Eu Sofro porque te Amo Pensa um pouco em Mi

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Cometa


Eu me ergo de um lugar
onde não quero estar.
Não por orgulho.
Por sobrevivência.
Não sou faísca.
Sou cometa.
Não passo rápido.
Deixo rastro.
Minha vida cigana
não é fuga,
é chamado.
Há um propósito que me move
mesmo quando ninguém entende o mapa.
Quero ser muito mais.
Agora não pros outros.
Não pra provar.
Não pra caber.
Quero ser, pra mim mesma,
tudo o que me devo.
E isso basta
pra seguir.

Despertar


Hoje eu acordo sem certezas,
mas acordo.
E isso já é um ato de coragem
que ninguém vê.
O que me feriu não levou tudo.
Levou ilusões, promessas, futuros ensaiados.
Mas ficou algo em pé
no meio dos escombros:
eu.
Descobri que o amor também ensina
quando falha.
Ele mostra onde eu me abandonei
tentando ficar.
Mostra que não era excesso sentir,
era falta de cuidado do outro.
Não sou a mesma de antes.
Sou mais lenta,
mais desconfiada,
mais profunda.
Aprendi que despertar dói
porque os olhos ardem
quando a verdade entra.
Hoje eu não floresço.
Hoje eu crio raiz.
E raiz não aparece,
mas sustenta tudo.
Se for para seguir,
que seja com menos ruído
e mais verdade.
Mesmo que doa.
Mesmo que demore.
Eu continuo.
Não por força.
Por consciência.

Eu quis ficar,
mas ficar também cansa quando só um sustenta o peso.
Fiquei até onde deu,
até o limite do que ainda era cuidado e não abandono de mim.
Depois disso, não foi ir embora.
Foi sobrevivência.

O Dia em Que Escolhi ir


Capítulo: Eu Disse Sim


Eu disse sim.
Não foi um sim gritado.
Não teve fogos, nem testemunhas.
Foi um sim quase sussurrado, desses que mudam o eixo da vida sem fazer barulho.
Eu disse sim
quando meu instinto dizia cuidado.
Disse sim
mesmo sabendo que intensidade cobra juros.


Não foi ingenuidade.
Foi escolha.
Eu vi o risco.
Vi o abismo.
E ainda assim, avancei.


Porque havia algo no olhar dela..
não promessa,
não segurança,
mas verdade crua.
E eu prefiro a verdade que arde
à mentira que acalma.
Eu disse sim
para o desejo,
para a confusão,
para a possibilidade.


Disse sim
para aquilo que não tinha manual.
Não foi submissão.
Foi entrega consciente.
Eu sabia que podia doer.
Sabia que podia quebrar.
Mas também sabia que viver pela metade
é morrer aos poucos.
Então eu disse sim.
E naquele instante
eu não estava escolhendo só uma pessoa.
Eu estava escolhendo ser inteira.
Sem garantias.
Sem contrato.
Sem anestesia.
Só eu,
o risco,
e a coragem de não fugir.
Esse foi o meu sim.
E ele mudou tudo.

“Respirar pesa,
como se o ar tivesse memória.
E ainda assim eu fico,
carregando um silêncio
que só quer… paz.”

Não é só no peito, é em mim inteira,
um peso que chega e nunca beira.

Feito de tudo que eu não soltei,
de tudo que senti e nunca falei.

Dias parados, querendo voltar,
coisas em mim sem saber onde ficar.

Eu sigo firme, mesmo cansada,
carrego o mundo sem dizer nada.

E no silêncio onde ninguém vê,
eu luto comigo pra não me perder.

Talvez hoje eu não tenha “um mundo” pra entregar. Mas talvez o problema nunca tenha sido faltar mundo. Talvez tenha sido carregar o universo inteiro nas costas tentando ser indispensável pra alguém.

Um dia, quando eu voltar...

Um dia, quando eu voltar, talvez nada esteja no mesmo lugar.

As ruas terão seguido seus caminhos, as pessoas terão contado novas histórias, e o tempo terá feito aquilo que sabe fazer melhor: continuar.

Mas algumas coisas permanecem.

Permanecem os abraços que não demos. As palavras que ficaram guardadas. Os sorrisos que a distância não conseguiu apagar.

Um dia, quando eu voltar, não quero encontrar o que ficou parado me esperando. Quero encontrar o que cresceu, o que floresceu, o que teve coragem de viver.

Porque quem ama de verdade não guarda a vida numa gaveta. Cuida dela até o reencontro.

E, se esse dia chegar, que a gente se reconheça não pelo que perdeu, mas por tudo aquilo que teve força para continuar sendo.

Um dia, quando eu voltar, que o tempo não seja uma desculpa. Que seja apenas a ponte entre duas saudades que sobreviveram.

Lucci Santz ✍️

"Há pessoas que atravessam o mundo em busca de um lugar para existir. Eu percebi que o único lugar onde nunca fui abandonada foi dentro das palavras. É por isso que escrevo: porque a poesia acolhe até aquilo que a vida recusou."

⁠Atualmente, para me chocar, só se eu renascer de um ovo ou sofrer uma descarga elétrica.

"Eu gostaria de viver como um pobre, mas com muito dinheiro" .Pablo Picasso
Se viver como um pobre pode ficar rico, se viver como rico pode ficar pobre" Ademar de Borba

Eu nunca vi alguém
Que corresse, atrás de um sonho
Que não quisesse
Realizar

Para resgatar um piloto, os EUA mobilizaram centenas de soldados e dezenas de aeronaves! Eu já vi esse filme, mas não gosto de ficção; prefiro produções baseadas em fatos reais! A produção não agradou à crítica e será um fracasso de bilheteria!

Já ouvi alguém dizer
Que eu sou um esquisito
Mas não vou deixar de ser
Pois isto é meu requisito.


Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
13/08/2026

Eu fui um cara …
É eu fui um cara
Fui cara ingênuo
Um cara malicioso
Fui um cara sonhador
Mas também fui um cara iludido
É já fui cara que tentou ser um cara
É que quebrou a cara
Várias e várias vezes
Mas também fui um cara
Cara que levantou
Que caiu
Eu fui cara que construiu
Desconstruiu
Hoje sou um cara só um cara
Que pela ânsia de um dia querer ter sido o cara
Apenas que ser um cara
Um cara comum
Aquele tipo que cara
Que existe
Que resiste
Que insiste
E que no fim nunca perde o vício de querer ser o cara.
Marco Antônio
13/08/2026

⁠Faça o que puder pelas pessoas, e um dia, poderá dizer, eu fiz a diferença!

⁠Quero dizer-te coisas,
mas tu e eu sabemos que
as palavras não passam de um fluxo de ar complicado.
Só o silêncio diz a verdade.

Ocidente e Ocidente

⁠quanto mais tempo eu leio como um curioso as obras da academia ocidental e à 'pesquisa', mais eu me torno hostil à intervenção da erudição ocidental branca nos assuntos dos povos colonizados.

não há necessidade de contribuições brancas, ocidentais, questionamentos ou análises em relação ao sul global, povos colonizados ou minorias étnicas.

acadêmicos e professores brancos fetichizam, estetizam e exploram em nome de sua educação, estudos e carreiras.

uma sala de aula ocidental facilitada por um acadêmico branco é um local de violência, não de revolução

*Era outra noite no pub*

Eu ainda estava procurando um lugar que parecesse menos falso que os outros. Não necessariamente um lugar bonito. Beleza demais sempre me deixou desconfiado. Eu queria apenas um lugar onde ninguém precisasse fingir tanto.

Ela era uma das inúmeras profissionais que frequentavam o escritório. Já havíamos conversado algumas vezes. Coisas de trabalho. Horários. Processos. Café ruim. Aquele tipo de conversa que mantém duas pessoas civilizadas e completamente desconhecidas.

Naquela noite resolvemos sair.

Conhecer um pub.

Talvez conhecer um ao outro.

O segundo sempre dá mais trabalho.

Sentamos, pedimos alguma coisa e começamos pelo roteiro habitual dos primeiros encontros. Trabalho. Filmes. Música. Viagens. Relacionamentos. Pequenas biografias cuidadosamente editadas para não assustar ninguém.

As pessoas fazem isso.

Entregam uma versão resumida de si mesmas.

Como se fossem currículos emocionais.

Depois de algum tempo, a conversa cansou de ser educada.

Foi quando ela começou a falar de coisas que não cabiam no escritório.

Disse que crescera sentindo a falta de amor do pai. Não a falta física. A outra. A pior. Aquela em que o sujeito está presente, respira na mesma casa, ocupa a mesma cadeira e ainda assim parece ter feito um acordo com a própria ausência.

Depois veio o casamento.

Falido desde o começo.

Algumas relações não terminam. Apenas continuam mortas por falta de coragem dos vivos.

E havia o relacionamento mais recente.

Abuso emocional.

Ela não precisou usar muitas palavras.

Certas coisas aparecem no jeito como alguém segura o copo.

No intervalo antes de responder.

Na maneira de rir quando conta alguma coisa que ainda dói.

Eu ouvi.

Não porque soubesse o que dizer.

Eu quase nunca sei.

Também não acredito nessa obrigação moderna de oferecer uma frase bonita para cada ferida. Às vezes a melhor coisa que alguém pode fazer é não transformar a dor do outro em palestra.

Então fiquei ali.

Ouvindo.

Ao redor, o pub fazia seu trabalho habitual.

Gente bebendo para esquecer que precisava voltar para casa.

Casais se olhando como quem verifica se ainda existe alguma coisa ali.

Homens falando alto para parecerem importantes.

Mulheres rindo de coisas que provavelmente não tinham graça.

Garçons carregando copos.

Garrafas alinhadas.

Luzes baixas.

Música suficiente para impedir que o silêncio dissesse alguma coisa.

Era um lugar razoavelmente decadente.

Gostei.

A decadência, pelo menos, não costuma mentir.

Observei os rostos.

Todo mundo parecia estar tentando parecer alguma coisa.

Feliz.

Interessante.

Desejável.

Bem resolvido.

As imagens estavam por toda parte.

Nas paredes.

Nos copos.

Nas roupas.

Nas fotografias.

Nos telefones sobre as mesas.

Cada um carregava uma pequena propaganda de si mesmo.

Era curioso.

A espécie humana inventou espelhos e depois passou a acreditar neles.

Talvez seja por isso que eu goste tanto de observar pessoas quando elas não sabem que estão sendo observadas.

É quando a propaganda falha.

É quando aparece o sujeito.

Ou o que restou dele.

Ela continuou falando.

Eu continuei ouvindo.

Em algum momento percebi que aquela noite já não era sobre conhecer um pub.

Era sobre conhecer alguém além da pele.

E isso é perigoso.

A pele é uma excelente embalagem.

Esconde defeitos.

Esconde medos.

Esconde abandono.

Esconde pais ausentes.

Casamentos mortos.

Relacionamentos que transformaram carinho em controle.

Esconde quase tudo.

Até que alguém decide falar.

Então a embalagem começa a rasgar.

E você descobre que ninguém é exatamente aquilo que parece.

Nem eu.

Posso parecer um humano,
mas no fundo sou apenas notas inexoráveis,
hinos desconcertantes ao nascer do sol e muito silêncio
uma noção boba
um suspiro
uma emoção arrogante
eternidade em cativeiro, perpetuação irrepreensível
curvas, não uma única linha reta
uma contradição
uma contração tola, mas necessária
uma abstração
uma piada interna
uma risadinha sóbria
um enigma.

Talvez todos sejamos.

A diferença é que alguns aprenderam a esconder melhor.

Eu não tenho muita paciência para isso.

Nunca tive.

Talvez porque, depois de certa idade, você perceba que passar a vida inteira construindo uma imagem de si mesmo é uma maneira bastante sofisticada de morrer antes da hora.

Você começa tentando ser alguém.

Depois tenta parecer alguém.

Depois passa a defender essa aparência.

E, quando percebe, já não sabe mais onde termina o personagem e começa o sujeito.

Ela falava sobre o passado.

Eu pensava no meu.

Não havia muita diferença entre nós nesse ponto.

As histórias mudam.

A falta permanece.

Cada pessoa encontra uma maneira diferente de carregar aquilo que não recebeu.

Alguns bebem.

Alguns trabalham demais.

Alguns colecionam amantes.

Alguns colecionam dinheiro.

Alguns colecionam diplomas.

Alguns fazem discursos sobre felicidade.

Outros simplesmente ficam quietos.

Eu prefiro o silêncio.

Ele pelo menos não exige explicação.

Ficamos ali por algumas horas.

Duas pessoas tentando descobrir se havia alguma coisa além das apresentações.

Talvez houvesse.

Talvez não.

Não importa tanto.

Há encontros que não precisam terminar em romance para terem alguma importância.

Às vezes basta alguém enxergar você por alguns minutos sem pedir que você seja diferente.

Isso já é quase uma espécie de milagre.

Mas eu desconfio de milagres.

Eles costumam cobrar juros.

Quando saímos do pub, a noite continuava exatamente como antes.

A cidade não tinha aprendido nada.

As pessoas também não.

Os carros passavam.

As luzes continuavam acesas.

Alguém ria do outro lado da rua.

Alguém provavelmente chorava em algum apartamento.

Alguém estava começando um casamento.

Outro estava terminando.

Alguém dizia “eu te amo” sem saber o que aquilo significava.

Outro dizia “vai ficar tudo bem” sabendo perfeitamente que não ficaria.

E eu pensei que talvez essa fosse a grande piada.

A gente passa a vida procurando uma linha reta.

Não existe.

Existem curvas.

Desvios.

Contrações.

Recaídas.

Pequenos momentos de lucidez entre longos períodos de estupidez.

E, no meio disso tudo, chamamos a coisa de vida.

Talvez seja isso.

Uma contradição tentando respirar.

Uma emoção arrogante fingindo ter respostas.

Uma abstração andando por aí com documentos, contas, lembranças e alguma esperança mal escondida no bolso.

Uma piada interna que ninguém explicou.

Uma risadinha sóbria diante do absurdo.

Um enigma.

E talvez a parte mais amarga seja descobrir que não existe solução.

Só continuação.

A eternidade em cativeiro.

A perpetuação irrepreensível.

Você acorda.

Trabalha.

Ama mal.

É amado mal.

Perdoa quando consegue.

Machuca quando não consegue.

Bebe alguma coisa.

Escuta alguém contar uma história.

Conta a sua.

E segue.

Não porque encontrou sentido.

Mas porque, por alguma razão estúpida, ainda não acabou.

Talvez sejamos apenas isso.

Notas inexoráveis.

Alguns acordes desconcertantes ao nascer do sol.

Muito silêncio.

E uma vontade quase ridícula de continuar, mesmo sabendo que, no fim, ninguém saberá exatamente o que fomos.

Talvez nem nós.

E é aí que começa o verdadeiro problema.

Quando você finalmente fica sozinho, sem o pub, sem as imagens, sem os outros, sem a roupa social, sem a profissão, sem a história que conta sobre si mesmo, sem ninguém para confirmar que você existe...

quem sobra?

Talvez aquele seja o único encontro que realmente importa.

O resto é apenas barulho.

E talvez eu ainda esteja procurando um pub onde possa me encontrar.

O meu auge não é um lugar onde eu chego. É o fogo que me consome e me reconstrói todos os dias. Eu não busco a perfeição do agora; eu sou a fúria constante de quem se recusa a caber no próprio passado.