Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto

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"Ela trouxe palavras bonitas e alguns cigarros. Trouxe também aquele sorriso de canto e contou algumas histórias engraçadas. Rimos tanto, tanto, tanto, entretanto ela pediu para que eu esboçasse um gesto de entendimento: eu não conseguia entender uma palavra sequer. Ela então apagou seu último cigarro com a naturalidade de quem está acostumada a enterrar os primeiros amores. Rasgou os meus contos ainda não escritos e escreveu no espelho, com a delicadeza de uma mão trêmula, “eu te amo tanto que prefiro não te estragar. Adeus”. Depois de rir e vir tantas vezes pelo meu mundo, desapareceu levando os silêncios, as cinzas, os contos e esse coração aprendiz que, de tanto esperar, desaprendeu a ter paciência."

Inserida por instantaneos

Ficar aqui, em ti, também é um bom caminho a se seguir.

- tirou as palavras do meu silêncio (destino).

Inserida por kellyfaustino

Quando fechamos as pálpebras, nos vemos em um universo próprio, único. Revelamos os nossos mistérios mais escondidos... Elas nos protegem da brutalidade do mundo com tanta delicadeza que dificilmente queremos acordar. Meus olhos vedados sempre foram uma fuga. Um esconderijo para que ninguém invadisse o meu espaço e descobrisse que sou incapaz de assumir as minhas fraquezas.

Inserida por JaqlineGoes

Amor é acontecimento: é o que sobra depois de todo esquecimento. Queria que ele coubesse no que eu vejo em você. Queria que ele soubesse que eu acredito em você. E que você sorrisse todas as manhãs como se quisesse me encontrar todas as noites; e à tardinha também. Dizer que me ama ao som de Jorge Ben, jurar que me quer ao ler Baudelaire. E não só risse para afastar o desespero. E não sorrisse para fingir que o amor te alegra. E não sumisse por temer o que te espera. E assumisse que o que já fomos, já não reverbera. E na mesmice dos nossos desencontros, eu me encontro completamente indiferente ao que você sente… Em vão… Em vão… Em vão… Pra onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que senti

Inserida por siocardoso

Que contradição: pedir pro céu pra ser feliz no chão.

Inserida por theo_lima

⁠"Palavras belas, fome que rói
Indigente, sem voz.
No sinal, bala, terra estranha,
Onde não se é visto.

Desvairado, honra a pouco preço
Coração cansado, alma ferida.
Poeta, pobre, sem já pertences,
Reclamaram seus versos."

Inserida por Harpimdotempo

Aquele que imagina ser alguém perde a ocasião de converter-se em algo.

Quando casualmente a adulação não consegue o seu fim, a culpa não é dela, é do adulador.

Aproveita muito subir aos maiores empregos do Estado, para nos desenganarmos da sua vanglória e inanidade.

É por vezes mais fácil formar um partido do que ascender, pouco a pouco, à chefia de um outro já formado.

Se fosses grande, não precisarias de andas.

O primeiro sulco aberto na terra pelo homem selvagem foi o primeiro ato de civilização.

Há enganos que nos deleitam, como desenganos que nos afligem.

O espírito de intriga inculca demérito nos intrigantes.

Os bens de que gozamos exercem sempre menos a nossa razão do que os males que sofremos.

Enganamo-nos ordinariamente sobre a intensidade dos bens que esperamos, como sobre a violência dos males que tememos.

Os grandes empregos desacreditam e ridicularizam os pequenos homens.

A ignorância tem os seus bens privativos, como a sabedoria os seus males peculiares.

O governo dos tolos é sempre mais infesto aos povos que o dos velhacos.

É mais fácil maldizer dos homens do que instruí-los e melhorá-los.