Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando
O Que Me Faltou
A vida passou diante dos meus olhos
como um trem que nunca esperei pegar.
Eu estava ocupada demais
cuidando, sustentando, sendo porto
para todos que precisavam ancorar.
Disseram que vivi plenamente,
que fiz o que quis,
que eu devia ser grata.
Mas ninguém viu
o silêncio que ficou em mim
quando o aplauso acabou.
Há um cansaço que não vem do corpo,
vem da alma que sempre se doou
e raramente foi escolhida.
Um vazio sem nome,
essa falta que não grita,
mas dói.
Nunca me senti amada —
não de verdade.
Sempre havia uma explicação,
um motivo justo,
uma história bem contada
para a ausência do afeto.
E eu segui.
Mesmo faltando.
Mesmo tentando entender.
Mesmo sorrindo para não incomodar.
Sigo…
com essa coragem silenciosa
de quem aprendeu a viver
sem receber o que mais desejava:
um amor que ficasse.
— Zeni Muniz
O mundo pode até tentar
Te fazer desacreditar
Mas eu te vejo com o coração
E pra mim, você é canção - Frase da música Olhe no Espelho do dj gato amarelo
A vida me emociona, me decepciona, me chuta e me machuca o tempo todo! Mas se eu ficar chorando, quem vai pagar as minhas contas?
Por uma fresta, um fio de neblina, dançava como a seda mais fina. Lá dentro, um coro baixo que eu ouvia: eram gritos calados ou só melancolia?
Recém-chegada a este corredor, minha mão curiosa bateu, sem temor. Então, um toque, um afeto gentil no meu ombro, neste outono de abril.
Uma música clássica enchia o lugar, não era terror, era só um bailar. E eu caminhei pelas salas vazias deste lar de esquecidas alegrias.
Quem me tocara com mão tão serena? Era o meu outro eu, que me livra da pena. Mas não havia porta, nem música, nem mão... Só o eco dançando da imaginação, no palco sem luz do meu próprio roteiro, assinado por um nome estrangeiro: Esquizofrenia.
Eu sabia de cor que as estrelas eram azuis;
Eu sabia de cor que a tinta escorria pelo papel;
Eu sabia de cor que és ilustre quem sonha;
E não sabia que você LERIA ESSA PROSA.
Essa eu fiz diante de um ciclo de uma amizade que foi importante pra mim, usei Camus para entender tudo que aconteceu e tudo que permaneceu. Me inspirei na musica Crochê de Jovem Dionísio.
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"Crochê de Amizade: pontos que seguram o mundo"
Há amizades que não chegam de repente; elas se constroem devagar, como crochê.
Um ponto hoje, outro amanhã, um fio que se enrosca no outro, uma conversa que vira apoio, um silêncio que vira confiança. Nada grandioso, nada teatral. Apenas presença. Apenas verdade.
“Crochê” tem essa atmosfera de afeto discreto, quase tímido, que lembra muito o jeito como algumas amizades profundas nascem: sem anúncio, sem expectativa, sem garantia — mas com uma sinceridade que toca onde a vida geralmente não alcança.
Camus diria que é exatamente nesses vínculos que o Absurdo da existência ganha uma pequena trégua.
Porque, num mundo que não responde,
não explica,
não abraça,
a amizade é esse gesto humano — quase rebelde — de dizer:
“eu estou aqui com você, e isso basta.”
A vida é desalinhada.
Nós somos desalinhados.
As dores que carregamos nos fazem tropeçar em nós mesmos.
A lucidez nos mostra que nada é garantido, que a solidão é inevitável, que o universo é indiferente às nossas angústias.
E, ainda assim, existe esse outro ser humano que decide dividir o tempo, o riso, o cansaço, a bagunça, o silêncio.
Isso, por si só, já contraria o absurdo.
É quase um milagre sem misticismo.
Amizade verdadeira não exige perfeição — apenas presença honesta.
É alguém que te vê fora do tom e, ao invés de tentar te ajustar, senta ao seu lado e ouve a melodia torta como ela é.
É quem te passa um fio novo quando o seu arrebenta.
Quem ajuda a desfazer o nó quando você mesmo não consegue enxergar onde começou.
A amizade não te salva do mundo —
mas te lembra que você não precisa enfrentá-lo sozinho.
E essa lembrança muda tudo.
Porque é fácil compartilhar os dias bons; o desafio está nos dias que parecem cinza por dentro.
Nos dias em que você questiona o próprio valor,
em que o mundo parece grande demais,
em que a alma parece pequena demais.
E é justamente nesses dias que um amigo — verdadeiro — transforma o absurdo em algo suportável.
Não com respostas.
Não com soluções.
Mas com a coragem silenciosa de simplesmente estar.
Camus acreditava que continuamos vivendo não porque encontramos sentido,
mas porque inventamos pequenos motivos para seguir.
A amizade é um desses motivos.
Um dos mais fortes, talvez o mais humano.
E, no fim, o crochê da amizade é isso:
um tecido feito de confissões e risos,
de ombros e demoras,
de pequenos gestos que ninguém vê,
mas que seguram o mundo inteiro do lado de dentro.
Não precisa ser perfeito.
Não precisa ser constante.
Só precisa ser verdadeiro.
Porque, quando o resto desaba,
são essas linhas simples —
essas linhas feitas à mão —
que impedem nossa alma de se desfazer.
E, nesse desalinho tão humano,
há uma beleza que Camus entenderia:
a amizade é uma revolta contra o vazio.
E cada ponto dado juntos
é uma pequena vitória silenciosa contra o Absurdo.
Y.C
Se um dia o mundo deixar, me espera no lugar onde a gente nunca esteve. Pois eu ainda acredito na ideia boba de que dois corações podem se colar se baterem no mesmo compasso.
Eu tento me distrair, tento fingir que estou ocupado demais pra notar tua ausência, mas no fundo eu sei que não importa o que aconteça.
TODA NOTÍCIA BOA AINDA É METADE TRISTE POR NÃO PODER TE CONTAR.
Descobri que te amava no dia em que meu cuidado começou a te procurar antes mesmo de eu perceber minhas próprias dores .
Quando seu cansaço passou a morar em mim como algo que pede colo, e não explicação.
Te amei no detalhe invisível, no jeito como percebi suas fragilidades sem vontade de toca-las com força. Sem curiosidade, sem invasão, Amar você foi aprender a caminhar devagar para não assustar o que em você era delicado.
Eu te li nos silêncios. Nos dias em que você você sorria pouco, nos instantes em que seu olhar pedia abrigo sem saber pedir.
E ali, nesse espaço frágil e humano, meu amor não recuou, ele cresceu.
Eu vi suas dores e não senti medo.
Senti respeito, porquê ali havia nelas uma humanidade quieta que pedia mais silêncio do que solução, e eu fiquei ali, não para salvar, mais para ser chão.
Se amar é se perder, eu me perdi em você conscientemente. não porquê deixei de ser quem eu era, mas porque eu encontrei alguém por quem valia a pena ser mais gentil, mais paciente, mais lar.
E se um dia você esquecer quem é, lembre-se disso: Houve alguém que te amou não apesar das suas fragilidades, mas exatamente nelas, alguém que viu suas rachaduras e deciciu morar ali.
Você é o autor da sua história
E eu quero fazer parte, agora
Vamos escrever, sem medo de errar
Algo que ninguém vai apagar - Frase da música Algo Incrível do dj gato amarelo
Porque amor que cresce devagar
Tem raiz pra eternizar
E com você eu aprendi
Que vale a pena insistir - Frase da música Apenas um por cento do dj gato amarelo
Aprendendo a ler o clima
Eu nasci com o coração voltado para fora.
Desde cedo, o mundo me atravessava
antes de pedir permissão.
Havia uma casa cheia de ruídos
onde o afeto chegava por intervalos,
como sol entre nuvens densas.
Aprendi cedo a ler o clima,
a prever tempestades pelo tom da voz,
a crescer sem fazer barulho
e, ainda assim, crescer demais.
Havia uma presença vestida de silêncio,
sempre correta, sempre distante,
mesmo quando estava por perto.
E havia outra feita de excessos,
mudança de humor, controle e ausência de cuidado,
um campo minado de palavras
onde o amor surgia quando era conveniente.
E tive que aprender a prever todas as possibilidades
Quando a cidade ficou pequena demais,
o mar se aproximou.
Foi ali que algo em mim
finalmente respirou inteiro.
O oceano não exigia nada:
não pedia explicações,
não barganhava carinho.
Ele apenas vinha.
E voltava.
E vinha de novo.
Aprendi a deslizar
sobre aquilo que a maioria teme.
A cair sem perder a ternura,
a esperar a onda certa
sem endurecer o corpo nem a alma.
Sempre fui boa em aprender.
Corpo atento, mente curiosa,
mãos cheias de perguntas.
Movimento, dança, criação, pensamento.
Mas havia um espaço em mim
que nenhuma conquista preenchia.
Então achei que talvez
o sentido estivesse em doar.
E doei.
Ideias, tempo, cuidado, esperança.
Dei tanto que alguns confundiram
generosidade com disponibilidade infinita.
E eu, que só queria construir,
aprendi também a me decepcionar.
Veio o mundo em pausa.
O ar rarefeito.
As perdas sem ritual.
Os dias iguais demais.
E dentro de mim,
uma tristeza que não gritava,
mas permanecia.
Agora o planeta range.
Homens brincam de poder
como crianças com fósforos molhados de petróleo.
Falam de controle, de fronteiras, de números,
como se a vida coubesse em planilhas.
Decidem sobre corpos alheios
com a frieza de quem nunca escutou o próprio.
E eu só queria surfar.
Sentir o sol queimando os ombros,
o sal abrindo feridas boas,
o corpo cansado por motivos simples.
Trilhar mato, cozinhar para desconhecidos,
defender a terra com alegria
não por heroísmo,
mas por amor.
Às vezes me perco.
Busco estradas nas estrelas,
consolo na espiritualidade,
sinais onde talvez só haja vento.
Não sei ainda o caminho exato.
Mas sei isto:
Ainda agradeço.
Ainda sinto.
Ainda acredito que viver
não precisa ser uma guerra constante.
Carrego um coração mole
num tempo que celebra o endurecido.
E isso, hoje, é coragem.
Se o mundo insiste em ruir,
que eu permaneça sensível.
Se o futuro ameaça,
que eu responda com presença.
Porque enquanto houver mar,
corpos que dançam na chuva,
mãos que cuidam da terra
sem pedir aplauso,
há esperança suficiente
para atravessar a noite.
E se amar este mundo
é o que me cansa,
então aceito o cansaço.
Há exaustões
que são sinais claros
de que ainda estamos vivos.
