Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
DIVAGAÇÕES
Eu já nem sei o que sou,
Porque vim e aqui estou,
Para onde vou
Neste barco que me castrou
Sem remos de princípio ao fim.
Só sei que não vim por mim...
Se viesse, não estaria aqui,
Neste degredo,
De vos revelar o segredo
De uma vida que vivi,
Sempre na escuridão do medo.
E é por isso que vou
Com meu pincel e apenas,
Borrar um quadro de penas
Na tela que Deus traçou.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 21-10-2023)
NÃO
Não fui eu que me inventei.
Nem projeto,
Nem desenho,
Apenas mais um da grei,
Pelo que sei,
Um ser de certo dialeto
E, já agora, convenho:
Simples, fiel, muito reto.
Fui na pobreza criado
E nunca algoz de ninguém
E muito menos bastardo,
Quer de pai ou de uma mãe.
Sou apenas o resultado
De um amor de vida a dois.
Com a minha voz se canta o fado,
Com a minha vara eu toco os bois.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-11-2023)
LOGRO
Era de noite
Às três da tarde
Daquele dia
Numa manhã
Irmã,
Como eu, órfão
Da lua
Que anuncia
O sol na solidão
De uma vida vazia.
Havia, ai Deus, como havia
Logro naquele sol
Que quis passar pela lua,
Antes do dia amanhecer
No calor que arde
Como chicote açoite
Nas costas do entardecer
Das minhas costelas nuas
E das tuas,
Se estivesses comigo,
Te digo,
Naquela noite.
Só depois na modorra
De estancar o sangue
Exangue
Das feridas,
Minha alma saiu fora
E disse:
- Malditas, tais investidas!
Trôpego, então respondi:
- Vos arrenego, almas perdidas,
Do antes e do agora!
(Carlos De Castro, In Há Um Livro Triste Por Escrever, em 19-04-2024)
DEFECAÇÕES DE OUTRORA E DE AGORA
Eu era um poeta
Pateta
Sem saber
Como defecar a poesia.
Agora, que julgo saber,
Escrevo sem ser poeta
Só de ver e ler
Como escrevem a poesia,
Defecada,
Com cheiro
Por inteiro,
A nada.
Salvam-se alguns da fornada.
Quase como fúnebre elegia,
A mim, só me apetece dizer:
Ó arte da fantasia
Do pensar e escrever,
Minha irmã poesia,
Diz-me: se és tudo, ou nada!
(Carlos de Castro, in Há um Livro Triste Por Escrever, em 23-09-2024)
QUIÇÁ TALVEZ PORVENTURA EU FORA DAS REDUNDÂNCIAS PLEONÁSTICAS OU O MESMO DO IGUAL SEMPRE
Será que vim das profundezas
Das rochas eruptivas magmáticas
Nos subsolos de seres estranhos
Encobertos em caras de putos
Com máscaras carnavalescas
Em poesias de rachas quentes, porém
Sem rima, mas sempre frescas.
Rimou uma, acaso meu, sem certeza
Se nasci em Marte ou nas Áticas
Das civilizações helénicas dos espertos.
Nasceria eu na Ásia dos Sete Mares
Das mil e uma noites dos pensares
Quando Sinbad, o marujo, por ali ferreava!?...
Tudo mentira, porque eu nasci aqui,
Na Chamusca de Argoncilhe,
no Bairro Pobre da Ilha das Canárias,
Da Feira de Santa Maria.
Minha parteira da miséria, particular,
Tinha por graça ser
Elisa Santa Ouvida -
-Deus a resguarde e não lhe apague a Luz.
Disse-me sempre ela, em bondade:
Que veio uma cegonha que poisou na Serzelha
Na fonte velhinha, para beber água pura, cristalina;
Subiu às Canárias e me deixou já embrulhado
E tudo, ao lado de minha mãe no leito pobre.
Acreditei no milagre até alguma idade da inocência.
Hoje, não acredito em nada.
A parteira morreu.
A cegonha dizem que nunca mais se viu.
A Fonte da Serzelha já não dá água pura.
E eu, finalmente, consegui casar com um poema
Que não rima,
Lá dizia a minha prima (quando lhe arrimava...)
(Carlos De Castro, in Há um Livro Triste por Escrever, em 14-01-2025)
Jeremias 17:5 diz: "Maldito o homem que confia noutro homem... ", mas eu recomendo que você confie, pelo menos uma meia de dúzia de vezes até você ver por si só que não é só teoria, na prática também não vale a pena confiar, ao menos não cegamente.
Os números para mim, são como as pessoas. Dos que eu gosto, eu me aproximo, fico íntimo e tenho estreita amizade. Os que não me sinto muito confortável, ou acho meio complicado, eu respeito, não me aproximo muito e sei que são perfeitos, mas não são pra mim.
Se eu tiver sucesso e meus filhos não o tiverem, então eu não o tive.
Se meus filhos tiverem sucesso, então eu já terei tido todo sucesso que um dia sonhei.
Oração de um pai que não crê
Eu não acredito em Deus.
Não consigo. Não vejo necessidade, nem presença.
O mundo, pra mim, se explica por outros caminhos — razão, ciência, acaso talvez.
Mas mesmo sem fé, todas as noites, me ajoelho ao lado da cama dos meus filhos e oro.
Não oro por mim.
Não peço nada pra mim.
Minha oração é por eles.
É por amor — só amor.
Porque quando estou com eles, abraçado, sentindo o calor pequeno e infinito desses corpos que nasceram de mim e que hoje são meu mundo, eu percebo uma coisa estranha:
Não acredito em Deus, mas desejo que Ele exista…
Nem que seja só pra cuidar deles.
É contraditório? Talvez.
Mas o amor de um pai não precisa ser lógico.
Ele é visceral, instintivo, manso e feroz ao mesmo tempo.
E então eu falo com Deus.
Falo mesmo não crendo.
Peço: cuida deles.
Peço: livra-os do mal.
Peço: que eles cresçam fortes, felizes, bons.
Agradeço também — por cada risada, por cada abraço, por esse instante sagrado que é vê-los dormindo em paz.
Não faço isso escondido.
Não é um ritual meu.
Faço com eles, por eles.
Eles acreditam, a mãe deles também.
E eu não quero roubar deles esse mundo invisível que tantas vezes conforta.
Não oro por fé.
Oro por amor.
E talvez, só talvez, esse amor que sinto seja a coisa mais próxima de Deus que eu jamais vou tocar.
"Eu sou o silêncio entre o trovão e a flor. A memória da estrela e o útero do futuro."
Essa poesia de 2 linhas, nasceu da combinação poética-filosófica com minhas reflexões.
Carreguei-à de metáforas fortes:
"Silêncio entre o trovão e a flor" sugere o equilíbrio entre força e delicadeza — entre caos e beleza.
"Memória da estrela" evoca a origem cósmica da Terra, feita do pó de estrelas.
"Útero do futuro" simboliza a Terra como o ventre da vida, onde tudo nasce e renasce.
Assim, não vou esquecer o que pensei quando à ela dei a luz.
No passado eu esperava para o futuro um Brasil próspero, sem corrupção, seguro, sem pobreza, sem desemprego, com acesso de todos à educação de qualidade, ao lazer e a um ótimo atendimento no setor da saúde.
Agora, estão fazendo a mesma pergunta que me era feita no passado.
Continuo desejando o Brasil que esperava no passado para o presente e não apenas para o futuro.
A imaginação é mais importante que o conhecimento, mas neste caso, eu tenho ambos!
Vitor Ferreira de Paula.
Embora eu acredite na ordem do universo, reconheço que os acidentes da história são parte inevitável do destino humano.
Vitor Ferreira de Paula.
Vêm dançar?
Dança comigo olhando nos meus olhos e se não estiver confiante eu te guiarei,
Dança comigo acompanhe os meus passos, ou se você achar melhor eu acompanharei os teus sem medo de errar,
Eu quero uma dança com vários movimentos, envolvida em sentimentos e aquecida pelos teus abraços apertados,
Vêm dançar?
Erguendo os sonhos
Um dia eu conheci um diamante e vi ele se desfazendo aos poucos até virar pó,
parece que nada dura para sempre, nem aquilo com o aspecto indestrutível,
deixei meus sonhos enterrados embaixo de um baobá,
estou seguindo na minha jornada passando por tempestades, superando precipícios e atravessando mares revoltos na remada sem olhar para trás pois não tenho tempo para chorar nem temer os meus próprios medos,
joguei pedras no vento, pássaros subiram cantarolando freneticamente, gritos de aprendizado e crença foram dados e ecoaram no espaço,
os sonhos antes adormecidos aos pés de um grandioso baobá, chegaram ao seu topo e agora ganharam asas da imaginação para voar.
Encontrando os caminhos...
Eu estava perdido, mas agora perdi o medo de te perder,
encontrei um jeito de deixar o sol brilhando sobre o meu terreno fértil,
cavei por tanto tempo ao meu redor que construí sem querer trincheiras e inusitadamente elas se transformaram em corredores de correntezas de um rio lindo e transparente,
os sons dos ventos chegam como músicas confortantes e seguem passagem carregados de boas mensagens a respeito de como está sendo bom viver com o suficiente para se ter paz, alegria, paixão e felicidade.
Tudo que plantei hoje tem significado e no amanhã eu estarei encostado embaixo da sombra de uma grande árvore apreciando meus feitos sem modéstia.
Apenas eu vi...
E se eu te olhar e enxergar muito além do que os outros podem ver?
A gravidade é uma coisa estranha, quando penso em você me sinto fora do meu corpo é uma sensação anormal,
depois de começar a acreditar no amor comecei a observar mais o sentir e passei a valorizar mais o "nós somos",
de um observatório muitos viram o céu escuro pintado com estrelas, do mesmo observatório eu vi o mesmo céu escuro e as estrelas, mas apenas eu vi saturno e toda sua beleza.
- Relacionados
- Frases de quem sou eu para status que definem a sua versão
- Frases para namorada que mostram o quanto ela é especial para você
- Poemas que falam quem eu sou
- Frases de motivação: palavras para encontrar o incentivo que você precisa
- Poemas Quem Sou Eu
- Você é especial para mim: frases que tocam o coração
- Quem sou eu: textos prontos para refletir sobre a sua essência
