Estava um Pouquinho Ocupado Desculpe me
Quando duas almas se cruzam é sempre um instante absoluto, rápido demais para o tempo, fundo demais para o esquecimento.
Coraçãmo-te
Coraçãmo-te como quem
guarda um voto de silêncio:
não por renúncia,
mas por reverência.
Quando te aproximas,
o mundo reorganiza-se:
linhas invisíveis alinham-se,
portas internas giram,
e o destino lembra-se da sua
própria geometria.
Quando te penso, o mundo suspende-se,
como se a própria existência
aguardasse instruções.
E descubro que o amor é isto:
uma inquietude tão profunda
que já não precisa de nome.
Há pessoas que irrompem na nossa vida como relâmpagos: rasgam o céu da alma e deixam na pele um clarão que não se apaga. Atravessam-nos por dentro e ficam a arder no lugar onde antes só havia silêncio.
No silêncio entre dois corpos nasce um campo magnético,
onde cada gesto é promessa
e cada respiração é caminho.
A pele torna‑se horizonte,
o olhar, uma mão invisível,
e o tempo verga‑se como tecido húmido à espera de ser moldado.
Há um tremor que não é físico,
uma vertigem que não é carnal,
mas que acende o coração
como se fosse chama a acender
as constelações da alma.
E quando o silêncio desaparece,
os gemidos tornam-se linguagem.
E o ar entre nós torna‑se incenso,
lento, quente, vivo.
Uma língua feita de luz,
que só dois sabem ler.
Uma liturgia de sombra e claridade,
onde duas almas se reconhecem.
Carrego-te como quem leva pedras e flores no mesmo fôlego.
No peso que me curva, há um rumor teu, uma memória que se acende entre as rochas, como se cada grão de pólen soubesse o teu aroma.
As flores presas à minha mochila interna respiram contigo, frágeis e obstinadas, lembrando que até o que pesa pode ser ternura.
Caminho, e o vento toca o que não ouso dizer, esse quase‑toque que vive entre o ombro e o mundo.
E no silêncio da marcha, o desejo é só isto:a beleza que insiste, mesmo quando dói, e o caminho que se torna pele quando penso em ti.
Há mundos inteiros
dentro de um instante;
não é o instante,
mas o universo
que nele se abriu
dentro de nós.
Jorge Palma, um poeta de piano cheio.
Palma pertence aos segundos. Quando se sentava ao piano, não procurava notas: procurava o sentido da vida. Cada tecla era uma porta entreaberta, cada acorde uma memória que regressava com o peso exacto do que foi vivido.
Nas mãos dele, o piano ficava cheio de mundo. Estações de metro dedilhadas, ruas gastas, noites que ainda sabem o nome de quem as atravessou. Há uma verdade mística no modo como ele canta: não é para impressionar, é para confessar. E nessa confissão cabe quem o escuta, como se cada canção fosse um lugar onde finalmente se pode pousar.
Palma foi isso: um compositor que não escreve música, escreve chão. Um músico que quando tocava piano, tocava caminhos. Um poeta que, mesmo quando adormecia, deixava a luz da cidade acesa e o cigarro a arder no cinzeiro, lento e translúcido, como um pequeno ritual que continuava a respirar por ele.
O que deixei pelo caminho:
Se um dia me perguntarem qual foi a maior coisa que fiz na vida,
responderei com serenidade:
dei o melhor de mim a quem cruzou o meu caminho.
Alguns ficaram.
Outros partiram.
Alguns me deram amor; outros, cicatrizes.
Mas nenhuma decepção teve força suficiente
para mudar a delicadeza do meu coração.
Aprendi que a bondade não perde o seu valor
quando não é retribuída.
E que a nossa essência não deve ser escrita
pelas marcas que os outros deixam em nós.
Se a vida me permitir voltar,
eu faria tudo outra vez:
continuaria sendo luz,
mesmo depois de conhecer a escuridão.
Eu sei, que um dia isso pode mudar
E eu poço encontrar a paz, eu vou seguir na direção da eternidade
Buscarei uma direção
Pra muitos é incorreto
Faça o certo, seja certo
"Crises de um mundo moderno"
São incorretos pensamentos
Num instante
Que leva alguém pra longe
Se entregam sem revanche
Você é tão linda, mas beleza
Não foi o que fez eu te enxergar
Um brilho no olhar
Somado a lágrimas
Feita de ilusões
Não quer se apaixonar
Quando tudo está dando errado e penso: "Eu preciso de um abraço", mas acabo caindo no sono… é ali que percebo que Deus me confortou.
Espero por um futuro em que não estejamos mais presos a divisões territoriais e em que abracemos o espiritualismo em vez de nos limitarmos a religiões.
Uma rotina pode parecer simples para quem observa de fora e ainda assim exigir um esforço enorme de quem precisa executá-la. O tamanho da tarefa não determina o tamanho do desgaste.
Pepita
Um dia você partirá. Mas hoje ainda está aqui: sentindo, amando, errando e recomeçando. A vida está acontecendo agora. Não desperdice seu tempo com o inútil, com pessoas vazias ou com aquilo que não merece sequer um pedaço da sua vida.
Você não precisa carregar tudo até o fim só porque um dia decidiu segurar. Há pesos que deixam de ser seus muito antes de você perceber.
Pepita
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