Eu Nao te Conheco mas me Apaixonei por Voce

Cerca de 902041 frases e pensamentos: Eu Nao te Conheco mas me Apaixonei por Voce

⁠CEGUEIRA
Cada cego vê o que sente.
Eu pouco vejo
Mesmo à minha frente,
E acabo por ser cego
De corpo e alma
Nesta cegueira que acalma
A esmorecer,
O pecado de ver...

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 27-05-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

MEU MAR MINHA LINHA

⁠Era eu um pequenito
Naquela praia grande
De areal imenso
Do então Espinho extenso.

Eu ficava sozinho
Sentado numa pedra
Mais ao longe
Como que a comandar
A proa do meu barco
Rumo àquela linha do horizonte
Que eu via sempre direitinha
Com aqueles barcos grandes
De cargas de pão, de ouro
E especiarias, nos porões
Das fantasias.

Se calhar alguns petroleiros
Assaltados pelos piratas
Da minha verde imaginação
Que passavam com pachorra,
Na linha, do mar quente de verão.

E eu então imaginava:
Para além daquela linha, ficava
A Beira de Moçambique,
Era aí que o meu pai morava.

Não muito longe, eu via numa tela:
A Caracas do meu tio Vitorino,
Emigrado em Venezuela.

Depois, de barriga vazia
Voltava à areia da praia,
Morna da sorna da tarde
Que se ia com os barcos
E convidava ao sono.

Então, eu cobria-me com o meu manto
De areia
E, entretanto,
Adormecia...

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-05-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠O mundo é uma droga, é verdade
Cheio de problemas e maldade
Mas mesmo assim, eu encontro alegria
Porque você é minha pessoa preferida

As notícias são sempre tristes
E as dificuldades são persistentes
Mas quando estou com você, tudo melhora
Você é a luz que ilumina minha aurora

A vida pode ser difícil às vezes
Mas com você, eu encontro as respostas
Você me dá forças para lutar
E me faz acreditar que tudo pode melhorar

O mundo é uma droga, eu sei
Mas com você ao meu lado, eu serei capaz de enfrentar
Você é minha pessoa preferida
E juntos, podemos superar qualquer adversidade.

Inserida por MynameisJ

CEREJAS

Degustava eu um ramo delas,
Quase assim.
Uma mais vermelhas
Ainda de formas fedelhas
De polpa ruim.

Outras, matizadas de branco,
Amarelado,
E eu sou franco,
Deixei as amarelas de lado.

Algumas, de bordeaux vincado,
Mas só cor
Sem sabor
Adocicado.
Poucas mais encontrei
Doces
Ainda que maduras
Apesar de duras
Como o mel melado.

Ia a meter a última à boca
E parei.
Era mais redondinha que as outras
Mas muito vermelhinha
E tinha
Uma outra cerejinha
Pegada à sua barriguinha
Como uma mãe que acabou
De dar à luz,
E quer mostrar a filhinha
Que reluz.

Tive pena de as comer
E num rebate de consciência,
Com exemplar paciência,
Fui metê-las em terra fresquinha:
A cereja mãe e a filha,
À espera que um dia destes
Irão nascer mais cerejas
Assim,
Por mim.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 05-06-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

ALMA RELUZENTE

⁠Pensava ser eu uma alma reluzente.

Como tudo é tão diferente do pensado,
Quando num ápice repente
Recebo, vindo voando, ó gente!
Num escangalhado parapente,
Um anjo do Altíssimo Céu navegado,
Que me diz:

- Rapaz infeliz, sem alma reluzente,
Nunca te eleves, tem calma!
Para teres lustrosa alma,
Primeiro terás de ser gente
De construção hercúlea diferente,
Onde, de facto, o sonho habita.

E só depois,
Muito exigente,
É que a tua alma acende e grita!

(Carlos De Castro, in há Um Livro Por Escrever, em 15-06-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠OUTONO SEM CASA

Toda a vida eu sonhei
Construir uma casinha
Como só eu sei,
Numa bela arvorezinha
E fazer dela o meu trono
No agora vindo outono.

Que ilusão esta a minha,
Ó sonho louco e fugaz!
Nem árvore nem arvorezinha
Ou casa ou minha casinha,
Utopias que a vida traz.

Na montanha, tudo ardeu,
Tudo queimou e até eu
Como pássaro que fica sem asa,
Como cão que fica sem dono,
Ficarei sem aquela casa
Que quis construir neste outono.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 24-09-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

SE OS MEUS OLHOS

⁠Ai, se os meus olhos dissessem
O que viram quando eu via,
As coisas sacras e profanas
Das procissões das vaidades
E cortejos de perversidades…

Nos convívios só de apelido,
De carneirinhos em sentido
À espera da ordem mestra
De chefes, gente que não presta,
Sem carácter nem humildade.

Era assim na mocidade
E hoje também não falha,
Nas feirinhas desta canalha
Velha, sem idoneidade.

Ai, se os meus olhos dissessem
O que viram quando eu via,
Outro galo então cantaria
Mesmo que mordaças houvessem.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-10-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

A pátria minha, é aquela que eu invento nos meus sonhos⁠.
Daí me chamarem sonhador louco de uma pátria irreal.

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

DIVAGAÇÕES

⁠Eu já nem sei o que sou,
Porque vim e aqui estou,
Para onde vou
Neste barco que me castrou
Sem remos de princípio ao fim.

Só sei que não vim por mim...

Se viesse, não estaria aqui,
Neste degredo,
De vos revelar o segredo
De uma vida que vivi,
Sempre na escuridão do medo.

E é por isso que vou
Com meu pincel e apenas,
Borrar um quadro de penas
Na tela que Deus traçou.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 21-10-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠LOGRO

Era de noite
Às três da tarde
Daquele dia
Numa manhã
Irmã,
Como eu, órfão
Da lua
Que anuncia
O sol na solidão
De uma vida vazia.
Havia, ai Deus, como havia
Logro naquele sol
Que quis passar pela lua,
Antes do dia amanhecer
No calor que arde
Como chicote açoite
Nas costas do entardecer
Das minhas costelas nuas
E das tuas,
Se estivesses comigo,
Te digo,
Naquela noite.
Só depois na modorra
De estancar o sangue
Exangue
Das feridas,
Minha alma saiu fora
E disse:
- Malditas, tais investidas!
Trôpego, então respondi:
- Vos arrenego, almas perdidas,
Do antes e do agora!

(Carlos De Castro, In Há Um Livro Triste Por Escrever, em 19-04-2024)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

DEFECAÇÕES DE OUTRORA E DE AGORA

Eu era um poeta
Pateta
Sem saber
Como defecar a poesia.

Agora, que julgo saber,
Escrevo sem ser poeta
Só de ver e ler
Como escrevem a poesia,
Defecada,
Com cheiro
Por inteiro,
A nada.

Salvam-se alguns da fornada.
Quase como fúnebre elegia,
A mim, só me apetece dizer:
Ó arte da fantasia
Do pensar e escrever,
Minha irmã poesia,
Diz-me: se és tudo, ou nada!

(Carlos de Castro, in Há um Livro Triste Por Escrever, em 23-09-2024)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠QUIÇÁ TALVEZ PORVENTURA EU FORA DAS REDUNDÂNCIAS PLEONÁSTICAS OU O MESMO DO IGUAL SEMPRE

Será que vim das profundezas
Das rochas eruptivas magmáticas
Nos subsolos de seres estranhos
Encobertos em caras de putos
Com máscaras carnavalescas
Em poesias de rachas quentes, porém
Sem rima, mas sempre frescas.
Rimou uma, acaso meu, sem certeza
Se nasci em Marte ou nas Áticas
Das civilizações helénicas dos espertos.
Nasceria eu na Ásia dos Sete Mares
Das mil e uma noites dos pensares
Quando Sinbad, o marujo, por ali ferreava!?...
Tudo mentira, porque eu nasci aqui,
Na Chamusca de Argoncilhe,
no Bairro Pobre da Ilha das Canárias,
Da Feira de Santa Maria.
Minha parteira da miséria, particular,
Tinha por graça ser
Elisa Santa Ouvida -
-Deus a resguarde e não lhe apague a Luz.
Disse-me sempre ela, em bondade:
Que veio uma cegonha que poisou na Serzelha
Na fonte velhinha, para beber água pura, cristalina;
Subiu às Canárias e me deixou já embrulhado
E tudo, ao lado de minha mãe no leito pobre.
Acreditei no milagre até alguma idade da inocência.
Hoje, não acredito em nada.
A parteira morreu.
A cegonha dizem que nunca mais se viu.
A Fonte da Serzelha já não dá água pura.
E eu, finalmente, consegui casar com um poema
Que não rima,
Lá dizia a minha prima (quando lhe arrimava...)

(Carlos De Castro, in Há um Livro Triste por Escrever, em 14-01-2025)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠A poesia fez-me gente e é por ela que eu vivo e respiro.

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida, é que quando a gente ama, a gente deixa livre

Inserida por lylitude

⁠Quanto mais eu ando para conquistar a liberdade, mas eu percebo o quanto ela está distante de mim

Inserida por lylitude

⁠Em certos caminhos foi tão fácil porque ninguém acreditava que eu era uma ameaça

Inserida por lylitude

⁠Eu costumo escrever para aliviar o meu sofrimento

Inserida por lylitude

⁠Se houver alguém nesse mundão que goste de mim. Eu peço que sorria,
quando ouvi a notícia da minha partida

Inserida por lylitude

⁠Eu coloco meus pensamentos para sambar.
E ainda por cima canto pra eles sambarem sem parar.

Inserida por lylitude

⁠E me pediu mil vezes,
Molde meu coração
Só para ti
E com amor, adorne no fim
E eu serei tua enquanto ainda estiver aqui.
Mas infelizmente
O cara aqui, quebrou a santa
Há cacos até nas lembranças
Há lágrimas até nas palavras
E não posso voltar a ver luz
Porque pisei na mina, GAME OVER.

Inserida por Poetapegasus