Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
Eu me pergunto se meus pseudos-textos são lidos. Se lidos, levantam questionamentos. Se levantam questionamentos, há um senso crítico. Se há um senso crítico, há vontade de mudar. Se há vontade de mudar, há uma força de se compreender e transformar seu local em um sistema mais inclusivo.
Eu não consigo consertar o passado,
as páginas rasgadas, o tempo calado.
As dores que vieram sem eu chamar,
as palavras que faltaram para me salvar.
Mas eu tenho o hoje, inteiro, presente,
um sol que insiste em nascer, persistente.
Tenho o agora, que pulsa e respira,
um tempo que acolhe, que cura e inspira.
O ontem ficou na curva da estrada,
com suas sombras, sua voz calada.
Mas aqui estou, viva, de pé,
refazendo o caminho com o que a vida é.
Não posso voltar, mas posso seguir,
plantar novas flores, voltar a sorrir.
Eu não conserto o que já passou,
mas no hoje, enfim, algo em mim renasceu e brotou, e como muitos dizem: suave como furacão e tranquila como um vulcão.
Ontem, na faculdade, perguntaram por que eu estava sozinho. Respondi: até um tempo atrás, eu tinha uma namorada, mas acredito que, por ser chato para alguns — pragmático, cético, niilista e misantropo — de todos, sou misantropo.
E se nem eu me aguento, muito menos meus parentes… imagina uma mulher que vê a casca e não a raiz. (Essa é minha resposta agora.)
Sou um analista da razão humana, assim eu acredito. Tento racionalizar meu mundo e as pessoas ao meu redor. Por isso, acho que poucas — ou quase nenhuma — mulheres vão querer ficar com um homem esquisito.
Para quem não compreende o real significado de viver, muitos apenas sobrevivem… sem perceber a verdadeira razão do que é ser racional.
Mãe, tu foste minha vida”
por Sariel Oliveira
Quando tu partiste, mãe,
Eu me vi sem rumo.
Como se o mundo tivesse parado
E só a dor continuasse a existir.
A promessa que fiz pro pai —
De te cuidar até o fim —
Eu cumpri.
Mas o fim chegou cedo demais.
E eu me perguntei:
“Deus, por que tu fizeste isso comigo?”
Por que levar logo ela?
Logo a mulher que era minha razão,
Minha força,
Minha raiz?
Perder pai é uma dor…
Mas perder mãe,
É perder o colo do mundo.
Tu eras determinada, forte, amorosa.
Cuidaste dos teus
E dos que nem eram teus
Como se todos tivessem nascido do teu próprio corpo.
Tu amavas com uma intensidade que poucos têm.
E mesmo com os erros, com os pecados,
— e quem não os tem? —
Tu foste luz.
Luz de mãe.
Luz de mulher.
Quando tu foste embora,
Eu fiquei vazio.
Pensei em desistir…
Tentei.
Mas não consegui,
Porque uma parte tua vive em mim.
Mesmo que tudo o que eu mais queria
Era só mais um abraço,
Sentir teu cheiro,
E dizer:
“Mãe, eu te amo tanto.
Eu tenho tanto orgulho de ti.”
Carta aberta de um Lírio machucado por um desconhecido.
Eu sou o Lírio da Paz.
Venho fazer uma pergunta:
o que eu fiz a você que está jogando uma substância oleosa em minhas folhas?
Desde que fui " adotada", água não me faltou para que eu pudesse presentear você com a minha paz .
Então, peço que olhe para mim como se fosse um ser para viver, pois enquanto eu puder, só terei flores para te dar.
E se for para me maltratar, peço encarecidamente um cantinho na sombra, já que não posso viver no sol.
Assina por mim: Ivaneide Henrique.
"Eu vos digo a vós Irmãos Rosacruzes: Devereis ultrapassar a todos os povos da terra em: Glória, Poder e Força, sobre o que se vê e sobre aquilo que está oculto aos olhos da carne."
Às vezes eu não sei até quando eu vou aguentar. Minha cabeça me tortura vertiginosamente. Meu coração parece ter mil toneladas o comprensando. Esse vazio que ressoa como uma música hipnotizando o ambiente. Música que não é mais que ruído. Eu estou me rasgando de dor. E ninguém se importa. Lágrimas negras escorrem no meu rosto e as pessoas fazem anedota. Eu estou doente, profundamente doente e não há ouvidos que me ouçam. Não há mãos que apertem a minha. Não há palavras. Não há ninguém. Apenas eu sozinha à noite me contorcendo de dor. Faço mil orações e me pergunto onde está Deus que parece não me ouvir. Transtorno bipolar. Duas palavras e um trator atropelando minha alma. De onde virá a ajuda. Estão todos envolvidos com seus lares. E meu lar, que é minha alma transborda como em uma enchente. Por que dar um fardo tão pesado para mim que sou tão frágil. Deus meu, que mora nas estrelas, abrande essa dor carnal. Tantas vezes eu tentei partir, mas continuo aqui como rocha. Eu sou frágil na superfície, mas sei quantas noites escuras eu superei. Peço um fôlego a mais. As vezes me pergunto porque sou tão resistente. Poderia partir leve como uma ave que some no céu. Partir como um peixe que se esconde em oceanos profundos. Sinto dor. Uma tristeza asfixiante. Mas só por hoje eu não vou partir. Beberei um copo d'água e dormirei. Em meio a meus pesadelos eu vou me contorcer. Ao acordar não vou querer me levantar. Mas levantarei, tomarei um café e pensarei que sobrevivi, sem nenhuma empatia alheia. Eu me olharei no espelho e pensarei em esquecer os tolos e os insensíveis. Eu resistirei e dessa terra só parto quando meu tempo acabar. Eu sou rocha, pedra de ribeirão. Eu suporto a dor, porque em mim mora um flor delicada, prestes a desabrochar.
Se eu fosse o provedor
da chave da alegria
pedia ao nosso Senhor
que me desse autonomia
pra fazer fogueira a punho
e todo mês virar Junho
pra ter São João todo dia.
Eles são parte de mim separadas. Eles querem ser eu, mas eu existo. A única forma de eles existirem é apagando a minha luz, mas minha luz é real e eterna onde a fraude impera.
Minha vida está perdida
Já nem sei pra onde eu devo caminhar
E o meu tempo, eu sei, é pouco
É preciso, amor, lhe encontrar
Tudo o que me eleva já está a caminho.
A energia que eu emano é a realidade que eu crio.
O Divino habita em mim e nada me falta
Eu sou o agora, e no agora tudo é possível.
Tu me olha, eu te vejo,
me perco no que não sei dizer.
Teu sorriso vem tão calmo,
mas em mim faz estremecer.
É como se o tempo parasse,
num suspiro entre nós dois.
Teu riso mora no agora,
mas promete tantos “depois”.
Fico boba, coração dispara,
teu olhar me despenteia.
E sem tocar, tua presença
já começa a te abraçar.
Se isso é só começo,
nem preciso decifrar —
porque em cada troca de olhos
já me vejo a te amar.
Mostra a cor do amor pra mim
Pois só eu não vi
Pois eu menti
Vai, mostra tudo, enfim
Me admite agora, meu amor
Ah, flor do jardim, floresce sem saber
Até o entardecer do dia
Vem reparar, vem fazer meu peito entender
Que tudo é por causa dela
Vai, mostra minha paz
Que falta no meu peito
Vem logo, dá um jeito
Que todo brasileiro tem
Pelos céus, eu juro, amor
Que toda flor que houver, eu lhe darei
Pelo amor, não deixe ficar sem
Sem amor, por favor
Foi um tempo que eu perdi em silêncio,
chorando por dentro, sem saber se um dia ia passar.
Meus olhos, antes, refletiam o carinho e amor por ti;
esse amor virou arrependimento.
Cada noite, um loop de lembrança cortando a pele,
pensando: eu poderia ter te ignorado no começo.
E o vazio maldito morando em mim, gritando,
mas você estava tão feliz.
Enfim, valeu a pena.
A dor que achava que ia ficar presa ali pra sempre,
num lugar que só dói, só sangra, foi embora.
O tempo lento e cruel foi curando o que achava incurável.
Não preciso mais segurar o choro,
fingir que a ferida não arde tanto assim...
E, muito menos, espero a sua volta.
Em meio à minha bagunça, ouço uma voz baixa sussurrando:
lembra que, talvez — só talvez —
seja possível um amor que não quebre.
Não é conto de fada nem promessa grande demais,
é só um desejo pequeno, escondido no fundo.
Antes, tentava ser a sua luz,
mas vejo que é em vão para alguém
que quer se encontrar sozinho no escuro.
Hoje, desejo algo que me deixe ser intensa
e me devolva com a mesma intensidade,
e não me largue em meio à sua tempestade e no escuro,
pois tenho medo dele.
E, sim, um lugar que me deixe ser luz e puro amor.
Até lá, carrego essa dor crua,
mas não pela saudade de algo bom,
e sim por medo de nunca encontrar o que mais almejo...
Hoje foi a última vez que te procurei,
não pra te trazer de volta,
mas pra lhe mostrar que eu poderia ser seu lar —
e mais por mim,
pra ir embora sabendo que eu não fui covarde
e nem privei meus sentimentos por orgulho ou heroísmo barato...
Entenda como quiser.
Você recusou friamente a mão que estendi a ti,
sabendo que ia doer
e sabendo que não era isso que você queria — ou não...
Talvez era exatamente isso que você queria.
Até hoje, suas ações me confundem.
Um dia, espero saber:
foi verdadeiro ou não?
Foi embora pra me proteger ou não?
Amou ou não?
E, o mais importante: mentiu pra mim ou não?
Infelizmente, essa era a última vez que me veria...
Algumas pessoas demoram pra perceber
quando alguém está indo embora,
e você é uma dessas pessoas.
Diferente de você, não escondo:
foi amor pra mim.
Mas hoje, espero, um dia,
um amor sem segredos e duradouro.
E, se não for pra ser eterno,
que pelo menos cumpra a promessa de não me magoar
e que suas ações não me deixem em pedaços no fim.
## Diário de Aline Caira - 01/06/2025
Retornamos da missa, eu e minha filha. Foi um momento de comunhão belíssimo, repleto de canções inspiradoras e uma atmosfera de alegria.
Ainda não me sinto pronta para receber a hóstia. Confesso que, talvez por um apego a tradições, sinto a necessidade de um ritual de preparação e purificação. Acredito que a confissão, o ato de compartilhar com um sacerdote as minhas falhas (que, muitas vezes, se revelam mais como cicatrizes do que pecados), seja um passo fundamental antes de aceitar o corpo de Cristo. Até que esse processo se complete, minha consciência me impede de participar da comunhão.
Talvez eu esteja equivocada, mas sigo a bússola do meu coração e da minha consciência, confiando que a vontade de Deus, e não a dos homens, prevalecerá.
Durante o sermão, fomos convidados a refletir sobre o medo da morte. Em minha humilde opinião, todos nós, em algum momento, experimentamos esse medo. Negá-lo seria, a meu ver, uma falta de honestidade. Até mesmo Jesus, em sua humanidade, sentiu temor.
Nós, mães que enfrentamos a jornada sem o apoio de uma família estruturada, ou com lares desajustados, carregamos um pavor particular da morte. Tememos, acima de tudo, a nossa ausência e a possibilidade de que nossos filhos se percam em um mar de sofrimento e fracasso.
Se minha filha já estivesse segura, formada e distante dos perigos, talvez eu não temesse a morte da mesma forma. Mas sinto que ainda tenho uma missão a cumprir. Foi Deus, em sua infinita misericórdia, quem me confiou a criação da minha amada filha, e não posso abandonar essa obra inacabada. Essa é a minha tarefa, e me dedicarei a concluí-la. Confio que Deus Pai, em seu poder, nos guiará e nos fortalecerá.
Que Deus abençoe a todos nós, sempre.
Ter fé e acreditar em Deus é permitir que o amor transborde de dentro de nós, a ponto de nos sufocar com sua intensidade.
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