Estava um Pouquinho Ocupado Desculpe me

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Há alguns anos atrás por muito tempo eu pensei que podia voar; que seria um condor sobre o relevo fluminense; era uma ideia meio insana; parecia uma debilidade mental e assim fui intimado a uma terapia com um psiquiatra. por seis meses, duas por semana e quatro por mês frequentei a clinica do Dr Jartov hasstoff conceituado psiquiatra de descendencia russa. Passados seis meses e alguns dias, ao chegar na Clínica encontrei-a fechada; uma adolescente que reside no dificio e namora com o rapaz da cobertura, que não quis revelar seu nome , jura que viu jartov pulando da cobertura, mas seu corpo jamais foi encontrado. Acho que Jartov aprendeu a voar...

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VIDA DIDÁTICA
Eram pilhas de livros: problemas um, problemas dois, problemas três;
Tinha as coisas do arquivo pra se guardar todo mês,
O controle do estoque; do que foi gasto com limpeza,
Nossa vida didática não era assim uma beleza.
Afora a solidão, tinha o Gandhi, espesso e de letras pequeninas
Nunca tive coragem de ler tanta filosofia;
Me encantava mais com os seios e as pernas das meninas
Da confecção, meu coração sozinho perdido nos decotes,
Vida sem perspectivas a fazer e desfazer pacotes
Fui sempre tão romântico na minha solidão,
Fui sempre tão sozinho no meu sonhar
Sempre sonhei na simplicidade de ser feliz por amor, de ser livre por viver...
Gandhi, não aprendi filosofia não, minha vida era didática demais
Os livros que não li empacotei e enchi caminhões
Que conduziram aos ricões mais distantes deste meu país
Minha filosofia era lutar; porquê? eu não sei...
Talvez por Aquela força sutil do amor...
Aquela força sutil e irrefreável do amor...
Aquela força inabalável que soprava na brisa
Depois de um dia de trabalho pensando no baralho
E na companhia fraterna e palavras suaves de ternas filosofias...

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ÓPERA

Eu não tenho nada e eles pensam que eu nada tenho

Mas tem um grilo que cricrila pela noite afora

Ele conversa sobre os medos da noite

E tem os gatos; e os gatos cantam

Como só os gatos sabem de ópera

E eu roubo-lhes as vidas

Já tenho sete, afora o infarto

Conversei com Deus nesse dia

Vi Maria na última travessia da Dutra


Eu não tenho nada e eles pensam que eu nada tenho

Mas o negro que vejo no antigo engenho

Tem cicatrizes nas costas,

Mas tem prosas bonitas de Angola

E derrama poesia quando fala de sinhá

E quando não fala de nada

Eu percebo o meu Brasil moreno

Tão rico, tão grande, tão pobre e pequeno

Que eu namoro as namoradas que não são minhas

E as minhas namoradas não namoram comigo

E eles pensam que eu não tenho nada e eu nada tenho

Porque o que eu tenho é sentar na calçada

E olhar a lua, as estrelas e o firmamento

E tudo isso já pertence a russos e americanos

Eu não tenho nada e eles pensam que eu nada tenho

Mas eu tenho a magia das palavras

Essa coisa que me instiga e me oferece a ilusão mambembe

De que eu de nada preciso

Que o resto é abstrato, o resto é engano...

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GRAVIDADE

Os pivetes mal fazem um avião

E já pensam que são astronautas

Se perdem na gravidade da lua

E acabam na poeira da rua...

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MORANGO
Eu ainda tinha um ideal
Mas esse capitalismo consumia os sonhos
E o que eu escrevia era romântico demais
Pra filosofias tão ocidentais;

Eu ainda não me estabelecera,
Aliás meu sonho era exatamente a instabilidade;
O azul anil desse vazio me acolhia
Como um astronauta perdido
Entre morcegos, meteoros e cometas...

A ilusão é o meu pilar,
A abstração é se realizar...
As tuas narinas me atraiam
E a tua língua parecia um morango
Dançando como uma oferenda
Ao som das tuas palavras;
Abstrato, eu te possuiria por todos os poros,
Astronauta eu te levaria a virgem
E virgem você me levaria a qualquer devaneio
Eu ainda tinha um ideal
Quando não tinha ideia do que era a castidade,
Como ela consome o que temos de casto,
Minha via láctea era teus seios
E hoje eu ceio os tão bem nos meus sonhos
Quando eu falo de abstração
Não é aquilo que eu falo aos teus ouvidos,
O que eu falo se derrama sólido entre sussurros
Embaçando a luz do abajur
Abstrato não é o que respinga no teu rosto
Que humilha, profana, mas apraz
Abstrato é o que trava na garganta
Ao perceber que perdemos a ingenuidade
Sem ingenuidade perdemos nossos sonhos
E sem sonhos castramos os ideais...

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AO ALÉM

Meia noite e meia, de repente um arrepio

Não é febre, não é frio

Sei perfeitamente o que conduz a lua cheia

Essa abstração aos meus medos, alheia

É a intimidade entre mim e o além

Quem sabe os meus segredos

Sabe que um dia eu já morri também

Ah, eu amo vocês!

Vocês que já foram, mas vigiam os meus passos

E os passos que ouço, a cortina que balança...

Os sussurros no ouvido...

São todos os que me amam e se importam comigo

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Depois do primeiro e do último beijo, qualquer um é poeta

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O maior combate é a luta de cada um contra si mesmo.

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Provavelmente, ela vivia num jardim a contemplar as flores , a acariciá-las, e, entre um suspiro e outro, algumas confidências; isso mesmo, tinha certeza que lhe falaria do seu fascínio pelas luzes da manhã, aqueles primeiros raios que despontavam antes do corpo solar; que refletiam no espelho de um lago, na lâmina de um rio ou verdejavam sobre alguma floresta. Talvez caminhasse a beira de uma praia solitária como uma recém-nascida manhã pudesse; imaginando um conto, uma história bonita que contaria pra alguém com certa graça, acrescentando algum humor ou drama, uma pequena mentira que só embelezaria o que já fosse belo. Por certo era uma imaginação fértil e caminharia por um cemitério imaginando que todos que cruzassem consigo já tinham morrido e não olharia pra trás com medo de ter essa certeza. Talvez fosse assim, alguém eloquente a quem todos esperariam silenciosos afim de ouvir algo interessanre; e se calasse o suspense do silencio cairia todo sobre si mesmo. quiçá às madrugadas imaginasse sonetos trágicos de paixões insanas; essas loucuras do cotidiano que acabam nas manchetes dos programas policiais, ou luxurias inconfessáveis que passariam por sua cabeça nalgum desejo secreto que jamais revelaria.
Algum dia apareceria com os traços ordinários como os de qualquer ser vivente, uma timidez simplória dos seres limitados; voz pausada, própria dos que pensam muito, ou dos que não têm muita certeza do que vão dizer; e aquele ser divino interior em pura ebulição ali no peito, transpirava, sussurrava, suspirava e tinha as mesmas carências, os mesmos medos e inseguranças; aquele ser capaz de todas as loucuras, todos os pecados e todos os perdões por paixão e por amor deixaria de ser só uma miragem nos meus delírios...

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Na adolescência eu era um anjo triste

Desses que perambulam,

que caem, que existem

melancólicos, sonhadores,cinzentos

Como os finais de tardes dos dias invernosos

A minha solidão respingava nas vidraças

Como a neblina fria jogada pelo vento

Que doía fundo na minha carapaça

E a minha angústia,

a dor daquele sentimento

A solidão de me sentir sozinho

Não era solitária, era uma multidão

E como cada um faz seu rumo, seu destino

De fazer da multidão, a sua poesia

Aquele garoto triste um dia teve o tino

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VILA-VELHA

De madrugada um atrito,

detritos no beco,

no gueto zumbidos

paredes e dez mil ouvidos

viver sonhando não posso

meus ossos estão doloridos,

meus olhos estão diluídos

sonho sim, devia não sonhar assim

mas a nave me pega

a ave me eleva, ave Maria...

haveria alguma possibilidade

de não haver um AVC,

ave Cesar, avença,

avestruz, avestruzes,

arre égua, arre ema

minhas plantações de milho e mastruz

avenca, cabelo-de-anjo,

cabelo-de-vênus,

crisântemos, acácias. lírios,

as vespas visitam

os cálices por todo o jardim

às vésperas do fim

have you ever seen the rain

no nordeste não é assim,

alimentamos mais o espírito com a fome

e mais a alma com o que nos consome

mas guardamos sorrisos

de grandes invernos,

fartura de ternuras e abraços

que exercitam os nossos membros

e tornam fortes os nossos braços

você já viu o arco-íris

have you ever seen the rain

no olhar, na íris de alguém

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EU VI
eu vi um homem que não era mais homem
e tinha um olhar que não era mais seu
e tinha a ausência de todos os fantasmas
e tinha a asma de todos os gatos
e tinha os mistérios dos cemitérios
a pele morta, sem vida,
dentes sem precedentes
um odor inconcebível;
não era mais um ser vivente,
por mais que parecesse gente,
não era um cachorro,
os cachorros são felizes e são gratos,
os gatos têm orgulho,
era maior que um rato em tamanho,
mas revirava o lixo
com a ânsia desse bicho
eu vi um homem que não era mais homem
ou vi um bicho que não era mais bicho

Inserida por tadeumemoria

Não queira ser poeta todos os dias
Seja poeta um dia
no outro seja a poesia...

Não queira ser feliz todos os dias
Seja feliz um dia
no outro seja você mesmo.

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Eu fiz um samba tão triste

que quando saiu minha escola

desabou um temporal


chuva, vento e trovoada

e a minha batucada

parecia um berimbau


a letra do samba enredo

citava mistérios e segredos

de um sobrenatural


sob o frio tive medo

tremi voz, pernas e dedos

suei frio e passei mal

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eu tenho um olhar

somente um olhar

na manhã a passar na calçada

e os sonhos que eu tive

de um dia sonhar com a manhã

já passaram

ficou meu olhar

a olhar

o olhar da manhã a passar

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ASQUEROSOS...

Um homem não é um bicho;

um homem tem que amar,

se apaixonar, sonhar, ter um ideal;

e dentro desse ideal deve estar pautado

uma comunidade digna, uma sociedade capaz.

Um homem não pode vender sua consciência

e se tornar um corrupto

como um tumor maligno que mata uma nação.

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Felicidade é um momento de insanidade,
quando nos ausentamos da realidade mórbida e cruel

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MEMORIAS DE UM FANTASMA

Foi como desligar uma televisão, apagar uma lâmpada,desconectar algum aparelho. Então quando eu abri os olhos, ainda ecoavam as palavras, alguém sussurrava alguma coisa, muitos falavam ao mesmo tempo; todos penalizados. No entanto, então diante de mim uma paisagem esplêndida de um rio caudaloso, uma brisa silenciosa numa tarde tranquila. Depois vieram as lembranças daquele sorriso que embalou toda a minha existência; a minha infância, a adolescência, a igreja enfeitada, todos os parentes e entes queridos; todos os votos de felicidade até o capotamento na estrada: foi a desconexão. Porém diante de mim todo aquele relevo, o rio, toda aquela luz silenciosa e tranquila quebrada apenas pelos passos e os risos de Bem-te-vi que corria ao encalço de uma linda borboleta azul; ele me contou que Denise nada sofrera, Catarina nasceria saudável; foi só um susto. No crepúsculo seguinte fui ao outro lado do rio, era um lugar sombrio e havia um elo com o material; alguém acompanhava sempre alguém como se não entendesse o que se passara. Denise estivera no médico e pude entender que em alguns dias nasceria Catarina; eu podia ver, era uma imagem embaçada, mas eu percebia tudo, tentei me comunicar, mas não era ouvido nem percebido por ninguém. Fiquei por algum tempo ali, até que Bem-te-vi surgiu na minha frente e me conduziu de volta ao relevo. Os dias que se seguiram foram de uma ansiedade impar pelo possível nascimento de Catarina; dia 27 de setembro era o aniversário de Denise e provavelmente fosse programado para que nesse dia acontecesse o nascimento, o que aconteceria no próximo sábado . Bem-te-vi com sua roupa amarela fazia umas piruetas numa brincadeira ingênua com os insetos e os pássaros, entre as árvores do vale, sua imagem me faz lembrar de mim mesmo na minha adolescência, com a diferença que ele pode flutuar. Além de bem-te-vi, tinha outros, todos com aparência de adolescentes e roupas, provavelmente de cetim, de tonalidades claras e que também atendiam pelo nome de pássaros: campina, pintassilgo, curió, cardeal; cada um desses guardava alguém. O rio representava a vida; os seus dois lados; Bem-te-vi já tinha me dito isso, mas não me respondeu onde desembocava aquele rio.

Era o aniversário de Denise e Deus lhe presenteou com uma menininha que mamava com a volúpia de quem tinha muitos anos pela frente, tinha os cabelos negríssimos como os do pai e recebera o nome de Roberta, e não mais catarina, em homenagem a mim. Denise tinha os olhos brilhantes de felicidade e por alguns momentos acho que ela percebeu a minha presença; alguém lhe deu as flores que eu lhe daria, era um amigo do cartório onde trabalhavam; acho que Denise merecia ser feliz, afinal, a Vida continua.

Nunca mais me foi permitido atravessar o rio, mas sei que Denise frequenta uma igreja e Roberta já é uma mocinha; Bem-te-vi soube através de um tal de Serafim. Estamos agora numa parte bem alta da montanha; dia desses Bem-te-vi me empurrou lá de cima, foi maravilhoso... eu ainda não sabia, mas assim descobri que podia flutuar...

Inserida por tadeumemoria

O que não for verdade vai a lua...
verdade cabe num cubículo
mas a mentira é um monstro infinito...

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Eu sempre quis de ti o que era fugidia

O que era fugaz, o que era quase ou por um triz
A loucura da procura, a aventura da caça;
Eu sou um predador...
O difícil de querer me seduzia,
Mas quando eu via e pegava,
Desacelerava, morria o interesse da caçada;
O prazer se reduzia a quase nada...
Acho que amo os desencantos
Eu não queria ser assim...

Se algum dia eu sonhar com algo que não for poesia,
Se algum dia os desencantos não me encantarem,
Talvez eu esteja preso
Entre tuas pernas e os teus braços
No abraço do poema do prazer,

Como se a vida fosse alguns gemidos de paixão ou de amor
Mas a vida é uma selva e eu sou um predador

Inserida por tadeumemoria