Estava um Pouquinho Ocupado Desculpe me

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“O homem é um mero reflexo daquilo que lhe sustenta.”

“EU VIVO EM UM MUNDO QUE NÃO EXISTE” Dom Veiga

Chácara grande. Um quarto com banheiro e banheira só meu. Escola boa. Um pastor-alemão e um pelo curto brasileiro felino desde filhotes sob meus cuidados e afeto. Livros; vários e variados livros. Uma sala repleta de livros. Lareira. Minha mãe e irmãos…


Um amigo. Mora perto. Nos conhecemos na escola. 1ª semana de carro. Minha mãe ou irmã mais velha dirigiam. Após alguns olhares cruzados no caminho escola-casa, passamos a ir e voltar juntos. Às vezes a pé. Às vezes de bike.


Brincamos juntos. Fazemos tarefas da escola juntos. Tanto na escola, quando em dupla, quanto deveres para casa — quando “separados”. Às vezes ele em minha casa. Às vezes eu na casa dele.


Gostamos um do outro…


[...]


Terminei meus exercícios de matemática. Deitei. Deixei a persiana levantada. Dormi admirando as estrelas. Acordei com os primeiros raios de sol. Cheirinho de cookies no forno. Céu em transição de cores. Um espetáculo comum. Um extraordinário ordinário. “Extraordinário” porque contemplava sereno e “satisfeito”. “Ordinário” porque felizmente normal. Era sábado.
Ele me chamou pra brincar.


[...]


—Falei com minha mãe e ela…
—O quê?
—Ela…
—Fala logo!
—Ela não deixou eu ir.
[Silêncio]
—Por quê?
—Ela disse que já passamos muito tempo juntos.
[Silêncio]
—Bom… então tá. Vou voltar pra minha casa. Tchau!
—Espera!
[Olhares fixos]
—É brincadeira!
—Aff! (Fez que não com a cabeça desviando o olhar pro lado)
Caminhando juntos em direção à casa na árvore, perguntei:
—Então, o que vamos fazer hoje?
—Ué! Não é óbvio? Beijar!
—Hã?!
—Quero dizer, brincar! Desculpe.
Ri, pensativo…


Depois do pique-pega, cabo de guerra, esconde-esconde e de competirmos para ver quem aguentava pular corda mais vezes; deitamos, exaustos, na grama fofa. Um ao lado do outro, olhando pro céu, debaixo da melhor sombra da melhor árvore dali.


[Silêncio]
Viramos o rosto um pro outro. Nos olhamos…
—Vou pegar uma água na casa!
Ele me pegou de leve pelo braço antes que eu levantasse totalmente minhas costas do chão.
[Silêncio]
Depois de um tempinho de introspecção, perguntei:
—O que foi?
"Do nada" ele me perguntou:
—Você já beijou alguém, Guilherme?
Estranho, porque todo mundo me chama de João, exceto minha mãe quando me chama pra comer.
—Não. E você?
Ele virou o rosto para o alto. Fez que não com a cabeça. Perguntei:
—Por quê?
—Minha mãe falou que eu não preciso namorar, me casar, ter filhos e constituir uma família se eu não quiser.
—A minha também. (Continuei)
—Ela falou que talvez eu fosse gostar de meninas… ou de meninos… ou de ambos.
—É… a minha também. Mas ela me disse que existem pessoas que não são "exatamente" ou meninos ou meninas...
—Aí ela me perguntou se eu já gostei ou gostava de alguém…
Ele virou o rosto pra mim. Eu estava olhando pras folhas cujo vento fazia tremeluzir a luz que chegava até nós em círculos. Pressenti algo diferente, mas não dei muita bola. Ele aguardava, pacientemente. Após um “passeio no mundo da Lua”, perguntei virando o rosto a ele:
—E aí, o que você falou?
—”Sim”.
—E ela? Ou melhor, de quem é?! (Inquiri ansioso)
—Você.


My Old Dream

Você trocou a certeza de um amor verdadeiro e diário pela ilusão passageira e egoísta da tela; agora, só lhe resta o vazio do que perdeu.

Quem só olha para si e se alimenta de ilusões nunca estará pronto para a grandeza de um amor real.

Você está aí dentro por um bom tempo
Já é hora de sair

Por que você tem que ser um menino tão raivoso, um menino raivoso?

Trocar um amor de verdade por vícios e egoísmo é a pior escolha que alguém pode fazer; agora viva com a certeza do que perdeu.

Eu ofereci um futuro real todos os dias; você escolheu a ilusão barata de um momento.

Perder alguém que te amava por falta de maturidade e excesso de egoísmo é um erro que o tempo não apaga.

Era uma vez...


Era uma vez....
ou não era não?


Um coração apaixonado
e outro completamente alienado...


Um coração cativado
e outro completamente desinteressado.


Um coração magoado
e outro completamente blindado.


Um coração partido
e outro batendo... tum-tum... tum-tum...
completamente sem sentido.


Era uma vez...
não, não era não.

Que o meu rastro seja o sorriso de uma criança protegida e o silêncio de um animal que não sofre mais.

“No dia de um grande evento, as mulheres ficam aborrecidas com o vento.”
— Anderson Silva

É triste estar nisso o tempo todo
Mas acho que a tristeza está em mim como um todo
Acho que devemos fazer algo
Do contrário, estaremos como
Grãos dentro da parede

Cubra o mundo para mim
Com um cobertor grande escuro
Para que eu pare de ter esses pensamentos
loucos

Quem não sabe valorizar a lealdade de um amor sincero acaba sozinho, preso no próprio vazio.

Cuidar de um amor real exige caráter; é muito mais fácil se esconder atrás de telas e fantasias.

O Desejo de uma Última Dança e a Esperança de um Reencontro

No recanto de mais um devaneio poético, inspirado profundamente em uma história de amor, eu o vejo no céu lá no alto, observando atenciosamente a sua amada que ficou; certamente, sempre que ele a observa, pensa:

“Se eu pudesse ter pelo menos mais um momento ao teu lado, dançaríamos uma última dança; estaríamos sorridentes, os nossos corações bateriam sincronizados, nossos olhares brilhariam alegres e o tempo passaria ignorado — um privilégio que não teria nenhum desperdício. Um sonho realizado”

“Infelizmente, isso está fora do meu alcance; o que me resta é continuar te observando, até que possas um dia estar aqui comigo, pois o nosso amor continua vivo e o nosso laço será eterno; ainda desfrutaremos de um profundo regozijo, nossos corpos serão renovados e estaremos novamente reunidos.”

Quando a poesia se junta com o imaginário, o impossível passa a ser realidade, mesmo que seja apenas na minha mente, em tons de saudades, de uma imaginação impaciente, de sentimentos e verdades, todos coexistentes.

A sensibilidade,
a sinceridade,

a pluralidade,
e a lealdade, são um conjunto de bens muito raros e inacessível a maioria.

Desenhei um coração na areia, o mar veio e inundou-me de você.