Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
Às vezes perdemos tudo porque, por falta de humildade, não recuamos na hora certa.
Recuar na hora certa é fortalecimento e não covardia.
Exercícios De Pensar
Texto II – Ensinar
Ensinar não é entulhar respostas.
É atiçar inquietações duráveis.
O ensino que preze ser bom não molda repetidores de conteúdos, mas sujeitos capazes de perguntar quando todos se calam por medo de serem silenciados.
Por isso, ensinar Filosofia nunca foi neutro: ou desperta consciências, ou é reduzido a formalidade vazia.
Ensinar é uma aventura. Mas é também um compromisso com o futuro.
Exercícios de Pensar
Texto III – Escrever
Escrevo porque o silêncio, às vezes, mente. E porque há verdades que só existem quando encontram palavras.
A minha escrita não resolve o mundo, mas impede que ele se torne completamente opaco.
Cada texto é uma tentativa imperfeita de dar testemunho ao tempo, antes que ele se perca. Escrevo para não apodrecer por dentro.
E, se possível, para partilhar essa podridão consigo, que me lê.
Exercícios de Pensar
Texto IV – Filosofia
A Filosofia não serve para decorar conceitos, mas para desinstalar o que parece óbvio.
Ela começa quando desconfiamos do que parece natural e perguntamos quem ganha com o silêncio, com a exclusão, com a ignorância.
Por isso, a Filosofia é sempre um incómodo: começa quando não aceitamos que o mundo é como é porque tinha que ser assim mesmo.
Filosofar serve para contrariar.
— Ramos António Amine
Exercícios de Pensar
Texto V – Esperança
A esperança não é ingenuidade.
É uma escolha ética.
Esperar, neste sentido, é continuar a pensar, ensinar e escrever mesmo quando o cenário é adverso. É acreditar que a palavra ainda pode formar consciências e que o pensamento ainda pode humanizar.
A esperança, quando pensa, torna-se resistência.
— Ramos António Amine
Professor
O Terceiro Olho: o ecrã digital e a sociedade seduzida
Vivemos numa sociedade que se convencionou chamar de contemporânea. Uns preferem designá‑la por pós‑moderna; outros falam em modernidade líquida, hipermodernidade, sociedade do cansaço, da transparência ou do espectáculo. Divergências à parte, trata‑se de uma sociedade herdeira da Revolução Francesa e do ideal iluminista de uma utopia planetária: a de transformar o mundo numa pequena aldeia global.
É nesse contexto que surge o ecrã como mediador privilegiado da relação entre o indivíduo e o mundo. O primeiro protótipo foi o cinema, que procurou universalizar experiências e imaginários. Contudo, o seu acesso restrito tornou‑o insuficiente para concretizar a utopia global. A televisão surge, então, como segundo ecrã, levando o mundo para dentro de casa e inaugurando o sedentarismo mediático. Ainda assim, permanecia uma limitação decisiva: o espectador não escolhia; apenas consumia o que lhe era programado.
O terceiro ecrã, o ecrã digital, supera os anteriores. Cabe no bolso, acompanha o indivíduo para todo o lado e apresenta uma luminosidade quase hipnótica. Com ele, o ecrã globaliza‑se definitivamente. Tudo passa a integrar a chamada dialéctica digital: cinema como tese, televisão como antítese e ecrã digital como síntese.
Mas esta síntese não representa, como se poderia supor, um progresso emancipador. Longe disso. O ecrã digital transforma‑se numa nova tese, cuja antítese são os dados e cuja síntese se manifesta nas redes sociais como Facebook, WhatsApp, Instagram. Estas plataformas tornaram‑se os templos do nosso tempo: espaços de confissão, adoração e validação simbólica, onde as visualizações substituem os hossanas e o like ocupa o lugar do amém.
Neste novo regime do visível, falar deixa de ser apenas um direito e passa a ser uma exigência. A exposição converte‑se em critério de existência, enquanto o silêncio começa a ser interpretado como ausência ou suspeita. O indivíduo não é apenas utilizador do ecrã; torna‑se matéria‑prima de um sistema que vive do cruzamento de dados.
O problema não reside na tecnologia em si, mas no tipo de poder que nela se infiltra. Fornecer dados a um desconhecido é o primeiro passo da dominação. Saímos, assim, de uma política centrada na administração do corpo, como analisou Michel Foucault, para uma política de gestão da mente, descrita por Byung‑Chul Han como psicopolítica.
Hoje, a vigilância já não se impõe pela força nem pelo medo. Ela seduz. Apresenta‑se sob a forma de liberdade, desempenho e auto‑realização. A coerção tornou‑se interna. Vivemos numa sociedade hiperactiva, onde o repouso e a contemplação se encontram ameaçados. Mesmo no espaço íntimo, o ecrã permanece presente.
É aqui que emerge o que podemos chamar de “terceiro olho”: uma vigilância invisível que tudo observa o que publicamos, curtimos, comentamos e partilhamos. Não é um panóptico clássico nem um soberano autoritário. É um olhar que sorri, convida e encanta. Não reprime desejos; fabrica‑os.
Este processo não aponta para uma distopia longínqua, mas para uma transformação já em curso. A democracia corre o risco de se converter em ditadura digital, e os Estados nacionais podem tornar‑se dependentes dos gigantes tecnológicos para controlar as suas próprias populações, comprando dados que hoje lhes são entregues gratuitamente.
Estamos, assim, diante de um novo vocabulário político. Um regime em que a voz é permanentemente controlada e medida, a vozcracia, e em que o silêncio é progressivamente incentivado e aplaudido, suspeito ou invisibilizado, a silenciocracia. Eis o horizonte inquietante da sociedade seduzida pelo ecrã digital.
"O universo é um campo de futebol para olhos da 4ª dimensão
e talvez uma bola de ping-pong para olhos da 6ª dimensão”
Absoluto ou Relativo, eis a questão.
SÉRIE II
Pensar o Nosso Tempo
Texto VI – O Tempo
O nosso tempo não é neutro.
Ele educa, molda e condiciona.
Vivemos num tempo que valoriza a pressa e duvida da profundidade. Tudo deve ser líquido, inclusive o pensamento. Mas o humano não amadurece à pressa.
Pensar o tempo é recusar ser apenas seu avalanche.
O verdadeiro crescimento começa quando aprendemos a alegrar-nos com o sucesso dos outros e a transformar a inveja em inspiração para melhorar a nós mesmos.
O mundo continuará seu curso, mas somos nós que estamos de passagem - um lembrete de que a vida é breve e cada momento é uma oportunidade para fazer diferença.
A ganância pelo poder é como um veneno que corrói a integridade e a ética, levando indivíduos e sistemas a priorizar interesses próprios em detrimento do bem comum. A corrupção, então, se torna uma sombra que acompanha o poder mal utilizado.
A verdadeira conexão com Cristo é refletida nas nossas ações, no amor ao próximo e na busca pela justiça e compaixão, mais do que em práticas religiosas isoladas.
O dinheiro não compra tudo, mas a falta dele pode complicar bastante as coisas. É um meio para ter mais liberdade e tranquilidade, mesmo que não seja a chave para a felicidade.
O casamento é como uma parceria, e ter alguém que te apoia e te ama incondicionalmente pode ser mais valioso do que um amor não correspondido, por mais forte que seja.
A universidade pode oferecer conhecimento e credenciais, mas a verdadeira riqueza - financeira, emocional ou espiritual - depende do esforço, da resiliência e das escolhas de cada um. O desempenho individual é o motor que transforma oportunidades em conquistas.
Educar as crianças é como plantar sementes para um futuro melhor. Quando ensinamos valores como empatia, resiliência e pensamento crítico, estamos preparando adultos capazes de enfrentar desafios, contribuir para a sociedade e construir relações saudáveis.
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