Eu Desculpo Voce
“Flores no Asfalto”
Amor um dia partiu,
mas eu fiquei, de pé.
Com o coração partido,
e a alma em muita fé.
Não nego que houve pranto,
nem que doeu demais.
Mas descobri, no entanto,
que a dor também traz paz.
A vida me ensinou
a erguer-me após a queda,
a plantar no chão ferido
sementes de nova entrega.
Refiz meus próprios passos,
juntei meus cacos no chão.
Não sou quem fui no começo,
sou mais forte: sou razão.
A cada noite escura,
acendi meu próprio sol.
Fiz da perda uma pintura
e da dor, um farol.
Não busquei outro amor
para me reconstruir.
Foi em mim que encontrei
razão pra prosseguir.
Superar não é esquecer,
é lembrar e ser maior.
É caminhar, mesmo só,
sem temer o que é pior.
Hoje carrego cicatrizes,
mas não carrego rancor.
Porque quem vence a si mesmo
descobre o real valor.
Eu teci este tecido, me esforcei
Eu coloquei neste filamentos de ouro, prata e joias
Mas nada disto é suficiente não é?
Porque ele e não eu?
Ele não derramou lagrimas para fazer este tecido
Eu derramei sangue, lágrimas, dei meu corpo e minha alma
E é isso que eu recebo? Um simples "obrigada amiga"?
Não eu não sou sua amiga, amigas não se olham assim
Não se beijam, não se abraçam assim
Eu me tornei insuficiente?
Eu sempre estudo os padrões de ação das pessoas vencedoras, mas principalmente as pessoas que querem derrubar as pessoas vencedoras.
Talvez eu não me recorde do que fizeste ou disseste, mas eu sinto, e o que eu sinto representa tudo o que vivemos.
Eu fui uma criança/adolescente estranha... quando menina gostava de brincar sozinha na minha casinha que ficava escondidinha no quintal; aos 13/14 anos lia K. Gibran e muitas vezes preferia ficar sozinha lendo ou escrevendo na minha Remington ( não sei bem o motivo... mas acredito que entre todos foi o melhor presente que o meu pai me deu), matava algumas aulas de religião e educação física para ir namorar na praia deserta durante o inverno. Detalhe importante: eu namorava o Mar.
Eu continuo estranha...
Agora eu sei
que a minha maior fragilidade
construiu a minha força
e o medo que eu temia ter
se revelou uma profunda coragem.
Oh! Oceano Atlântico!
Eu sempre sonhei em ser como Vós Mercê
naquelas tardes em que a vida
sopeava na ternura do meu tempo
que brotava na beira-mar
do seu horizonte.
Oh! Oceano Atlântico!
Porque quando eu fecho os meus olhos
eu respiro a poesia de Vossas ondas
e eflúvio de saudade?
Oh! Oceano Atlântico!
Porque quando eu abro os meus olhos
eu transbordo os versos salsos da Vossa maresia
e eflúvio de serenidade?
Eu sei
que Vossa mercê sabeis
que a minha alma
É bordada com o Vosso sal.
Eu perdi a conta de quantas vezes
metade de mim foi fortaleza
sò porque a outra metade de mim
foi frágil e precisou do meu ombro para chorar...
Ser forte e corajosa sempre,
mesmo quando fragil...
eis a minha sina !
É sempre assim
eu me desligo do mundo
me dou tão por mim
que nem sei como e por que
só sinto a serenidade na alma
quando estou de frente para o Mar.
Eu tenho medo e me preocupo com um certo desgosto de que a crueldade do preconceito possa se tornar humanamente um conceito banal.
Tal aberração humana não pode e não deve ser usada como argumentação em discursos vários para alimentar polêmicas políticas/partidárias, mas sim ... para desenvolver a consciência humanamente humana.
Quando me perguntaram porque eu tenho essa mania de escrever, impulsivamente eu respondi que talvez... é para satisfazer a mania de quem me lê ...
Ah! Escrever é muito mais do que formular frases e versos;
escrever é comunicar sentimentos e emoções;
é sensibilizar e comocionar;
é promover reflexos e reflexões.
A leitura é muito mais que seguir com o olhar uma sucessão de letras e palavras;
é tentar uma certa sensação de simbiose que se perpetua com a alma do autor,
se não brota essa aliança... não é leitura, mas... apenas estéril curiosidade que desaparece com o tempo.
Escrever é uma droga sagrada, não um fútil passatempo.
Ler é uma dependência bendita, não um hábito trivial.
Quando sozinha eu escrevo
o que reflito sobre o que leio ...
Entre as pessoas eu leio
o que elas refletem ...
E quando imersa na natureza
eu me reflito, me leio,
me escrevo e me deleito.
Ah! Se eu fosse corajosa ...
escreveria meus pensamentos e versos nos muros, nos postes, nas barcas, nos ônibus, nas esquinas,
nas praças gastronômicas dos shoppings centers, nos botecos, nas trilhas, nas lagoas e praias da minha Niterói ,
sem me importar com a zombaria, a indiferença ou o possível interesse dos passantes ... eu queria ser grafiteira da poesia !
Os pensadores e poetas atuais deveriam ter essa coragem de tentar chegar lá onde a poesia e a leitura já não chegam tão facilmente... no nosso povo tão sofrido e oprimido.
Foi então que eu me vesti de pacata coragem
e suavemente inalei a essência do fadário
enquanto as implacáveis trilhas da vida
desafiavam a minha silente resistência.
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