Eu Nao te Conheco mas me Apaixonei por Voce
O sabiá sumiu de lá, o beija-flor, não sei cadê, será que a árvore onde eu brincava, o beija-flor, deixou morrer.
Eu sei que sozinho não posso consertar o mundo, mas posso ser aquela pessoa que sai por aí tentando.
Eu não debato política com ignorantes.
Não existe debate onde falta conhecimento.
Cyntia Karla De Liz
Eu não debato política com ignorantes.
Minha paciência não é patrimônio público.
Cyntia Karla De Liz
Luz nos Meus Passos
Devagar eu vou subindo,
mas não ando nas sombras.
Preciso da luz que vem do Alto
para não tropeçar nas pedras.
O mundo fala de força própria,
eu falo da força de Quem me fez.
A cada degrau dessa vida,
é a mão do Criador que me sustenta outra vez.
Sem a Tua luz, eu me perderia;
com a Tua luz, até a subida é vitória.
O Chão Que Eu Deixei Limpo
Não escrevo pela vaidade do aplauso,
nem pelo adorno de uma frase bela;
escrevo pelo caminho que pisei,
pela luz que acendi na minha janela.
Quem quiser saber da minha história,
da força que trago no passo e na voz,
não me procure nos ruídos do mundo:
procure nos versos que deixo para nós.
Cada linha traz a marca da vida,
o peso do chão que eu já superei;
é o tempero da alma que não se rende,
a colheita da dor que eu enfrentei.
Se a minha escrita servir de abrigo,
se clarear a noite de quem vai passar,
então o verso cumpriu seu destino:
virou vela acesa para o outro guiar.
Eu me dou por inteira nas palavras,
sem filtro, sem pressa e sem ilusão;
quem me lê com a alma me conhece,
pois escrevo por mim, com a força do chão.
Escrever para sinalizar o caminho e deixar a caminhada mais leve para os outros é a forma mais pura de generosidade. Suas palavras viram farol.
Eu sempre soube que esse dia viria de chegar,
mas não sabia o quanto haveria de doer;
jamais me apegara tanto a alguém,
nem imaginara o quanto poderia sofrer.
Enquanto te tinha, não compreendia
a força do que em meu peito se escondia;
foi somente depois que tudo findou
que a verdadeira falta de ti se revelou.
Agora padeço deste luto sincero,
por aquilo que não mais retornará;
e ao ver-te seguindo por outros caminhos,
torna-se mais difícil de suportar.
E o pior, o mais difícil de tudo,
é aprender, enfim, a te deixar.
Seria egoísmo meu dedicar-te isto,
mas quisera tanto que ouvisses
o que meu coração tem a dizer
e aquilo que em silêncio ainda padeço.
Escondo-me por detrás dos bons momentos,
daqueles que o presente me vem concedendo,
tentando seguir adiante e deixar-te para trás,
enquanto finjo não sentir o que ainda vou sofrendo.
Pois, por mais que a vida me traga novos dias,
e outros momentos me façam sorrir,
permanece em mim a dor de te esquecer,
e aquilo que um dia me fizeste sentir.
Enfim, te escrevo meu último verso,
minhas últimas palavras,
pois não quero mais pensar nisso.
Quero ser como tu,
quero seguir sem olhar para trás,
mesmo que tenha sido eu
quem tomou tal decisão.
Quero te dizer adeus,
e te dizer que, por mais que eu queira,
não irei de voltar.
Então, não olhes para trás
e sede felizes com essas coisas boas
que não sou eu.
Eu quero um amor que não seja covarde. E não falo de guerras, heróis ou moinhos, falo do amor que não foge do cotidiano. O que lava a louça, compartilha o silêncio, segura a mão sem medo do tédio. O amor corajoso não é o que promete eternidade, mas o que se faz presente nas miudezas, nas falhas, nos dias em que o afeto parece coisa rara. É o amor que sabe ficar, mas também partir com dignidade, sem transformar distância em castigo. O que confia, mesmo quando não entende. O que não precisa vigiar para acreditar. Amar, afinal, é permitir que o outro seja casa — mesmo quando a vida muda o endereço.
Nem que eu tente, não sei ser minimalista. Minha história é um relicário, uma loja de móveis usados, onde tudo guarda um sentido, uma memória, uma cicatriz bonita do tempo. Cada coisa em mim já teve função, já foi abrigo, já pertenceu a outro instante. E talvez seja isso que me faz inteiro: não o espaço vazio, mas o excesso de vida guardada nas gavetas da alma.
Não vou mais lutar comigo mesmo. Essa guerra íntima sempre foi injusta: eu de um lado, tentando caber; o mundo do outro, oferecendo moldes apertados demais. Passei tempo suficiente tentando negociar minha existência, arredondar arestas, suavizar excessos, traduzir quem sou para ver se assim eu era aceito. Não funcionou. Nunca funcionou.
Nunca coube nas expectativas porque elas nascem pequenas demais para o que pulsa em mim. Nunca me ajustei para pertencer porque pertença, quando exige mutilação, vira cárcere elegante. Aprendi isso do jeito mais cansativo: insistindo. E só agora entendo que insistir contra si é uma forma sofisticada de abandono.
Sou o que sou. Não por rebeldia, nem como defesa. Sou o que sou como quem finalmente pousa as armas no chão e senta. Há uma paz estranha nisso. Não a paz da acomodação, mas a paz de quem para de se ferir tentando ser outra coisa. Sustentar-se dá trabalho, mas lutar contra si cobra um preço alto demais.
Escolho, então, essa trégua radical comigo. Não para me tornar imutável, mas para mudar sem me violentar. Não para agradar, mas para existir com decência. Sou o que sou — e isso, hoje, não é sentença. É abrigo.
Se estou aqui, então que valha. Que atravesse. Que sinta. Que, apesar de tudo, eu não me recuse a viver a vida que ainda me vive.
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