Estrada
Graças ao o homem o planeta pegou uma estrada sem volta,que lhe levará primeiro a decadencia depois ao fim,e serão nossos filhos que pagaram por nosso erro.
Água-Viva
O pé na estrada não sente
Que o rumo já se perdeu
Na Consciência do viajante
Sua lucidez voou para um espaço livre
Tudo indica que há palmeiras
No final do caminho
Há indícios de água-viva no meio do mar
Não mais morto.
E a atmosfera se faz verde, brilhante
Posso divisar a luz, o sol e a vida
Sentida em cada poro que se abre
E deixa passar o suor de minha angústia
De minha espera.
Passou o cavalo louco, talvez espantado
Pelo fantasma do meu medo
Que me persegue constantemente
E não há nada que o possa exorcizar
Talvez seja essa lua cheia que o desperta.
Repetem-se as cenas em câmara lenta
A realidade se fragmenta
E cada um desses cacos se transforma
Num lindo sonho voando devagar
Poro infinito, mas enxotado pela Rainha
Do mundo da Realidade.
"Fora, não há lugar para você"
E ele se vai, tão docemente...
Eu me fixei ao chão
E daqui não posso sair
Cogumelos são meus vizinhos
E me embriagam
Viajo com eles até a galáxia mais próxima
Sem passaporte ou suporte
Com a inconsciência do inconsciente fotografado
Vou mais além e me perco pra longe
Bem longe de mim
O quebra-cabeças se embaralha
Se emaranha na mesa da sorte
O seu outro "eu" anda por aí, sem saber
Dos perigos que corro a cada dia
Ele pouco sabe das minhas mil mortes
Do solo perigoso que possuo e que pode
Desmoronar a casa instante.
Do efeito cicatrizante que tem o seu olhar
Sobre minhas feridas
Da luta maior gerada com a suspeita
De que sesse amor me faz percorrer
A "Terra Prometida".
E é tudo quanto tenho no momento
Procuro arrancá-lo com todas as forças
Que já não possuo.
Viagem de um vencido
Noite. Cruzes na estrada. Aves com frio...
E, enquanto eu tropeçava sobre os paus,
A efígie apocalíptica do Caos
Dançava no meu cérebro sombrio!
O Céu estava horrivelmente preto
E as árvores magríssimas lembravam
Pontos de admiração que se admiravam
De ver passar ali meu esqueleto!
Sozinho, uivando hoffmânnicos dizeres,
Aprazia-me assim, na escuridão,
Mergulhar minha exótica visão
Na intimidade noumenal dos seres.
Eu procurava, com uma vela acesa,
O feto original, de onde decorrem
Todas essas moléculas que morrem
Nas transubstanciações da Natureza.
Mas o que meus sentidos apreendiam
Dentro da treva lúgubre, era só
O ocaso sistemático de pó,
Em que as formas humanas se sumiam!
Reboava, num ruidoso burburinho
Bruto, análogo ao peã de márcios brados,
A rebeldia dos meus pés danados
Nas pedras resignadas do caminho.
Sentia estar pisando com a planta ávida
Um povo de radículas em embriões
Prestes a rebentar, como vulcões,
Do ventre equatorial da terra grávida!
Dentro de mim, como num chão profundo,
Choravam, com soluços quase humanos,
Convulsionando Céus, almas e oceanos
As formas microscópicas do mundo!
Era a larva agarrada a absconsas landes,
Era o abjeto vibrião rudimentar
Na impotência angustiosa de falar,
No desespero de não serem grandes!
Vinha-me à boca, assim, na ânsia dos párias,
Como o protesto de uma raça invicta,
O brado emocionante de vindicta
Das sensibilidades solitárias!
A longanimidade e o vilipêndio,
A abstinência e a luxúria, o bem e o mal
Ardiam no meu Orco cerebral,
Numa crepitação própria de incêndio!
Em contraposição à paz funérea,
Doía profundamente no meu crânio
Esse funcionamento simultâneo
De todos os conflitos da matéria!
Eu, perdido no Cosmos, me tornara
A assembléia belígera malsã,
Onde Ormuzd guerreava com Arimã,
Na discórdia perpétua do sansara!
Já me fazia medo aquela viagem
A carregar pelas ladeiras tétricas,
Na óssea armação das vértebras simétricas
A angústia da biológica engrenagem!
No Céu, de onde se vê o Homem de rastros,
Brilhava, vingadora, a esclarecer
As manchas subjetivas do meu ser
A espionagem fatídica dos astros!
Sentinelas de espíritos e estradas,
Noite alta, com a sidérica lanterna,
Eles entravam todos na caverna
Das consciências humanas mais fechadas!
Ao castigo daquela rutilância,
Maior que o olhar que perseguiu Caim,
Cumpria-se afinal dentro de mim
O próprio sofrimento da Substância!
Como quem traz ao dorso muitas cartas
Eu sofria, ao colher simples gardênia,
A multiplicidade heterogênea
De sensações diversamente amargas.
Mas das árvores, frias como lousas,
Fluía, horrenda e monótona, uma voz
Tão grande, tão profunda, tão feroz
Que parecia vir da alma das cousas:
"Se todos os fenômenos complexos,
Desde a consciência à antítese dos sexos
Vêm de um dínamo fluídico de gás,
Se hoje, obscuro, amanhã píncaros galgas,
A humildade botânica das algas
De que grandeza não será capaz?!
Quem sabe, enquanto Deus, Jeová ou Siva
Oculta à tua força cognitiva
Fenomenalidades que hão de vir,
Se a contração que hoje produz o choro
Não há de ser no século vindouro
Um simples movimento para rir?!
Que espécies outras, do Equador aos pólos,
Na prisão milenária dos subsolos,
Rasgando avidamente o húmus malsão,
Não trabalham, com a febre mais bravia,
Para erguer, na ânsia cósmica, a Energia
À última etapa da objetivação?!
É inútil, pois, que, a espiar enigmas, entres
Na química genésica dos ventres,
Porque em todas as cousas, afinal,
Crânio, ovário, montanha, árvore, iceberg,
Tragicamente, diante do Homem, se ergue
a esfinge do Mistério Universal!
A própria força em que teu Ser se expande,
Para esconder-se nessa esfinge grande,
Deu-te (oh! Mistério que se não traduz!)
Neste astro ruim de tênebras e abrolhos
A efeméride orgânica dos olhos
E o simulacro atordoador da Lua!
Por isto, oh! filho dos terráqueos limos,
Nós, arvoredos desterrados, rimos
Das vãs diatribes com que aturdes o ar...
Rimos, isto é, choramos, porque, em suma,
Rir da desgraça que de ti ressuma
É quase a mesma coisa que chorar!"
Às vibrações daquele horrível carme
Meu dispêndio nervoso era tamanho
Que eu sentia no corpo um vácuo estranho
Como uma boca sôfrega a esvaziar-me!
Na avançada epiléptica dos medos
Cria ouvir, a escalar Céus e apogeus,
A voz cavernosíssima de Deus
Reproduzida pelos arvoredos!
Agora, astro decrépito, em destroços,
Eu, desgraçadamente magro, a erguer-me,
Tinha necessidade de esconder-me
Longe da espécie humana, com os meus ossos!
Restava apenas na minha alma bruta
Onde frutificara outrora o Amor
Uma volicional fome interior
De renúncia budística absoluta!
Porque, naquela noite de ânsia e inferno,
Eu fora, alheio ao mundanário ruído,
A maior expressão do homem vencido
Diante da sombra do Mistério Eterno!
Para mim a vida é uma estrada cheia de curvas, é só saber usar o freio no tempo certo e você vai longe.
Vou caminhar por uma estrada que eu ainda não conheço, pra desvendar e conhecer você, eu pago qualquer preço.
Tudo isso que hoje sei, são estradas que eu andei por este chão, são porteiras que eu abri, os atalhos que segui pelo sertão.
Deixei meu "espírito aventureiro" em alguma curva da estrada... a mochila tá encostada e os pés de bobeira pro ar... Ando fadigada de tudo.
•Depois de passar por estradas duras, pedras e lamas, a emoção dos meus dias é a lembrança que irei percorrer o mais belo e suave caminho aos braços de quem eu amo.
Estradas que não me acostumo
Veneno que consumo
Até perco o rumo.
Caminhos que se refazem
Lembrando sua imagem.
Fujo do amor em vão
Não sei mais se tenho razão,
Todos os atalhos que peguei
Trouxeram-me de volta ao teu coração
A estrada para o sucesso não é uma reta.
Existe uma curva chamada “queda”, um retorno chamado “confusão”, alguns redutores de velocidade chamados de “amigos”, alguns faróis vermelhos conhecidos como “inimigos”, outros faróis amarelos que chamamos de “família”, alguns pneus furados conhecidos como “trabalho”.
Mas, se você tiver um estepe chamado “determinação”, um motor possante chamado de “perseverança” e se o seu motorista for uma cara chamado “Deus”, a sua viagem será um verdadeiro sucesso.
Você, certamente, será feliz!
"Em algum lugar, em alguma estrada, um belo pôr do sol, não importa onde, não importa quando, o que importa, estar lá com alguém que ame"
Por enquanto eu to por aqui, beirando as suas estradas, cruzando seus caminhos, dobrando suas esquinas...
Tudo pra ver se você me nota, me olha, me ganha...
Um dia, quem sabe, a gente se atropela, se enrosca, se atrai...Ou ao contrário de tudo que planejei, a nossa história de amor, nem sai!
Para todos que perderam alguém em especial...deve prosseguir na estrada da vida....não deixe ser desviado de seu caminho por placas que te levam pra lugar nenhum,....placas que te levam para um beco sem saida, para um paraiso do conformismo, para o inferno reconfortante, para o abismo sem fundo, para o purgatorio ilusorio, .para qualquer coisa que desvie o seu caminho....... faça o trajeto natural...seja vc nas horas boas , seja vc nas ruins ,..seja vc mesmo .....
Mundo Distante
Existe um dado momento da vida,
Ao vislumbrarmos as marcas na estrada;
Que lamentamos as chances perdidas,
Nesse momento; lamentos são nada.
A impressão de que pouco vivemos,
Mesmo com tanta batalha travada,
Não conformamos com tudo que temos
Dessa existência, ociosa jornada.
Nos recordamos dos anos passados,
Todos nós temos o que recordar;
E esse alento nos deixa animados
Na ilusão de algum dia voltar.
Mas a ilusão necessita de adeus,
Já que o passado virou só lembrança;
E os sonhos lindos que foram tãos meus,
Inda recusam a perder a esperança.
Talvez até seja a grande esperança,
Que nos motiva a viver nesse instante,
Nos dando o dom, tão sutil na criança,
De acreditar noutro mundo distante...
COMPANHEIRA DA SAUDADE
Saudade só me acompanha
Por que eu ando sozinha
E nesta estrada estranha
Ninguém passa em meu caminho
Ouço apenas um cantar
De um lindo sabiá...
Mando a saudade embora
Mas ela teima em ficar
O relógio bate as horas
Da noite que vai chegar
Só dormindo um pouquinho
E ainda sonhar contigo
Para a saudade passar...
Se existe eis esposa
Também tem o eis marido
Se existe eis amor
Deve ter o eis amigo
Só não tem a eis saudade
Porque toda vez que acordo
Ela esta junto comigo.
Me diz como é que faz pra ecomeçar
me mostra a estrada pra caminhar
e não se perder neste caminho
me ensina a não errar.
Conta pra mim qual o segredo pra fazer a dor passar
pra não mais pensar.
Tudo parece tão facil pra você,
Vejo seus olhos fechados
o sorriso
o suspiro
toda a tranquilidade
Como é que faz pra não enlouquecer
Pra fazer tudo sair como o planejado.
Qual o segredo de tanta perfeição
de tanta soberania
do poder dizer NÃO
mesmo contrariando o coração?
Eu não sei
Mas sei que no meu coração bate um coração
Bobo que as vezes parece dominado
por uma saudade tão bandida
que me leva pra você
E você simplesmente diz NÃO.
...
Eu passeio por tua estrada quando você não está, porque não quero mais vê-lo ou tocá-lo.
Eu passeio por tua casa quando você não está, mas não vasculho tuas gavetas, teus segredos,
a intimidade repousada no silêncio dos teus bolsos, dos armários:
Contemplo os móveis, os livros, os discos e tudo o que está exposto, só quero a experiência.
Eu passeio por tuas coisas quando você não está, pra aprender com tua casa,
tua estrada e o teu mundo a suportar a tua ausência.
