Estava um Pouquinho Ocupado Desculpe me

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Quando realmente ficares triste e com a mente perturbada, recomendo que convoques um exército para combater as feras que tendem a te enjaular. Eis os soldados: poetas, palhaços e novos amigos.

Talvez um dia eu vá rastejar de volta para casa, exausta, derrotada. Mas não enquanto eu puder criar histórias a partir do meu desgosto, beleza a partir da tristeza.

Não importa quantos golpes eu leve, sempre encontro um jeito de me levantar. Porque a única coisa que impede que esta cidade caia no esquecimento sou eu.

Uma hora a gente cansa. De correr atrás, de mendigar, quase que implorar por um pouco de atenção e carinho. A gente cansa não por falta de amor (..) Mas sim por presença, o que nos resta de amor-próprio. Onde nós ficamos? Cansei de fazer contas e no final, perceber que o saldo está negativo, e mais uma vez, se frustrar, nada do que foi sonhado se cumpriu, a pessoa amada, inevitavelmente, se foi, nos esqueceu. Alias, ela nunca fez questão de lembrar, não é verdade? Só foi se afastar um pouco para que você e tudo que você lutou para que fosse construído ruir e cair no esquecimento. Cansa ter a constante sensação de incapacidade, aquela dúvida: faltou o quê? Mas na realidade, sobrou; sentimento, sonhos, amor (..) A gente sabe que não dá certo, mas é idiota, tão idiota que perde tempo tentando criar algo onde até nós mesmos sabemos que nunca vai existir nada. Pior do que correr atrás do vento, é tentar agarrá-lo com as mãos, perda de tempo. Assim é um amor não correspondido. A gente tenta. Tenta. Tenta. Tenta. Mas se cansa. Não por falta de amor, mas porque percebe que não vale mais a pena. Valer a pena? No fundo, bem-lá-no-fundo, a gente sabe quando vai dar, e principalmente, quando não dará, sei la, a gente precisa arriscas né? Precisa se machucar um pouco, cair de vez em quando, saber quando tem que insistir um pouco mais, ter um pouquinho de fé, mas principalmente, quando a gente tem que chutar o balde, largar mão, por mais difícil que seja. A gente se apega, às vezes, até demais. A gente sempre acaba amando demais, infelizmente, os que menos mereceram. Dói, eu sei que dói a ideia do “cair no esquecimento”, mas faz parte, não é verdade? Às vezes, a gente já tá tão machucado, já foi tão longe, já deu tanto ouvidos ao tolo coração, que não existe coragem de deixar o barco afundar sozinho e ter que nadar sozinho. Muitas vezes, o amor é como um grande mar, vezes, de felicidade, vezes, de grande tristeza.

Tenho seis mil setecentos e noventa e um motivos para gostar de você, e apenas um para não gostar. Entretanto, minha fraca memória só me permite lembrar os primeiros.

Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma ideia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. Há um perigo: se reflito demais, deixo de agir. E muitas vezes prova-se depois que eu deveria ter agido. Estou num impasse. Quero melhorar e não sei como. Sob o impacto de um impulso, já fiz bem a algumas pessoas. E, às vezes, ter sido impulsiva me machuca muito. E mais: nem sempre meus impulsos são de boa origem. Vêm, por exemplo, da cólera. Essa cólera às vezes deveria ser desprezada; outras, como me disse uma amiga a meu respeito, são cólera sagrada. Às vezes minha bondade é fraqueza, às vezes ela é benéfica a alguém ou a mim mesma. Às vezes restringir o impulso me anula e me deprime; às vezes restringi-lo dá-me uma sensação de força interna.
Que farei então? Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei.

Clarice Lispector
A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Nota: Crônica O impulso.

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A vida é um eco! Se você não está gostando do que está recebendo, observe o que está emitindo.

Ver o pôr do sol e, por um segundo, sentir uma alegria enorme. Depois, uma espécie de medo sem pergunta e a tristeza crescendo fazendo nascer a vontade de morrer. Ou de viver ainda mais, com muito mais intensidade.

Te conheço melhor que qualquer um, melhor que você mesmo. Apenas não sei o que fazer com essa informação.

Segunda-feira é um dia intrigante. A gente tem a sensação de que está no lugar errado e na hora errada.

Um dia você será velho o bastante para voltar a ler contos de fadas.

Se eu leio um livro e ele torna o meu corpo tão frio que fogo nenhum poderia esquentá-lo, sei que isso é poesia.

A vida pode ser comparada a um bordado que no começo da vida vemos pelo lado direito e, no final, pelo avesso. O avesso não é tão bonito, mas é mais esclarecedor, pois deixa ver como são dados os pontos.

Arthur Schopenhauer

Nota: citado em "A Cura de Schopenhauer", de Irvin D. Yalom

Desejo a você e à sua família um Natal de luz! Abençoado e repleto de alegrias. Boas festas!

Se me fosse dado, um dia, uma oportunidade, seguraria todos os meus amigos, que já não sei onde e como estão, e diria: Vocês são extremamente importantes para mim. Dessa forma, eu digo: não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter alguém ao seu lado, ou de fazer algo, por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá, será desse tempo que infelizmente...não voltará mais.

Em vez de serem apenas bons, esforcem-se para criar um estado de coisas que torne possível a bondade; em vez de serem apenas livres, esforcem-se para criar um estado de coisas que liberte a todos!

O que a literatura faz é o mesmo que acender um fósforo no campo no meio da noite. Um fósforo não ilumina quase nada, mas nos permite ver quanta escuridão existe ao redor.

A vida é feita de etapas. É como um ciclo, onde tudo acontece. É um turbilhão de emoções, sentimentos, sensações, desejos. Cada fase por qual passamos, nos traz novas descobertas, novas alegrias, novos desafios. E viver cada etapa com todas as energias é o que dá o gosto doce da vida, é o que nos dá a alegria de existir, a vontade de vencer. A parte difícil mesmo, é quando temos que nos despedir de uma fase, dizer adeus a tudo aquilo que passamos. Começa quando deixamos o colo da mamãe, e nos aventuramos a descobrir o mundo com nossas próprias pernas (ou então mãos e pernas). E tudo é sempre novo, cada cheiro, cada textura, cada sensação. A brincadeira de roda, o esconde-esconde, se sujar na lama. Mas então isso já não é mais suficiente. E temos que abandonar a infância, tentar nossa própria liberdade, é a fase da rebeldia. Dói deixar de lado as bonecas, a coleção de carrinhos. Fingir que não se importa mais com os desenhos do canal da manhã, afinal, o que realmente importa é parecer adulto, e mostrar aos adultos que já estamos prontos para enfrentar o mundo, e que sim, eu já tenho 14 anos! Mas então vem a despedida da adolescência, a fase dolorida, que temos que deixar para trás as farras na escola, as tardes sem fazer nada, os beijos escondidos atrás do ginásio, as tentativas de entrar nos clubes noturnos, e partimos para uma vida de responsabilidades. Onde o relógio te cobra a cada minuto, onde há alguém dependendo de você, onde a vida não te trata mais como o filhinho querido da mamãe. E mais uma vez você diz tchau - tchau para uma etapa. E você continua. Continua passando por etapas. Muda de emprego, sai da casa dos seus pais, entra em dieta. Apaixona-se. E continua dizendo adeus ao que vai ficando para trás. Dói, e dói muito. Dói deixar algo que um dia nos fez tão felizes. E a única coisa que você pensa, é que a despedida é algo cruel, é algo que entristece que dá aquele aperto no peito chamado saudade. Saudade do antigo amor, da antiga rua, dos antigos amigos que agora estão longe, saudade de tudo aquilo que um dia foi especial para você, mas que agora fica no passado. Saudade que te faz lembrar das risadas, dos carinhos, dos beijos, dos aromas, dos sabores. É uma saudade que faz com que você se olhe no espelho, e perceba que cresceu. Que amadureceu, e que está pronto para a vida. Dizer adeus dói sim, mas há momentos na vida, em que temos que o dizer, abrir as janelas da alma para o novo, ouvir a melodia que agora nos embala. Perder um emprego é ruim, mas onde se fecha uma porta, abrem-se várias janelas. Mudar de casa é estranho, mas te mostra como tudo pode ser visto de um novo ponto de vista. Desfazer-se de um amor é dolorido, machuca, mas só assim crescemos emocionalmente e conseguimos continuar indo em busca da felicidade. È preciso sabermos quando uma etapa chega ao fim, precisamos saber dizer adeus ao que fica para trás, e sorrir com esperança para o que chega. Para ao fim de tudo, podermos olhar para trás, e dizer que nada foi em vão, e que cada segundo foi especial e eterno. :)

Até o palhaço mais alegre do circo, pode chorar em um dia de folga.

- Ainda assim - disse o Espantalho -, quero um cérebro em vez de um coração; porque um tolo não saberia o que fazer com um coração se tivesse um.
- Fico com o coração - respondeu o Homem de Lata. - Porque cérebro não faz ninguém feliz, e a felicidade é a melhor coisa do mundo.