Eu Gosto do Risco dos que Arriscam
Hoje eu acordei com uma vontade enorme de dizer o quanto você é importante pra mim, mãe. Nunca alguém me olhou assim com tanta emoção, quando ouço a sua voz escuto a mesma canção. Que você cantava quando eu chorava sem querer dormir, e com lágrimas você orava por mim, palavras de amor, palavras de paz. São momentos que eu não esquecerei jamais…
Quando era criança disse ao meu pai que eu iria ser rico e ter uma grande casa e meu pai respondeu,só os ricos de verdade tem isso.Hoje eu tenho tudo isso que disse ao meu pai,a única coisa que eu não tenho,é o meu pai.
Tô numa fase complicada, meio estranha.
Se me falam “oi” eu desconfio, se me dão “tchau” eu desabo.
Tô numa fase, que nem eu me entendo. Não sei do que gosto, nem o que quero.
Tô numa fase que quero mudar tudo, e também deixar tudo como está.
Tô numa fase que quero me arriscar, mas tenho medo de tentar.
Tõ numa fase de querer ter alguém, e não querer ver ninguém.
Tô numa fase... E que fase!
Você tá sempre indo e vindo, tudo bem. Dessa vez eu já vesti minha armadura, e mesmo que nada funcione eu estarei de pé, de queixo erguido. Depois você me vê vermelha e acha graça, mas eu não ficaria bem na sua estante.
Não é que eu veja o que outros não vêem;
Muito menos sinto o que os outros não sentem.
Eu apenas vejo o que os outros não sentem;
E sinto, o que os outros não vêem."
Eu aprendi que vai demorar muito para me transformar na pessoa que quero ser, e devo ter paciência. Que posso ir além dos limites que eu próprio me coloquei.
Que eu preciso escolher entre controlar meu pensamento ou ser controlado por ele.
Eu aprendi que a palavra "amor" perde o seu sentido, quando usada sem critério.
Que certas pessoas vão embora de qualquer maneira; que é difícil traçar uma linha entre ser gentil, não ferir as pessoas, e saber lutar pelas coisas em que eu acredito
porque, há muito, eu erro a mão. a dose. esqueço a receita do equilíbrio. o quanto uso das partes que brigam dentro de mim. há muito, eu me confundo. porque metade não tem medo e levanta os braços, na descida da montanha-russa. olhos abertos, enquanto outra acha melhor enfrentar a queda com as mãos na barra. segurando forte. espremendo os dois olhos, fechados, desde o começo do percurso. metade prefere brincar na beira da praia. no raso. enquanto outra não vê problemas em pular dezenas de ondas e nadar onde a pequena bandeira vermelha, agitada pelo vento, avisa sobre o risco. sobre o possível afogamento. porque, há muito, eu erro a receita do equilíbrio. uso a parte que não deveria na hora em que não poderia. me confundo com as metades que brigam dentro de mim. porque parte acelera na estrada, no momento da curva fechada. pé direito até o fim, enquanto outra freia, bruscamente, ao ver a primeira placa. seta torta, avisando sobre o perigo. metade não suporta a burrice, a pequenez, a lerdeza. outra, sempre calada, tolera a banalidade. engole a ignorância. convive com a mediocridade. há muito, eu erro a mão. a dose. me confundo com o que devo usar. porque metade briga. explode. dedo apontado na cara, enquanto outra se recolhe, quieta, debaixo da cama. no quarto fechado. no tudo escuro. metade berra. outra sussurra. tenho uma parte que acredita em finais felizes. em beijo antes dos créditos, enquanto outra acha que só se ama errado. tenho uma metade que mente, trai, engana. outra que só conhece a verdade. uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés. outra que sobrevive sozinha. metade auto-suficiente. mas, há muito, eu erro a mão. a dose. esqueço a receita do equilíbrio. me perco. há dias em que uso a metade que não poderia. dias em que me arrependo de ter usado a que não gostaria. porque elas brigam dentro de mim, as metades. há algumas mais fortes. outras ferozes. há partes quase indomáveis. metades que me fazem sofrer nessa luta diária. Não deixar que uma mate a outra.
Todo o bem que eu puder fazer, toda a ternura que eu puder demonstrar a qualquer ser humano, que eu os faça agora, que não os adie ou esqueça, pois não passarei duas vezes pelo mesmo caminho."
Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão.
Você não precisa saber que eu choro porque me sinto pequena num mundo gigante. Nem que eu faço coisas estúpidas quando estou carente. Você nunca vai saber da minha mania de me expor em palavras, que eu escrevo o tempo todo, em qualquer lugar. Muito menos que eu estou escrevendo sobre você neste exato momento. E não pense que é falta de consideração eu dividir tanto de mim com tanta gente e excluir você dessa minha segunda vida, porque há duas maneiras de saber o que eu não digo sobre mim: lendo nas entrelinhas dos meus textos e olhando nos meus olhos. E a segunda opção ninguém mais tem.
A Inveja
Hoje eu vi nos olhos das pessoas,
O seu segredo de inveja,
De querer ser o que não é.
Suas vidas são tristes, é certo.
Seus semblantes pesam demasiadamente,
É porque em si não encontram a si mesmas,
É lá no Outro que procuraram existir.
Depois de perceber que não daria certo, eu passei todos os seus verbos pro passado: gostava, amava, queria. Guardo o presente pra nova paixão que surgir e pro futuro eu deixo um espaço em branco, caso alguém queira completar.
Os únicos presentes do mar são golpes duros, e as vezes a chance de sentir-se forte.
Eu não compreendo muito o mar, mas sei que as coisas são assim por aqui. E também sei como é importante na vida não necessariamente ser forte, mas sentir-se forte. Confrontar-se ao menos uma vez. Achar-se na maior condição humana. Enfrentar a pedra surda e cega a sós, sem outra ajuda além das mãos e da cabeça.
Eu odeio me acostumar a falar com alguém todos os dias. Porque no dia em que não converso, sinto como se o dia estivesse incompleto.
