Estrada
Eu já tive vontade de colocar o pé na estrada. Assim, meio sem rumo. Tirar as coisas do guarda-roupa, colocar de qualquer jeito dentro da mala e ir. Sem destino, sem hora para voltar.
Amigo olhe a poeira
Olhe a estrada
Olhe os garranchos
Que arranham pensamentos
Entre o cascalho
Vá seperando os espinhos
Não esqueça que os caminhos
São difíceis pra danar
Nem todo atalho
Diminui uma distância
Nem toda ancia no final tem alegria
Veja na flor que o espinho lhe vigía
A noite adormece o dia
E a lua vem lhe ninar
Devagarinho
Vá pelo cheiro das flores
Siga os amores
Nunca deixe prá depois
Nem tudo é certo
Como quatro é dois e dois
Nem todo amor merece todo coração
Se a poesia ainda não lhe trouxe o fermento
E o sofrimento entre o amor, ganhou a vez
Nem tudo é eterno quando a gente sonha
Por isso amigo
Não se entregue agora
Talvez um dia o mundo lhe peça perdão
Por isso não se perca não
Os amores vão e a gente fica.
A estrada é longa, disposicao me afronta, tô loca pra chegar, porém alucinada e tonta. Tô curtindo a lombra de andar na onda, enquanto eu não chego observo e isso so soma. Essencial pra todo ser que sonha, ter uma visao ampla, cansada de beija-flor, tô preferindo ver a onça. Sem perder a honra, uma mulher que anda sempre a subir em frente, avante e sem vergonha. Tem que ter a manha, tô desenvolvendo pra poder seguir tranquilona, quem não bate apanha, só saio do serio, quando é pra sair da lona.
Uma pipa no céu...
A vida exige leveza, assim como a viagem. A estrada fica mais bonita quando podemos olhá-la sem o peso de malas nas mãos.
Seguir leve é desafio. Há paradas que nos motivam compras, suplementos que julgamos precisar num tempo que ainda não nos pertence, e que nem sabemos se o teremos.
Temos a pretensão de preparar o futuro. Eu tenho. Talvez você tenha também. É bom que a gente se ocupe de coisas futuras, mas tenho receio que a ocupação seja demasiada. Temo que na honesta tentativa de me projetar, eu me esqueça de ficar no hoje da vida.
Os pesos nascem desta articulação. Coisas do passado, do presente e do futuro. Tudo num tempo só.
Há uma cena que me ensina sobre tudo isso. Vejo o menino e sua pipa que não sobe ao céu. Eu o observo de longe. Ele faz de tudo. Mexe na estrutura, diminui o tamanho da rabiola, e nada. O pequeno recorte de papel colorido, preso na estrutura de alguns feixes de bambú retorcidos se recusa a conhecer as alturas.
O menino se empenha. Sabe muito bem que uma pipa só tem sentido se for feita para voar. Ele acredita no que ouviu. Alguém o ensinou o que é uma pipa, e para que serve. Ele acredita no que viu. Alguém já empinou uma pipa ao seu lado. O que ele agora precisa é repetir o gesto. Ele tenta, mas a pipa está momentaneamente impossibilitada de cumprir a função que possui.
Sem desistir do projeto, o menino continua o seu empenho. Busca soluções. Olha para os amigos que estão ao lado e pede ajuda. Aos poucos eles se juntam e realizam gestos de intervenção...
Por fim, ele tenta mais uma vez. O milagre acontece. Obedecendo ao destino dos ventos, a pipa vai se desprendendo das mãos do menino. A linha que até então estava solta vai se esticando. O que antes estava preso ao chão, aos poucos, bem aos poucos, vai ganhando a imensidão do céu.
O rosto do menino se desprende no mesmo momento em que a pipa inicia a sua subida. O sorriso nasceu, floresceu leve, sem querer futuro, sem querer passado. Sorriso de querer só o presente. As linhas nas mãos. A pipa no céu...
Perder a conexão com você é como retirar as placas da estrada, fico sem direção e me perco com facilidade.
Sem esforço de nossa parte, jamais atingiremos o alto da montanha. Não desanime no meio da estrada: siga em frente, porque os horizontes se tornarão amplos e maravilhosos à medida que for subindo. Mas não se iluda, pois só atinge o cimo da montanha se estiver decidido a enfrentar o esforço da caminhada.
Em cada esquina me procuro, em cada rua tento me encontrar,
em cada estrada me sigo, em todos os lugares ando a procura de mim !
E se a dor não for um obstáculo para ser superado? Talvez ela seja apenas uma estrada na qual você caminha.
O amor às vezes se parece com um táxi numa estrada no meio do nada, demora para aparecer, mas quando aparece te leva a qualquer lugar =]
Mas o pobre vê nas estrada
O orvaio beijando as flores
Vê de perto o galo campina
Que quando canta muda de cor
Vai moiando os pés no riacho
Que água fresca, nosso Senhor
Vai moiando coisa a grané
Coisas que, para mode vê
O cristão tem que andar a pé
A real beleza, no final da estrada, onde tudo envelhece, termina revelando-se naquilo que o nosso interior reflete através dos pensamentos, atos e palavras.
Anjo amigo
Nessa estrada da vida, parei um pouco para descansar
E conheci muita gente, muitos são pessoas normais
mas que eu gosto também.
Outros posso chamar de anjos, porque estão sempre
Comigo, mesmo em pensamento.
Essa estrada não para aqui, e o tempo de descanso vai acabar
Eu terei que seguir e levarei comigo todos esses anjos amigos
Se não der para levar fisicamente, levarei no coração
Porque não ter amigos é caminhar sozinho nesse mundão de Deus
Toda estrada tem espinhos, pedras no caminho
Mas mesmo assim eu vou... meu coração mandou
Pode ser que assim, sozinho
Cruze o meu destino um anjo protetor, meu verdadeiro amor...
Quando começo a me sentir assim, eu bem sei. São os primeiros passos para a estrada que jamais voltarei.
Mas primeiro, o ápice. Depois, queda. Por fim chão, e depois o tempo.
Somente nele que tenho aprendido a confiar...
E todas as estradas que temos que percorrer são tortuosas
E todas as luzes que nos levam até lá nos cegam
Existem muitas coisas que eu gostaria de te dizer
Mas não sei como.
Na estrada da vida, não existe trilha, cada um segue a sua. Nem mesmo os que estão ao nosso lado conseguem caminhar no mesmo caminho.
A vida é um caminho, literalmente, do eu sozinho.
Meus olhos observaram aquela estrada molhada,
em que os lados eram cobertos por árvores,
no qual a água de uma chuva já passada deixou um brilho em toda a paisagem,
onde o vento congelante se fez de música e entre os galhos das árvores aos poucos criaram uma doce canção.
Nesse momento minhas pernas ganharam vida
e assim como em efêmeros pensamentos,
eu caminhei, um passo atrás do outro, sem rumo,
apenas olhando o fim daquele longo trajeto que parecia nunca chegar.
Um passo atrás do outro,
eu me imaginava como nuvens no céu lentamente seguindo seu destino,
sendo guiadas apenas pela força da natureza,
sem procurar ao certo um lugar.
Um passo atrás do outro,
eu ouvia os pássarinhos batendo suas asas
e meus ouvidos me davam imagens,
imagens lentas, calmas, coloridas.
Um passo atrás do outro,
eu estremecia meu corpo por inteiro,
meus dentes batiam como um martelo,
mas o meu frio era bem mais quente que uma fogueira no clímax de seu calor.
Filhas
Três estrelas, três estradas
Minha vida se espalha
Três fragrâncias, minha essência
Minha trilha não me cala
Três cantigas, três amigas
Sempre, sempre em minha fala
As meninas dos meus olhos
Minha vida não me cala.
