Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando
Não é o erro ortográfico que fere.
Ele é humano, revisável, transitório.
As vezes,
eu escrevo com dúvidas,
com falhas,
com lapsos de gramática
e excesso de urgência na alma.
Escrevo para dizer o que pulsa,
não para performar perfeição.
O erro verdadeiro
não tropeça em letras,
ele tropeça na ética.
Ele aparece
quando quem educa,
comunica e governa
falha não somente na língua,
mas no compromisso
com o pensamento crítico,
com a democracia
e com a história.
Nada é mais contraditório,
mais absurdo e mais perigoso
do que uma democracia
que militariza suas escolas públicas.
Ali, onde deveria florescer
o questionamento,
se ensina a obediência.
Onde deveria nascer
o pensamento crítico,
se impõe a ordem.
Esse é o início silencioso,
porém oficial,
da formação de uma
mentalidade dócil,
hierarquizada,
pronta para a fascistização.
Aí está o verdadeiro erro
e o maior clamor.
✍©️@MiriamDaCosta
Eu sou uma alma profundamente
poética e romântica.
Não daquelas feitas de palavras ensaiadas
ou de gestos moldados por circunstâncias,
presas à conveniência de datas comemorativas.
O meu lirismo e o meu romantismo
se impõem de forma natural,
quase instintiva,
sem regras, sem horários,
sem datas marcadas no calendário.
Como quando, pela manhã,
olho pela janela
e encontro o céu cinéreo,
com uma chuva fina anunciando,
tímida, quase sem querer "incomodar",
a chegada do outono.
E então me aproximo do vidro,
suspirando versos,
tomada por uma imensa gratidão
pela beleza de ser e existir,
em comunhão com as estações do mundo
e com os ponteiros secretos do relógio
do meu próprio âmago.
✍©️@MiriamDaCosta
Eu sou um verso
do mistério da vida
no poema do universo.
Eu sou uma poesia
que não se mede,
não se ajoelha
e nem se deita
em linhas e estrofes.
Eu sou um poema
escrito sem espaço
nem tempo,
na memória do tempo
atemporal.
Eu sou um ponto de interrogação
exclamando as reticências
de um ponto final,
perdido entre o início
e o fim.
✍@MiriamDaCosta
Marés e Luas
O meu mudar de ideia
não muda quem eu sou.
Muda apenas como eu sou
diante de quem muda
conforme as marés
e as luas.
Porque mudar de ideia
é movimento.
Mudar de caráter,
é outra coisa.
✍@MiriamDaCosta
Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que diante
das tempestades
eu sou um tsunami.
Não me escondo
me transbordo.
Não me quebro
me reconstruo.
Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que diante
das tempestades
eu sou um tsunami .
Expilei fúria
saboreei raízes
enguli certezas
e devorei sobrevivência...
Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que
diante das tempestades
eu sou um tsunami.
Sepultei mortos
dentro de mim
afoguei segredos
nos meus mares
que nunca
tocaram a praia...
Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que diante
das tempestades
eu sou um tsunami.
Eu não grito
Eu não fujo
Eu não peço abrigo
Eu me desfaço
em águas calmas
e me refaço
em ausência serena
Sou o eco
do que foi varrido
sou o vazio preenchido
depois da perda
sou o que se encontrou
e que permaneceu
mesmo quando
quase tudo se perdeu...
Eu não passo
eu marco
eu fico.
Então,
por isso digo
e repito:
Quando me disseram
que eu não iria
aguentar a tempestade
não sabiam que diante
das tempestades
eu sou um tsunami.
✍ @MiriamDaCosta
Eu não me abaixo para recolher provocações
porque faz mal a minha coluna...
que prefiro mantê-la ereta.
Mas ...
se for para recolher pérolas...
minha coluna se curva com imenso prazer.
Se eu tivesse sido concebida
pela brisa do silêncio,
eu não teria brotado
um furacão de palavras ...
e não teria espargido pétalas de poesia
nas estrofes do vento da minha existência,
que sussurra versos gritantes de vida
entre as linhas do tsunami da minh'alma ...
Um'alma poética
ama o silêncio
mas não pode
ser silenciosa ...
ela não é silente
e nem faz ruído
ela escreve...
✍©️@MiriamDaCosta
Aqui é assim: ou você me respeita por bem,
ou vai ser por mal.
Eu não bato de frente.
Eu passo por cima
Não gostou?
Vaza!
O Dia em que Eu Me Fui
Vai chegar o dia em que você abrirá o celular e não encontrará mais uma mensagem minha.
Minha foto desaparecerá.
Meu número mudará.
Meu silêncio ocupará o lugar onde antes existia a minha insistência.
E, quando esse dia chegar...
Acredite.
Não será porque deixei de sentir.
Será porque, finalmente, consegui deixar você partir de dentro de mim.
Nesse dia, não haverá mais espera.
Não haverá mais saudade.
Nem perguntas sem resposta.
Você deixará de existir no único lugar onde ainda vivia: dentro do meu coração.
Para mim, será como se a nossa história tivesse encontrado o seu fim.
Não porque ela nunca tenha sido importante.
Mas porque algumas lembranças precisam ser sepultadas para que a alma volte a respirar.
Talvez você só perceba minha ausência quando ela se tornar definitiva.
Talvez seja tarde.
Talvez não.
Mas isso já não fará diferença.
Porque, no dia em que eu desaparecer da sua vida...
Também terei desaparecido da prisão que era esperar por você.
E esse será o dia em que, finalmente, eu voltarei a viver.
Cyntia Karla De Liz
Autora
Poema de Despedida
A última vez que meu coração bateu por nós
Hoje eu não escrevo para pedir outra chance.
Também não escrevo para convencer você de que eu mudei.
Escrevo porque cansei de lutar sozinha.
Cansei de bater na porta de um coração que nunca mais abriu para mim.
Eu pedi perdão pelas minhas falhas.
Reconheci meus erros.
Engoli o orgulho, deixei as lágrimas falarem por mim.
Implorei por um recomeço, acreditando que o amor pudesse vencer a dor.
Mas o amor não sobrevive quando apenas uma pessoa insiste.
Enquanto eu segurava nossa história com todas as forças...
Você soltava minhas mãos em silêncio.
Doeu.
Doeu perceber que minhas palavras já não encontravam abrigo em você.
Doeu entender que meu arrependimento não era suficiente para mudar o que seu coração já havia decidido.
Hoje eu vou embora.
Não porque deixei de amar.
Mas porque aprendi que amar alguém nunca deveria significar abandonar a si mesma.
Levo comigo as lembranças dos dias felizes, dos abraços que pareciam eternos, das promessas que um dia acreditamos.
Também levo as cicatrizes.
Elas vão me lembrar que o amor precisa de dois corações caminhando na mesma direção.
Talvez um dia você sinta minha falta.
Talvez procure minha mensagem e encontre apenas o silêncio.
Talvez perceba que ninguém mais vai lutar por você como eu lutei.
E, quando esse dia chegar, eu espero já ter aprendido a sorrir sem olhar para trás.
Porque esperei por você até onde meu coração conseguiu.
Agora ele precisa aprender a viver sem você.
Esta é minha despedida.
Não existe raiva.
Não existe vingança.
Existe apenas uma mulher cansada de implorar por um lugar onde nunca mais foi escolhida.
Adeus.
Que a vida cuide de você como eu sonhei cuidar.
E que, quando lembrar de mim, você saiba...
Eu realmente tentei.
Tentei até a última lágrima.
Até a última esperança.
Até o último pedaço do meu coração.
Cyntia Karla De Liz
A Mulher que Desistiu de Esperar
Não foi por falta de amor.
Foi por excesso dele.
Eu fiquei quando tudo em mim já gritava para partir.
Pedi perdão pelas minhas falhas.
Reconheci meus erros sem procurar desculpas.
Deixei o orgulho morrer para que nós pudéssemos viver.
Implorei por mais uma chance.
Acreditei que o amor ainda pudesse encontrar o caminho de volta.
Mas descobri que nenhuma mulher consegue reconstruir sozinha uma ponte que duas pessoas destruíram.
Cada silêncio seu arrancava um pedaço de mim.
Cada indiferença me ensinava que, por mais que eu lutasse, havia uma batalha que eu jamais venceria sozinha.
Você talvez nunca imagine quantas vezes chorei antes de dormir.
Quantas conversas tive com Deus pedindo apenas mais uma oportunidade para nós.
Quantas vezes imaginei seu abraço enquanto abraçava apenas a saudade.
Eu tentei.
Meu Deus... como eu tentei.
Mas existe um momento em que até o coração mais apaixonado entende que insistir também pode ser uma forma de se perder.
Então hoje eu vou.
Não porque deixei de amar.
Mas porque preciso voltar a me encontrar.
Quero lembrar da mulher que existia antes de transformar toda a minha felicidade na esperança de que você voltasse.
Se um dia você sentir minha ausência, não chore pelo tempo perdido.
Lembre apenas que houve alguém que fez do amor um abrigo para você.
Alguém que perdoou.
Esperou.
Acreditou.
E permaneceu quando qualquer outra pessoa já teria ido embora.
Eu fui essa mulher.
E talvez essa seja a única lembrança que eu queira deixar.
Agora sigo meu caminho.
Com o coração em pedaços, mas com a consciência tranquila.
Porque ninguém poderá dizer que eu desisti cedo demais.
Eu fui até onde o amor conseguiu me levar.
Daqui para frente...
É a vida quem escreverá o restante da nossa história.
Adeus.
Que você seja feliz.
E que, quando pensar em mim, lembre-se apenas de uma verdade:
Eu te amei com tudo o que eu tinha.
Mas aprendi, tarde demais, que amor também precisa ser escolhido.
Cyntia Karla De Liz
Autora
“Meus poemas serão reconhecidos quando eu tiver virado pó.
Ou cinzas... ainda não decidi.”
— Cyntia Karla De Liz
Não sei de que lugar eu pertenço. Em que área eu me localizo, de onde venho ou quem sou. Vivo na incógnita da vida. Nos profundos e intensos mistérios que ela me reservou. Apenas me refaço a cada segundo e sobrevivo intensamente a cada momento. Rita Padoin
Eu não me encaixo mais neste contexto. É como um piscar de olhos. No momento em que os fecho, me transporto e no momento em que os abro, me liberto.
Talvez eu lamente, talvez não. Talvez eu vá embora, talvez não. Talvez eu more aqui, talvez não. Talvez eu sinta tua falta, talvez não. Talvez...
É claro que o tempo é o meu guardião e as horas minha bussola. Só que nada tem importância se eu não estiver alinhada a tudo.
Refúgio nas Linhas
Eu poderia me declarar, mas o medo de ser rejeitada me faz recuar. Não nasci para o desprezo – nasci para ser aceita, amada e adorada. São as minhas exigências como mulher. Trago em mim a convicção de que a mulher nasceu para ser amada, admirada e idolatrada. É a minha essência: romântica, inteira e sonhadora. Prefiro recolher-me em mim mesma do que receber um “não” ou um “talvez” sem coragem. Há dentro de mim um lugar sagrado, reservado ao amor e o amor, quando chega, precisa ser inteiro.
Eu poderia ligar, mandar mensagens, áudios – qualquer outra coisa revelando o que sinto. Poderia fazer surpresas, enviar músicas que tocam meu coração e minha alma, músicas que talvez tocassem a dele também. Eu poderia escrever uma carta manuscrita. Cartas a próprio punho são tão românticas –revelam a presença íntima de quem escreve, o perfume do papel, o calor das mãos que desenharam palavras amorosas. É como se o coração encontrasse refúgio nas linhas.
Há tantas formas de se declarar. No amor são infinitas as possiblidades. Eu saberia como fazê-lo, mas e se...e se desse errado? E se ele apenas achasse graça da minha declaração? E se não entendesse minha intenção? E se não sentisse o mesmo que eu? Esses “e se” ficam pipocando na minha cabeça e não me deixam seguir adiante. Deixam-me em polvorosa, só de imaginar-me tentando me declarar – e recebendo um “não” como resposta.
Preciso tratar esse meu ferimento interno. Cuidar da autoestima que, talvez, ande em baixa. Não sei responder às perguntas que me faço diariamente sobre esse medo da rejeição. Já pensei, repensei, tentei encarar o que pode ter acontecido num passado não tão distante. Tentei relembrar fatos que me deixaram assim, mas nada vem à mente. Talvez, eu precise reorganizar meu mundo interno, entender que é coisa da minha cabeça, que esse medo não existe de verdade. Talvez essa rejeição que sinto seja apenas fruto da minha imaginação. Talvez seja só isto. Talvez.
Talvez eu escreva uma carta ou mande uma mensagem me declarando. Amar é se arriscar. É colocar o coração na beira do precipício. E se ele dizer não, aceitarei, pois terei dito o que sinto – e isso, por si só, já é uma forma de liberdade.
Rita Padoin
Escritora
