Eu Amo meus Inimigos

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Se você for uma garota boba como eu fui, acorde. Ninguém é muita areia pra ninguém. Pessoas aparentemente especiais se apaixonam por outras aparentemente banais e isso não é um trote, não é uma pegadinha, não é nada além do que é: um inesperado presente da vida, que todos nós merecemos.

Se não fosse Edward lá fora, se eu não soubesse com todas as células do meu corpo
que eu o amo – incondicionalmente e irrevogavelmente, e honestamente, irracionalmente – eu nunca seria capaz de levantar desse chão.

Eu sonho toda noite com a falta
Que você não faz

Você não sabe, mas quando eu chego em casa eu repasso cada palavra que você disse, cada gesto que você fez e me pergunto se vale mesmo à pena.

Bella: Você acha que eu vou me acostumar a isto? - eu perguntei, principalmente para mim mesma - Algum dia o meu coração vai parar de tentar saltar para fora do meu peito quando você tocar em mim?
Edward: Eu realmente espero que não - disse ele, um pouco presunçoso.

Eu gostava de acreditar que realmente seria pra sempre.

Estranho é pensar que eu fui inútil por não ter conseguido fazer você sentir o mesmo por mim.

Enfim, enfim quebrara-se realmente o meu invólucro, e sem limite eu era. Por não ser, eu era. Até o fim daquilo que eu não era, eu era. O que não sou eu, eu sou. Tudo estará em mim, se eu não for; pois “eu” é apenas um dos espasmos instantâneos do mundo. Minha vida não tem sentido apenas humano, é muito maior – é tão maior que, em relação ao humano, não tem sentido.

Clarice Lispector
A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

E se ao invés de olhar apenas para dentro de mim
eu quisesse olhar para dentro de você,
você deixaria?...

E porque minha alma é tão ilimitada que já não é eu, e porque ela está tão além de mim – é que sempre sou remota a mim mesma, sou-me inalcançável como me é inalcançável um astro.

Clarice Lispector
A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Eu tinha horror deles, que achavam que sabiam tudo sobre mim.

Eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim.

Clarice Lispector
Perto do coração selvagem. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Eu ainda quero viver para você. Venha agora, ganhe a corrida, passe todo o resto pra trás, é você quem eu continuo eternamente esperando na linha final.

Por que as pessoas se perdem? Eu sempre disse: se não for pra acrescentar alguma coisa, por favor, não bagunça a minha vida. Gosto de quem soma. E a gente somou, você somou, eu somei.

Enquanto eu fujo, você inventou qualquer desculpa pra gente ficar.

Certas pessoas eu não trocaria nem por todo ouro do mundo.

Desejo que você não esmoreça, porque é tão bom estar de “bom jeito”. Acho que eu devia abandonar minha “tragédia” em um ato...

Clarice Lispector
Montero, Teresa (org.). Correspondências. Rio de Janeiro: Rocco, 2002.

Nota: Trecho de carta para Fernando Sabino, escrita em 13 de outubro de 1946.

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Amor? Ah, aquilo que sinto por tudo o que me faz bem... sim, eu sei o que é!

NÃO, não sou limitado a isso ou aquilo, posso ter vários eus dentro de eu mesmo.

Tantas perguntas, tanto na minha cabeça. Tantas respostas que eu não consigo encontrar.