Eu e Voce de Luiz Antonio Gasparetto
Eu sou uma pessoa que reza.
Às vezes, eu não rezo
quando eu tenho vergonha
do dia que passei.
É um comportamento
e comprometimento
com a vida,
uma coisa séria...
Todo amante
está só,
em segredo
com quem ama...
Aqui também estou eu:
Só, escondido de todos, com você!
Minha mãe fez os filhos
como se escrevesse poesias.
Papai tinha um poema dentro dele.
Eu não sou fruto de papai e de mamãe
por obrigação, e, sim, por coincidência.
Sou amigo de papai que, hoje
Deve estar bêbado
Em algum lugar no céu
Com Vinícius de Moraes
E outros que desconheço.
E sou perdidamente
namorado de minha mãe.
Assim como sou de minhas filhas...
As águas claras da lagoa mais próxima
estão tão distantes da minha sede
Que eu resolvi negociar
com a tempestade.
O sinthoma do final de análise obedece à ética do bem-dizer própria à psicanálise: é um real bem-dito.
Aprendi com a dor (nada) mais é o amor que o encontro das águas... Em um conflito, vence o qual optar por não inquirir dele.
"Bem aventurados os que trilham caminhos retos, e andam na lei do Senhor." Salmos 119:1
Tu ordenaste os teus mandamentos, para que diligentemente os observássemos.Salmos 119:4
Quando se ama
Quando se ama não há dificuldade
Quando se ama vive-se pelo outro
Não inventa desculpas
O amor vence todas as culpas
Não se diz: vou ver
Não vê dificuldade
Tudo é possível
Não há limite para buscar a felicidade
No amor se joga
Não espera chegar
É toque de bola
Que não precisa a bola amansar
O amor enfrenta feras
Enfrenta até leões
Vence o cansaço
E até grandes gozações
A doce descoberta do amor
Na primavera a flor e o beija-flor
Assim se conectam duas vidas
Apaixonando-se com um objetivo
E gerando o primeiro amor
Assim é o começo do juvenil vigor
Da cabeça enlouquecida
Da falta de um sentido
Dos planos de vida com mais sensível fervor
Ah, o doce primeiro amor
Não é difícil ficar intrigado
Com a insensatez juvenil
Ver num adolescente um coração incrivelmente perturbado
Fazem de uma simples boa impressão
Ardor e emoção
Vida e sentimento
Da vida uma possível degradação
Acreditemos no juvenil coração
Olhá-los com muita leveza
Ajudando por dar-lhe muito ouvido
Cuidar deles com muita destreza
O 'bem-dizer o sintoma' é o efeito de identificar-se com ele, condição necessária para guardar certa distância e saber lidar com ele. O sujeito não mais dá crédito ao sintoma e não acredita que ele possa desvelar alguma verdade última, escondida.
Ao adotar o sinthoma, o sujeito não luta mais contra ele, pois o aceita como seu, identifica-se com ele. Não é mais um corpo estranho, um parasita. É o resto do deciframento que ocorreu ao longo da análise e com o qual ele tem que lidar com aquilo que ele é.
Quando o sujeito chega ao final de análise, depara-se com o ponto de inconsistência do Outro, lá onde o Outro não responde, deixando o sujeito sem recurso, pois sabe que do Outro não virá qualquer salvação. O Outro não responde porque não existe, e o sujeito se vê diante da solidão originária, do desamparo. Nesse ponto de inconsistência do Outro, em que o sentido se perde e o apelo se esgota, o sintoma perde também o seu endereçamento ao Outro e aí se reduz a um toco de real.
Bailarino das areias
O sol já veste o dia
Meu boi ainda vagueia
A lua fez vigília
Tinideira são candeias
Estrela matutina flor menina
Do meu céu
Cenário de magia
Na copa do meu chapéu
Pra meu boi ê meu boi
Prata da lua cheia
Bailarino das areias
Dança vem menina
Flor divina do cordão
Te amarra na minha barra
Me guarda no coração
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