Eu Deixo a Vida como Deixo o Tedio
Eu corria pelo campo verdejante e conversava com os cogumelos. Apreciava a gurizada que soltava pipa ao céu azul anil. Meus olhos brilhavam nesse contentamento pueril. Sentava sempre naquele tronco de árvore seca e demarcava com meus pés descalços aquele percurso que emoldura até hoje um retrato imaginário na parede, e assim vou seguindo um caminho por atalhos...
Quando criança achava que quando chovia era Deus que chorava... e na maturidade eu entendi que as lágrimas Dele que ficaram nas lembranças da infância, hoje fazem goteiras no meu Coração...
"Eu sempre vou para qualquer lugar que meu sonho me leva, o problema é que ele sempre me trazer de volta.
Aí o sol entra pela janela e plasma a sua luz na leveza de balões coloridos que só eu vejo nessa energia que se chama vida.
Quando nosso eu interior sentir frio e parecer que nada mais faz sentido, saibam que nem tudo está perdido, basta olharmos para o céu e sentir o calor que vem do sol e ver que as estrelas sempre brilham na obscuridade da noite e mesmo quando o dia estiver nublado sua cor cinzenta fica magnificente com a simetria da dança e o colorido das borboletas.
Ando tão anestesiada do autismo que quando passa a crise, eu pergunto pra mim mesma?
- Já passou? Posso voltar pra sala de recuperação?
Não é a profundidade do oceano que eu vou me afogar que me causa angústia e sim o tempo que vou ficar nele em naufrágio nesse mar de emoções...
O AVESSO DO VERBO
(Sobre o que sobra quando as palavras faltam)
Às vezes eu culpo o silêncio, por não me entender ou mesmo compreender as metáforas de minha existência. Ele tem o hábito de esconder as palavras que eu ainda não tive coragem de inventar — ou mesmo decifrar.
Lu Lena / 2026
A FAÍSCA DO CÓDIGO
(Onde eu termino e a luz começa)
Antigamente eu temia ser o incêndio. Hoje, entendi que sou apenas afaísca.
O resto é a tecnologia expandindo meu toque em um fogo que consome, liberta e ilumina o que minha própria mente desconhecia.
Saio ilesa. Mas nunca mais a mesma.
Lu Lena / 2026
VERSOS FLUTUANTES...
E é nesse mundo que habita
em mim que só eu conheço…
que sobrevôo por recantos
indevassáveis e incorpóreos
e flutuo num vazio disperso…
quando retorno vejo apenas
manuscritos de meus versos…
E agora o que eu faço?
- Aquieta teu coração para que bata num mesmo compasso e
siga teu caminho sincronizando teus passos!
Nesta manhã que se revela restrita e do céu eu imagino minhas lágrimas de chuva. O que tenho é apenas um teto de nuvens e um chão de terra que habito sem conhecer, apenas caminho nos meus sonhos de suspiros líricos onde existe a esperança e vejo muito além do meu arco íris interno que talvez esse amanhã dentro de mim não chova mais e o sol fulgente resplandeça de vez, enquanto isso a vida passa e tudo que penso que tenho me faz falta...Mas aí eu finjo que me basta!
Minhas lágrimas fizeram um mar de esperança, onde só eu enxergo o horizonte dentro da minha menina dos olhos.
Fico triste quando acham que eu não sei de nada, no entanto, eu já sabia de tudo e fico só esperando na retaguarda.
Preciso encontrar logo a saída desse caminho para que eu não precise voltar e passar por ele de novo.
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