Eu Amo meus Inimigos
Faz centenas de anos que eu venho
Tentando decifrar algo que eu vi
Não no Céu, nem numa folha de papel
Era um desenho rabiscado
Pelo chão do meu caminho
Era um desenho pra se ler
Eu eu, na condição de criança, o lia
Mas meu coração perdeu aquela pureza
E hoje eu não compreendo mais
Aquilo que eu senti naqueles dias
E agora não consigo
mergulhar naquela paz
Que tudo aquilo me causava todo dia
Era um desenho de anjos
Pautado em melodias
Onde eu lia e entendia seus arranjos
a ponto de poder ouvir
Mentalmente e lentamente
Uma linda sinfonia de Anjos
Com os quais o tempo me fez
Perder totalmente a sintonia
Um dia a gente percebe
Que quanto mais pensava
Evoluir e ficar mais inteligente
Fatalmente deixava escapar
por entre os vãos dos dedos
A pureza necessária
Pra poder compreender
Plenamente a vida e o Mundo
E todos os segredos
pra afastar do coração
Esta enorme quantidade de medos.
Se você pensar em mim
Tenha junto ao teu pensamento uma certeza:
Onde eu estiver, eu também estarei pensando em mim
Meu violão me disse não
Quando eu tentei agradar
Alguém que não merecia
Dias há em que isso acontece
Até que o coração arrefece
A tristeza é um enorme ciclope
Que traz uma clava na mão
Mas a vida não é,
de nenhuma maneira
Uma cópia da arte
As coisas tem vontade própria
Quando a verdade pulsa mais
As vias lacrimais
Se recusam a demonstrar
Qualquer emoção
Que não mereça ser mostrada
Eu creio ser esta a razão
Pra meu violão dizer que não
Quando é assim
Meu violão não diz mais nada.
Eu creio que assim como eu
Todo mundo atravessa,
em algum momento
Aquelas horas
em que os pensamentos
São sempre ruins
E que eu sei, com toda certeza
Que mais ninguém precisa de mim
Tem horas que a gente se arrepende
Se arrepende realmente
Por não ter lido
Tudo aquilo que não leu
Nessas horas
Quase nada faz sentido
E até a luz do Sol me surpreende
E eu sinto que mesmo o Sol
é por demais limitado
E apesar tentar
Não pode fazer muita coisa por mim
Nesses dias
Todas as soluções se escondem
E todos os fantasmas do passado
Saltam das paredes
e vem ter, aqui comigo assim
E o coração sofre, apertado
Apartado de mim
Ele bate apressado
Nessas horas, normalmente
Eu percebo o quanto
Pra mim se tornou coisa normal
Não ter ninguém ao meu lado
Bom dia
Eu queria te dizer
Que você são flores
Que nascem dentro de mim
Floresce no meu jardim
e floreia meu dia
e deixa tudo a florir
Florifica e flori
Vocé é minha flor
A flor que eu elegi
Por não saber voar
de vez em quando
Eu voo de amor
E quando sinto calor
Eu volto pro ninho
E procuro
Um abanador de carinho
E saio mais tarde
Pedalando amizades
é muito leve fazer isso
Nas rodas da sinceridade
E quando minhas pernas se cansam
Eu uso meu estoque de abraços
É isso que eu faço
Para otimizar o torque
Meus braços se abrem
E abarcam o Mundo
Desde os pássaros no Céu
Até o plâncton esquecido
Lá no fundo do Oceano
Com meu abraço de menino
Eu acolho até aqueles
Que não constavam nos meus planos
Pois eu sei
Que não pode haver enganos
Nos desígnios do Divino
Tem dias que parece
Que começam pelo fim
em dias assim
tudo que eu preciso
é somente um simples sorriso
daqueles que eu sei
Eles não vem
Tem dias que parece
Que meu coração é uma máquina
de fazer coisa ruim
Em dias assim
Tudo que eu preciso
é de uma lágrima
daquelas que não vem também
Tem dias que chove
Tem dias que faz Sol lá fora
Tanto faz
Em dias assim
Iguais agora
Quando ninguém pensa em mim
É que eu penso em todo Mundo
Que me odeia de vez em quando
E eu também não gosto deles
por alguns segundos
depois isso passa
Não gostar de gente assim
Não tem mais graça.
Em todas as tardes
Quando à tarde chove
Não existe um dia
Em que eu não olhe
para as nuvens
e recorde
Aquela tarde triste
Eu posso até rever
Distante, o arco-íris
sobre o qual subiste
bem diante dos meus olhos
Rapaz
Você não pode imaginar
A falta que me faz
E quanto tempo leva
Até passar o tempo
O tempo do Nunca Mais
É esse o tempo que se aguarda
Naquela Plataforma de Partida
desde aquela tarde triste
em que partiste
Em uma despedida
Só de ida.
edsonricardopaiva e Fellipe Arcanjo
Quando eu digo palavras suaves
Ou escrevo alguma coisa sobre amor
Minhas palavras raramente tem retorno
Senão, parecem não surtir nenhum efeito
Muitas vezes vão acompanhadas de gestos
Que ninguém, vê nem repara
Outras vezes por um olhar
Que as pessoas
interpretam de maneira errada
E eu não compreendo
Se essas pessoas são vazias
Ou se eu mesmo não saiba me expressar
Algumas das pessoas, cuja companhia
Eu mais quis...
Se afastaram.
E as que ficaram são aquelas
Que a mim parece que fazem
Um enorme esforço
Em demonstrar o seu desprezo
Mesmo sendo as mesmas que um dia
Tanto fizeram
Pra hoje ter direito
à minha companhia.
Quando eu desejo
Que alguém tenha um bom dia
Desejo somente
e mentalmente
Não mando um beijo
Não mando um abraço
Apenas penso na pessoa
E peço a Deus
Que lhe mande alegria
Imprimo-a no meu coração
Em uma tela colorida
Se ela é importante na minha vida
Não conto pra ela
Eu guardo somente pra mim
Esse carinho resumido
E exponho a minha saudade
Uma vez ou outra
Mas só o digo de vez em quando
Assim ninguém há de pensar
Que eu não ligo
e continuo gostando sempre
e todo dia
Sem confessar
que é eternamente
Pois tudo que existe todo dia
Não tem necessidade de contar
A gente mostra
também no silêncio
e na paciência
E guarda um pouco de carinho
Para entregar pessoalmente
Quando a gente
Finalmente se encontrar.
Eu nasci
Numa tarde de segunda-feira
Eu vim ao Mundo
e não houve escolha
Não houve festa
e nem muita alegria
Eu vim a este Mundo
e somei mais um
Como nascem os bichos
e nascem as folhas
Exceto a ciência de Deus
Não houve nenhum segredo
A vida ofereceu-me uma estrada
A única opção que me havia
Era escolher a calçada
Eu trilhei o lado sem medo
Pois, depois que já estamos no Mundo
A pior parte já passou
Vivê-la triste é um erro Crasso
Com alegria, talvez seja ledo
Mas a alegria é sempre melhor
E melhora mais ainda
Se faço isso desde cedo
E desde aquele dia
Se não tenho servido pra nada
Ao menos trago um sorriso no rosto
E tento
Não atrapalhar mais ainda
A paisagem cada vez mais sofrida
deste Mundo
Onde me puseram
Nos braços da minha mãe
ela foi a única que sorriu
Naquela tarde de segunda-feira
em que eu cheguei
Depois daquele dia
eu aprendi a sorrir, mesmo sem vontade
Mas naquele dia
Eu confesso que chorei
Chorei de verdade
Talvez eu esteja
Já a meio caminho
daquele lugar
Onde todo Mundo um dia
Precisa chegar
Mas não há como saber
Eu bem que gostaria
de quem sabe...não ter vindo
Pois olhando à minha volta
Me vem a clara impressão
de que estamos voltando
Parece que estamos perdidos
Carecendo de um Norte
ou de um Oriente
Navegamos desorientados
Ao sabor da própria sorte
a confiar na própria astúcia
Enquanto a tempestade não chega
e o lobo não vem
Talvez eu esteja a meio caminho
Mas acho muito mais provável
Que o lugar não seja este
Nem a estrada seja esta
Existe algo escondido
Diante de mim
Diante de nós
Distante de todos
E enquanto não o sabemos
Vivemos, aparentemente juntos
Mas no fundo, todos já percebemos
O quanto ainda nos sentimos
Meninos perdidos
Almas sós.
Eu sou como uma sombra
Que se projeta na calçada
Numa noite
escura e mal iluminada
Alguém
que raramente se encontra
Porém se perde facilmente
E não volta por nada
Um ser magoado e ressentido
Que percebe a ingratidão
No menor ruído que houver
Eu sou como qualquer um
Mas isso não quer dizer
Que eu seja um ser qualquer
Nisso consiste a diferença
Pois todo mundo sempre haverá
de possuir alguma
Meu sensível coração de criança
Faz que eu seja teu melhor amigo
Porém, se eu hoje não encontro abrigo
Não brigo, parece até que nem ligo
Mas à partir de amanhã
Eu serei eternamente
Somente uma ausência e uma lembrança.
Quanto mais parece perto
Mais difícil de alcançar
Mas meu coração não pára
E eu te respiro com o ar
Vou vivendo,enquanto morro
Sem esperança de socorro
Eu grito e você não me ouve
Penso em você quando chove
Te vejo em tudo que se move
E não encontro uma razão
Razão é o que menos importa
Então vem, que eu abro a porta
Ou me chama, que eu pulo a janela
Se ficar a casa é sua
E com você eu assisto a novela
E com você eu ficaria
Até o resto dos meus dias.
Nada
Por haver tanto a dizer
eu me embaraço
por haver tanto a fazer
eu nada faço
por haver tanto a jogar
apenas passo
espero pelo dia
em que eu possa te dizer
tudo que eu via
apesar de tudo
apesar de tardia
apesar de surdo
ainda te ouvia
por haver tanto a viver
eu não vivia
por haver tanto a mostrar
eu me escondia
por haver tanto a chorar
apenas ria
por haver tanto
apesar de tudo
nada.
Se os deuses não vão comigo
opiníões se dividem
e deuses não se decidem
eu, a meu tempo, idem
meus gritos não os comove
e há quem chore pela chuva
enquanto chove
os alcança meu silêncio
galvanizando uma aliança
a procura de respostas
negros pássaros sem asas
nas sombras de noites escuras
com o som de um olho que abre
e a duração de um eco no vácuo.
Quando eu me ponho a em ti pensar
Viajo sem sair do lugar
Vôo até quase o amanhecer
É tão difícil te esquecer!
Felicidade que se foi
És como um espelho
Que reflete a própria imagem
Não vives por mais ninguém
Se eu não morrer em pensamento
Vou viver neste tão longo esquecimento
Como uma nuvem que passou e não parou
e o que jorrava se secou
Não descobri o que mudou o seu olhar
e nem senti o vento frio
Que esfriou essa paixão
Só vejo um dia lá na frente aproximar-se
Para eu imaginar, poder sentir
Todo esse Sol que vai brilhar
E nesse dia imaginário a consciência vai voar
Se nesse dia tão feliz você voltar
Eu tenho os olhos no céu
porém não olho pro Sol
Não faço nada impossível
Se fizer foi sem saber
e você, sôfrega...tropeça
eu não entendo aonde vai
com tanta pressa.
Eu hoje tranquei-me em meu quarto
cercado de idéias ruins
luz acesa, a imagem no espelho
Meu Deus, este não sou mais eu
O que este mundo fez de mim?
o que meus pés tocam, não são mais chão
só decepção
Fechos os olhos, mas não sinto sono
sinto apenas abandono
tudo que finda, continua ainda
o sonho um dia vira pesadelo
Tudo muda, qual cor do cabelo
cama dura
vida dura
quanto tempo terei de viver
até que tudo isso se acabe?
o futuro a Deus pertence
o motivo...só Ele sabe
