Eu ainda tenho Tempo pra Sonhar
Não tomo café
Mas tenho coador preferido!
Se um passarinho perguntar
por quê,
Xô, passarinho – respondo não.
Bichinho mexeriqueiro!
É segredo de amor!
Extraído do Livro: Poética
desde que as coisas mudaram
tenho estado em um eclipse
todos estão perto de mim
mas é como se ninguém me visse
Riz de Ferelas
Livro de poesia Inverno do Coração
Tenho a leve impressão de que algumas mulheres só estão se expondo mais hoje em dia porque descobriram que sua única qualidade é seu único recurso...
Tenho os lábios secos...
Arde-me a cabeça...
Tenho febre...
Vejo o presente, e também o passado e o futuro...
E tudo me assusta...
Já nem sei mais o que digo...
Penso em deixar de pensar...
Trago perdido o que o espelho não mais retrata...
Sem o cortejo das estrelas...
Sem o que me enfeita...
Inocência...
Aonde deixei ficar?
Vens oh lua...
Espantas com o teu clarão as sombras que me perseguem...
Todos os lugares são o mesmo...
Com um coração que tem que pulsar...
Dizer a Verdade quem poderá?
E do esquecimento inviolável...
Nas trevas sondo, fixo e absorto...
Interrogo o intrépido destino...
Além das cousas transitórias...
Das paixões e das formas ilusórias...
Em meu refúgio...
Continuo sonhando...
Onde me perdi...
Também me encontrei...
E dos cálices de absinto que bebi...
Nessa Babel velha e corrupta...
Muitos outros sei...
Que ainda os beberei...
Sandro Paschoal Nogueira
Queria te ver mais, te ter mais perto,
Mas guardo em silêncio esse afeto incerto.
Tenho medo que minha verdade assuste,
Que minha intensidade seja o que te afaste, e não o que te puxe.
Teu sorriso é o arco-íris depois tempestade,
Traz paz, cor e uma doce saudade.
Teu carinho é como abraço em nuvem macia,
Algo que nunca vivi, mas minha alma reconheceria.
Escrevo pra dizer o quanto tu me faz bem,
Mesmo longe, você me acende também.
E não importa quantas vezes eu te encontrar,
Meu coração vai sempre... sempre querer perto de você estar.
"Casa de Dentro"
(por um coração com janelas)
Tenho em mim uma casa que não fecha,
onde o vento entra sem bater —
e cada suspiro é uma porta que range
pro lado de dentro de mim.
Nessa casa mora um rio calado,
que chora baixinho à meia-noite,
mas também ri com o sol da manhã,
quando a esperança põe a chaleira no fogo.
As paredes têm cheiro de infância,
de pão na manteiga e de colo quente.
E quando a tristeza visita,
dou café e deixo sentar um pouco.
Porque aprendi — com o tempo e os tombos —
que até a dor tem poesia
se você souber escutar com o peito
e não só com os ouvidos do dia.
Nessa casa, amor não é hóspede:
é morador antigo,
que plantou hibiscos no quintal
e rega o silêncio com paciência.
E há um jardim nos fundos,
onde tudo que morreu floresce de novo,
de mansinho,
como quem entende que a beleza
não tem pressa nem endereço fixo.
Sou casa, sou rio, sou flor.
Sou verbo que ainda não foi escrito,
mas que vive sendo sussurrado
no coração de quem sonha.
E se um dia bater na minha porta,
vem leve.
Descalço.
Com alma lavada.
Porque aqui dentro,
a gente vive como se o mundo fosse poesia
e cada encontro, um milagre.
Tenho dentro de mim
uma Clarice que duvida,
um Drummond que espreita as pedras,
um Vinicius que ama até o adeus,
e um Shakespeare que sonha com os olhos abertos.
Fui casa caída, bandeira ao vento,
fui rua sem nome e jardim sem dono.
Mas reguei minha ausência com esperança,
e plantei amor até no chão do abandono.
Não me peça lógica — sou flor.
Sou verbo em carne viva.
Sou reza de Cora no silêncio da cozinha.
Sou verso de Mario escapando pela fresta.
E mesmo quando a dor fizer morada,
ainda assim —
com olhos molhados e alma lavada —
deixarei a porta aberta.
Não tenho medo de coração partido,
nem de espelho quebrado.
Tenho medo de coração vazio
e de um reflexo de mim nublado.
Não tenho medo do escuro,
nem do perigo que tu és.
Tenho medo que a sua sorte
será meu revés.
Não tenho medo de viver 1 só vida
e que meu fogo seja apagado.
Tenho medo de viver 7 vidas,
e nenhuma ao seu lado.
Quero tudo o que puder me dar,
ainda que seja azar.
Em um mundo de santos duvidosos
Tenho medo da força da verdade,
No discurso bandidos são bondosos
Não conseguem deixar a vaidade.
Em defesa do povo e do estado
O bem comum é todo expropriado,
Esquecendo o dever de dar suporte;
Não aceitam acordo nem pitaco
Quem defende bandeira do mais fraco
Não resiste ao suborno do mais forte.
”Coragem Não Recompensada”
Sou um cara extremamente tímido.
Tenho muitas vontades, mas pouca coragem.
E nas poucas vezes que tive coragem… me decepcionei.
Talvez seja por isso que eu seja assim.
Ou talvez…
esse seja só o meu jeito mesmo.
Amanhã, talvez eu encontre o menino em quem investi toda a minha coragem.
O menino que me tirou de mim.
Aquele por quem tive o maior empenho da minha vida.
E eu não sei…
não sei com que cara vou olhar pra ele.
Aliás, nem sei se vou conseguir olhar.
O que eu queria mesmo era matar ele.
Não a pessoa dele.
Mas matar ele dentro de mim.
Quero que ele deixe de existir aqui dentro.
Quero apagar tudo o que me faz lembrar.
Sinto culpa.
Por tudo.
Porque fui eu que dei esse poder a ele.
Dei a ele o poder de me destruir.
Lutei contra mim mesmo.
Achei coragem onde não tinha.
Entreguei aquele maldito bilhete.
Entreguei o que eu tinha de mais honesto.
E ele…
simplesmente ignorou.
Ele deu sinais. Eu juro que vi.
Ou talvez não.
Talvez o tolo tenha sido eu.
Talvez eu tenha imaginado tudo.
Visto coisas onde não havia nada.
Talvez eu tenha sido só um emocionado.
Um bobo.
Mas uma coisa eu sei que fui:
fui corajoso.
E, às vezes, a coragem não serve pra nada.
Principalmente quando ela só leva a gente ao engano.
Seja o engano do outro…
ou o nosso próprio.
Eu não sei o que rolou ali.
Na verdade, eu não sei de quase nada.
Achei que sabia muito.
Mas agora, com muita dor,
eu aprendi:
não sei de nada.
Tantas coisas pra dizer, tantas coisas pra falar... Mas sinto que não tenho voz o suficiente pra transformar meus pensamentos em som.
Ou será que já estou falando mas ninguém pode escutar?
Sinto sozinho fora de uma grande esfera carcerária!
Só o silêncio de um grande vazio distante das vozes populares, onde se tudo vê, onde se tudo é filosófico
Poxaa... esse último que te enviei, por toda admiração que tenho por você, gostaria muito que visse e se possível comentasse.
Que todas as felicidades, alegrias e sortes de bênçãos da parte do SENHOR encha seu coração e suas rotinas
Tenho medo da minha mente, tenho medo do som que ela faz sempre que estou quieta.
O pior pesadelo de uma pessoa agitada é sua mente, vazia e barulhenta...
Rotatória
Não tenho caminho. Meu mundo está perdido, parado, sem direção, sem roteiro, sem sentido, sem tempo, sem saída.
Meu coração quer chorar eu quero chorar. Mas não consigo. Algo me prende: uma barreira, um alguém, um mundo.
Meu futuro, minha carreira, minha vida… É como se nada — e nem ninguém — me visse.
Querer me dar orgulho, querer me surpreender… agora já não é mais um objetivo.
A solidão, a solitude… tudo ao meu redor para. Me sinto só.
Eu sei que não estou sozinho, mas o coração sabe como me sinto.
Estou em uma floresta, com árvores grandes, e tudo o que vejo ao meu redor são neblinas, nuvens que atravessam meu coração, minha alma, meu ser.
Será que serei feliz? Será que os anjos escutam minhas palavras? Será que eles enxugam minhas lágrimas? Será que eles sentem minha dor superficial?
Mas… o que seria uma dor superficial?
Seria uma dor de mentira ou uma dor falsa… mas real?
Meu corpo dói.
Minha mente dói.
Meu cérebro fica vago. Na escuridão, ele pulsa, e cada pulsar dói. Ah, como dói… é como uma memória apagada.
Eu queria me esquecer de algumas coisas. Eu queria poder recomeçar.
Mas não dá, né?
Me diga, coração: como faço para me sentir vivo, mesmo você batendo?
Me diga…
Eu me perco nas linhas do tempo. Me vejo na contramão.
Às vezes, saio do meu corpo, corro para tão longe que, se eu pudesse, não voltaria mais.
Apagaria meu nome, meu jeito, meu respirar.
Talvez eu…
Talvez eu, só por um momento, parasse de respirar.
O que aconteceria?
Seria uma sensação boa? Ou uma ida para um lugar onde eu me sentisse bem?
Há uma frase que diz: “Se você tem disposição para correr o risco, a vista do outro lado é espetacular.”
Mas será que, se eu for para o outro lado, eu adoraria a vista?
Eu reencontraria aqueles que já foram?
Eu iria para um lugar bom?
Eu seria realmente… “feliz”?
Me diga, coração: se eu fizesse você parar por um momento sequer, você me faria feliz?
São tantas perguntas.
Tantas palavras em minha mente.
Agora, as lágrimas descem pelo meu rosto. Essas gotas tocam meu coração e fazem uma lavagem profunda.
Ops…
Na verdade, elas o afogaram.
E agora estou morrendo com a água na minha garganta.
E, por um segundo, eu fui embora.
E, quando vejo… estou de novo no começo da rotatória.
Plantio
tenho duas frutas nas mãos
a mais madura arremesso contra o muro
o estrondo a mancha o despojo
no chão aonde bichos virão lamber
tenho duas frutas nas mãos
trago-as das ruínas de ontem
como uma ave que vem de longe
arrasta no bucho ou no bico
sementes e ervas daninhas
arremesso uma contra o muro
a outra ainda está verdolenga
nenhuma ideia de comê-la com sal
tenho duas frutas nas mãos
as duas estão marcadas de morcegos
minha mãe me ensina a distinguir
a rasura a maldição o batismo
Desenvolvi fobia econômicossocial. Não aceito convite para ir a lugares onde tenho que pagar, comprar ou vender alguma coisa. Já convite gratuito evito ir.
Se me vê trabalhando com finanças, é porque tenho competência de sobra, não é pena que preciso, é reconhecimento.
