Eu Desejei mais do que Voce
Pode apagar a luz Celestial.
Já não há mais sentido brilhar.
A reflexão do prisma humano sai escura.
É tão denso o que há na alma.
A calma que se desprende.
Um fóton por segundo se desfaz.
Já não há mais sentido continuar a brilhar.
De tanto do quanto se busca,
porém, tudo por isso se acaba.
É tão densa as trevas, que nem faz sentido brilhar.
Todo o Amor Expressado é Desejo.
Nada é de forma Ágape, por si só: Caridade.
O desejo é reflexo da própria carne: malícia e maldade.
O que posso ser
mais do sei ou mais do que sou?
O que penso conflita
Àquilo que imagino.
O que imagino
é a realidade paralela
do irreal.
Sou poeta;
Sou filósofo.
Sou ser humano
em busca do ideal.
O Amor, que sinto
Por quem aprecio e venero.
É mais do que demonstro,
Está mais constante do que quero.
Não esqueço de cada desejo
De cada fala, carinho e beijos.
O Amor, que sinto
É bem mais do que sabes;
A Você é unânime e sem Mistérios.
Todo o teu encanto é tanto
Que me intenta a aspirar-te
cada vez mais.
Tens cânone peculiar.
Hombridade que me fascina...
E essa sua Beleza; és toda Maravilhosa.
Elegância
Senta-te a mesa mais sofisticada
Com os talheres postos à francesa,
São tantos os adornos sobre o corpo
Que confunde o brio da nobreza.
O que queres dizer com tanta altivez?
Guardados nos inúteis pensamentos acres
Com gritos no olhar silencioso
E semblante de vileza?
Perdeste a faculdade de julgar,
Não sabes conceber a elegância
Que se apresenta como atributo mais sutil
Na mímica da prudência e da leveza.
Corrupto
No mais nobre terno de linho branco
Caminhando no deserto vazio
Cabeça alucinada
A duna era um palco.
No seu topo e decentemente
A boca seca como depois de um porre
De aguardente
Declamou versos de Bandeira
Às areias infinitas.
Testamento era o poema
Sentimento agonizante da vida
Malfadado, desventurado
Calamitosa sina.
Reina o condenado
Com acabrunhada colheita
Dum monólogo terminado
Sem aclamação.
Pedra profana
Fiz-me a água doce
Fiz-me a brisa mais suave
Fiz-me a temperatura mais amena
Fiz-me a pessoa mais serena
e de nada adiantou.
Hoje sou pedra
Sou muro, onde habitam lamúrias
Das gentes que não aproveitaram da brandura
Que tanto ofertei.
Hoje sou pedra antiga, muda e cega
Onde muita gente se debruça
Cada um com a sua inútil razão.
Ouço o que gritam em silêncio
Vindo de corações ocos
Capazes de cair no buraco negro
Do universo em constante mutação.
Mas sou muralha consistente
E agora só guardo
No meu silêncio profundo
Os sentimentos imundos do mundo.
A flor do poeta
O néctar, a sua alma mais profunda
O pólen que germina em palavras
inspiradas nas tenras folhas esvoaçantes
os mistérios, dos perfumes das pétalas
As cores, o amálgama da beleza,
solidão misturada em fantasias
O caule que a brisa dobra
são sentidos que a poesia abriga
No outono, a flor do poeta
canta folhas secas, nostalgia
A sedução não é mérito da primavera
é o ocluso na bela flor da poesia.
Partir
Quando parto para uma longa viagem
Não reparo mais nas estradas, às belezas dos campos
que ao lado correm e se distanciam
Nem presto atenção nas conversas durante o trajeto
não me lembrarei das palavras ditas
Quando parto
Parto consciente como quem sabe ir
Não importando lembranças e histórias dos anos vividos
Muito menos os beijos e fotografias da despedida
Não olho para trás quando me encontro no corredor de embarque
Tudo se torna passado no presente da partida
Eu que parto, vou, não fico
Quando parto
Poderá ser para voltar, o que seria uma nova partida
Se volto, sei, não vou encontrar o mesmo lugar
do dia da partida
Eu, que parto
Sei ir e sei voltar
É me conhecer e reconhecer
As mudanças que acontecem depois da partida
É o novo em causa
As diferenças nas estradas, os campos passaram a ter casas
Os amigos não mais encontrarei
Os seus corpos e faces se transformaram
Suas filosofias de vida estão apoiadas em novas bases
Eu, que sempre parto
Parto com sabedoria, sabendo que nunca voltarei ao passado
Portanto, nunca olharei para trás na partida
Partir é reconhecer a eterna despedida.
Eterno Vergel
Sente-se bem?
Ganhou com o que fez?
A adrenalina deixou o seu sorriso mais sarcástico?
Falou para os amigos e família o que você fez?
Sentiu prazer em pisotear o meu vergel?
O meu vergel é de bits
Ele é apenas a minha arte em fotografia
O meu sentimento em código
O meu delírio mental
É incumbência do tempo fazer desaparecer
o que é material
Vamos cair no esquecimento
Só o meu vergel não irá sumir
E você, lá na sua cerração em ostracismo
Atributos levados da terra, inveja e ciúme
Assistirá o meu vergel brilhando na nuvem.
Safo
Já tarde da noite, chegando em casa
depois de mais uma teatralidade
da aula que conduzi na faculdade
me dei conta que sou agiota de vida
Quem necessitar poderá pedir-me emprestado
sem hesitar, não sou capitalista
posso até colocar um preço
cobro um sorriso, dou-te o endereço.
Porto Maior
O meu éden
O meu lugar de ócio, criativo.
O menor mundo
O mais vasto.
O que não atormenta
Não lamenta
Que sustenta a alma
Que faz viajar ao paraíso.
A cada segundo uma cor
Com as suas nuances loucas.
Histórias que nunca se repetem
Num movimento contínuo
Dando a cada instante
O início à felicidade.
E como melhor privilégio
Todos os caminhos levam
Ao Porto Maior.
Novos tempos
Não estamos mais no tempo dos coronéis
Naquele tempo que o homem tudo podia
Em que as mulheres escravizadas
Aceitavam as regras por intimidação,
As pobres Amélias consumidas.
Ainda existe por aí, homens coronéis,
Que vivem no passado
Achando que indo aos bordéis
Ainda serão reverenciados.
Pobres ignorantes do planeta
Irão ficar somente embriagados.
E agora?
O que devo fazer agora?
Lutar pelo que foi perdido?
Ficar mais pobre de espírito?
Jogar um jogo de cartas?
Empinar pipas na praça?
Movimentar a pedra no xadrez?
Olhar para a calopsita na gaiola?
Ficar por mais tempo livre?
Ler um livro em português?
Dominar a fúria que me consome?
Mirar o míssel para além do horizonte?
Colocar mais dinheiro no cofre?
Mandar flores por e-mail?
Escrever cartas românticas?
Ridicularizar as instâncias?
Fazer mágicas?
Beber uma bebida forte?
Olhar para o teto sem concentração?
Sentir aversão por tudo isso?
Enfrentar a flecha do inimigo?
Com muita coragem
Ficar na forca de frente para a multidão
Sem reverenciar os aplausos e risos à agonia
Que estão a festejar
Com o semblante mais brando
Escutando os risos e aplausos silenciando
Na minha mais sublime sensação
O ápice que se agiganta para minha bem-aventuraça
Que estou a desfrutar.
Diálogo aos celulares a brasileira que ouço todos os dias e, é mais ou menos assim:
Tô no culto falando cum pastô
Cê num vem não?
Tem de vim, ora pra Jesus.
Ai! Só Jesus, pra intender ocê.
Mas se ocê vim, fecha a porta com treta chave
Aí tem muito ladrão drogado.
Dispois, meu namorado vem buscá nóis.
Então nóis vai até ao shopem.
Agente podemos olhá as vitrini.
Dispois ele leva nóis imbora.
Ispera, to ouvindo minha patroa.
- Num sei não onde tá-
Já que ce num sabe se vem
Coloca a comida pra esquentá
E o fango no fono.
Tem cuidado num si quemá.
Aí quando eu chegá
Posso cumê
Lá no shopem e é tudo caro
E nóis num tem dinheiro pra gastá.
Chá
Bebo chá de todos os tipos
Chás para ficar mais calma
Chás para as dores
Chás para tudo,
Mas sempre bastante cética
Da certeza sobre os chás.
Um belo dia resolvi beber um Xá
A partir de então aprendi literalmente,
Que chás são imprescindíveis
Para aliviar todos os males
Dos erros imprevisíveis.
Impecável loucura
O meu lado louco é o mais afável
o mais sincero e enlevado
isento de disfarces;
No meu lado louco
encontra-se a minha sagacidade
distante da loucura normal;
O meu lado louco
não reflete no espelho
é a essência íntima, intangível
uma imagem de mim e que,
pessoas ao ar como fantasmas
tentam alcançar;
O meu lado louco, não domesticável
desobrigado do crivo social
é o enigma que fascina
tornando-me um ícone impecável
que atrai infames iconoclastas.
Saudade II
Sinto muita saudade
das mentiras que me contava
elas me divertiam mais que novas piadas
eu conseguia passar horas e horas a ouvi-las
eram por demais, engraçadas
eu engolia a satisfação, não ria.
Pode me chamar de louca
louca sempre fui um pouco
mas sabendo toda a verdade
e poder ouvir as estórias mais tresloucadas
durante anos a fio da sua boca
era fruição de graça.
Sinto muita saudade
saudade das sua mentiras.
Esquecimento
Não me lembro mais das aventuras que tive
O cheiro não chega mais com o soprar do vento
Tento através de um esforço hercúleo
relembrar dos sorrisos, dos gestos
e dos sons das palavras ditas
e não me lembro
Tentei eternizar o efêmero
foi a minha mais pura tolice
Nasci com inclinação para o imortal sentimento,
me traí, mas não me repreendo.
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