Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando
Sob controle
Alguns me julgam boa, outros má
Já eu penso, “por que tanto bafafá?”
Sou dona de tudo, tudo mesmo
Tenho o universo em minhas mãos
O sistema solar para mim é um brinquedo
Sol, lua, Terra… controlo tudo do meu jeito, por inteiro
Com um simples estalar, faço um movimento estelar, mudo de átomo à estrela, de planeta à poeira
Urano? não é capaz de me entreter
Júpiter? que tedioso ser
Saturno? Eu preciso mesmo dizer?
Às vezes penso o que fazer com tanto poder
Destruir, criar, viver, matar… para quê, afinal?
De nada adianta tamanho potencial se nada para mim é especial
Pilar da criação, da destruição, me perco no meu conceito de ser, será que fui criada por Deus, Lúcifer… mas por que meu tédio continua a crescer?
Será que quando eles morrerem, quem sobrará será apenas a mão dominante do universo, ou ela também será dizimada e, como todo o resto, dissolvida no verso?
Um desejo de sumiço:
As vezes tudo o que eu queria era desaparecer
talvez com uma máscara esconder o rosto para que ninguém possa ver
a vergonha me assola dia após dia
A minha aparência me destrói, minha autoestima não existe mais, já não sei o que é se sentir bem
Ó Deus, por favor, eu não mereço viver com essa dor
acabe com ela, ó todo poderoso, apague minha existência
suma com tudo que um dia já teve o desprazer de me conhecer
o desprazer de ter um pouco de mim, de saber que essa figura fútil, irrelevante e desinteressante um dia já pisou nessa Terra.
Cristo, em nome do pai eu suplico:
‘me faça nunca ter nascido’.
Idiota
Eu fui idiota por ter terminado com você
Eu sou um idiota por ainda sentir falta de você
Eu sou um idiota por querer você ontem
Sou idiota por querer você hoje
E sou um idiota por querer você amanhã também
Eu sou idiota por ainda amar uma pessoa
má, rude, grossa e péssima como você.
Lá estava eu, cara a cara com a morte
Olhando no fundo de seu crânio eu disse:
Obrigado, morte, esse inferno já não fazia mais sentido
Agora, ao seu lado, aproveito a paz e a liberdade de um mundo melhor
Ao lado de anjos ou demônios, pouco me importo
pois os demônios de verdade me chamavam de querido, de amigo, e de filho.
Cá estou eu, no inferno
Lá estão eles, os demônios
Mal posso falar, muito menos me mexer
Se algum deles me ver, será meu fim
Festa com parentes é torturante
Eu te odeio, te odeio por tudo que me fez passar
Quem você pensou que era para fazer tudo aquilo?
Hoje eu não consigo mais ter sequer uma boa amizade
A partir do momento que lembro do que você me causou
Meu sumiço se torna súbito e eminente
Toda sua traição, grosseria, maus tratos e desconfiança me destruíram
Graças a você, mal me reconheço hoje
Você não tinha o direito de me transformar
Nessa triste metamorfose ambulante.
Eternamente eu te esperaria
Com éter na mente para me ajudar
Pois eu te amo para sempre, Interna e externamente
tu és dona de uma beleza eterna
sou apaixonado por você
Claramente, fielmente e docemente te amo mais a cada dia.
Minha vida sempre foi triste, fui sempre um zero à esquerda
No começo eu tinha raiva, carência por atenção
Mas a algum tempo eu aprendi a viver só, viver como meu único amigo
Se hoje alguém de chama de frio, distante
É por que quando eu queria ser quente e próximo
Não fui levado a sério, fui deixado de lado
Então por favor, não se irem comigo
Tudo isso é culpa de vocês.
Dois olhos, uma árvore
Eu e a natureza
Abro a janela e é o que vejo, o verde
Mas a verdade é que nem tudo são flores (ou folhas)
Há situações que são espinhos, como a moça de verde na calçada
De verdade, meus olhos nunca foram tão facilmente convencidos a olhar
Olhar uma estrela caminhar sobre o chão
Mas estrela, o que te trazes aqui?
Eu mesmo respondo, visivelmente vejo seus motivos
Era uma tática, mais uma tentativa astral de me tirar o foco do que realmente importa
Meu pé de laranja lima, com suas lindas folhas cor de natureza, naturalmente verdadeiro.
O quão rápido o mundo pode girar?
Num dia eu tinha tudo, esposa, filhos, carro, casa, dinheiro, muito dinheiro
Mas de repente, ela quis me deixar, até hoje não me disse exatamente o motivo
Nosso quarto, agora é quarto de despejo
Mesmo que eu não aceite isso com facilidade
Todos os dias vejo nossa cama, os lençóis ainda estão dispostos da maneira que você os deixou quando partiu
Senhora, voltes, ainda há espaço na casa, tanto desde que me deixastes…
Hoje já não me restou nada, nem dinheiro, tu levaste os filhos, o carro, tenho no máximo uma casa. Não serei modesto, uma mansão
Uma mansão grande demais pra mim
Por isso, senhora, eu aceito sua presença
Quando quiser voltar, será bem vinda
Mesmo que em meu coração já não exista chão para pisares.
Essa eu fiz pro nosso amor
Ele é como os batimentos do coração
vem e vão, constantes, mas inconsistentes
É como um furacão, devastador, mas não dura pra sempre
uma tempestade com trovões, intensa
mas que basta vir o sol para que tudo se acalme
Nós nos amamos, nos desejamos
mas basta um problema… somos desconhecidos
basta um desentendimento, uma situação mal explicada
e o orgulho vem e nos separa
Bem, eu queria dizer que a culpa é só sua
porém, nesse caso, acho que eu faço questão de ser vilão
Eu estive pensando em você ultimamente
Sim, você mesmo, mãe Terra
Sempre bela, lindamente organizada a cada nível
Relações ecológicas, níveis tróficos, ecossistemas...
Você é pura esperteza, tudo funciona perfeitamente
Porém o egoísta e capitalista humano, com suas garras medonhas
Tira tudo da nossa querida mãe; Água, fauna, flora, toda biodiversidade
Destrói tudo que toca, uma verdadeira maldição
E o pior, nós é quem perdemos, mas existe uma questão pouco falada
Foda-se a ecologia, consumo consciente é uma piada
A briga aqui é por ego. Nós morremos, sim, mas não sem tirar tudo de você
Pouco importa se meus filhos vão respirar petróleo ultraprocessado
Eu enchi meus bolsos de dinheiro e deixei a querida mãe Terra num aterro
Tanto faz se ela sofre, eu ganhei, cada lágrima que ela derrama
É dinheiro que tenho no bolso, e sem mato para roçar
Eu venci, nós vencemos, mamãe, apenas chore mais e mais
Sinta doer, sufoque, se esse é o único jeito dos meus bolsos encherem, bem
Farei uma nova viagem às Maldivas.
Por toda minha vida eu esperei a oportunidade de conhecer um amor eterno, leve...feito a bruma do paraíso. Nos seus olhos eu reconheci meu próprio valor, descobri a importância de ser autêntico. É cedo ou tarde...pouco importa!
Meu sentimento é corajoso, assim posso lhe dizer, que meu coração bate forte, em cada momento que você habita o meu pensar.
... Eu só posso falar de amor
De respeito
De saudade
De paixão
... Eu somente devo te dizer
Que você mora
No meu coração!
Ensinar caráter é com pai e mãe, quer aprender comigo cuidado,
Eu sou igual a vida ensino dando porrada
"Um toque da minha boca doce na sua, eu te faço ter Diabetes, meu beijo é viciante como chocolate e quente,picante como pimenta, a combinação: chocolate com pimenta!"
"Eu enfrentarei meu medo. Eu permitirei que ele passe através de mim. E quando tiver passado eu o olharei nos olhos para ver seu caminho. Onde o medo passou não haverá nada, somente eu permanecerei."
Deu-me Deus o seu gládio, porque eu faça
A sua santa guerra.
Sagrou-me seu em honra e em desgraça,
Às horas em que um frio vento passa
Por sobre a fria terra.
Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me
A fronte com o olhar;
E esta febre de Além, que me consome,
E este querer grandeza são seu nome
Dentro em mim a vibrar.
Súbita mão de algum fantasma oculto
Entre as dobras da noite e do meu sono
Sacode-me e eu acordo, e no abandono
Da noite não enxergo gesto ou vulto.
Mas um terror antigo, que insepulto
Trago no coração, como de um trono
Desce e se afirma meu senhor e dono
Sem ordem, sem meneio e sem insulto.
E eu sinto a minha vida de repente
Presa por uma corda de Inconsciente
A qualquer mão nocturna que me guia.
Sinto que sou ninguém salvo uma sombra
De um vulto que não vejo e que me assombra,
E em nada existo como a treva fria.
Ao divino assassino
[...] Talvez na pressa,
no pânico de Pedro, eu negue um dia
e trate de escapar, mas hoje não;
hoje sofro com fé e, sem poesia,
metrifico uma dor sem solução,
mas não vim negar nada! Faz efeito
essa dor: faz sangrar, mas faz questão
de defender-me como um parapeito
contra a queda e a revolta. Um Botticelli
despedaçou-se todo, mas que jeito,
se por Lear enforcam uma Cordélia
e encarceram a Ariel por Calibã...?
Alvorece, a manhã beata velha
enfia agulhas no Teu céu de lã,
antenas às Tuas cenas de TV,
e eu penso: ela morreu... Hoje, amanhã,
enquanto Te aprouver e até que dê
a palma do prego e o último verso à traça,
vai dor – mas Amém! Não há porque
amar a morte, mas que venha a Taça,
aceito suar sangue até o final,
como não... Tudo dói, menos a graça,
mata, Senhor, que a morte não faz mal!
Paray-le-Munial, 1979
