte que sobrevive.
Acredito que ninguém virá me ajudar.
Porque aprendi a não esperar.
Aprendi que ajuda demais decepciona.
Mas escrevo como quem espera ser encontrado.
Como quem joga garrafas no mar.
Esperando, secretamente, que alguém leia as entrelinhas.
Mesmo negando, ainda há em mim um farol aceso.
Me recuso a sonhar.
Como se sonhar fosse um luxo que não me pertence mais.
Como se já tivesse sonhado o suficiente por uma vida inteira.
Mas sonho todos os dias.
Com vidas que não vivi.
Com amores que só existem no papel.
Com finais felizes que nascem só na minha cabeça.
É a forma que encontrei de viver sem me iludir...
mas também de não desistir por completo.
Temo eu não ser mais eu.
Como se, aos poucos, partes de mim tivessem sido arrancadas.
Trocadas.
Desgastadas.
Como o navio de Teseu —
onde já não sei mais quais partes ainda me pertencem.
Mas tento me reconstruir todos os dias.
Com pedaços de ontem.
Com fragmentos de silêncio.
Com a coragem frágil de continuar escrevendo.
Porque escrever ainda é a única maneira que conheço
de tentar voltar pra casa.
Me enxergo em tudo que faço.
Mesmo que não percebam.
Mesmo que ninguém veja.
Mas precisei de uma segunda opinião
pra me ver nas contradições.
Doeu escrever tudo isso.
Mas sinto que essa dor faz parte
da “cura” que nunca virá.
“Poesia nas estações”
— Sou feita de PRIMAVERA, que
desabrocha a luz do luar
— Recorro à solidão para poetizar!
— Sonho poder congelar o tempo para resguardar e perpetuar o momento!
— Me encanto com jardins floridos, um convite ao colibri!
— Visto o melhor sorriso, e saio por aí,
a espalhar ternura, e assim
fechar brechas e fendas, do rancor e da amargura!
— Sou feita de VERÃO, raios de sol, à embelezar!… bronzear!… poetizar!…
— Feito a água do mar beijando areia
— Feito o frescor da brisa, numa
noite de lua cheia, embelezando o céu estrelado,
em um momento de ilusão,
penso até ter visto uma sereia!
— Sou feita de OUTONO, que enxerga a beleza na natureza, das folhas secas pairando no ar, que voam pra lá e pra cá,
acredito que elas são amantes dos poetas, e os seduzem a poetizar!
— Sou feita de INVERNO, a estação dos abraços prolongados!
— Do vento que assovia tinindo, pra todo (lado)
— Da chuva mansinha, da garoa fria que chega plácida.
— Quando o frio se põe entediante, poetizamos, para torná-lo interessante!
Rosely Meirelles
Fácil é você abrir a boca e me julgar pelo que imagina que sou... Desafio a você usar as minhas havaianas e percorrer o trajeto que já percorri nesses 4.2 e quando chegar onde já estou, aí sim poderá falar algo sobre minha vida nos aspectos vivenciado por mim até hoje: Sentimental, profissional, familiar, religioso, financeiro, etc.
Sou um verso
em construção
na poesia de Deus!
A sílaba que completa
a palavra mais bonita;
a que não rima,
mas não destoa do todo;
a que aguarda,
com paciência, a inspiração
do Poeta!
Sou um verso que vive,
toda sua imperfeição,
acreditando
fazer parte dos planos
perfeitos no poema
do Criador!
28/10/2015
"Uso o semblante desta minha orquestra sinfônica mal regida para falar de amor. Sou dono deste palco que não para de ranger. Reerguendo-o descauteladamente, me vingo dos meus pertinentes medos que atemorizam-me continuamente, rompendo minha razão. Razoavelmente falo de amor, mas se eu estiver falando de amor, pouca razão tenho. Então razão eu tenho dizendo que não tenho-a e e desta falta de regência, ligo as luzes do palco atraindo o publico falando deste amor mal regido por mim"
- John
