Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
Há algo de imaturo na incapacidade de perceber que existem questões para as quais não há solução.
Crer que numa empresa a hierarquia escolha uns em detrimento de outros de modo racional, fazendo uso de uma racionalidade meritocrática, é a mesma coisa que crer em lobisomens.
Temos uma geração de jovens idiotas discutindo com os próximos idiotas jovens.
Nota: Artigo publicado no jornal "Gazeta do Povo" em 12 de julho de 2021.
...MaisNum mundo dominado por algoritmos e ‘influencers’, o poder de autoconstrução passou, de virtude, a ato de resistência.
Uma última xícara de café....
Não fique acordada por muito tempo, a noite é um poço sem fim,
Não vá para a cama, onde a sombra te espera com um beijo ruim.
Eu vou preparar uma xícara de café para a sua cabeça cansada,
Mas não é do grão da terra, é do pó da minha alma gelada.
Isso vai te levantar, mas não para o dia que vem,
Vai te tirar da cama, para o nada onde eu também
É, eu não quero pegar no sono, a névoa me quer levar,
Eu não quero falecer, mas sinto o cheiro do lar.
Eu andei pensando no nosso futuro, nos dias que nunca virão,
Em como eu seria seu noivo, seu marido, seu primeiro chão.
Eu não sei por que isso aconteceu, mas talvez o pecado me ache,
Talvez a minha vida curta seja o preço que o diabo me rache.
Eu tentei dar o meu melhor, você sabe que eu não sou perfeito,
Mas as orações foram em vão, o mal já está no meu peito.
Eu tenho rezado por perdão, você tem rezado pela minha saúde,
Mas a minha alma está me deixando, antes que eu mude.
Quando eu deixar este mundo, quando o meu último suspiro for,
Espero que você encontre outra pessoa, alguém que não tenha o meu cheiro de dor.
Porque sim, ainda somos jovens, há tanto que não fizemos,
Casar, começar uma família, os filhos que nós nunca teremos.
Eu queria que pudesse ser eu, mas a minha cama já está fria,
E o tempo está acabando, a minha luz já não irradia.
Espero ir para o céu para te ver mais uma vez,
Mas o meu caminho é escuro, e a minha esperança já fez.
Minha vida foi curta, mas teve tantas bênçãos que eu perdi,
Feliz por você ter sido minha, mas a vida me traiu, eu sei que sim.
Não fique acordada por muito tempo, não vá para a cama, por favor,
A saudade está chegando, e ela tem o sabor do meu amor.
O café na xícara está frio, como a minha pele que já morreu,
E o seu aroma é a única coisa que você tem do que foi eu.
Estou feliz que você esteja aqui comigo, mas me desculpe se eu chorar muito,
De quando eu e meus amigos bebíamos cerveja no ensino médio, o nosso primeiro insulto.
Espere, na verdade, acho que te conheci em uma festa, você estava tão sozinha,
No canto, usando as mãos para cobrir seu corpo, uma flor que já não tinha.
Foi assustador, eu estava nervoso, mas que bom que me aproximei,
E agora que estou partindo, é a saudade que eu te deixei.
Estávamos rindo de nada, agora que sou mais velho, estou muito mais frio,
E o tempo está passando, o meu corpo já está vazio.
É a nossa loja favorita, fico feliz por ter te comprado uma flor,
Mas ela já está murchando, como o meu amor, como a minha dor.
Espero que você encontre um homem que não seja tão velho quanto eu,
Que possa olhar nos seus olhos e dizer que o futuro é seu.
Sinto muito por ter tido que deixar você e este mundo,
Mas você era tudo o que eu sempre quis, o meu amor profundo.
Vou sentir sua falta, e a saudade vai te consumir,
Em cada gole de café, em cada cama que você for dormir.
O Sacrifício do Silêncio
O sorriso que ostento é apenas uma fachada,
Uma máscara polida para o mundo não ver,
Que por trás do gesto, a alma está cansada,
E o coração insiste em, baixinho, sofrer.
Escolhi os outros, e nessa escolha me perdi. Fui o porto seguro, a mão que sustenta a queda,
Abri mão do meu chão para que vissem o céu dali,
E hoje o que me sobra é essa triste moeda.
Dói saber que estou onde a renúncia me deixou,
Nesse canto escuro de quem sempre se deu.
O mundo seguiu, mas em mim nada mudou,
Apenas o peso de um "nós" que nunca foi "eu".
Ainda assim, no peito assolado pela tormenta,
Guardo a pureza de quem nunca soube mentir.
Minha verdade é o fogo que ainda me alimenta, Mesmo que o preço seja este lento sucumbir.
Faria tudo de novo, com o mesmo coração quebrado,
Pois ser verdadeiro é minha única direção.
Sigo em silêncio, por mim mesmo abandonado,
Carregando a tristeza como uma eterna oração.
O Último Relato de uma Alma Ausente
Se estas linhas te alcançam, entenda o meu fim:
Não é que o sopro cessou, ou que o sangue parou de correr,
É que o meu verdadeiro eu sucumbiu dentro de mim,
Cansado de tantas guerras que ninguém pôde ver.
Meus sentimentos partiram há muito tempo atrás, Deixando apenas um corpo oco, uma carapaça vã.
Onde existiu amor, hoje a desilusão é o que jaz,
Em uma mente atormentada que teme o amanhã.
Talvez eu tenha partido em doses de álcool e remédio,
Ou talvez tenha morrido no vácuo de uma escolha qualquer.
Nada faz sentido quando o mundo se torna esse tédio,
E o teu perfume é uma lembrança que o tempo quer varrer.
Tentei acreditar em uma salvação para a alma, Fui hipócrita ao buscar luz no meio do meu breu.
Mas o peso mental roubou de vez a minha calma,
E o que você lê agora já nem ao menos sou eu.
Morri da pior forma: em silêncio e na dúvida,
Sendo cinzas de um incêndio que ninguém tentou apagar.
Resta apenas esta sombra, solitária e desprovida,
De uma vida que se foi antes mesmo de o corpo parar.
O Eco do Punhal de Vidro
Há perguntas que nascem com dentes,
Criaturas pálidas trancadas no sótão da mente.
Não as soltamos porque o silêncio é um cobertor,
E a verdade, nua, tem o hálito podre do terror.
Pois saber o "porquê" é, muitas vezes, aceitar
Que o castelo de cartas nunca foi feito para habitar.
Vale a pena o risco?
Questionar o destino é como polir o fio da navalha;
Se o corte mudar a vida, o que resta na batalha?
Uma alma nova, talvez, mas banhada em sangue e frio,
Pois certas respostas transformam o oceano em um rio vazio.
É o luxo da ignorância combatendo o vício de ver,
Enquanto o relógio mastiga o que nos resta de ser.
Temer a morte é o maior dos contrassensos,
Um ensaio fúnebre em nossos dias mais densos.
Se o fim é o ponto final já posto pela mão do tempo,
Por que tremer diante do sopro de um vento atento?
A resposta final já está escrita na pele e no osso:
Ela virá nos buscar, quer o abismo seja raso ou fosso.
Mas escute o sussurro que você insiste em abafar,
Aquela verdade que o peito não ousa confessar.
E se a resposta que você guarda, trancada e sombria,
For a única chave que encerra essa agonia?
Talvez o horror não seja o fim que a morte traz,
Mas viver uma mentira e chamar o cárcere de paz.
"A verdade é um monstro que preferimos manter faminto, sem perceber que, ao final, somos nós o seu único alimento."
O Labirinto das 4:30
O relógio é um carrasco de vidro e metal,
4:30 da manhã, o silêncio é visceral.
Meus olhos ardem, mas o sono não vem,
Sou prisioneiro de um vazio que ninguém contém.
O peito acelera, um motor em descompasso,
A mente é um ruído, cada pensamento um estilhaço.
As lágrimas descem sem pedir licença ou perdão,
Enquanto a alma naufraga nessa imensa solidão.
O que será de mim?
Sem o calor de um amor, sem um norte, sem fim.
Olho para a mesa, o alívio frio ali deitado:
O frasco, o metal, o fim de tudo o que foi errado.
Um duelo entre o "agora" e o "nunca mais",
Nesse labirinto escuro onde não encontro a paz.
Para o mundo, sou piada, um verso mal lido,
Um resto de gente que se sente perdido.
Minha humanidade escorre entre os dedos,
Sou feito de restos, de sombras e medos.
Onde está o brilho que o sorriso trazia?
Hoje só resta o vácuo e a agonia.
No espelho, o reflexo é um estranho, um réu,
Um fantasma do que fui, sob um cinzento céu.
Eu só queria o descanso, um dia de trégua, de luz,
Mas a vida é esse peso, essa maldita cruz.
Hoje, mais que ontem e que amanha, ame incondicionalmente para que suas lembranças e suas expectativas sejam baseadas em algo sólido.
Ela vive dentro de mim. Ela entende meus problemas e quando estou perto dela, soluções são tão fáceis e ao mesmo tempo, tão bestas que sinto até ódio de não ter pensado nelas antes.
Ela anda de forma tão suave, que chega quase a deslizar pelo chão. Quando sorri, o mundo todo para para enfim poder ver um brilho mais forte que o sol. E quando sua voz sai de sua boca, o céu se abre, os pássaros sorriem, as estrelas se juntam e eu me encanto...
Ela mexe comigo. Não há como negar. Como se saísse do mar apenas para me conquistar, ela entrou na minha vida e nunca mais quero que saia. Pequena sereia, cante e me encante mais uma vez. Arrasta-me com sua voz para teus lábios e me prenda neles tão forte que não consiga nem mesmo respirar direito.
Pequena sereia, pequena joia rara.
Musa, flor do deserto.
Mulher, anjo.
Tudo
para
mim...
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