Eu Sofro porque te Amo Pensa um pouco em Mi

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Hoje em dia eu nem sei mais
O que é claro e o que é escuro
Nem sei mais a diferença
Entre o raro e o banal
Hoje eu não mais compreendo
O que é vento e o que é mar
O que é lento ou está parado
O que é fumaça e o que é ar
O que não tem graça
e o que é pra rir
Quem está contra mim
e quem está ao meu lado
Quando eu vou dormir
está de um jeito
Quando eu acordo
Não sei se acho feio ou bonito
deixaram tudo misturado
Não sei se o Mundo anda esquisito
Ou se sou eu
Que ando meio pirado
Agora mesmo eu estava lendo
Um artigo que dizia
Que aquele problema antigo
Que parecia resolvido
Será recebido de volta
e com festa
E nessa festa haverá música
e serão cantadas
canções sem nenhuma poesia
dizem que a moda agora é esta
Eu olho pros lados
e não sei dizer quem é homem
Parece que o normal
hoje em dia é ver a fome
Como coisa natural
E que os salvadores
na verdade
São aqueles
Que a todos comem
Me disseram que agora a cobra voa
Eu concluo que por mais que eu diga
Estarei falando à toa
Pois hoje o mal é coisa boa

Inserida por edsonricardopaiva

Outro dia, em sonho, entrei na mata
E à beira de uma cascata eu vi sentado
Sem qualquer possibilidade de fuga
Não sei se era tartaruga
Não sei se era Jabuti
Não sei se era Cágado
A única certeza que eu tenho
É que foi numa tarde de sábado
Num galho pertinho dele
Me olhava manso, o Sabiá
Não me canso de lembrar
Que cansado que eu estava
Disse quase resfolegando
Fica tranqüilo meu amigo
Em minha presença não há perigo
Hoje ando quase tão lento
Quanto a Preguiça e quanto a ti
Minha passagem por aqui
é coisa que invento
Pra espantar a solidão
Nem trago no coração
A antiga maldade de outrora
E somente o que peço agora
É um pouco de companhia
E então o bicho respondeu
Pois eu há muito espero este dia
Pois já te vi correr como o vento
E percebi
quando começaste a ficar lento
No meu íntimo,
também conheço os teus intentos
Apesar da aparência de bicho
Sou alguém que há muito conhece
e nunca andei depressa
Apesar das tuas preces:
Meu nome é tempo
Aquele, que mesmo quando você me esquece
Te encontra nas ruas
e ainda te reconhece
Quando do tempo eu tentei fugir
O Pássaro encantado
Que até então, se encontrava calado
Olhou pra mim como que rí
e simplesmente falou:
Bem-te-ví

Inserida por edsonricardopaiva

As coisas que faço
E as coisas que eu digo
Não pretendem conquistar nenhum espaço
Nem ligo
Não pretendo ser quem não sou
Sou aquele que Deus fez
A minha vez já chegou
é hoje, foi ontem e amanhã será
Meu tempo é este
E eu sou apenas eu
Apesar de todos os meus defeitos
Vivo apenas do jeito que posso
E te ajudo, se precisar
Às vezes me iludo
Pois sou gente igual você
Mas não quero o que não me pertence
Nem penso ser mais que ninguém
Estou na vida pra aprender
dividir e amar a vida
Por ser assim
e não saber mentir
Vivo sozinho
Quase que isolado
Não haverás de ver ao meu lado
Muita gente
Desejo que sejam felizes
Longe de mim
Não existe nenhuma garantia
Que eu não vá terminar meus dias
Embaixo de algum viaduto
Um desconhecido morto
Que viveu no anonimato
Não teve nada
e nem foi ninguém para este Mundo
Mesmo assim, se procurar
Não há de encontrar
A quem eu tenha feito o mal
O mal que me fizeram
Morreu em mim
Eu afoguei o mal, não o perpetuei
Portanto
Se terminar os meus dias
Sem ninguém ao meu lado
Eu mesmo me julgarei
Um bem aventurado.

Inserida por edsonricardopaiva

Meu coração é algo assim
Duro e versátil
Parece tecido de brim
As lágrimas verdadeiras
eu as escondo
Vou pondo onde ninguém acha
Você pode até pensar
Que eu tenho baixa auto-estima
Meus segredos estão todos
Guardados nas rimas
Pois é nas palavras
Que eu faço sangrar
Desfaço-me assim das tristezas
Tem sido assim por anos
Não faço planos impossíveis
Posso voar por todos os Céus
e todos os níveis
Pra todas as portas que se fecham
Eu tenho uma chave-mestra
O que hover de canhestro em meu passado
Eu corrijo com a destra
Se o bem não alcanço
O mal não me pode alcançar

Inserida por edsonricardopaiva

Meu coração é algo assim
Duro e versátil
Parece tecido de brim
As lágrimas verdadeiras
eu as escondo
Vou pondo onde ninguém acha
Você pode até pensar
Que eu tenho baixa auto-estima
Meus segredos estão todos
Guardados nas rimas
Pois é nas palavras
Que eu faço sangrar
Desfaço-me assim das tristezas
Tem sido assim por anos
Não faço planos impossíveis
Posso voar por todos os Céus
e todos os níveis
Pra todas as portas que se fecham
Eu tenho uma chave-mestra
O que hover de canhestro em meu passado
Eu corrijo com a destra
Se o bem não alcanço
O mal não me pode alcançar

Inserida por edsonricardopaiva

A maneira que você me olha
Não me deixa escolha, não me dá saída
Por você eu mudei minha vida

Inserida por edsonricardopaiva

Olho pro Mundo, hoje há chuva
No silêncio deste mágico momento
Eu tento entender a lógica
Que faz a Terra girar pra um lado
e a gente caminhar pro oposto
É mês de novembro
e eu respiro um ar de mês de agosto
Só não sei de qual ano ele é
Parece que igual a mim
Muita gente que se encontra nesta Cidade
Simplesmente perdeu-se no tempo
O coração se deixa invadir
Por uma estranha alegria tristonha
Houve dias em minha vida
Em que as unhas do tempo
arranhavam minha porta, que eu abria
Entravam sonhos
dos mais variados tamanhos
Eu os mesclava à realidade e vivia
da maneira que o Mundo deixasse
Alguns estéreis e fecundos
Outros profundos
O Mundo e os sonhos
Também foram me deixando aos poucos
Agora, nestes loucos dias que correm
O tempo anda pra trás
O Mundo parece parado
De vez em quando
as águas chovem
E eu ainda vivo
os poucos sonhos que me vem
Enquanto eles também não morrem

Inserida por edsonricardopaiva

Vida minha, amada vida
Te agradeço por vivê-la
Mesmo que às vezes eu sinta
Que talvez eu não mereça tê-la
Cresce em mim a cada dia
A alegria de poder viver
Vida, te prometo
Que até o meu último suspiro
Você não há de ser perdida
E que mesmo nos piores
Momentos de delírio
Não haverei de sentir
Medo de vivê-la
Tenho sim
Vontade de fazer
Muita coisa que eu não faço
Aquelas que, portanto
Você, minha vida, permitir fazer
Se acaso pra longe eu tenha que ir
Eu vou até lá para vivê-la
E viverei, durante a viagem
A alegria de enxergar
A linda imagem da minha chegada
E mesmo que lá não haja nada
Viverei a alegria da volta
Vida, imensa vida
Cuja existência, muita gente acha
que deve ser vivida animalescamente
Permita, vida
Que o vento leve estas palavras
E as entregue a alguém
Que mereça recebê-las
Diga à ela, vida
Que antes que você se acabe
Eu gostaria muito de poder
Conhecê-la
E que ela finalmente
Reconhecesse o que me faz.
Vê-la
Sentí-la
Beijá-la
E, quem sabe, dizer que por ela
Valeu-me viver minha vida.

Inserida por edsonricardopaiva

Novamente estou aqui
Aqui e ali sempre sozinho
Eternamente só
E é só isso que eu sou
Sempre perdido
Um rosto desconhecido
Em meio à floresta anônima
Árvores e mais árvores
de almas desarvoradas
Onde ninguém
Absolutamente ninguém
Não quer, não pode
e nem significa
Muita coisa, além de nada
Atravessando a rua
Espiando através da vidraça
Caminhando pela calçada
Uns parados pensando
Alguns sumiram
Tem gente que apenas passa
Pessoas pequenas
Ocupadas
Com seu mundo, menor ainda
A melhor parte dessa história
é que ela um dia
Finalmente finda.

Inserida por edsonricardopaiva

Às vezes eu me sinto assim
Sozinho e esquecido
e é nesses dias
Quando eu me vejo perdido
Que percebo
O quanto eu pensei em outrem
Enquanto nem pensava em mim
Ontem, perto do final do dia
Chovia, choveu bastante
Meus olhos delirantes
e meu pulso vacilante
Concluiam, quase que perplexos
O quanto que
de tempos em tempos
A vida se revela
Algo que parece
carecer de nexo
e o tempo, apesar de complexo
Muitas vezes me parece desconexo
A gente se esquece quase sempre
Que a chuva exagerada de uma noite
No dia seguinte desaparece
Não deixa marcas
Muitas vezes, pensamentos simples
daqueles que nos chegam aos poucos
e aos poucos nos invadem
de repente te fazem olhar a sua vida
e perceber que pode ser tarde, muito tarde
São coisas assim que deixam marcas
Maiores que as maiores tempestades.

Inserida por edsonricardopaiva

Quando eu era criança
Sempre desenhava Sóis sorrindo
e nuvens com cara de nuvens boas
A vida foi passando
E tempo escoou por entre os dedos
Que há tempos não mais desenham
O Mundo não parece mais
Ser daquele jeito lindo que eu via
O coração anda cansado de bater à toa
Um minuto passa lento
e outro voa
A tristeza me maltrata com certo requinte
E eu chego a esquecer os minutos
Quando a gente vê, passaram vinte
Andei divagando
Lembrando de um pé de pitanga
Perdido nas mangas do tempo
Longas horas passei sob ele
Aguardando a chegada dos domingos
Que era quando eu sumia
Nunca mais houve tanta alegria
Nunca mais houve quase nada
Além de medo
Que não existia, naquele mundo encantado
Meus dedos não sabem mais
desenhar nenhum sorriso
Nem tecer nenhum poema
Que fale sobre flores
Nuvens boas ou paz
Viver ou não
hoje em dia tanto faz

Inserida por edsonricardopaiva

Os milagres que existem no Mundo
Eu os vejo nas menores coisas
Mesmo que sejam grandes
Pois é nos detalhes, que se escondem
os seus significados mais profundos.
A escuridão que precede o amanhecer
traz junto a si uma paz e uma temperatura
Que a gente não há de ver ou sentir
Em todo restante do dia
O canto dos pássaros ao longe
Misturando-se ao silêncio
entrecortando-lhe, extingüindo-o
Findando-lhe aos poucos
A coloração acinzentada
misturada a uma tonalidade rósea
é a luz do Sol brincando entre as nuvens
Tornando menos plúmbeo
o milagre pluvial
Algo lindo de ser ver!
E assim
A noite e o silêncio morrem
Na rua as pessoas correm feito loucas
Quando cumprimentam-se, velozes
Suas vozes denunciam, roucas
Um misto de tristeza e alegria
Pelo milagre do nascer de mais um dia
Bom dia!

Inserida por edsonricardopaiva

O Céu hoje está tão claro
Se eu soubesse ontem
Que isso indifere
das canções que cantem
Os anjos do Céu
Talvez não doesse tanto
Em minha alma de papel
O fato de ter aguardado
A noite escura
Por pensar que a alma pura
Pudesse transpor
Com tanta desenvoltura
A manhã desbotada
Que meus olhos embotados
antes viam
Pois nem sempre
O amor que a gente sente
é amor do bom
Quando somente
quem o sente é a gente
Eu não percebia
Que o coração pudesse assim
causar tanta dor
Quando o sentimento
que ele mente
é de amor.

Inserida por edsonricardopaiva

Quase sempre que saio de casa
Quase nunca levo a chave
Pode ser que em algum caminho
Eu encontre a nave que me leve
E nela esteja a chave de lá
Vou vivendo de alma leve
Até que ela se livre de mim
E que se lavre nos boletins da vida
Que a minha chegou ao fim
Pode ser, quem sabe
Que a vida se agrave
Até que o tempo escave em meu rosto
Muitas marcas dessa passagem
A cada vez que vou pra rua
Peço à chuva que lave-me a alma
E dê-me calma
E ponha lama eu meu caminho
Pra eu pisar
E que de preferência
Eu esteja descalço
Como eu fazia
Nos velhos tempos
de alegria e felicidade
Em que eu corria pelas ruas tortas
E as enxergava todas retas
A chuva e o tempo lavaram-me os olhos
Agora eu sei que é torto
Aquilo que é torto
E por isso nunca levo as chaves
Pois pode ser que não haja volta
E eu nunca mais precise
Abrir outra porta

Inserida por edsonricardopaiva

Primeiro eu acordo
Pra depois tentar dormir
Vivo esta confusão
Pra cumprir o itinerário
E nesse espaço de vida
Que eu vivo ao contrário
Eu não sei mesmo o que vi
E o que foi ilusão
É a cada dia mais confuso
Este parafuso horário
É quase que impossível
organizar dentro da mente
Aquilo que foi extraordinário
daquilo que eu faço comumente
Há calamidades nos dois Mundos
Meu estado Alfa
é de alerta profundo
Quando a mente finalmente entra em Beta
Estou eu quase dormindo

Inserida por edsonricardopaiva

Existem nuvens cinzas
e também as nuvens brancas
Porém eu descobri, que na verdade
A mente mente, pois a mente é manca
Na realidade,
eu creio que os olhos se enganam
Todas as nuvens são só brancas
Não existem menos brancas e outra mais
Pois as nuvens são todas iguais
Assim também hão de ser as pessoas
com seus segredos pessoais
Mas a gente confunde todas elas
E algumas almas então
Se apresentam muito belas
e as outras são apenas aquelas
com as quais evitamos contato
Mas de fato, quando tudo se funde
Não há curinga, não há Rei,
nunca houve um às
E nem aquilo em que eu sempre acreditei
Obedecendo a esta lei
Todas as pessoas são e pra sempre serão
Somente más.

Inserida por edsonricardopaiva

Nesta vida eu tenho sido tudo
Exceto alguém que algo saiba
E então decidi, talvez por experiência
Que convém tornar-me mudo
Encosto meus ouvidos às bordas do tempo
Mas não conto pra ninguém
O som que me vem lá do outro lado
Mas eu acho que já sei
Aquilo que há
de chegar neste espaço
Em questão de muitos dias
Talvez hoje me alcance a loucura
Pode ser que ontem
Seja eu a ter atingido a sabedoria
E é tão ínfima esta diferença
Que eu concluo crêr
Apesar de não ter, nunca ter logrado ter
Muita intimidade com qualquer crença
Nesta vida, em meu coração
Tem cabido quase tudo
e com o tempo percebi
Como se fosse um sentimento derradeiro
Que por menor que seja, qualquer amor
Não existe amor verdadeiro
Que aqui neste Mundo caiba.

Inserida por edsonricardopaiva

Há coisas que eu quero
Existe em mim esse segredo
de querer algumas coisas
Que eu sei que jamais terei
Não tento tê-las
Por medo de finalmente não saber
O que vou fazer com elas
Isso pode parecer inexplicável
Mas isso não quer dizer
Que esse querer
Não seja um querer infindável
Ou que esses objetos de desejo
Sejam para mim inatingíveis
Porquanto são coisas pequenas
Não me esforço em conseguí-las
Apenas porque minha vida
Segue bastante tranqüila sem elas

Inserida por edsonricardopaiva

Este mundo anda tão confuso
Que eu acabo por seguir a multidão
Por mais que me recuse
Quando vejo estou atendendo
Pelos nomes que me dão
E só o que me dão são nomes
Minha fome permanece a mesma
Inauguraram uma nova feira de rua
Venderam ali minha alma
Me perderam pelo menor preço
Creio que seja mesmo assim
Levaram de mim
Somente aquilo que merecem
Meus olhos se apressam
Em não querer mais vê-los
E eu vou deslizando
Por entre tantos atropelos
Guardo assim, meu coração
Sem amigos, quase sem uso
Antigos em mim, há somente sonhos
Todos eles, por demais voláteis
Mas um dia me haverão de ser úteis
Desenhos que pretendo ainda colorir
Somente a eles me prendo
Distribuo o que me cai às mãos
Mas não me vendo
Um dia tudo isso há de findar
Pois meu lugar, isso eu sei
Não é ali, eu apenas me perdi
Passou em branco, foi tudo ilusão
Permaneço abstraído
Apesar dessa tamanha confusão
Pois este mundo anda um tanto confuso.

Inserida por edsonricardopaiva

Uma coisa leva à outra
E está tudo interligado
Eu caminhei pela Estrada do Tempo
Às vezes com pressa
Noutros dias empurrado
Agora eu compreendo
Que por mais longo que seja o tempo
Ainda assim é muito curto
diante de um Universo tão vasto
E ninguém caminha
ao seu lado eternamente
tampouco à sua frente
e mesmo que você não queira
O poder de arrasto que tudo isso exerce
Te faz enxergar que a vida
É uma espécie de doença sem cura
Uma loucura que poucos dominam
Há dias em que a alma voa
E dá vontade de estar cercado
por multidões e mais um pouco
Noutros dias me afasto
Pois só eu, a mim mesmo, me basto
e não há companhia que me seja boa
Quando só, a solidão abrange
A ilusão mal explicada
A porta que range
na escuridão da madrugada
Apesar de estar fechada
O malho do Martelo que eu ouvia
A pessoa que eu sempre via
Todo dia em meu caminho
Na mesma calçada
Por mais que, com o tempo, eu tentasse
Ela nunca foi alcançada
Um dia ela deixou de estar lá
Aos poucos, tudo nos deixa
E todas as portas finalmente se fecham
Fica tudo escuro e a alma se entrega
Fatalmente a escuridão me leva a ver
O quanto, às vezes, a luz nos cega

Inserida por edsonricardopaiva