Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto

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O silêncio costuma ser o mais eloquente dos comentários.

Essa inquietude rompe o silêncio e percorre os espaços vazios que habitam dentro de mim.

O tempo, esse abismo silencioso entre um lugar e outro, recorda-nos que talvez busquemos nos galhos aquilo que só pode ser encontrado nas raízes.

Ecos da alma, capazes de nos levar para tão longe, mas também de nos trazer para mais perto quando nos permitimos compreendê-los.

Para entender a dimensão das águas, sua força e o curso de um rio, é preciso, primeiro, conhecer as suas nascentes. Algumas pessoas levarão dias, meses ou anos; outras, uma vida inteira.

Quiçá este seja o nosso refúgio: perder-se na mansidão deste oceano azulado, observando a calma das ondas. Desprovido da inquietude, misturo-me à natureza; ela me move, me comove. A orla me faz sentir parte dessa natureza infinita.

É incompreensível que ainda existam guerras que se pretendam santas na Terra. Talvez, no invisível que não nos é dado enxergar, até santos e anjos se enfrentem em combates que escapam ao entendimento humano, como se toda luta, em sua essência mais misteriosa, fosse uma tentativa de tocar aquilo que habita o reino do indizível.

Algo em mim desperta ao simples som do seu nome.

O que eram apenas resquícios… tuas águas ainda fluem em meu peito. Guardadas no silêncio das profundezas do oceano, podes ouvir a minha voz, pois sou onde o mar deságua os teus pensamentos.

O sono é leve para os caminhantes noturnos.
Meus pensamentos ainda esbarram nos seus e, nesse silêncio, você retorna como uma febre que não passa.

A vida é movimento, como as quatro estações em eterno retorno.
É vento que semeia caminhos invisíveis, sol que desperta a terra adormecida, primavera que rompe o silêncio em flores.
É chuva que cai sem pressa e nunca regressa sem antes transformar tudo o que toca.

Poesias vêm carregadas de segredos que atravessam o silêncio profundo e fazem um barulho ensurdecedor.

Quando as flores do seu jardim já não têm o mesmo fulgor, a mesma cor, o mesmo perfume… não adianta apenas regá-las. Antes de tudo, é preciso mudar as raízes.

Tal como uma vela, precisamos brilhar enquanto lentamente nos consumimos.

Ouvir não é apenas o que os ouvidos absorvem, mas o que a consciência compreende.

É essencial adicionar um pouco de sangue na nossa veia alcoólica.

Faz da consciência tua mais íntima aliada. Ela conhece tuas fragilidades.

A vida floresce quando aprendemos a regá-la, mas também a atravessar, com paciência, as quatro estações.

Estar presente não seja apenas estar onde o corpo se encontra.

Aprender a conviver com os meus demônios foi a maneira de impedir que os meus anjos me abandonassem.