Eu Nao te Conheco mas me Apaixonei por Voce
Goza a euforia do vôo do anjo perdido em ti
Não indagues se nossas estradas, tempo e vento
desabam no abismo
que sabes tu do fim ?
Se temes que o teu mistério seja uma noite,
enche-a de estrelas.
Conserva a ilusão de que o teu vôo te leva
sempre para o mais alto.
No deslumbramento da ascensão,
se pressentires que amanhã estarás mudo,
esgota, como um pássaro,
as canções que tens na garganta.
Canta, canta para conservar uma ilusão
de festa e vitória.
Talvez as canções adormeçam as feras
que esperam devorar o pássaro.
Desde que nasceste,
não és mais que um vôo no tempo.
Rumo aos céus ? O que importa a rota ?
Voa e canta,
enquanto resistirem as tuas asas.
Não tente entender o coração das pessoas, não tente entender atitudes ou palavras que não condizem com a sua realidade. Seja feliz com suas convicções e com a sua fé
Não gostaria de pensar que um dia vai haver um momento em que vou olhar para trás e pensar que tudo passou e não dei o devido valor que deveria ter dado.
Não gostaria de achar que nunca fui importante e insubstituivel para alguem , por um unico momento....não tenho falsas pretenções, mas sei que alguem um dia me amou demais, me odiou demais, sentia demais a minha falta....e gostaria que esse momento fosse lembrado pelo que significou....um bom momento.
Não gostaria de passar por este mundo sem dizer o quanto gosto de voçes, o quanto me fazem falta e o quanto me doi estar afastada de muitos...mas também o quanto odeio alguns e o quanto os quero ver longe ....não sou hipocrita!
Quero viver cada dia como o ultimo, cada hora como especial, e dar o devido valor a cada pessoa que passa pela minha vida...
Quero ser a mesma de sempre, com um sorriso no rosto, e uma piada alegre mesmo quando por dentro meu coração sangra e doi....quero que me lembrem sempre por essa minha faceta...
Quero que lembre sempre das piadas parvas e das gargalhadas sonoras...das loucuras saudaveis e das parvoices ....
Quero que lembrem da menina de 15 anos que fez muita loucura , mas que nunca se arrependeu de nada ....pois todas essas loucuras a fizeram muito feliz...
Quero que saibam que a menina cresceu, mas que a mesma loucura e alegria da adolescencia premanece ca dentro , mas nunca se arrependeu de ser diferente de todos....pois essa diferença é que a faz unica e especial!!!
Um dia olharei para trás e vou ler estas palavras que escrevo....e vou ter orgulho em tudo o que fui, em tudo o que fiz, e em todas as marcas que deixei...
De mim.....para todos os que gostam de mim e tambem para os que não gostam... pois não tenho por hábito descriminar ninguem !!!!!
Odeio saber que terminou. Odeio encarar a solidão de não ter mais pra quem me consertar. Odeio não ter mais por que me consertar. Odeio a liberdade de poder ser eu mesma. O tal do livre arbítrio nunca me fez feliz. Mas você sim, você me fazia feliz.
Ódio?
À Aurora Aboim
Ódio por ele?Não…Se o amei tanto,
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida roubei todo o encanto…
Que importa se mentiu? E se hoje o pranto
Turva o meu triste olhar, marmorizado,
Olhar de monja, trágico, gelado
Como um soturno e enorme Campo Santo!
Ah! Nunca mais amá-lo é já o bastante!
Quero senti-lo doutra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!
Ódio seria em mim saudade infinda,
Mágoa de o ter perdido, amor ainda.
Ódio por ele? Não…não vale a pena…
Florbela Espanca - Livro de Soror Saudade
O grande professor indiano Nisargadatta Maharaj disse uma vez: “A sabedoria me diz que não sou nada. O amor me diz que sou tudo. Entre os dois, minha vida flui”. “Não sou nada” não significa que há uma árida terra de ninguém interior. Mas sim que, com estado desperto, estamos abertos para um espaço limpo, desimpedido, sem centro ou periferia — em nada separado.
Se somos nada, não há realmente nada para servir como barreira para nossa ilimitada expressão do amor. Sendo nada, assim, também somos, inevitavelmente, tudo. “Tudo” não significa auto-engrandecimento, mas um reconhecimento decisivo de interconexão; não somos separados.
Tanto o espaço limpo e aberto do “nada” quando a interdependência de “tudo” nos desperta para nossa verdadeira natureza. Essa é a verdade que tocamos quando meditamos, um sentido de unidade além do sofrimento. Está sempre presente; precisamos, meramente, ser capazes de acessá-lo.
“Não possuo nenhum segredo de beleza. Nem secretamente. Meu único cuidado é escovar os dentes.” (Revista Atrevida, 12/2002)
Pode não parecer corajoso, mas as vezes evitar o conflito é uma das coisas mais corajosas que alguém pode fazer.
Joseph Conrad uma vez escreveu: "Quem sabe o que felicidade verdadeira é? Não no sentido convencional, mas no terror puro. Para os solitarios ela usa uma máscara. O indigente mais miseravel abraça alguma memoria ou um pouco de ilusão".
Uma pessoa só despreza a outra por dois motivos: ou gosta e não quer gostar, ou não gosta e não sabe como falar.
Triste é quem fica o tempo todo a pensar na vida que passa despercebida, por não ter sido bem vivida.
O que os olhos não vêem
Havia uma vez um rei
num reino muito distante,
que vivia em seu palácio
com toda a corte reinante.
Reinar pra ele era fácil,
ele gostava bastante.
Mas um dia, coisa estranha!
Como foi que aconteceu?
Com tristeza do seu povo
nosso rei adoeceu.
De uma doença esquisita,
toda gente, muito aflita,
de repente percebeu...
Pessoas grandes e fortes
o rei enxergava bem.
Mas se fossem pequeninas,
e se falassem baixinho,
o rei não via ninguém.
Por isso, seus funcionários
tinham de ser escolhidos
entre os grandes e falantes,
sempre muito bem nutridos.
Que tivessem muita força,
e que fossem bem nascidos.
E assim, quem fosse pequeno,
da voz fraca, mal vestido,
não conseguia ser visto.
E nunca, nunca era ouvido.
O rei não fazia nada
contra tal situação;
pois nem mesmo acreditava
nessa modificação.
E se não via os pequenos
e sua voz não escutava,
por mais que eles reclamassem
o rei nem mesmo notava.
E o pior é que a doença
num instante se espalhou.
Quem vivia junto ao rei
logo a doença pegou.
E os ministros e os soldados,
funcionários e agregados,
toda essa gente cegou.
De uma cegueira terrível,
que até parecia incrível
de um vivente acreditar,
que os mesmos olhos que viam
pessoas grandes e fortes,
as pessoas pequeninas
não podiam enxergar.
E se, no meio do povo,
nascia algum grandalhão,
era logo convidado
para ser o assistente
de algum grande figurão.
Ou senão, pra ter patente
de tenente ou capitão.
E logo que ele chegava,
no palácio se instalava;
e a doença, bem depressa,
no tal grandalhão pegava.
Todas aquelas pessoas,
com quem ele convivia,
que ele tão bem enxergava,
cuja voz tão bem ouvia,
como num encantamento,
ele agora não tomava
o menor conhecimento...
Seria até engraçado
se não fosse muito triste;
como tanta coisa estranha
que por esse mundo existe.
E o povo foi desprezado,
pouco a pouco, lentamente.
Enquanto que próprio rei
vivia muito contente;
pois o que os olhos não vêem,
nosso coração não sente.
E o povo foi percebendo
que estava sendo esquecido;
que trabalhava bastante,
mas que nunca era atendido;
que por mais que se esforçasse
não era reconhecido.
Cada pessoa do povo
foi chegando á convicção,
que eles mesmos é que tinham
que encontrar a solução
pra terminar a tragédia.
Pois quem monta na garupa
não pega nunca na rédea!
Eles então se juntaram,
Discutiram, pelejaram,
E chegaram à conclusão
Que, se a voz de um era fraca,
Juntando as vozes de todos
Mais parecia um trovão.
E se todos, tão pequenos,
Fizessem pernas de pau,
Então ficariam grandes,
E no palácio real
Seriam logo avistados,
Ouviriam os seus brados,
Seria como um sinal.
E todos juntos, unidos,
fazendo muito alarido
seguiram pra capital.
Agora, todos bem altos
nas suas pernas de pau.
Enquanto isso, nosso rei
continuava contente.
Pois o que os olhos não vêem
nosso coração não sente...
Mas de repente, que coisa!
Que ruído tão possante!
Uma voz tão alta assim
só pode ser um gigante!
- Vamos olhar na muralha.
- Ai, São Sinfrônio, me valha
neste momento terrível!
Que coisa tão grande é esta
que parece uma floresta?
Mas que multidão incrível!
E os barões e os cavaleiros,
ministros e camareiros,
damas, valetes e o rei
tremiam como geléia,
daquela grande assembléia,
como eu nunca imaginei!
E os grandões, antes tão fortes,
que pareciam suportes
da própria casa real;
agora tinham xiliques
e cheios de tremeliques
fugiam da capital.
O povo estava espantado
pois nunca tinha pensado
em causar tal confusão,
só queriam ser ouvidos,
ser vistos e recebidos
sem maior complicação.
E agora os nobres fugiam,
apavorados corriam
de medo daquela gente.
E o rei corria na frente,
dizendo que desistia
de seus poderes reais.
Se governar era aquilo
ele não queria mais!
Eu vou parar por aqui
a história a que estou contando.
O que se seguiu depois
cada um vá inventando.
Se apareceu novo rei
ou se o povo está mandando,
na verdade não faz mal.
Que todos naquele reino
guardam muito bem guardadas
as suas pernas de pau.
Pois temem que seu governo
possa cegar de repente.
E eles sabem muito bem
que quando os olhos não vêem
nosso coração não sente.
Irrita-me a felicidade de todos estes homens que não sabem que são infelizes. A sua vida humana é cheia de tudo quanto constituiria uma série de angústias para uma sensibilidade verdadeira. Mas, como a sua verdadeira vida é vegetativa, o que sofrem passa por eles sem lhes tocar na alma, e vivem uma vida que se pode comparar somente à de um homem com dor de dentes que houvesse recebido uma fortuna — a fortuna autêntica de estar vivendo sem dar por isso, o maior dom que os deuses concedem, porque é o dom de lhes ser semelhante, superior como eles (ainda que de outro modo) à alegria e à dor.
Por isto, contudo, os amo a todos. Meus queridos vegetais!
QUANDO O CORAÇÃO APRENDE A FALAR
Homens não sabem falar. Sofrem por não saber dizer. Ao menos aparentemente, nada sabem dizer. Vivem de símbolos. Poder, domínio, jugo, são símbolos pelos quais, em geral, somos vistos.
As mulheres nos apontam, a grosso modo, como infantis, diretos demais e até um pouco negligentes no amor. Será que é assim? Lógica é uma coisa tipicamente masculina, dizem. Qual seria a lógica desses seres que parecem totalmente insensíveis?
Gostaria de tentar dizer, olhando nos olhos de uma mulher.
O homem é grato por natureza. Ele sabe o útero materno que o acolheu; sabe também do calor da primeira mulher que lhe ensinou o amor. E por toda a vida, deve levar isso. Sabe também que amor e gratidão não se misturam; assim, reverencia cada mulher, por enxergar em cada uma a dignidade de todas.
Alguém já disse que procuramos mães. Engano! Procuramos um amor que seja maior que nós mesmos. Até para que a vida tenha sentido. Mas, muitas vezes não sabemos expressar ou pouco sabemos.
Escondemo-nos em nossa fortaleza pelo fato de não conseguir expor. Criamos imagens, que nem por todas as mulheres são entendidas. Talvez até para nós mesmos seja um tanto difícil.
Possuimos o desejo de ser grande ou possuir algo mais, que - se não falamos - queremos mostrar ou insinuar que seja. Dificuldade de entender que a fragilidade faz parte da delicadeza da relação. Nosso pensar, às vezes, é surreal. Medo de ser comparado
Homem é como criança sem domínio sobre a fala; quer dizer de uma estranha maneira que é muito mais do que suas palavras conseguem. Sonha com o aprendizado junto da mulher que o leva além de si mesmo.
Enxerga sua importância para a mulher, querendo ser o que mais plenamente lhe ocupa os espaços, numa linguagem que utiliza seus corpos, mas avança muito além. Essa é sua verdadeira busca. A de ser o amor maior.
Aquele que faz de cada toque, uma cura. De cada estar junto, o dia mais feliz que já existiu. O que faz sua cúmplice vibrar em sua grandeza de mulher. Um certo orgulho de acreditar que seja o único capaz de levá-la à mais que total entrega - a um êxtase de felicidade próximo da implosão.
Um homem não apenas adentra um corpo de mulher. Mora nele. Faz dele seu porto e templo. Passa a ser o pulsar do coração que o abriga. E todos os homens sabem disso - absolutamente todos. É nato do ser homem!
Homens são águias. Pensam ser donos por direito natural. Mesmo sabendo injusto - em sua inocência - agem assim. Mas, só até perceberem que o céu é maior que seus olhos.
Sempre deixam sua presença. De uma forma ou de outra. Uma essência sua fica em cada entrega. A certeza de esperança, de vida. Luz que não se explica – um halo
Quando ama verdadeiramente, o homem deixa sua marca. E sabe quando isso acontece. Agradece em silêncio à sua fada de luz, todo o bem de cada instante compartilhado. Sem que, muitas vezes, essa mulher perceba, devolve de uma forma só sua, o amor que o recebe e o faz tão humano.
Pressente quando é chegado o tempo de dois se tornarem um só. Consegue assim, o que parecia impossível. Envergonhado com a nudez de seu espírito perante a parceira, com os olhos pregados no horizonte, balbucia baixinho:
- Amo você...
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