Estranho
Ser "estranho" não é algo negativo, como alguém que é jogado fora, mas é algo único, como uma essência que nem todos tem, por isso que nunca devemos mudar nosso brilho, que acende nossa brasa em meio ao escuro.
Hoje me senti um estranho neste mundo,
alguém que se perde nos becos da alma.
Não pertenço a nada, nem a ninguém,
sou uma marca na areia
que a maré apaga sem pressa.
Ontem, me perdi entre o que sou e o que sonho ser,
sem saber quem sou,
nem para onde vou.
Meu coração é um aterro,
um amontoado de sentimentos despedaçados,
palavras que ficaram presas na garganta,
presas na rotina que me apaga,
me mata devagar,
sem trégua,
mas com a certeza silenciosa
de que o tempo me consome.
Hoje, menti a mim mesmo,
e menti a você também,
disse palavras que não calavam,
disse que amava,
disse que me importava,
mas eram palavras vazias,
como promessas que o vento levou.
E, perdido nas memórias,
senti a saudade como um desconforto na alma,
algo que não se explica,
mas se sente,
como a dor do que nunca se teve.
Ontem, lembrei de você...
Hoje, olhei o celular e encontrei sua foto,
como quem encontra um pedaço de infância
escondido no fundo de uma gaveta.
Hoje, senti saudades…
E a dor, que já era minha amiga, voltou,
mais forte, mais intensa,
como um amor que nunca se vai.
Que estranho é existir. Ou, antes, que grotescamente familiar é ser arrastado por esta existência, como um fardo que não se pode abandonar, mas que igualmente não se consegue suportar. Levanto-me todas as manhãs com a mesma dúvida insuportável: Por que continuo aqui? O que é esperado de mim? Para onde vou, se é que vou para algum lugar? As perguntas — essas eternas acompanhantes — não encontram respostas. Há dias em que me pergunto se sou eu quem vive, ou se sou apenas um intruso em minha própria pele, um espectador de algo que se desenrola sem meu consentimento.
Os outros parecem tão certos de sua existência. Eles caminham como se estivessem indo para algum lugar. Para onde? Não sei. Mas eles sabem. Ou fingem saber. Seguem uma linha invisível, uma espécie de mapa que os guia, enquanto eu fico perdido, como se o mundo tivesse virado de cabeça para baixo e só eu notasse. Como se o simples fato de estarem em movimento fosse suficiente para justificar sua razão de ser.
Há algo profundamente errado em mim, algo que não consigo nomear, mas que se manifesta em cada respiração, em cada batida do coração. Uma estranheza desconcertante que me corrói. Minha prisão é feita da minha própria carne, desta carne que me reveste e me nega, que me trai a cada gesto, a cada movimento, a cada palavra.
Cada parte de mim parece se rebelar contra o restante, como se eu fosse um amontoado de estranhos compartilhando o mesmo corpo. Meu corpo, minha mente, minha alma… todas essas instâncias que deveriam formar uma unidade estão agora em conflito constante, como peças de uma máquina que nunca foi montada corretamente e, ainda assim, insiste em funcionar.
Cada gesto, por mais banal que seja, perde todo o significado. Comer não alimenta, dormir não descansa, sorrir não alegra. Tudo o que faço é insípido, como se o próprio ato de existir fosse uma farsa. O que me resta, então, senão esta estranha sensação de vazio, que persiste em mim, mas que jamais me deixa preencher? A solidão não é apenas o estado de estar só, mas a sensação de ser um refugiado sem pátria — nem mesmo a do meu corpo.
É estranho e muito difícil explicar isso, mas você se foi e continua aqui...
Tento viver como se nada tivesse acontecido e me forço constantemente a ter um sorriso nos lábios, mas não é uma alegria autêntica.
Os dias inexplicavelmente ficaram maiores e tediosos e aquela tristeza que sempre habitou em mim e que vivia sob controle, hoje me consome.
Eu sei que nada nessa vida é para sempre e que em algum momento, talvez tudo isso passe, mas por enquanto tá difícil viver assim.
É estranho contar apenas retalhos de histórias a alguém. Um atalho para nos conhecer, como se isso fosse possível.
ESSE SER ESTRANHO
Eu sou esse ser poeta...
Sou esse ser estranho
Levo uma vida discreta
Cultivando cada sonho...
Escrevo sem hora certa...
Toda rima tem tamanho
E cada verso me liberta
Minha alma eu exponho...
E sendo obra incompleta...
Toda palavra eu reponho
Alguma há de ser a certa
A deixar-me mais risonho...
O amor é a grande meta...
E por ele, eu me assanho
Solto fogos! Faça festa!
Pouco perco... Tudo ganho...
(ESSE SER ESTRANHO - Edilon Moreira, Setembro/2022)
Apago, Reescrevo
Ergo o rosto, encaro o espelho.
Estranho reflexo:
olhos gastos de silêncio,
boca árida de palavras,
nariz vermelho de cansaço.
Mas...
não é assim que me enxergo.
De novo,
me aproximo, me olho no espelho.
Curioso retrato:
um homem de terno e brilho,
bolsos cheios,
passos firmes,
destino herdado.
Ah…
quem me dera ter nascido herdeiro.
Mais uma vez.
Me ergo.
Me busco no espelho.
E me pergunto, em silêncio:
quem sou, quando ninguém está olhando?
É estranho que as pessoas tenham medo de demônios, mas não de agir como eles.
Entre viver e sumir
É estranho querer viver
e querer sumir ao mesmo tempo.
Duas vontades opostas
morando na mesma pele.
E eu só observo:
qual das duas vai vencer hoje?
É estranho como algo tão pequeno, quase banal como uma mensagem ou ligação, pode interromper o colapso interno de alguém.
A alma de um poeta
Poetas, um nome um tanto quanto estranho para quem vê mundos diferentes.
Diz-se poeta aquele que escreve coisas assaz românticas. Mas, a alma do poeta vai além.
Ela é incansável, pois ultrapassar as barreiras postas é um trabalho árduo.
Ela é vigilante, pois até no fechar dos olhos ela está atenta.
Ela também tem seus encantos e mistérios.
Realmente é um mundo à parte, onde são gestadas suas fantasias internas e externas, trazendo à lume, em papéis e tintas, letras escritas com o palpitar de um coração sonhador.
Também é um peso escrever…
Mas, usa-se o peso para esmagar e extrair o melhor de tudo que se vê, tanto com olhos, quanto coração.
A alma também é muito leve. Semelhante a isso, poderei usar como exemplo a flor dente de leão, que voa lépido e fagueiro ao sabor do vento, tendo apenas um local de partida, mas, muitos destinos.
Um dia no morro fui caminhar ,
Deparei-me com um animal estranho;
Grande era seu tamanho,
Esquisito, cabeça fina garra afiada, rabo cumprido dava até para assustar;
Fiquei parado e quieto não sabia o que fazer mas o bicho foi bonzinho aos poucos devagarinho saiu e foi vaguear
Por onde ele passava seu rastro ele deixava,
E deste grande sujeito,
Que carregava a bandeira no peito,
Jamais deixarei de lembrar;
Tudo que ate hoje gastei,
E juntando tudo que tenho, essa beleza jamais poderia comprar;
Hoje não somos amigos,
Mas também não inimigos,
Falo sem desembaraço,
ele pra lá eu eu pra cá,
Não quererei seu abraço
Saudades do meu tamanduá.
E o mais estranho de tudo é que esse mesmo silêncio que me pertuba e me devora é também o que me faz bem!!! ...
Como você deixa um estranho se tornar tão íntimo quando ele poderia te destruir com tanta facilidade?
Estranho e até interessante que às vezes pessoas com as quais você convive, não percebem o quão frágil você está, precisando de um ombro amigo, uma palavra de ânimo para lidar com uma determinada situação. Enquanto pessoas que vivem tão longe de você, te fazem sorrir, e acreditar que tudo vai passar, que a tua jornada nesta vida ainda vale a pena, e que sairá vitorioso da batalha que terás que enfrentar.
A vida é movimento!
As vezes o que era igual e certo se torna estranho.
Nesses momentos, custamos a perceber ou até mesmo aceitar.
A persistência em querer e/ou cobrar por algo que não existe mais, torna o ambiente tóxico, além de ser um desrespeito ao tempo.
A vida estagna... Esse é o maior sinal que a vida pode te dar de que os ventos mudaram de direção e que é momento de deixar ir o que não mais te pertence e aceitar o novo.
O fato de vc ter feito de tudo para dar certo, não significa, necessariamente, que vai dar...
Ou deu certo... até onde era pra ter dado...
Essa aceitação é libertadora, iça velas e levanta âncoras...
Quando não há ódio, existe uma linha tênue entre a desistência e a aceitação.... e a grande verdade é que requer sensibilidade para percebê-la e coragem para agir.
Mas, uma vez tomada a decisão.. quando vc menos perceber... sua vida estará em movimento novamente...
Daí a gente percebe que a única certeza que realmente existe é o fluxo do rio. Impessoal.
E que a escolha em sentar na janela e apreciar o que a vida tem de bom pra te dar e mostrar é essencial e unicamente sua...
Nem todos recebem o que merecem...
Só se oferece, aquilo que se tem...
O que você recebe está, invariavelmente ligado, ao que você tem oferecido.
Hoje visitei você,
Hoje eu visitei seu tûmulo ...
Estava um tempo estranho, um vento forte um por do sol fosco
Eu sentei na grama, aumentei minha música e então comecei a contar como estava sendo as coisas aqui sem você, contei coisas aleátorias, coisas dramaticas demais que me fizeram rir e esquecer que você estava enterrada ali e não sentada ao meu lado.
Eu sentir algo estranho, achei que era paixão, mas com o tempo aumento...No final, descobrir que era Amor.
