Eu ainda tenho Tempo pra Sonhar
Tudo dá certo no momento em que deve acontecer.
O tempo não se apressa para agradar quem está no fim —
ele apenas cumpre o ciclo da vida, com a sabedoria de quem sabe esperar.
Foi tudo tão rápido que não houve tempo para compreender. Tomado por uma ira cega, não consegui me entregar aos poucos. A vergonha, antes esquecida, retorna ao compasso do coração. Os olhos, ainda marejados, não conseguem conter a fúria — e ela me impede de recuar diante da vergonha de você.
Em teus olhos encontrei abrigo,
luz suave que me fez ficar,
como se o tempo ao teu lado
fosse feito pra nunca passar.
Teu sorriso é meu sol em segredo,
tua voz, o som do meu lar,
e cada gesto teu tão simples
me ensina, sem querer, a amar.
Não há distância ou silêncio
que apague o que sinto por ti,
pois mesmo em sonhos, te busco,
como o rio busca o mar, sem fim.
Se o amor é feito de instantes,
os meus são todos teus.
O amor retalhado na alma, fruto do pouco tempo dedicado a quem não o acolheu,
é um amor menino — livre para descobrir horizontes,
mas ainda inocente e inexperiente,
por não conhecer os tropeços que o tempo ensina a suportar.
A beleza e o tempo caminham lado a lado, transformando-se a cada volta do relógio. O tempo não tem pressa, mas também não espera por quem ficou para trás. A beleza, encantadora e perfeita, é a pintura dos olhos e o desejo de todos. Ela busca se renovar a cada novo dia, correndo contra um tempo que não para.
A cada amanhecer, a beleza começa a murchar lentamente. Mesmo quando a vaidade se enfraquece, ela resiste e não recua. Porém, enquanto o tempo avança em passos silenciosos, a beleza não acompanha sua evolução — e testemunha sua própria decadência.
Tudo passa. A cada ciclo, os dias se encurtam, e a beleza, enfim, conhece o fim de seu reinado.
Desperto das profundezas da minha alma, onde por tanto tempo repousaram sentimentos silenciados — sufocados pelo peso do arrependimento e pela ausência de compreensão. São emoções que, até hoje, permanecem invisíveis aos olhos daqueles que jamais tocaram a felicidade intensa e verdadeira que um dia me habitou. Essa felicidade, tão vívida em mim, tornou-se um segredo mal interpretado, uma memória que pulsa em silêncio, esperando ser reconhecida..
Amar você é desejar que cada amanhecer seja ao teu lado, onde o tempo parece voar e cada segundo de distância se torna um desafio para meu coração. O que sinto vai além da vontade: é um chamado da alma para estar unido a ti, feiticeira do meu destino e dona da minha alma. Sem essa união, minha existência se esvazia...
Não vá deixando tudo para o amanhã.
Não faça planos apenas por fazer,
nem perca tempo sonhando o que você mesmo não sustenta por dentro.
Afinal, há sonhos que se perdem pelo caminho,
sonhos felizes que passam como um flash,
tão rápidos que mal dá tempo de tocar.
E muitos deles não se realizam
não por falta de desejo,
mas porque simplesmente
não dependem de você.
Então, em vez de adiar a vida,
acorda a força que ainda existe aí dentro,
vive o agora,
e deixa que o tempo cuide do que não está em suas mãos.
O amanhã não pertence a nós, amor,
somos só um sopro leve perdido no tempo,
uma poeira passageira que o vento leva
e encosta, por instantes, na beira da estrada.
Somos lembranças que o mundo esquece,
rastros que a chuva apaga devagar,
ecos que se desfazem no silêncio
antes mesmo de aprender a durar.
Nada nos pertence — nem o céu que sonhamos,
nem os passos que deixamos pelo chão.
Somos visitantes deste breve instante,
almas que se tocam e seguem adiante,
levando apenas a memória
do que um dia cabia no coração.
Não ter nada ao mesmo tempo tem tudo.
Mesmo vazio, o coração parece cheio.
Quando nada nos pertence,
a vida surpreende com tudo o que oferece.
E assim, no silêncio da falta,
descobrimos que ter pouco
é, às vezes, ter tudo.
Insistimos em alojar memórias que não voltam. São fragmentos do tempo que merecem repousar no silêncio do passado,
ecos de um passado que já cumpriu seu caminho.
Foram momentos — belos, intensos, feridos —
mas talvez seja melhor deixá-los onde dormem,
guardados no silêncio das lembranças antigas,
esquecidos no lugar onde o tempo os deixou.
A verdade perdida, nua, sem véu,
no espelho estilhaçado do tempo,
onde o amor se confunde com o desencanto,
e o mundo dança um baile de sombras e ofuscos.
Olhe fundo — o que há é caos e silêncio,
uma voz mansa que se perde ao vento,
mentiras que se vestem de roupa sincera,
promessas que se despedaçam na pele.
É a pele ferida da humanidade cansada,
querendo tocar, mas não sabendo como,
querendo amar, mas sufocada pela dúvida,
querendo acreditar, mas cega de medo e vergonha.
Em cada rosto triste, um mapa de dores ocultas e assombro,
cada gesto de dúvida, um grito calado pelo ruído de insegurança,
e a alma solitária buscando no espelho vazio
um pedaço inteiro, um pouco de verdade ausente.
Não há máscara aqui, só esse olhar aberto frio esquecido
que vê o mundo distorcido, mas insiste —
insiste em encontrar o que resta de luz,
o que sobra do amor que não viveu o que persiste e não desiste.
Apenas veja,
sem medo do que encontra na pele,
na realidade nua, por mais crua que seja vá em frente,
é onde começa a cura.
Se o tempo me moldou em cicatriz,
se o vento já levou o que não tinha raízes,
se o silêncio já aprendeu a cantar dentro de mim.
O que foi perdido não é ausência,
é chama que arde invisível,
é pedra que sustenta o abismo,
é sombra que ensina a luz a ser mais viva.
Não busco retorno, não espero resgate.
Carrego o vazio como quem carrega um estandarte,
porque há força naquilo que falta,
há eternidade naquilo que não volta.
Você é a ponte que me conduz ao paraíso invisível,
onde o tempo se dissolve e só existimos nós dois.
Um recanto secreto de emoções profundas,
um eterno reencontro de almas entrelaçadas.Lá, o amor é fogo brando, luz que arde sem queimar,
um farol sereno que jamais se apaga,
guiando meu coração na dança silenciosa
de desejos e sonhos tão nossos, tão verdadeiros.É nesse mundo sem mapa nem fronteiras
que encontro toda a doçura da vida,
porque amar você é construir para sempre
esse refúgio onde só cabemos nós.
Não estou perdido,
nem procuro o que o tempo levou.
Sou apenas um viajante de alma desperta,
passando por esta estação da vida
onde os trilhos guardam segredos antigos.
Vou ao encontro do meu amor.
Ela me espera — silenciosa, firme —
na plataforma chamada Solidão.
E quando meus passos tocarem o chão daquele lugar,
a ausência deixará de ser ausência,
o vazio deixará de ser vazio,
e o que antes era solidão
virará reencontro.
Porque dois corações que se procuram
sempre chegam na hora exata,
mesmo que o mundo inteiro
acredite que é tarde demais.
Houve um tempo em que a certeza reinava absoluta.
Um tempo em que a razão se erguia como muralha,
e a verdade parecia sólida, inabalável, eterna.
Mas muralhas também caem.
Verdades também se desmancham.
E aquilo que julgávamos eterno
mostra-se frágil, breve, condenado ao próprio peso.
Não demorou para que tudo viesse como tempestade:
um corte seco, um silêncio que sufoca,
um adeus que não pede desculpas,
não volta atrás, não deixa brechas para retorno.
Bye bye.
Até nunca mais.
Guardem as palavras honestas, justas e verdadeiras — aquelas que não se dobram diante do tempo.
São elas que atravessam as muralhas da mentira e permanecem como farol na escuridão.
Quem as carrega no peito não se rende ao peso da mediocridade, nem se curva ao silêncio dos covardes.
Porque a palavra que nasce pura, firme e carregada de verdade é como fogo indomável: ilumina, queima e liberta.
Nenhum império ousa confrontá-la, pois diante da verdade não há coroa que resista, não há poder que perdure.
A palavra justa é espada e escudo, é raiz e horizonte.
E aqueles que a pronunciam tornam-se eternos, mesmo quando o mundo tenta calá-los.
SEIXO
Quantos se foram e tu ficaste aí intacto. Salvo algumas manchas que ficaram com o tempo. Dilaceraria-se se as correntezas tivessem te tomado. Mas encontra-te aí: obsceno. As tantas chuvas que te aclamaram e os milhares de sois que te transgrediram...
Que fizeste com eles? No teu dilema és tão sublime e passar despercebido é raridade tua. És imenso nas tuas junções que se colocam. És vigoroso e reflexo da vitalidade que tanto se deseja. Mas sabe-se [ou fingi-se], temos vida curta. Engana-se que a nossa ruína vem com a morte. Ela está estampada com a vida. Logo ao primeiro choro...
A tua falta de cobiça ou arrependimentos te coloca num patamar que jamais se chegará. O ser humano é tão vil nesse 'limitado tempo' que figurar olhar no pequeno é desperdício. Há certo esquecimento em te agraciar. Quando o fazemos, apenas mesmo em devaneio. Limitado nesse curtíssimo espaço [ora às vezes enorme]...
Sem significados.
ANÁLISE
Este poema reflete sobre a natureza humana e a transitoriedade da vida. O "seixo" simboliza a resistência e a durabilidade, contrastando com a fragilidade e a efemeridade da existência humana. As "manchas" mencionadas representam as marcas que a vida e as experiências deixam, enquanto as "correntezas" simbolizam os desafios e adversidades enfrentados.
O poema também aborda a dualidade da vida, onde momentos de grande vitalidade e força coexistem com a inevitabilidade da morte e da insignificância percebida. A última estrofe destaca a visão crítica do ser humano, que muitas vezes desperdiça o valor das pequenas coisas devido à sua natureza impermanente e às suas limitações.
Esse poema convida a uma reflexão profunda sobre como vivemos nossas vidas, valorizamos nossas experiências e lidamos com a inevitabilidade do fim. É uma obra que toca a alma e nos faz repensar nossas prioridades e atitudes diante da vida.
Os anos de vivência e aprendizado acumulados ao longo do tempo podem ser refletidos na hora de votar, com uma decisão madura e responsável
Pode ser
Que o tempo endureça tanto
Os corações
Tão sofridos da gente
Que quando a gente não vê
Chega uma hora
Que ninguém mais chora por nada
Pode ser
Que a gente chore escondido
E até brigue com o vento
Sempre que lembrar
Que ele levou pra sempre embora
Um simples balão colorido
Mas que tanto a gente o queria
Pode ser
Que essas coisas já estivessem escritas
E sejamos nós somente
Pessoas imaginárias
Personagens de um livro bobo qualquer
Cuja capa não chega nem a ser bonita
E tudo se repete, quando alguém o quer lêr
E estejamos passando pela etapa triste
Coisas que acontecem, quando um coração acredita
Pode ser tanta coisa
Pode ser ... não sejamos nada
Ninguém sabe o que se passa
Dentro de cada coração
Atrás de cada porta, após fechada
Acho que nem mesmo nós sabemos
Assim, o balão se foi
A capa do livro desbota
Se o coração dói ou não dói
Ninguém viu e nem se importa
Assim como o vento leva
Um dia o vento traz de volta
Pode ser
Que o tempo endureça tanto esse coração
Que quando o balão voltar ...tanto faz
Poder ser
Que a gente não queira mais.
Edson Ricardo Paiva.
