Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
“Sabe que ontem eu estava lendo um livro meio bobo, e tinha lá, bem no cantinho da folha, no final da frase: ‘eles se gostavam…’ – respirei fundo e pensei: ‘a gente também.’”
“Não, não pare agora...”, ela sussurrou “eu adoro o teu jeito desajeitado de segurar minha cintura.”
Alguns dizem que é coisa de louco, acreditar em algo que não se pode ver e nem tocar. Eu digo que insano é viver nesse mundo de pessoas que transbordam santidade, mas são vazias da verdadeira fé. A minha fé me preenche, me guia, me guarda e me devolve o chão quando, por vezes, eu me perco de mim.
Sou senhora das minhas vontades, sou o que eu quiser ser, faço o que quiser fazer, falo o que quiser falar e por vezes ouço o que não quero ouvir, como um pequeno preço que pago, sem pechinchar, por ser quem eu sou. Goste quem quiser gostar e quem não quiser reclame na saída! Também não sou obrigada a gostar de ninguém.
Eu amo tudo que deixou de ser. Tudo que deixou de ser importante, o que deixou de ser engano, o que deixou de ser urgente, tudo que deixou de ser dor. O que deixou de ser alegria também amo amar, porque me fez ver o quanto eu preciso desapegar, abrir espaço. Me fez entender que se até ela passa, não é a tristeza que vai esquentar lugar.
Quando os meus olhos insistem e ver apenas o lado ruim das pessoas, eu paro e me pergunto em que momento eu me deixei contaminar por elas. Pai, cura a minha alma e o meu coração para que eu não me torne o mal que sempre evitei.
Frente a todas as esquisitices desse mundo eu desejo que o nosso melhor não se perca, que o nosso sorriso não se apague, que a nossa alma brilhe lindo, que os nossos olhos não se ofusquem e que a nossa fé nos sustente diante de tantos tropeços que a vida coloca diante de nós.
Eu não reclamo da vida, das coisas que não deram certo, das dificuldades, não supervalorizo o sofrimento, não alimento os desafetos e as desavenças. Se eu tiver que cair, que caia, mas que me levante tão rápido quanto. Se chover em minha vida, que eu tome um banho, que lave a alma e limpe o meu coração, porque a vida precisa ser simples, para ser bem vivida e eu não pretendo perder um segundo complicando nada.
Talvez, um dia, eu ria dessas coisas estranhas que acontecem em minha vida. Por enquanto, eu fico aqui tentando entender.
Deus me deu os amigos que eu mereço, que eu preciso e que me escolheram. Meus amigos podem não ser perfeitos, mas cabem direitinho em minha vida imperfeita sem pesá-la, sem oprimi-la. Como posso não amar?
E se me faltarem motivos para sorrir inventarei um para cada dia da semana. Hoje eu inventei que era feliz e no fim do dia descobri que essa tal felicidade não é coisa inventada, que a gente só precisa diminuir o barulho das nossas lamentações para perceber ela chegando, devagarinho e silenciosa. E só me resta agradecer, também em silêncio. Quem sabe ela resolve morar em mim?
A ideia do inatingível nunca foi motivo para eu não tentar. Que tristes seriam os caminhos se desistíssemos antes mesmo de começar a caminhar.
Não coleciono dores e nem as uso como troféu. Mas a felicidade, ah a felicidade... essa eu penduro nos cabelos, nas orelhas, escrevo na testa. Das minhas dores só a mim interessa saber.
"Advérbio"
De todas as palavras da linha portuguesa eu gosto mais dos advérbios, por que embora seja invariável, ele é o único capaz de modificar a si mesmo.
Que eu saiba ver no outro, primeiro, tudo o que ele tem de bom.
Com esta atitude, não terei tempo de ver seus defeitos...
mel - ((*_*))
Birra
Eu grito que nunca vou ser seu,
enquanto amasso tua foto de volta pro meu bolço,
eu sou teimoso. e discordo de mim mesmo sobre nos,
quero não querer e quero dar certo,
eu não sou superficial, um buraco no céu,
uma vala tão funda quanto o inferno,
pra cairmos encima do fogo dos nossos rabos,
é o amor batendo a porta com o leite de fazer-se queijo,
foda-se, fodo-te, foda-nos a alma ate ficarmos grávidos,
dum filho bastardo de nossos olhares,
enquanto sigo dizendo: "não serei teu",
já com meio caminho andado dentro de nos,
desejando secretamente de encontrar nas ruas,
tomarmos uns sorvetes e falarmos de amores, mal vividos,
tão confuso é, cair em tentação de querer,
um beijo teu, que guardo pra bem depois de tudo,
pra não dizer que me perdi,
pra fingir teimosamente não te querer!
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