Eu Nao te Conheco mas me Apaixonei por Voce

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Tem tempo que os dias deixaram de ser azuis e perderam todas as cores. É que por um tempo eu tinha esquecido o que era sentir falta de mim. Hoje a falta veio, e como sempre silenciosa, disfarçada, como quem não quer nada e me deixa mesmo, sem nada. Sem sonhos, sem desejos, sem amor, sem vida.
Naturalmente me inibo os sentidos.
Produzo sertralina.

Possuo campos tão extensos, que ligam mares. Terras tantas, tamanhas possibilidades, e eu, teimando ainda em cultivar expectativas.

Eu quero saber onde é que vamos chegar
Com tanto barulho neste lugar
As cores das ruas a desbotar
Ninguém tem mais tempo para olhar
Promessas de festa e euforia
Que morrem com a luz do dia
Eu fecho os meus olhos e tento entender
O que eles procuram sem nunca se ver.

Me disseram que sentir demais vira ferida cedo ou tarde,
mas eu sempre achei exagero.
Fiquei segurando tudo achando que amor era só coisa bonita,
que não tinha peso, só cor.

Com o tempo fui percebendo
que não tem nada leve no que a gente carrega no peito,
que o coração tropeça em lembrança ruim
e pede pra esquecer, mas nunca esquece.

Tem noite que a culpa vem sem motivo,
fica martelando o que não podia mudar,
e eu fico tentando achar respostas
pra perguntas que já deviam ter sumido.

Amar virou aquela cruz que eu chamo de abrigo
até o dia que começa a doer demais pra esconder,
e tudo que era flor no começo
vira espinho quando ninguém fica pra ver.

muitos tentam ser didáticos
eu prefiro ser curto e barulhento no silêncio,
minha ortografia avançada não define quem eu sou, mais o que eu faço você pensar, define o que você quer ser.




Arnaldo(Faúna)

VELHOS TEMPOS

Eu venho de um tempo esquecido
De calçada e conversa demorada
Onde a lua brilhava mais forte
E a infância era nossa estrada

Lá, domingo tinha cheiro de café
E a vó bordava histórias com a mão
O mundo cabia num quintal pequeno
E o amor nascia no portão

Era permitido viver devagar
Abraçar sem pressa, sorrir sem pesar
O tempo se sentava ao nosso lado
E a vida era um poema cantado

Era permitido sonhar no olhar
Deitar nas estrelas sem precisar voar
Tudo era tão simples, tão inteiro
Naquele tempo verdadeiro

Eu venho de um tempo sereno
De mãos dadas, segredo e luar
Onde a rua era o nosso recreio
E brincar era só começar

A mãe gritava da janela:
“Já tá na hora de descansar!”
E a gente dormia em paz com o mundo
Com mil histórias pra sonhar

Era permitido viver devagar
Abraçar sem pressa, sorrir sem pesar
O tempo se sentava ao nosso lado
E a vida era um poema cantado

Era permitido sonhar no olhar
Deitar nas estrelas sem precisar voar
Tudo era tão simples, tão inteiro
Naquele tempo verdadeiro

Se eu pudesse voltar um segundo
Tocaria de novo aquele chão
Porque mesmo distante no tempo
Carrego esse lugar no coração

Era permitido viver devagar
E eu só queria poder relembrar
Com uma seresta e um violão antigo
O tempo onde eu fui mais amigo

"Eu quero me impregnar nas suas belas imperfeições, me perder nesse olhar que encanta, no teu sorriso que me fascina, na elegância da sua crua simplicidade, e principalmente nas nossas conversas tão inspiradoras que faz esquecer as horas"
di matioli

AMADA, EU SOU PRETA!





Ainda outro dia…

Uma pessoa me perguntou:



— Eli, onde ficam escondidos esses pretos e pretas tão bonitos (de ver, claro — mas eu não me vestiria assim, nem colocaria meu cabelo desse jeito!) que desfilam no Ilê Aiyê?

Não os vejo no nosso dia a dia!



Respondi:

— Estão aí, amada, no seu pré-conceito.

É nele que se escondem os pretos que você não vê.

Precisa rever seus conceitos, só então os verá.



Os pretos estão nas ruas da sua cidade natal,

que transpira ancestralidade africana,

mas você não reconhece.

Eles estão no reflexo do seu espelho,

porque se não conhece sua história,

não sabe quem é.



Estão na forma como você me olha

porque entre “amigos” o preconceito é disfarçado,

mas a verdade sempre escapa.



Os pretos estão nas crianças que brincam na rua,

(os “pivetes” do seu bairro periférico);

nos homens que chegam cansados do trabalho

(os “peões”, “marmiteiros”);

nas mulheres que fazem milagre no mercado

(a guerreira que compra o que dá, com o pouco que tem);

nas mães solo e seus filhos

(os “moleques” que o mundo já julga).



Estão nos jovens da periferia, mortos a todo instante

trabalhando ou não, sempre rotulados como marginais.

Nos moradores de rua, sem assistência, sem resistência.

Nos trabalhadores, explorados pelo capital.

Nos estudantes que enfrentam um sistema educacional desigual,

lutando pelo direito de aprender

e pela reparação que vem em forma de cotas.



Estão também nos empresários e nos esportistas

que abriram brechas nas muralhas do racismo,

que resistem e existem.



Somos todos nós, brasileiros e brasileiras

nascidos dessa diáspora afrodescendente.

Mas muitos ainda escolhem negar,

se escondendo atrás de conceitos limitados,

sem consciência da própria história,

sem saber quem são.



Hoje, essa pessoa me evita…

Mas eu sigo.



Pretamente.

Felizmente.

No meu caminho de preta.

Um dia amei tanto alguém, que de tanto amar;
Eu me matei.


Morrendo me perdi e perdi quem tanto amei.


Mas pela força do amor, ressuscitei.
Me amando, me encontrei e encontrei quem me amasse também.

Às vezes eu finjo entender o sentido da vida, repito para mim mesmo que tudo é passageiro, que o agora é tudo o que existe.

Mas, no silêncio da noite, a mente me trai.

Começo a pensar nas escolhas que não fiz, nas palavras que calei, nos caminhos que abandonei.

E percebo que, mesmo aceitando quem me tornei, ainda há uma parte de mim que sente falta do que nunca aconteceu.

"Nos seus olhos... eu vi o verso mais lindo que a vida já foi capaz de escrever"

Rir: remédio da alma vazia.
Eu (rio) me transbordo.

Amo esse sorriso, amo esse cabelo, se eu fosse descrever, um reflexo perfeito, se meu coração fosse um espelho, seria a sua imagem que apareceria, todas as vezes que eu falasse a palavra paixão


Dan Cliver

Quando Deus Me Fez Olhar


por Purificação


Eu disse em voz baixa, cansado de tudo:


Senhor, eu não quero mais continuar.
Eu aceito parar. Eu aceito entregar.


Mas Ele não me respondeu com palavras.
Ele me mostrou.


De repente, foi como se o chão abrisse a alma.
E eu vi —
não com os olhos,
mas com algo que doía por dentro.


Havia um homem.
O corpo arqueado,
os ombros feridos,
as mãos tremendo de tanto carregar.


Não falava nada,
mas cada passo parecia uma prece sem som.


E a Voz me perguntou:


“O que vês?”






Eu disse:


“Vejo um homem sendo conduzido…
e alguém atrás dele, com algo nas mãos…
um chicote talvez…
e cada golpe parece rasgar o céu.”






“Fala mais.”




Vejo poeira, vejo sangue
e vejo gente que não entende o que está vendo.
O homem cai,
os joelhos abrem,
o chão se mistura com o sangue,
mas ele tenta se levantar.”






“E o que mais vês?”






Eu respirei fundo, e disse:


“Vejo dor…
mas vejo amor no meio da dor.”






E então a Voz falou, calma, firme, real:


“Não estás vendo outro homem.
Estás vendo o que Eu quis construir dentro de ti.”






“A cruz não é sinal de fim,
é símbolo de processo.
O peso que te dobra é o mesmo que te molda.”






E naquele instante eu entendi.


O madeiro que ele carregava não era de madeira —
era propósito.
O sangue não era castigo —
era entrega.
A dor não era derrota —
era lapidação.


E o chicote?
Era o som da alma sendo forjada.


“Purificação,” — disse Ele —
“quando pensares em parar, lembra:
a fé não anda em linha reta,
ela rasteja, tropeça, cai,
e mesmo sangrando, continua crendo.”






Eu chorei.
Não porque doía —
mas porque entendi o que o amor de Deus faz com quem não desiste.


O silêncio Dele não era ausência.
Era treinamento.


E ali, no meio daquela visão,
com o chão molhado de lágrima e luz,
eu disse:


“Senhor, se for pra seguir,
que cada ferida vire testemunho,
e cada queda ensine alguém a se levantar.”






E o céu se abriu.
E o peso virou presença.
E eu me levantei.


Porque agora eu sabia —
não era o fim do ministério.
Era o começo da missão.


✍️ Purificação

O Que Fica do Que Fomos
William Contraponto


Se um dia eu cruzar a noite inteira
e o corpo cansar do próprio som,
não esperarei por luz ou fronteira;
apenas o rastro do que ainda sou.


Porque além da morte não há segredo,
não há espírito buscando um lar.
Há só memória vencendo o medo
e o que deixamos no fundo do olhar.


O que fica do que fomos é o gesto,
é o nome lançado ao vento incerto.
Não é alma pairando em algum lugar,
é a lembrança que insiste em continuar.
E se eu não voltar, que seja assim:
no que construí, no que vive em ti.


Quando a última porta se fechar,
não haverá juízo nem muralha.
A vida é um barco que aprende a passar,
e cada travessia ensina – e falha.


O que chamam alma, eu chamo história:
a voz simples do que se amou.
É a cicatriz guardando a memória
de cada luta que alguém lutou.


O que fica do que fomos é o gesto,
é o nome lançado ao vento incerto.
Não é alma pairando em algum lugar,
é a lembrança que insiste em continuar.
E se eu não voltar, que seja assim:
no que construí, no que vive em ti.


Se deixo um verso solto pela rua,
que seja luz pra quem quiser seguir.
Não há mistério entre sombra e lua:
há só a marca do que se quis sentir.
E quem nos guarda não é o além,
é quem repousa o nosso bem.


No silêncio que sucede o último passo,
ninguém nos chama para salvação.
O tempo recolhe o nosso espaço
e entrega aos outros a continuação.


Se algo vive depois do adeus,
não são anjos nem eternidade:
é o que plantamos no chão dos seus,
a parte nossa que vira verdade.


O que fica do que fomos é o gesto,
é o nome lançado ao vento incerto.
Não é alma pairando em algum lugar,
é a lembrança que insiste em continuar.
E se eu não voltar, que seja assim:
no que construí,
no que vive em ti,
no que chamam fim
e que eu chamo de existir.

Eu sou o resultado dos meus esforços.

O meu pensamento de hoje é gratidão por tudo o que eu conquistei, sou e serei.


@1Pensador

Minha e Painho

Hoje vamos falar de Pilar, estrutura, alicerce, eu particularmente tenho três pessoas que devo tudo que sou e que quero ser.

Deus obviamente, Ele ditou os rumos da minha vida e eu permitir que ele o fizesse. Assim ele age, com a nossa permissão, poderíamos todos estar melhores, mas, o ser humano é teimoso e não estamos preparados para essa conversa.

Minha mãe, analfabeta, vinda da zona rural, mas, com um coração imenso, o trabalho árduo dela me deu a possibilidade de estudar, meus olhos se enchem de lágrimas porque ela “falava”: Estude meu filho não tendo “nada” pra te dar e é só o que posso fazer por você. Mal sabia ela que estava fazendo tudo, eu estudei e aqui estou.

Meu pai, homem de riso solto, de amizade farta e carinho incondicional, uma de suas frases preferidas era “exaltar” o quanto o filho dele era inteligente, falava a todos e eu acreditei.

O que quero dizer a vocês hoje é que acreditar é o primeiro passo para nossas conquistas, crer e se alicerçar a pessoas que podem criar valor ao que queremos ser.

Como diria o poeta “somos quem queremos ser” .

Enquanto o dia infinito sem sol se arrastava, eu piscava devagar para o teto rachado, onde aranhas teciam teias preguiçosas como minhas próprias desculpas. "A banda parar de tocar", murmurava para mim mesmo, ecoando aquela frase quebrada que o usuário jogara, talvez um erro de digitação, talvez um grito abafado de uma mente cansada como a minha. Mas que banda? A orquestra invisível da vida, com seus violinos desafinados e tambores surdos, que nunca parava de martelar na cabeça, mesmo quando eu implorava pelo silêncio?

Sozinho no sofá que cheirava a mofo e memórias podres, eu rolava para o lado, evitando o esforço de acender a luz. Amargo era o resíduo do café na língua, misturado ao gosto metálico da derrota autoimposta. A preguiça me ancorava, uma âncora enferrujada no fundo, de um mar de nada, onde peixes mortos flutuavam como promessas quebradas. Por que me mexer? O mundo lá fora, com suas corridas e risos forçados, não sentia minha falta e eu, solitário rei de um reino vazio, não sentia falta dele.

Deixei os pensamentos vagarem como nuvens cinzentas, preguiçosos demais para chover. O tigre flamejante?
Agora era só um gatinho ronronando debilmente, sua fúria dissipada no ar úmido. A morte, ah, ela demorava, preguiçosa como eu, talvez deitada em seu próprio sofá eterno, esperando que eu a chamasse. Mas eu não chamava. Somente esperava, no vazio que se expandia, engolindo horas como um buraco negro faminto. Continuei assim, ou melhor, parei de continuar porque no fim, o que era a história senão uma sucessão de nadas, amargos e solitários, ecoando até o silêncio final.

Amanhã

Mais uma vez me pego escrevendo
Dores e sentimentos ruins
Que foi eu mesmo que criei

Sentimentos de culpa
De odio
Uma tortura
Nao sei o que será de mim