Eu Nao tenho Culpa de estar te Amando
Caminhada
O chão não prometia facilidade,
ainda assim, eu fui.
Os pés cansaram cedo,
pediram pausa,
não rendição.
Parei à beira da estrada,
bebi água morna,
olhei pro nada
até o nada responder
com um canto manso.
A noite veio longa,
o sabiá insistia,
e o sertão, em silêncio,
seguia bonito
sem pedir prova.
Peguei o violão
e cantei com o passarinho.
Era amor queimando baixo,
chama viva
no meio do caminho.
Quando cheguei,
não havia aplauso —
havia braços.
Abracei minha família
e agradeci pela caminhada.
Não sei se é noite ou tempestade,
se o chão queima ou se sou eu,
ou se o vento carrega minhas mãos,
incapazes de segurar o que foge.
Que seja só 1% —
eu coloco nele toda
a coragem que me resta.
Porque às vezes o amor não nasce da certeza, nasce do salto que a gente dá mesmo tremendo.
Os 99% são medo, eu sei.
Medo do silêncio depois da pergunta, do olhar que não fica,
da resposta que desmonta o coração.
Mas esse 1%
carrega esperança demais
pra ser ignorado.
É o instante em que penso em você
e tudo dentro de mim decide tentar.
Se eu for rejeitado por você, vou seguir a minha vida sem você — mesmo que os 99% já tenham tomado conta de quem eu sou.”
Eu digo que tô bem
como quem fecha a porta devagar.
Por dentro,
tudo faz barulho.
Não é dor,
é cansaço de existir acesa.
Queria um lugar sem nome,
onde eu pudesse cair
sem ninguém me pedir força.
Se eu ficar em silêncio,
talvez eu me encontre.
O amor me amou
O amor me amou
quando eu já não sabia ficar,
sentou ao meu lado no silêncio cansado, fez morada no que em mim era medo e chamou de lar aquilo que eu chamava de fim.
O amor me amou
sem pedir forma ou promessa,
tocou minhas falhas com mãos pacientes, ensinou que até o que dói pode florescer quando alguém escolhe ficar.
O amor me amou
— e nisso eu renasci:
não inteiro, não perfeito, mas verdadeiro, aprendendo que ser amado, às vezes, é simplesmente
existir sem fugir.
Antes da dor, depois da luz
O amor me amou
quando eu já não acreditava
que fosse possível amar de novo.
Quando a luz virou sombra,
a felicidade virou mágoa,
e o dia que era sol
fez noite dentro do meu peito.
Mas você chegou…
viu quem eu era antes da dor
e quem sou depois da escuridão.
Viu-me num quartinho,
feito um garotinho chorando, quebrado,
enquanto ao meu redor
era breu, tempestade e trovão.
Você não teve medo,
lutou contra meus próprios sentimentos,
gritou meu nome no meio do caos.
Olhei pra trás
e vi a tempestade
e a solidão daquele quarto.
Não saí do lugar.
Mas você se aproximou.
Me abraçou.
E tudo o que em mim estava morto
floresceu de novo.
Ficaram apenas as cicatrizes —
pois o seu abraço me curou,
me conectou de um jeito que palavras não alcançam.
Talvez eu tenha feito da solidão um abrigo, não por desprezo ao amor,
mas por respeito ao estrago que ele sabe fazer.
Porque perder alguém não é sobre despedidas, é sobre as partes de nós que nunca voltam.
Que eu devo seguir
Eu sinto sua falta como quem
sente o corpo falhar,
não é saudade bonita,
é ausência que pesa.
Quero você de volta,
mas não aquele que prometia,
quero o que ficou preso nas lembranças
e não soube ficar.
Dizem que o tempo cura,
que eu devo seguir,
mas ninguém ensina como
soltar quem virou casa.
Como se abandona o riso
que salvava dias ruins,
os planos sussurrados no escuro,
o amor que parecia verdade?
Às vezes te amo com raiva,
outras com silêncio.
O ódio é só defesa para
não chamar seu nome.
Doeu acreditar, doeu mais
perceber que alguns
“eu te amo” não tinham raiz.
Se te deixei ir,
não foi por falta de amor,
foi por excesso de dor.
Amar também é escolher sobreviver,
mesmo que a escolha que fique
seja a que mais machuca.
Não importa quem eu sou —
o nome dorme na boca do mundo.
Importa o gesto silencioso,
a escolha que não pede aplauso,
o passo firme quando ninguém olha.
É no escuro que o caráter acende.
Na mão que não rouba,
na palavra que não fere,
no “não” dito ao atalho fácil,
no “sim” dado ao que é justo.
Quando ninguém vê, eu me revelo.
Ali mora minha verdade inteira:
não o que digo ser,
mas o que faço em segredo
quando só a consciência assiste.
Teleportar pra perto
Se eu pudesse te teleportar pra perto de mim agora,
não seria fuga do mundo — seria chegada.
Porque todo caminho que faço por dentro
termina no mesmo lugar:
no silêncio bonito onde teu nome mora.
Às vezes fecho os olhos e parece que acontece.
Num segundo você atravessa o tempo, o trânsito, os dias,
e aparece aqui — rindo desse meu jeito bobo
de transformar saudade em verso
só pra ter um jeito de tocar você.
Então fica combinado assim:
enquanto o mundo ainda não inventa o teleportar,
eu te puxo pra perto do único jeito que sei —
te escrevendo, te sentindo, te guardando
no lugar exato onde o amor sempre chega primeiro.
Entre Linhas
Se eu pudesse escolher
um lugar pra morar,
não seria casa, rua ou cidade…
eu moraria no intervalo do teu riso,
onde o mundo esquece de doer.
Teu olhar tem algo de horizonte,
quanto mais eu olho,
mais longe quero ir.
E no silêncio entre um segundo e outro é teu nome que meu coração aprende a repetir.
Há em você uma calma rara,
tipo mar quando o vento decide descansar.
E quando tua mão encontra a minha,
até o destino parece parar pra olhar.
Se amor fosse tinta,
eu pintaria o tempo inteiro com você.
Porque desde que teu sorriso me encontrou, minha vida virou poesia
que só faz sentido…
quando rima com você.
Se eu me perder,
Tua graça vai me guiar,
Se eu fraquejar,
Tua voz vai me levantar.
Não há distância que impeça
o Teu amor de chegar,
Quando um coração inteiro
decide Te amar.
Então queime em mim
essafome de Te encontrar,
Até que tudo em mim
seja só Te buscar.
Toda noite eu acordo
Te procurando
Não te encontrei
Vou clamando
Eu sei que vou Te encontrar
Eu sei que vou Te encontrar.
Meu coração diz
Vou buscar até me cansar
Vou Te chamar até ver Tua face
Não importa se eu morrer
Só quero Te ver
Como Moisés na fenda da Rocha
Como João diante da Tua glória
Se eu cair como morto
Se eu cair como morto
Sei que Tu vai me ressuscitar!
Um mergulho sem volta
Amar você
não foi um começo…
foi um mergulho sem volta,
onde eu me perdi e,
ainda assim,
nunca quis me encontrar.
O teu olhar me abriga,
mas também me desmonta
— porque quando você
me atravessa por dentro,
eu deixo de ser inteiro
em qualquer lugar que não seja você.
Você foi um acaso bonito demais
pra alguém como eu suportar.
Desde que chegou,
carrego teu nome em silêncio…
e esse amor cresce tanto
que às vezes dói
— não por falta,
mas por não caber dentro de mim.
E quando você não está…
o mundo continua,
mas nada em mim acompanha.
Porque a minha felicidade
aprendeu a depender do teu riso,
do teu jeito,
da tua presença.
Se amar é liberdade,
por que eu me sinto preso a você?
Talvez porque, no fundo…
eu nunca tenha querido ser livre
— só teu.
“Amar em Silêncio”
Eu te amei nos dias
em que não havia cor,
Quando o mundo era
cinza e eu também.
Te abracei com pedaços
de mimque ainda respiravam,
Mesmo sabendo que já não era inteiro ninguém.
O teu sorriso era luz
em quarto fechado,
Mas eu tinha medo de acender.
Porque quem vive na sombra por tanto tempo
Esquece que também pode viver.
Te quis mesmo quando
o peito doía em segredo,
Quando amar parecia um
erro bonito demais.
Eu me perdi tentando
te encontrar inteiro,
E no fim… não me achei mais.
Mas ainda te amo
— e isso é o que me assusta,
Porque até na dor você ficou.
E se amar é isso… um tipo de ausência que permanece,
Então talvez eu nunca tenha te deixado… nem quando acabou.
E se um dia me perguntarem o que vi em você, eu não falaria de beleza ou coincidência.
Diria apenas que, entre tantas pessoas passando pela vida,
meu coração teve a estranha
certeza de parar exatamente aí.
E por isso, onde eu for,
levo você comigo.
Não em fotografias
ou lembranças passageiras,
mas nesse lugar silencioso do peito
onde mora aquilo que a gente tem medo de perder.
Sim, eu não gosto de você...
Sim, eu não gosto de você. Não gosto do jeito que o seu sorriso invade os meus pensamentos, nem da forma como o seu nome aparece em silêncio dentro de mim. Tentei convencer meu coração de que tudo isso era passageiro, mas ele sempre encontra um motivo para voltar até você.
Sim, eu gosto muito de você. Gosto do brilho que você leva aos meus dias, da paz que existe na sua presença e da esperança que nasce quando imagino um futuro ao seu lado. Mesmo quando a distância insiste em falar mais alto, o meu sentimento continua escolhendo você.
Talvez eu diga que não gosto de você apenas para esconder o quanto gosto. Porque amar, às vezes, assusta; mas esquecer você seria impossível. No fim, a única verdade que o meu coração conhece é esta: entre todas as pessoas que passaram pela minha vida, foi você quem encontrou um lugar onde ninguém mais conseguiu chegar.
A Reforma
Eu já tinha fechado as portas
E deixado as janelas do coração
Não esperava mais ninguém chegar
Depois de tantas marcas e decepções
Meu coração tinha algumas rachaduras
E a esperança já não morava aqui
Eu aprendi a viver com os cômodos vazios
Até você aparecer diante de mim
Você não chegou derrubando tudo
Nem tentando mudar quem eu sou
Foi entrando devagar, com cuidado
E consertando o que a vida quebrou
Você mexeu no meu alicerce
E trouxe paz pra onde havia dor
Trocou o silêncio por conversa
E fez morada onde faltava amor
Começou a reforma em mim
Sem pressa, sem medo de ficar
Você viu tudo que estava quebrado
E mesmo assim decidiu morar
Começou a reforma em mim
Pintou de esperança o meu olhar
E onde eu só enxergava ruínas
Você conseguiu enxergar um lar
Meu telhado já não protegia
Das tempestades que eu enfrentei
Minha fé no amor estava tão fraca
Que por pouco eu não desisti de vez
Mas você chegou trazendo abrigo
Quando a chuva começou a cair
Segurou minha mão no meio do caos
E disse: “Eu não vou sair daqui”
Você consertou minhas janelas
Pra eu voltar a enxergar o amanhã
Abriu as portas que eu mantinha trancadas
E trouxe luz pra cada manhã
E aquela casa que eu temia mostrar
Você conheceu sem se assustar
Viu minhas paredes cheias de histórias
E escolheu ficar, escolheu cuidar
Começou a reforma em mim
Sem pressa, sem medo de ficar
Você viu tudo que estava quebrado
E mesmo assim decidiu morar
Começou a reforma em mim
Pintou de esperança o meu olhar
E onde eu só enxergava ruínas
Você conseguiu enxergar um lar
Hoje eu já não tenho medo da chuva
Nem das noites que podem chegar
Porque descobri que um coração ferido
Também pode aprender a amar
Você não apagou o meu passado
Só me ensinou a não viver nele
E cada marca que ficou na parede
Virou parte da nossa história juntos
Se algum dia alguma rachadura aparecer
E a tempestade tentar nos separar
A gente não precisa abandonar a casa
A gente senta e começa a reformar
Porque amar também é ter paciência
É escolher ficar quando é mais fácil partir
É cuidar dos detalhes esquecidos
E reconstruir quando algo ruir
Começa a reforma em nós
Sempre que alguma coisa se quebrar
Que nunca falte amor dentro dessa casa
Nem vontade de recomeçar
Começa a reforma em nós
Que o nosso coração seja o nosso lar
E se a vida mudar as paredes
Que o nosso amor saiba se adaptar
E se alguém perguntar o que aconteceu
Com aquela casa que eu tinha aqui
Eu vou sorrir e dizer baixinho:
“Ela estava quase em ruínas...
Até você chegar
E transformar tudo em lar.”
