Eu Nao sou Perfeita So apenas eu

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Dói saber que eu fui o último a soltar a corda, mas não dava para continuar segurando sozinho algo que você já tinha abandonado faz tempo.

Eu aqui de novo neste quarto, com medo da tempestade lá fora.
Parece que o tempo não muda muita coisa.
Me lembrei… eu já estive aqui antes.
Como que eu faço pra sair?
Será que um dia eu vou sair daqui?

Por que você ainda está aqui? Eu não entendo.
Depois de tanto tempo, pensei que já poderia ter te esquecido, que você não estaria mais aqui.
Por que você insiste em ficar? Eu não quero mais me lembrar.
Talvez eu esteja sendo cruel ao pensar assim, mas você já não faz mais parte da minha vida.
Eu queria que você estivesse, mas foi você quem escolheu partir.
Então por que eu deixo você morar em mim?

Eu não sei que roupa você vai estar vestindo, nem qual será a trilha sonora do dia, mas eu sei exatamente como vai ser o instante em que meus olhos encontrarem os seus. Vai ser o momento em que a gravidade finalmente vai fazer sentido. O mundo vai continuar girando lá fora, mas o nosso tempo vai parar. Toda a espera, todas as noites em que conversei com o teto imaginando o timbre da sua voz, tudo vai virar apenas o prólogo da nossa história.Amar você de longe não é um castigo; é a prova mais bonita de que a minha alma te reconheceu antes mesmo do meu abraço te alcançar. É uma inteligência do coração, que sabe que o tempo é só um detalhe perto da eternidade que nos espera. Eu sinto a tua falta nos detalhes mais bobos: no café que tomo de manhã, no vento que bate na janela, na música que traduz o que ainda não te disse.Não me importa quantos dias, meses ou estradas nos separam agora. Eu tenho em mim uma esperança que nenhuma distância consegue apagar. Uma certeza bonita de que duas pessoas que se pertencem desse jeito não se perdem no caminho; elas apenas se preparam para o encontro.Cada batida do meu coração longe de você não é solidão, é uma contagem regressiva. Eu não tenho dúvidas, não tenho medos e não hesito nem por um segundo: o nosso amor já venceu o espaço e a geografia. Você é o meu norte, a minha linha de chegada e o meu ponto de partida. Não existe plano B, porque o universo não comete erros quando costura dois destinos de forma tão perfeita. Eu sinto o seu amor me cobrir todas as noites, como se a sua presença física fosse apenas uma formalidade que o tempo logo vai resolver.Nenhuma milha é capaz de diminuir o que sinto, porque você habita em mim. Está nos meus pensamentos ao acordar, nos meus planos de futuro e no calor que sinto no peito quando fecho os olhos para dormir. O mundo pode tentar nos convencer de que a distância é um obstáculo, mas nós sabemos a verdade: ela é apenas o palco onde o nosso amor prova a sua força e a sua imortalidade. Eu aceito cada segundo dessa espera, porque sei que a recompensa será passar o resto dos meus dias mergulhado no teu olhar. Você é a minha escolha diária, o meu destino traçado e a única pessoa que tem a chave de tudo o que sou.Guarda um lugar aí dentro para mim, porque o meu lado de cá já é todo seu. A gente vai se encontrar. E, quando esse dia chegar, a primeira coisa que vou te dizer, sem precisar falar nada, é: “Finalmente cheguei em casa”.

O meu sumiço não é um castigo para você; é o funeral da pessoa que eu costumava ser para te agradar. Quando a minha ausência finalmente pesar no seu teto, entenda que eu não fui embora por falta de amor, mas sim porque cansei de assistir você assistir ao meu fim sem mover um único dedo para me salvar.

Eu já tentei recomeçar em outros braços, mas meu amor tem o seu formato exato e não cabe em mais ninguém.

Meu amor por você não se mede pelo tempo, mas pela certeza de que, a cada amanhecer, eu escolheria você de novo.

Não tema a crueldade deste mundo, meu anjo. Eu farei dos meus braços o teu escudo e do meu abraço o teu abrigo, porque você é o meu tesouro mais precioso. Meu bem, nos dias em que a solidão parecer um abismo, lembre-se: eu estarei bem aqui, segurando firme a sua mão e enxugando cada uma das suas lágrimas.

Não tenhas medo das coisas ruins do mundo, meu anjo. Eu vou te proteger com os meus braços e te dar segurança, porque tu és a pessoa mais importante para mim. Meu bem, nos dias em que te sentires muito sozinha e triste, lembra-te: eu estarei bem aqui, segurando a tua mão e limpando cada uma das tuas lágrimas.

Sei que os nossos desejos não controlam a vida, mas hoje eu daria tudo por uma última conversa com você em uma praça, só para conseguir traduzir em palavras os meus sentimentos mais lindos e sinceros.

Por favor, conceda-me cinco minutos de pura honestidade: se o meu amor não te convencer a ficar, eu viro as costas e sumo da sua vida para sempre.

Eu vi quando você engoliu o choro e sorriu para não incomodar ninguém, mesmo estando em carne viva por dentro. Mas encosta a sua cabeça aqui: você não é de ferro, não precisa dar conta de tudo e o seu valor não diminui só porque hoje você não tem forças para ficar de pé.

Não quero ser o seu dono e nem o seu escravo: eu quero ser o seu par, caminhando lado a lado sem que ninguém precise ditar o passo.

Você tem o direito de me esquecer, mas eu escolhi o direito de te esperar. Meu coração não aprendeu a te esquecer e eu continuo sendo o seu admirador número um.

Ei, você mulher, deixa eu te contar um segredo, mas não conta pra ninguém... Aquele teu pior dia, aquele que quase te quebrou por inteira? Ele só serviu pra recalibrar a tua bússola. Você achando que estava perdida, e o universo só estava limpando a pista pra você passar voando. Engole esse choro, arruma essa postura e vai lá fora mostrar pra essa gente que o teu brilho não depende de holofote, ele vem direto do teu caos organizado. Você é fantástica, só esqueceu de olhar no espelho hoje com os olhos certos.

Eu guardo a minha empatia para quem é vítima da ignorância, não para quem escolhe se fingir de cego só porque a mentira do pastor soa bonita.

A verdade é que eu não enterrei o meu passado; ele se mudou para dentro das minhas costelas. Quando a mulher que desenhou o meu destino decidiu ir embora, recolhendo os pertences e deixando apenas o vazio no apartamento, algo em mim quebrou de maneira definitiva. Não houve gritos ou portas batendo. Apenas o estalo seco de uma engrenagem vital que parava de funcionar.
Durante quase uma década, tornei-me um vigia de túmulos.
Habitei a solidão da cama de casal como quem protege um solo sagrado. Desenvolvi um pânico visceral diante de qualquer aproximação humana. Se alguém demonstrava um interesse sutil, meu estômago contraía. A simples ideia de compartilhar a rotina com outra fisionomia parecia uma heresia, um insulto à memória daquela que ainda governava os meus pensamentos. Eu me convenci de que a capacidade de entrega era um recurso finito, totalmente esgotado naquela despedida. Sentia-me um náufrago confortável na própria ilha de amargura.
Até que a vida, soberana e imprevisível, cansou do meu isolamento voluntário.
Aconteceu numa livraria de bairro, num fim de tarde cinzento. Eu procurava um título qualquer para preencher as horas mortas, quando uma desconhecida esbarrou na estante ao lado, derrubando uma fileira inteira de volumes no assoalho. O estrondo quebrou a solenidade do ambiente. Instintivamente, abaixei-me para recolher as obras espalhadas.
Quando nossos dedos se cruzaram na tentativa mútua de resgatar o mesmo exemplar, ergui as pálpebras.
Aquela senhorita de pele morena possuía traços completamente distintos, uma voz mansa e um aroma fresco de lavanda que nada lembrava o perfume antigo que passei anos tentando esquecer. Contudo, ao fitar a profundeza das suas pupilas castanhas, percebi um brilho familiar de vulnerabilidade e resiliência. Foi um impacto mudo, um solavanco térmico que atravessou minha espinha. A couraça que cultivei com tanto zelo rachou de cima a baixo.
Ela esboçou um sorriso tímido, sem cobranças, que parecia compreender a bagunça que eu carregava na alma.
Pela primeira vez em milhares de dias solitários, o fantasma da rejeição retrocedeu um passo. O peito, antes congelado, ardeu com uma eletricidade esquecida, quase juvenil. Não era a cura imediata da dor crônica, mas a percepção nítida de que o mundo continuava girando lá fora, oferecendo novas estradas para quem ousasse caminhar.
A jovem senhorita agradeceu a ajuda, recolheu seus pertences e caminhou em direção à saída do estabelecimento. Pouco antes de cruzar o portal, deteve o passo. Girou o corpo, sustentou meu olhar fixamente por alguns segundos cruciais e acenou positivamente, num convite implícito que dispensava vocábulos.
Permaneci estático, assimilando o milagre daquele instante. A marca da perda segue cravada na minha pele, indelével. Todavia, compreendi que carregar uma cicatriz não significa permanecer sangrando. O pavor ainda sussurra no meu ouvido, mas o desejo de experimentar o calor do sol novamente tornou-se, finalmente, muito maior.
A grande lição que a dor me ensinou é que o luto não deve ser uma sentença de prisão perpétua, mas um processo de transformação. Fechar as portas para o mundo com medo de sofrer novamente não protege o coração; apenas o sepulta em vida. Amar exige coragem exatamente porque envolve o risco da perda, e a verdadeira superação não consiste em esquecer quem partiu, mas em ter a generosidade de permitir que novas histórias sejam escritas nas páginas que restam.

Eu não ligo mais pra você, eu não ligo mais pros seus sonhos, que se foda seus planos. Daqui a vinte anos te espero no mesmo lugar não se esqueça !

Eu não terminei porque não senti.
Terminei porque senti demais.
Porque a pureza assusta
quem já aprendeu a sangrar em silêncio.
Teu sorriso inocente
pedia um cuidado
que minhas mãos, trêmulas,
não sabiam se mereciam tocar.
Não foi sobre você.
Foi sobre o medo
de quebrar algo bonito
com minhas próprias cicatrizes.
Eu fui embora não por falta,
mas por excesso.
Porque às vezes amar
é também saber recuar.

Hoje eu lembrei de você enquanto me maquiava.
Não por saudade anunciada,
mas por um gesto pequeno,
desses que moram no cotidiano e doem depois.
O delineado seguia firme,
parava no meio do olho,
como sempre parou.
E foi aí que você apareceu —
na memória, não no espelho.
Lembrei daquele dia em que você percebeu
o detalhe que quase ninguém nota.
Metade do traço,
metade do olhar,
inteiro na atenção.
Fiquei encantada não pelo elogio,
mas pela forma como você me via.
Como quem enxerga
o que não grita,
o que não pede,
o que só existe.
É estranho como o tempo faz isso.
Meses passam,
o nome silencia,
o sentimento dorme.
Mas basta um traço torto,
uma manhã qualquer,
e o passado volta sem pedir licença.
Você não voltou.
Foi só a lembrança.
Mas ela ficou ali,
sentada no canto do meu reflexo,
me olhando terminar aquilo
que nunca chegou ao fim.
Talvez algumas pessoas
não foram feitas pra ficar.
Foram feitas pra aparecer de repente,
num espelho,
num detalhe,
numa memória que insiste
em não desaparecer.