Esqueceu de Mim
RELEVO SENTIMENTAL
Às vezes, sou um abismo tão profundo,
Que, ao olhar para dentro de mim,
Sinto vertigem – caindo-me nas entranhas do mundo.
Às vezes, sou uma planície tão extensa,
Que, ao olhar para dentro de mim,
Perco-me num horizonte vago – sem fim.
Às vezes, sou um deserto tão escaldante,
Que, ao olhar para dentro de mim,
Não sei se paro ou sigo adiante.
Às vezes, sou um planalto tão irregular,
Que, ao olhar para dentro de mim,
Embrenho-me em depressões cheias de espinhos e cipoal,
Cercadas de montanhas difíceis de escalar.
No mais das vezes, apraz-me ser este relevo,
Pois, ao olhar para dentro de mim,
Sou nova paisagem a cada dia,
Não conheço monotonia:
Se hoje sou depressão;
Amanhã, sou majestosa montanha,
Com meu olhar otimista,
Olhando o mundo a perder de vista;
Depois de amanhã, sou verdejante colina.
Com flores, pássaros e rios de água cristalina –,
Sou vida que não conhece rotina.
nadas (in)versos
fiz do silêncio um idioma
e dos nadas, um abrigo
o que em mim parecia vazio
era só verso ao contrário
esperando quem soubesse ler
carrego abismos bem vestidos
sorrisos que nunca contam tudo
há verdades que só existem
quando ninguém está olhando
não me explico — me inverto
sou sombra que pensa
e nos meus nadas mais fundos
mora exatamente
o que não ouso dizer
Às vezes me perco de mim mesmo, e toda vez que me reencontro, passo a me conhecer um pouco mais. Na verdade, percebo que esses desvios não são falhas, mas sim o terreno fértil onde minhas novas identidades nascem. O eu que retorna é sempre mais resistente e autêntico do que aquele que partiu.
Eu sinto você habitar dentro de mim.
Foi o que eu disse para ele.
Como o vento que entra pela janela,
Os fatos seguintes na Universidade
E tudo isso que sinto e sei dentro de mim,
Que também faz parte de quem é você.
Você é parte dessa nova história construída no éter de meus pensamentos profundos.
Eu declaro que a fonte infinita de riqueza e sabedoria está dentro de mim. Todas as minhas necessidades são supridas.
Os golpes e murros da vida?!
Perdi a conta, mas...
Eles floresceram poesia em mim...
Os golpes e murros da vida
feriram minha carne,
rasgaram meus silêncios,
fizeram da minha alma
um campo de cicatrizes...
Mas...
no mesmo chão árido
onde chorei minhas perdas
brotaram flores indomáveis...
E cada pétala,
ensanguentada e viva,
não é apenas lembrança da dor,
mas a prova ardente
de que a poesia floresceu em mim...
Os golpes e murros da vida
não me pouparam a carne,
me deixaram roxa de silêncios,
com os ossos da alma estalando...
Eu gritei em silêncio
eu sangrei na alma
e até quis desaparecer
para não mais sangrar
e sofrer...
Mas da minha boca,
antes cheia de gritos mudos,
escorreu poesia...
Ela nasceu da ferida aberta,
da mão que não pude segurar,
do olhar que se foi do meu viver,
do vazio imenso
que tentou me levar ao abismo total...
Não foi escolha,
foi sobrevivência:
florescer poesia
ou apodrecer...
falecer por dentro...
E eu floresci,
mesmo entre meus cacos,
mesmo cuspindo lágrimas e dor,
mesmo sabendo
que cada verso meu
é também cicatriz...
Minhas cicatrizes
são canteiros floridos
de muita força, coragem
e poesia viva! ...
✍©️@MiriamDaCosta
"Vinde a mim as criançinhas "
Quando acordo
a luz me envolve
enquanto abraço o dia...
Carrego comigo
o raio da alegria
que se deixa ver
no olhar da menina
que habita em mim...
Agora eu sei,
acho que sei...
por que as crianças
sorriem para mim
estendendo suas mãozinhas
como fossem
pedidos de brinquedos,
orações pela paz e
presentes de amor ...
E eu,
como se ainda fosse criança ...
me deixo contagiar da euforia infantil
brincando com elas...
Meus sonhos me nutrem
e ainda me fazem
ver a beleza da humanidade
nesse mundo tão desumano
(sobretudo para os pequeninos)...
Pudera eu...
envolver e proteger
em meus braços
recheados de ternura
todas as crianças do mundo.
✍©️@MiriamDaCosta
Ode ao Cantor Milton Nascimento
(diagnosticado com demência)
A canção "Caçador de Mim",
eternizada em tua voz,
Milton,
não é apenas música,
é um chamado...
Cada nota tua
é um rio que corre
nas veias do tempo,
uma prece que me atravessa
sem pedir permissão....
Na tua garganta vive o mistério:
um canto que vem de longe,
das serras, das Minas Gerais,
da alma coletiva
de um povo inteiro...
Quando cantas,
as fronteiras desmoronam,
o silêncio se curva,
e o coração humano
descobre morada...
Tua voz não cabe no corpo:
ela é ponte,
ela é voo,
ela é chão fértil
onde a poesia floresce...
E eu, ouvinte pequena
diante de tua grandeza,
me deixo encontrar
pela canção que me encontra...
Sim, Milton,
tu és o eterno
Caçador de Mim...
Tua voz, Milton,
não canta:
rasga o silêncio.
É fogo e mar,
tempestade e ternura,
um trovão de Deus
no ventre da Terra....
Quando entoas "Caçador de Mim",
a alma é arrancada do peito,
o coração se ajoelha,
as feridas se abrem
e, ao mesmo tempo,
cicatrizam em tua canção...
Tu não pertences a ti,
tua garganta é território sagrado,
onde a dor e a esperança
se encontram sem máscara...
Teu canto é flecha certeira:
atravessa o corpo,
esfacela certezas,
recolhe os cacos,
e os transforma em oração...
Milton, tu és
mais que cantor:
és sopro de eternidade...
Milton,
ao ouvir tua voz,
sinto que algo dentro de mim
se abre como janela ao vento...
"Caçador de Mim"
não é só melodia:
é abraço invisível
que me encontrou
onde eu pensava estar só...
Teu canto traz lembranças
que nunca perdi
e saudades
de um tempo
que ainda não encontrei...
É como se tua voz
fosse colo de mãe,
regresso à infância,
promessa de futuro
e descanso no presente...
Quando cantas,
meu mundo se acalma,
o tempo desacelera,
e a alma se reconhece
em sua própria luz...
Milton,
tua canção é morada.
E nela,
meu coração aprende
a permanecer...
Gratidão por existir!
✍©️@MiriamDaCosta
Enquanto metade de mim
escreve...
a outra metade
me lê
e me descreve...
Eu não sou escritora,
eu Sou escrevendo...
Eu não sou poetisa,
eu Sou poetizando...
✍©️@MiriamDaCosta
Um círculo vital
exala a energia
de emoções coloridas
em mim...
E eu,
arqueira de versos
absorvo o arco-íris
e lanço palavras
matizadas com a poesia...
✍©️@MiriamDaCosta
Fazer tempestade
em um copo d’água?!
Não é para mim.
Quando é hora de ser furacão,
eu me torno um Tsunami
servido numa simples xícara de café...
Tempestade em copo d’água?
Dispenso essas fraquezas domésticas.
Quando o mundo exige minha fúria,
não borbulho, transbordo.
Viro um Tsunami aceso,
espremido numa xícara de café
que mal contém o terremoto
que me atravessa...
Tempestade em copo d’água
nunca coube em mim.
Quando o destino pede vento forte,
me ergo inteira,
e o que deveria ser só furacão...
vira Tsunami silencioso,
agitanto a superfície mansa
de uma xícara de café
que me acolhe e detêm
como pode...
Não sei fazer tempestade,
com chuvas, raios,
relâmpagos, trovões,
trovoadas, ventos e etc...
uma única Onda
é o que sou capaz de fazer.
Afinal,
aprendi a ser Tsunami
com as tempestades.
✍©️@MiriamDaCosta
Me estudo por dentro para entender o outro fora de mim. Conhecendo minhas dúvidas, comportamentos, sentimentos, experiências e falhas, consigo perceber o que influencia minhas atitudes e, com isso, compreender melhor as atitudes, os sentimentos e os comportamentos do outro. Ao me conhecer, tenho uma referência para entender o outro e suas complexidades.
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