Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
Seja forte!
Ah! Não me venha com essa! Não me diga que aguento, que eu sou forte, que já superei um mundo. Por favor, não me peça para ser forte novamente, preciso sangrar até a última gota, esvaziar tudo que me entorpece. O sorriso, a educação, o respeito, relevar, acalmar, respirar, NÃO, hoje não! O grito está prestes a sair e quero que ensurdeça quem perto chegar. Neste momento não quero ser forte! Quero xingar, gritar, colocar tudo pra fora! Esvaziar a alma e a carne.
Ah! Não me diga que não sou assim! Tenho luz e trevas dentro de mim como qualquer um. NÃO, POR FAVOR, hoje não peça nada! Preciso colocar tudo para fora, meu corpo e minha alma sofrem neste momento! Sou humana! Mas, fique tranquilo, não vou vomitar para o mundo o que me enoja! Neste momento sinto o peito apertado, os punhos fechados! Preciso enlouquecer!
Não! Não! Apenas entenda que quando estou presente, estou por inteira, metade não faz parte de mim e hoje estou partida, não para sempre. Estou de partida e partida para ambos os lados, escorrendo em minha boca o veneno, sinto o gosto de fel, as mãos suam, o ar não entra no peito.
Se quiser ir embora, vai! Eu preciso me despir de toda boa educação, como uma tempestade que limpa o mundo e arrasta tudo que é inservível.
Talvez não queira ver o lado ruim, ele não é agradável. Só preciso que entenda que a minha humanidade é igual a sua, apenas que falo para não ouvir, falo por entre as linhas, entre os olhares. Compreendo, sim! Ah! Como compreendo, mas eu preciso neste momento, agora, sentir sair de mim tudo aquilo que não consigo mais… Sim! Vai passar! Tudo passa! Mas antes de melhorar é necessário assumir a deficiência da humanidade dentro de nós! Hoje vou sucumbir a forma mais humana e vil que existe.
Sério que vai insistir em me ver assim? Todos temos momentos que preferimos não deixar que vejam, pois eles mostram a carne, assim como Elis disse:
" ...Agora retiram de mim a cobertura de carne
Escorrem todo o sangue
Afinam os ossos em fios luminosos
E aí estou: Pelos salões, pelas casas,
pelas cidades, parecida comigo…"
Eu sei, quer me ajudar, mas não é de ajuda que preciso, não quero que costure meus medos nem que cure meus devaneios. NÃO!
Salve-se de mim, pelo menos agora, hoje.. Salve-se. O que te fez ficar no pouco chão que tenho?
Silêncio…
Soluços…
E um coração consertado pelo mais puro e amoroso abraço, coloca fim ao sofrimento e devaneio. “Bem vinda de volta! Não posso ir a nenhum lugar… Meu lugar é aqui! Hoje, sou forte por nós”
Eu Fernando Cabral era uma criança sem graça. As pessoas não olhavam pra mim. Eu era insignificante, Ninguém me via. Não tinha atrativos. Não tinha mãe e nem pai pra me dizerem que eu era bonitinho, que eu era querido, engraçadinho, que tinha luz, que era especial ou iluminado. Eles nem me viam, parecia que era transparente. Ficava tão escondidinho, tentando me proteger que parecia que eu estava sozinho no mundo. Tudo que tinha a minha volta era ameaçador, como se não tivesse ninguém pra me proteger de qualquer perigo. Eu queria mesmo era que eles seguras, sem na minha mão e fizessem eu sentir a proteção, a força deles, sentir que estavam ao meu lado. Eles não me pegaram no colo pra eu sentir o calor deles e meu peito protegido. Sentia um vazio enorme no meu peito, é como se eu fosse agredido no peito, tamanha era minha necessidade e sentia que precisava fechar ainda mas meu peito para me proteger. Doia muito esse vazio. Eu queria colo!! Eu queria que me apertassem nos braços pra sentir o tamanho do amor deles, mas eles não estavam lá pra isso. Dias após dias crescia esse buraco. tinha vontade de gritar pra eles percebessem minha presença e me vissem. Eu chorava, chorava muito, mas eles não estavam lá pra entenderem isso. Eu só queria carinho, atenção, color, amor mas eles não estavam lá. Na verdade eles nunca me ouviram chorar, Eles nunca entenderiam o que eu sentia. Eram dois insensíveis, como se nunca tivesse sido crianças. Não sentiram amor, não cuidaram de mim, não me deram comida, não me deram banho, não me trocaram, não me fizeram dormir. Jamais conseguiriam entender o tamanha da minha solidão. Jamais brincaram comigo pra eu me sentir importante. Não me incentivaram. Não me elogiaram. Eu procurei ser bonzinho e nem assim tive atenção, afeto, amor. Para completar me deixaram com minha avó para cuidar de mim. que só me machucava ainda mais, me maltratada e também ignorava as minhas necessidades. Eles nem viam o que ela fazia comigo e acho que não estavam nem aiii comigo. E quando descobriram algo, não me acolheram. Não viram a minha dor., não me defenderam, não me enxergavam e não vieram curar a minha dor que só aumentava a cada dia. Parecia que ninguém percebia que eu era uma criança que tinha mas necessidade de afeto e amor que comida. E meu pai onde estava? Ele nem vinha me ver, passavam dias e dias sem aparecer. Quando aparecia nem conversava comigo, não me fazia mimos, não me dava carinho. Ele não sentia nada por mim, assim como não sente até os dias de hoje. Sentia que estava ficando cada vez mas transparente, Doia tanto essa solidão. Será que eu era feio, errado, desprezível? Era tão sem graça que ninguém me dava atenção? Eles me torturavam com essa indiferença. Como eu queria apenas me sentir amado! Que passassem a mão na minha cabecinha, nos meus braços, nas minhas costas, para eu sentir o afago do calor dele. Eu queria ouvir que era especial, impostante, esperto, pois merecia ser amado e ser feliz. Mas do jeito que me trataram eu me sentia cada vez mais abandonado, rejeitado, como se tivesse atrapalhando algo. Como pedir que me dessem atenção, que brinca assim comigo, que me fizessem ninar, que é embalagem em seus colos, que me beijassem?? Queria muito pedir que beijassem seu rosto, que segurassem em minhas mãos, me pegassem no colo e me dissesse que me amavam. mas não podia pedir, sei que eles não queriam me dar nada disso. pois se quisessem teriam me dado e não me abandonado. e eu não precisaria nem pensar em pedir. Esperava que me levassem pra passear, pra brincar com outras crianças, ao invés disso ficava encarcerado num quarto escuro como era costume na época, como forma de punição por um crime que não cometi. Queria me sentir normal, viver no meio de outras pessoas, assim não me assustava tanto quando ia pra escola. Precisava de segurança para sair de casa e ter a certeza de que não iriam me abandonar, mas na verdade me abandonaram todos os dias de minha vida. Precisava ouvir de meus pais pra não ter medo de nada e nem de ninguém. Mas ao invés disso eles me fizeram viver isolado do mundo escondido, como se eu fosse um pecado a ser escondido. Não podia conviver nem com outras famílias. Tinha que ser bicho do mato. Não podia ser apresentado nem pra o mundo real, não é Pai?? O que eu tinha feito de tão errado?? Quanta vergonha Vocês me fizeram sentir. Não sabia nem do quê mas morria de vergonha de mim mesmo. Quem sou eu?? Quem eu era?? Como acreditar e caminhar com segurança diante de tanto desprezo e indiferença? Droga o que vocês fizeram comigo?
Pulicado Facebook em 6 de outubro de 2015 ·
Público
🎗️FACES DO HIV🎗️
O HIV não vive comigo, eu vivo com ele. Porque são 24 horas lutando pelo direito das pessoas que vivem com o vírus. Viver com HIV não é difícil. Difícil mesmo é a gente não ser aceita no mundo em que vivemos.
Sônia Cavalcante Borba - vive com HIV 17 anos.
10 ANOS EM OLINDA
Querida Jéssica,
Não se trata de quanto tempo eu estou em Pernambuco, mas sim de quanto tempo eu me neguei a me envolver com a política. Faço militância política há muitos anos. No período em que saí de São Paulo, devido às decepções políticas que tive na época, continuei me envolvendo, mas apenas nas políticas nacionais, relacionadas ao governo Lula e aos nossos ministérios. Ignorei completamente qualquer instância municipal e até estadual.
Quando cheguei a Pernambuco, há 10 anos, e agora em 2024 completo 10 anos aqui, continuei sem me envolver com a política local, até porque eu não conhecia a cidade e estava passando por um processo de adaptação. No entanto, a militância está no sangue da gente; é algo que fervilha dentro de nós.
Comecei a trabalhar como camelô na praia de Olinda, em uma área frequentada por pessoas de classe A, militares e até extremistas. Automaticamente, meu lado militante começou a despertar. Levava a bandeira do movimento negro, do arco-íris, do movimento LGBTQIA+, além de outras bandeiras, como a "Lula Livre". Foram tantas bandeiras que às vezes colocava três ou quatro no mesmo dia, incluindo a do MST.
Fui conhecendo pessoas, mas ainda assim, não me envolvia com a política local. Até que veio a campanha de Teresa Leitão.
O comitê de Teresa Leitão ficava no centro de Olinda. Eu já a conhecia de algumas ocasiões em que ela esteve acompanhada da então prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, em visitas à cidade. Por isso, decidi ir até o comitê para falar com Teresa, já que a conhecia de São Paulo, onde ela havia estado com Luiza Erundina.
Eu não via Teresa Leitão há muitos anos e não tínhamos uma amizade próxima. Observava a aproximação dela com a então prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, e o tempo foi passando. Foi nesse contexto que conheci Dona Ana. Eu disse a ela: "Não quero saber de política, não quero saber de política. Vou segurar a bandeira aqui, como todo mundo está segurando bandeira, e está todo mundo ganhando um troquinho, ganhando R$ 100 por semana dos partidos de direita, né?" Mas eu não ganhava um centavo. Segurava a bandeira porque queria participar da campanha de alguma forma.
Estando ali das 7:00 da manhã às 7:00 da noite, eram 12 horas diárias, de domingo a domingo. Aquele ponto acabou se tornando um espaço de encontro para o pessoal do PT. Começou a aparecer gente do PT, e fizemos algumas atividades, uma delas foi um aniversário simbólico para Lula, que reuniu em torno de 150 a 200 pessoas. Foi uma coisa belíssima; até hoje tenho lembranças muito boas daquele dia.
Ali, comecei a me envolver um pouco mais, mas, mesmo assim, ainda resistia. Dona Ana estava sempre lá na barraca, até que, aos poucos, fui me aproximando mais, conversando com Teresa Leitão, e comecei a me envolver de novo na campanha. Era a campanha coletiva de Olinda, com Dona Ana, Paulo, Breno Almeida, e uma moça cujo nome não me recordo. Foi assim que conheci Vinícius e outras pessoas.
Apesar disso, eu ainda era muito preso ao meu trabalho, com 12 horas diárias, das 7:00 da manhã às 7:00 da noite, com pouco acesso à internet e à informação. Vivendo naquela bolha da praia, meio que diariamente, você acaba sabendo que existe um mundo político acontecendo. Eu continuava acompanhando as questões do governo federal, mas não me ligava muito na política local. Além disso, em termos de mídia e propaganda local, somos péssimos. Basicamente, só recebemos notícias do que acontece em São Paulo, Rio de Janeiro, e no Sul; aqui no Nordeste, a cobertura da mídia progressista de esquerda é muito ruim.
Enfim, acabei me envolvendo, e agora estou de volta, já envolvido de tal forma que não tem mais volta. Vamos à luta, porque voltei para ficar. É claro que sou uma pessoa limitada, por conta dos meus problemas de saúde, o que me impede de participar de determinadas coisas para que não aconteça algo fora do meu controle. Por isso, meu conhecimento é extremamente limitado, e na maioria das vezes prefiro me calar e ouvir, para aprender com vocês e adquirir maior conhecimento sobre política local, estadual, e sobre a história do Nordeste. É mais ou menos isso.
Fernando Kabral
MÃES QUE ME FORMARAM
Eu venho de um mundo diferente.
Um mundo em que o que eu mais tive, desde muito novo, foi mãe.
Mãe não só no sentido do sangue — mas no sentido do cuidado, da bronca, da atenção.
Apanhei na escola, da diretora, da madrinha, da vizinha.
Na minha época, a gente apanhava tanto que o que mais tinha era mãe.
Era porrada misturada com afeto — ou, pelo menos, com o que entendiam por amor naquele tempo.
Minha mãe de sangue sempre viveu no Sudeste, no Rio de Janeiro.
E eu cresci no Sítio Novo, em Olinda.
Dois mundos separados por quilômetros e por silêncios.
Fui conhecê-la de verdade já quase aos 15 anos.
E mesmo assim, foi uma passagem rápida —
a vida logo nos colocou em direções diferentes.
Saí de casa muito cedo, com os trapos na sacola, e fui girar o mundo.
Nesse giro, encontrei muitas mães:
as que me deram teto, comida, um conselho, uma bronca, um colo, um olhar.
Algumas já nem lembro o nome.
Mas levo um pedaço de cada uma dentro de mim.
Essas mulheres me ensinaram a me virar, a respeitar o outro,
a ser homem sem ferir ninguém.
Foram todas mães à sua maneira —
e todas ajudaram a compor quem eu sou hoje.
Por isso, nesse Dia das Mães, minha homenagem vai pra todas elas:
as que me pariram e as que me pariram de outras formas.
Meu muito obrigado por terem me acolhido no mundo quando o mundo parecia não ter lugar pra mim.
Fernando Kabral
Olinda, 11 de maio de 2025. 13h32
Não sei te falar qual e a pior dependência.
A química ou a emocional.
Mas eu acho que a emocional ainda e pior, porque se viciar em pessoas e pior que viciar em química.
Geralmente a química te da algo em troca, agora pessoas......
Aquele ao qual quero ser, nunca terei sido. Resta-me a tentativa de alcançar
este eu que almejo ser.
Nas sombras de sua arrogância eu vivo, escondido do seu julgamento
Uma peça desbotada de algo grandioso que já fomos, se dói tanto aobservar meu lamento
Seu amor que foi uma promessa, ainda vale a pena pagar pra me ver chorar?
Eu sou assim, pequena, humana, sedenta do fogo que me encarna quando navego no sol do uno.
Sou amor em meu poiso antigo. Sou canto e umbro amigo. Sou flor de Deus e companhia da Cruz. Um segredo de ordem lunar que me abre o colo e me abriga. Vivo acalentada pelo amor do Alto. Em comunhão, me aqueço e bebo de seu inocente cais.
A bagunça de ser eu, inconstante, sempre fui loira e amava preto, agora nem sequer me reconheço, quando estou de vermelho marsala, me olho no espelho, me sinto completa mas ainda tenho medo, de ter ficado fria, de ter me amado pouco e de nunca mais transbordar.
Eu nasci com uma inquietação no peito, com sede de mudar o mundo, onde a injustiça e desigualdade teriam um triste fim, buscando oportunidades e inspirações das quais nunca obtive, nasci para questionar as coisas, sacudir o mundo e por isso escolhi ser Professora, na verdade fui escolhida, única maneira de acalentar meu coração transformador, de se tornar inspiração e de mundar o mundo de muitas pessoas.
Jardim da Amizade
A vida ñ é um mar de rosas eu sei,
mas , um jardim precisa ser bem cuidado,
se ñ for regado regularmente
as flores enfraquecidas pelo
calor abrasador perderão o brilho,
e aquela bela paisagem dará lugar
a um tristonho campo arenoso,
por isto faça da sua vida um
campo florido , semeando em teu
jardim a semente da amizade , para
que futuramente ela possa germinar ,
crescer, e desabrochar para a vida.
A força do Amor
Eu quero te ver ,
Olhando as estrelas
E feliz a cantar,
Beijando uma flor
E sempre sorrindo
Ao amor exaltar,
Ver a lua que brilha
No céu das estrelas
ao anoitecer,
Ser o fogo que queima
O teu corpo ardente
Pela força do amor,
Eu quero te ver
Olhando as estrelas
E feliz a cantar,
Ver a lua que brilha
No céu das estrelas
ao anoitecer,
Ser o fogo que queima
O teu corpo ardente
Pela força do amor,
E no céu das estrelas
Ver na luz dos teus
Olhos , a lua brilhar.
Inexplicável Amor
Quero lhe revelar
um segredo;Eu te amo,
E gritar Para o mundo
inteiro que você foi,
e Sempre será o meu
grande amor, E a vontade
de tê-la em meus braços
Sempre Foi o meu grande
desejo, E o amor Que eu
sinto por ti, é algo tão
forte, Que Nem eu sei
como explicar.
Quero gritar para o mundo
inteiro que Não Sou um
louco, E que apenas grito
Para libertar este amor
oculto Em meu coração,
Podem me chamar de louco,
eu não me importo, E agora
que este Segredo foi revelado,
não existe mais A rasão para
me calar, E faço questão de
confessar-te..Eu te amo.
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