Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
A aparente inexistência de vinculo com um crime não significa exatamente “falta de provas”, mas apenas que o criminoso pode ter sido esperto o bastante para apagar todos os seus rastros. E é quando o acusador devera se mostrar mais cientista que juiz para focar no “horizonte de eventos”, que afasta qualquer hipótese de não vinculação.
O vicio dos elementos acusatórios só ocorre quando o juiz forja um horizonte de eventos, que sabe ser inexistente, para retirar do réu as possibilidades de provar sua inocência.
Todo buscador incansável e libertário costuma ser visto como ameaça incômoda e permanente aos que têm coisas a esconder e o têm como intruso, sem atentar que este visa obter vantagens e o primeiro o faz para entender a si próprio a partir de seu contexto.
Pessoas que julgam outras sem sequer lhes entender as razões vivem atormentadas com o passado, em permanente defensiva no presente e em falsa ameaça no futuro.
Aqueles que não aprenderam a lidar com o passado arrastam seus traumas por toda uma existência, comportando-se como feras acuadas que precisam atacar antes para não enfrentar supostas ameaças que só existem em suas cabeças.
A melhor das suas intenções não diz coisa alguma para quem já está predisposto a não o aceitar. Daí que não há equívoco a corrigir nem culpa a se resgatar, já que a reação do outro só pertence a ele e não fica sob o seu controle.
Decepção é aquele sentimento dilacerante de perceber cada minuto dedicado a alguém transformado num inútil e descomunal desperdício de tempo.
Algumas pessoas acreditam que o amor, o trabalho ou até a fé podem ser razões fortes para se tornarem servis, incorporando a subserviência como meio de preservá-los. Pois eu digo a elas que se teu parceiro de vida, teu chefe ou teu deus te cobram isso, começa a pensar na solidão, no desemprego ou na agnose como uma dádiva do que tens de mais legítimo e inalienável na vida, que é o teu amor-próprio.
Não é sobre acreditar, é sobre a autenticidade da fonte; não se trata do conteúdo, mas do marketing usado.
A pior prisão não é estar atrás de uma porta fechada,mas acreditar que não temos mais portas para abrir.
O melhor da maturidade é a troca da credulidade ingênua da juventude pelo ceticismo inteligente que traz segurança o bastante para separar joio do trigo de uma forma inusitada: ao mesmo tempo em que não deixa mais espaço para o misticismo pueril de outrora, descobrimos um cérebro aberto ao improvável e empático ao inacreditável para derrubar as fronteiras entre concreto e abstrato de forma a que tudo se mostre possível, e apenas a dúvida – antes de qualquer negação – faça a mediação entre o ser e o não ser. Alguns chamam isso de delírio, eu
o chamo de despertar!
Todo aquele que coloca a verdade à frente de seus passos terá o mundo inteiro contra ele, pois que não finge ser o que não é, nem finge acreditar no que os demais fingem ser. A humanidade se esmera no uso de suas máscaras, e declara guerra aberta a quem não se deixar enganar por elas, expondo a face que ela faz de tudo para esconder. Que não se diga então que apenas a verdade grosseia incomoda: por mais delicada que se faça, a simples rejeição à mentira já dá causa a sistemático combate pelos que têm nela sua maior aliada.
Como se sabe ter sido feliz? Olhando para trás e descobrindo que, se pudesse voltar, faria pequenos ajustes aqui e ali, mas nenhuma mudança de rumos ou com momentos a apagar. Antes um mundo de razões para jamais esquecer.
A prática revela que a maioria está atrás de diversão, e não de Conhecimento. Tanto que conteúdos profundos recebem pouca atenção, e pelos superficiais a procura é enorme!
O mundo não é bom ou ruim conforme os parâmetros usados para descrevê-lo, mas apenas um reflexo do que trazemos em nós mesmos. Desse modo só conseguirá ver beleza nele quem se mostrar apaixonado pela própria existência.
Toda pessoa que se vitimiza precisa de um vilão pra justificar seu papel de vítima e dar caráter de argumento à interpretação deturpada que faz dos fatos. Então sempre se verá atacada, independente de agressão, para ter a quem culpar por seus próprios rancores.
Não se deveria dar tanta importância ao fato de não se ter unanimidade no conceito alheio. Muitos se mostram rasos não porque o desejam, mas porque não conseguem alcançar nada mais profundo do que elas mesmas. Só nos deveria incomodar e gerar revisão as críticas partidas dos que sabemos profundos o bastante para chegar ao mais profundo que nós próprios conseguimos ir.
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