Espiritismo

Cerca de 1005 frases e pensamentos: Espiritismo

"Eu ri como todo mundo do Espiritismo, mas o que eu considerava como o riso de Voltaire não era mais que o riso do idiota, muito mais comum que o primeiro."
Eugène Bonnemère.

JOSÉ HERCULANO PIRES.
O Espiritismo não criou igrejas, não precisa de templos suntuosos e tribunas luxuosas com pregadores enfatuados. Não tem rituais, não dispensa bênçãos, não promete lugar celeste a ninguém, não confere honrarias em títulos ou diplomas especiais, não disputa regalias oficiais. Sua única missão é esclarecer, orientar, indicar o caminho da autenticidade humana e da verdade espiritual do homem.


José Herculano Pires
Curso Dinâmico de Espiritismo

A LÂMPADA PERPÉTUA DO ESPÍRITO EM ASCENSÃO.

No solo fértil do Espiritismo, o campo moral revela-se como uma primavera constante, onde indagações e buscas se movem em harmonia com a lei do progresso. A estação que retorna, sempre mais clara, reflete o desvanecer gradual do homem velho, cuja sombra se afasta diante da luz cristã que se projeta com rigor e serenidade.

A marcha do Espírito delineia-se como processo de depuração contínua, sustentado pela disciplina íntima e pela ordem moral que atravessa os séculos. A coerência torna-se patrimônio sagrado, herança que não pode ser negligenciada. A geração vindoura aproxima-se, ávida por fundamentos sólidos, exigindo que o legado seja transmitido com gravidade, lucidez e fidelidade aos princípios revelados.

Nenhuma doutrina se mantém viva apenas pelas teorias que abriga; sustenta-se pela integridade que lhe confere substância. A continuidade do ensino espiritual requer firmeza ética, clareza de pensamento e respeito à tradição que moldou a consciência racional e sensível do Espiritismo. Cada gesto coerente ergue um marco, cada palavra reta preserva a lâmpada moral que deve seguir acesa através das eras.

A marcha coletiva segue adiante, silenciosa e austera, conduzida pelo brilho das leis universais. Que o fulgor dessa trajetória mantenha acesa a chama que, ao ultrapassar os limites do tempo, reafirma a vocação luminosa do Espírito rumo à sua perpetuidade ascendente.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

CASAMENTO, CELIBATO E POLIGAMIA À LUZ DO ESPIRITISMO: A EVOLUÇÃO DO AMOR SEGUNDO A LEI NATURAL.
Entre as diversas leis morais apresentadas pela Doutrina Espírita, a Lei de Reprodução ocupa lugar de grande importância por tratar de um dos aspectos mais profundos da existência humana: a continuidade da vida e o aperfeiçoamento moral do Espírito. Longe de restringir-se ao fenômeno biológico da geração, essa lei alcança as dimensões da responsabilidade, da afetividade, da família e do progresso espiritual.
Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec demonstra que as leis da Natureza possuem uma finalidade superior. Nada foi criado ao acaso. A reprodução dos seres vivos integra a harmonia universal e assegura a continuidade da vida em todos os seus aspectos. Entretanto, ao conceder ao homem a inteligência e o livre-arbítrio, Deus também lhe confiou a responsabilidade de agir como colaborador da própria Natureza, jamais como seu destruidor.
Por essa razão, os Espíritos ensinam que o ser humano pode regular a reprodução quando houver necessidade legítima e em benefício do equilíbrio natural. O que se condena não é o uso consciente da inteligência, mas a tentativa de frustrar deliberadamente a finalidade da reprodução apenas para atender aos excessos da sensualidade e do egoísmo. Quando o prazer torna-se um fim em si mesmo, separado da responsabilidade moral, evidencia-se o predomínio da matéria sobre o Espírito.
Nesse contexto, o casamento representa um dos maiores marcos da evolução da Humanidade. Kardec pergunta se a união permanente entre dois seres seria contrária à lei natural, e a resposta dos Espíritos é clara: trata-se de um progresso na marcha humana. O casamento transforma a simples atração física em compromisso, fidelidade, cooperação e responsabilidade recíproca. A família deixa de ser apenas um agrupamento biológico para tornar-se uma verdadeira escola de aperfeiçoamento moral.
O comentário de Kardec é particularmente significativo ao afirmar que a abolição do casamento significaria um retorno ao estado primitivo da Humanidade. A união estável dos cônjuges favorece o desenvolvimento dos sentimentos, fortalece os vínculos familiares e cria condições para que Espíritos reencarnados encontrem no lar um ambiente de educação, reparação e crescimento espiritual.
Ao mesmo tempo, a Doutrina Espírita distingue claramente as leis divinas das leis humanas. A indissolubilidade absoluta do casamento não pertence à Lei Natural, mas às legislações criadas pelos homens. Isso significa que a união matrimonial deve ser preservada enquanto cumprir sua finalidade de auxílio mútuo, respeito e crescimento moral. Quando se transforma em instrumento permanente de sofrimento, violência ou degradação dos envolvidos, o rompimento do vínculo jurídico não constitui afronta à lei divina, mas consequência das imperfeições humanas ainda presentes na sociedade.
Outro tema frequentemente mal compreendido é o celibato. O Espiritismo não considera o simples fato de permanecer solteiro um estado de superioridade espiritual. Se motivado pelo egoísmo, pelo orgulho ou pelo desprezo à vida familiar, o celibato não possui qualquer mérito diante de Deus. Contudo, quando representa um sacrifício voluntário realizado para dedicar integralmente a existência ao serviço da Humanidade, adquire elevado valor moral. O mérito nunca está na condição exterior da pessoa, mas na intenção pura que inspira seus atos.
Também a poligamia é analisada sob o prisma da evolução moral. Os Espíritos afirmam que ela não constitui uma lei natural, mas uma instituição humana vinculada a determinados períodos históricos e costumes sociais. O casamento ideal, segundo as leis divinas, fundamenta-se na afeição recíproca. Onde predomina apenas a sensualidade, desaparecem os elementos espirituais do amor verdadeiro. À medida que a Humanidade progride, substitui as relações baseadas na posse, no poder e nos interesses materiais por vínculos construídos sobre o respeito, a igualdade e a fidelidade.
Essa compreensão revela um aspecto essencial da Doutrina Espírita: a verdadeira evolução consiste na educação dos sentimentos. O homem deixa gradualmente de ser governado pelos impulsos instintivos para orientar sua vida pela consciência, pela razão e pelo amor. O casamento, a família e a própria sexualidade deixam de ser simples expressões da natureza biológica para converterem-se em instrumentos de crescimento espiritual.
Em última análise, a Lei de Reprodução não trata apenas da multiplicação dos corpos, mas da educação das almas. Cada lar constitui uma oficina de aperfeiçoamento onde Espíritos aprendem a renunciar ao egoísmo, desenvolver a paciência, exercitar o perdão e construir laços de amor que ultrapassam a própria morte. A família, assim compreendida, torna-se um dos mais importantes mecanismos da Providência Divina para conduzir a Humanidade ao seu destino de perfeição.
Fontes:
Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Parte Terceira – Leis Morais. Capítulo IV – Lei de Reprodução, questões 693 a 701.
Allan Kardec. O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulos XIV (Honrai a vosso pai e a vossa mãe) e XXII (Não separeis o que Deus juntou).


#Espiritismo #AllanKardec #OLivroDosEspíritos #LeiDeReprodução #Casamento #Família #Monogamia #Poligamia #Celibato #LeiNatural #MoralEspírita #EvoluçãoEspiritual #LivreArbítrio #Amor #EducaçãoMoral #DoutrinaEspírita #EstudoEspírita #Reencarnação #EvangelhoSegundoOEspiritismo #FilosofiaEspírita

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO:
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
No capítulo XVIII — “Muitos os chamados, poucos os escolhidos”. Ele desenvolve duas grandes ideias de Jesus:
“A quem tem, mais será dado” — não significa privilégio ou favoritismo divino.
“Pelas suas obras é que se reconhece o cristão” - a verdadeira fé se revela pela transformação moral.
Na visão espírita apresentada por Kardec, o ensinamento de Jesus trata principalmente da capacidade espiritual de receber, compreender e multiplicar o bem.
O Espírito amigo, em Bordeaux (1862), explica que aquele que “já tem” é aquele que conquistou uma disposição íntima para a verdade. Não basta possuir conhecimento religioso; é necessário que o indivíduo cultive esse conhecimento no campo do coração. A luz recebida aumenta quando é utilizada.
É semelhante a uma semente: quando lançada em solo preparado, ela germina, cresce e produz frutos. Porém, quando a criatura recebe ensinamentos elevados e não os pratica, a própria negligência faz com que perca a percepção espiritual que poderia desenvolver.
Por isso o texto afirma:
“Não é Deus quem retira daquele que pouco recebera: é o próprio Espírito que, por pródigo e descuidado, não sabe conservar o que tem e aumentar, fecundando-o, o óbolo que lhe caiu no coração.”
A justiça divina, portanto, não é uma punição arbitrária. É uma lei de desenvolvimento espiritual: aquilo que não é cultivado se enfraquece; aquilo que é exercitado se fortalece.
A comparação com o campo herdado do pai é muito significativa. Deus oferece a todos os Espíritos recursos para evoluir: inteligência, consciência, liberdade, oportunidades de aprendizado e crescimento. Mas cabe ao Espírito trabalhar esse patrimônio. O campo abandonado não produz frutos não porque o proprietário lhe retirou a fertilidade, mas porque o agricultor deixou de trabalhar.
No segundo texto, atribuído ao Espírito Simeão (Bordeaux, 1863), encontramos a continuação desse princípio: a autenticidade espiritual não está nas palavras exteriores, mas nas obras.
Jesus já havia ensinado:
“Nem todo o que me diz: Senhor! Senhor! entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai.”
Kardec ressalta que o Cristianismo é uma árvore divina, plantada pelo Cristo. Entretanto, os homens muitas vezes alteraram seus ensinamentos conforme interesses humanos, “mutilando” seus frutos. A árvore continua boa; o problema está nos jardineiros que não souberam cultivá-la.
Dentro da compreensão espírita, isso significa que a religião verdadeira deve produzir:
renovação moral;
caridade;
humildade;
perdão;
fraternidade;
esforço constante de aperfeiçoamento.
O conhecimento espiritual sem transformação interior torna-se apenas informação. A fé sem obras permanece incompleta.
Por isso a frase “muitos são chamados e poucos escolhidos” não representa uma seleção arbitrária feita por Deus, como se alguns fossem destinados à salvação e outros à condenação. Segundo o Espiritismo, todos são chamados ao progresso; os “escolhidos” são aqueles que escolhem responder ao chamado, trabalhando sobre si mesmos.
O ensinamento central é:
Deus oferece a todos a oportunidade de crescimento, mas cada Espírito decide se cultivará ou abandonará os talentos que recebeu. A luz divina aumenta naquele que a compartilha; a luz se apaga naquele que prefere permanecer na inércia.
Assim, o verdadeiro cristão não é reconhecido pelo nome que carrega, pela posição religiosa que ocupa ou pelas palavras que pronuncia, mas pelos frutos que produz no campo da vida.
Como ensina o próprio Evangelho:
“Pelos frutos os conhecereis.” (Mateus, 7:16)
E, sob a ótica espírita, esses frutos são as conquistas morais que acompanham o Espírito para além da existência física.

KARDEC DIANTE DE SWEDENBORG: PRECURSORES DO ESPIRITISMO - PARTE IV - FINAL.
A ENTREVISTA ESPIRITUAL QUE REVELOU OS LIMITES DA MEDIUNIDADE E A GRANDEZA DO MÉTODO ESPÍRITA.

INTRODUÇÃO — QUANDO O PASSADO ENCONTRA A CODIFICAÇÃO.
Marcelo Caetano Monteiro.
A análise da evocação de Emmanuel Swedenborg realizada por Allan Kardec na Revista Espírita de novembro de 1859 representa um dos momentos mais expressivos da metodologia espírita. Não se trata apenas de uma comunicação mediúnica, mas de um verdadeiro estudo filosófico sobre a relação entre revelação espiritual, interpretação humana, razão e progresso da consciência.

Kardec não se aproximou de Swedenborg com espírito de condenação, nem com admiração cega. Sua postura foi a de um pesquisador espiritual: reconheceu o valor do missionário sueco, examinou suas experiências, destacou suas contribuições e investigou seus equívocos.

Essa atitude revela um dos fundamentos essenciais da Doutrina Espírita: a verdade espiritual não deve ser aceita pelo prestígio daquele que transmite, mas examinada pelo critério da razão, da lógica e da concordância universal dos ensinamentos.

A comunicação publicada na Revista Espírita ocorre em um contexto no qual Kardec estudava os grandes precursores do movimento espiritualista. Swedenborg, falecido em 1772, era considerado um dos homens mais cultos de sua época e havia apresentado, décadas antes da Codificação, descrições de uma realidade espiritual organizada.

Entretanto, Kardec compreendia que uma faculdade mediúnica elevada não transforma automaticamente o médium em autoridade absoluta.

A mediunidade revela uma possibilidade de contato; não elimina as limitações humanas do intérprete.

A EVOCAÇÃO DE SWEDENBORG — UM DIÁLOGO ENTRE DUAS ETAPAS DA HISTÓRIA ESPIRITUAL.

Na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em setembro de 1859, Allan Kardec realizou uma evocação do Espírito atribuído a Swedenborg. Na sessão anterior, o comunicante havia manifestado desejo de retornar para responder perguntas sobre sua doutrina.

O diálogo apresenta uma característica profundamente significativa: Swedenborg não aparece defendendo rigidamente suas antigas ideias, mas reconhecendo aspectos que, segundo a comunicação, necessitavam de correção.

Logo no início, transmite uma mensagem de incentivo aos estudiosos espíritas:

“Minha moral espírita e minha doutrina não estão isentas de grandes erros, que hoje reconheço.”

Essa declaração possui enorme importância filosófica.

Ela demonstra que, dentro da perspectiva espírita, o Espírito desencarnado continua em processo de aprendizado. A morte física não transforma automaticamente o indivíduo em Espírito perfeito.

O progresso permanece sendo uma lei universal.

A PRIMEIRA GRANDE QUESTÃO - O ESPÍRITO QUE SE APRESENTOU COMO DEUS.

Uma das perguntas mais profundas feitas por Kardec refere-se à experiência inicial de Swedenborg, quando ele afirmou ter recebido uma revelação de um ser que identificou como o próprio Senhor.

Kardec pergunta:
“Qual foi o Espírito que vos apareceu dizendo ser o próprio Deus? Era realmente Deus?”

A resposta atribuída a Swedenborg é:
“Não. Acreditei no que me dizia porque nele via um ser sobre-humano e por isso fiquei lisonjeado.”

Essa resposta contém uma das maiores lições da entrevista.

O fenômeno espiritual, por mais impressionante que seja, exige discernimento.

Um Espírito pode apresentar aparência elevada, linguagem superior ou manifestações extraordinárias, sem necessariamente possuir a perfeição que afirma possuir.

Esse princípio encontra profunda correspondência com a advertência de Kardec em vários momentos da Codificação: os Espíritos devem ser avaliados pela qualidade moral e intelectual de suas comunicações, não apenas pelos fenômenos que produzem.

Na própria Revista Espírita de 1859, Kardec enfatiza que existem Espíritos em diferentes níveis evolutivos e que as comunicações devem ser submetidas a severo controle, pois refletem o caráter e o grau de elevação daqueles que se comunicam.

A ILUSÃO DOS SENTIDOS E O PAPEL DA INTERPRETAÇÃO HUMANA.

Um dos pontos mais relevantes da comunicação é o reconhecimento de Swedenborg de que determinadas percepções foram interpretadas segundo sua compreensão da época.

Ao ser questionado sobre suas visões do mundo espiritual, ele afirma que algumas ideias sobre o mundo dos anjos eram ilusões dos sentidos.

Essa declaração revela uma questão central:

A percepção espiritual precisa ser interpretada pela inteligência.

O médium percebe, mas interpreta através de seu próprio universo mental.

Sua cultura, suas crenças religiosas, seus valores e suas experiências anteriores podem influenciar aquilo que compreende.

É exatamente nesse ponto que Kardec se diferencia dos pesquisadores anteriores.

Ele não negou a possibilidade do fenômeno espiritual; porém, recusou transformar experiências individuais em verdades absolutas.

SWEDENBORG E A DIFERENÇA ENTRE REVELAÇÃO PESSOAL E MÉTODO ESPÍRITA.

A grande contribuição de Swedenborg foi abrir uma nova perspectiva sobre a existência espiritual.

Ele descreveu:

continuidade da vida após a morte;

comunicação entre Espíritos e encarnados;

diferentes condições espirituais;

consequências morais das escolhas humanas.

Contudo, segundo a análise espírita, seu principal limite esteve na elaboração pessoal dessas percepções.

Ele construiu uma interpretação própria denominada Nova Jerusalém, baseada em sua compreensão particular das Escrituras.

Kardec, ao contrário, não buscou fundar uma interpretação individual.

A Codificação Espírita foi organizada mediante:

comparação das comunicações recebidas;

análise racional;

universalidade dos ensinos;

rejeição de opiniões isoladas.

O próprio Kardec afirma em O Evangelho Segundo o Espiritismo que as grandes ideias não surgem repentinamente; elas possuem precursores que preparam seus caminhos.

Assim, Swedenborg não seria o fundador do Espiritismo, mas um trabalhador que antecedeu uma etapa posterior.

A HUMILDADE DE SWEDENBORG DIANTE DA VERDADE.

Um dos aspectos mais belos da comunicação é a atitude de reconhecimento.

Segundo o relato publicado por Kardec, Swedenborg admite que alguns conceitos defendidos durante sua vida precisavam ser revistos.

Ele reconhece, por exemplo, que as penas eternas não poderiam harmonizar-se com a justiça e bondade divinas:
“Deus é muito justo e muito bom para punir eternamente a criatura que não tem força suficiente para resistir às paixões.”

Essa ideia aproxima-se profundamente da visão espírita da justiça divina.

Para o Espiritismo, o sofrimento espiritual possui caráter educativo e temporário. A alma não está condenada definitivamente; ela evolui através das experiências e do esforço próprio.

A GRANDE LIÇÃO DE KARDEC - A RAZÃO COMO LUZ DO FENÔMENO ESPIRITUAL.

A entrevista com Swedenborg revela a grande diferença entre duas fases do pensamento espiritualista:

A primeira fase é marcada por experiências individuais, visões e interpretações pessoais.

A segunda fase, representada por Kardec, busca estabelecer um estudo racional e sistemático.

O mérito de Kardec não foi apenas aceitar a existência dos Espíritos.

Muitos antes dele já acreditavam nessa possibilidade.

Seu grande trabalho foi estabelecer um método.

Ele transformou fenômenos dispersos em uma doutrina filosófica com consequências morais.

A comunicação com Swedenborg demonstra justamente esse cuidado:

Kardec respeita o precursor, mas não abandona o pensamento crítico.

Valoriza o mensageiro, mas analisa a mensagem.

Reconhece o fenômeno, mas investiga sua origem.

CONCLUSÃO.
OS PRECURSORES E A MARCHA PROGRESSIVA DA VERDADE.

A análise da entrevista entre Allan Kardec e Emmanuel Swedenborg permite compreender um dos princípios mais importantes do pensamento espírita: a revelação divina acompanha o amadurecimento intelectual e moral da humanidade.

Sócrates preparou o homem para olhar a própria consciência.

Platão apresentou a realidade superior do mundo espiritual através da filosofia.

Swedenborg abriu uma janela para os fenômenos do além.

Andrew Jackson Davis anunciou uma nova compreensão da vida espiritual.

As irmãs Fox chamaram a atenção do mundo para a possibilidade da comunicação inteligente dos Espíritos.

As mesas girantes despertaram a investigação de Allan Kardec.

E Kardec, utilizando razão, método e prudência, organizou a Doutrina Espírita.

A grandeza de Swedenborg permanece justamente porque ele foi um precursor. Seu trabalho não foi perfeito, porque nenhuma etapa da evolução humana é definitiva. Mas sua contribuição foi preparar caminhos.

Como ensina Kardec:

As grandes ideias não surgem subitamente; elas encontram trabalhadores que preparam o terreno para sua manifestação futura.

A história espiritual da humanidade é uma construção progressiva, na qual cada consciência oferece sua parcela de colaboração ao desenvolvimento da verdade.

FONTES CONSULTADAS.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.
Questões 115, 621 e 622.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Capítulo I — Não vim destruir a Lei.
Capítulo VI — O Cristo Consolador.

KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos.
Ano II, novembro de 1859.
Artigo: Swedenborg — Comunicação de Swedenborg prometida na sessão de 16 de setembro de 1859.

KARDEC, Allan. Obras Póstumas.
Minha iniciação no Espiritismo.

DOYLE, Arthur Conan. História do Espiritismo.
Editora Pensamento, São Paulo.

PIRES, José Herculano. O Espírito e o Tempo.
Editora Paideia.

PIRES, José Herculano. Os Filósofos.
Edições FEESP.

PLATÃO. Apologia de Sócrates.
Fedro.
A República.

PLATÃO. Mito de Er.

SWEDENBORG, Emmanuel.
Arcana Celestia.
A Nova Jerusalém.
O Céu e o Inferno. (obra espiritualista de Swedenborg, não confundir com a obra homônima de Allan Kardec).

O POETA FRANCÊS VITOR HUGO E O ESPIRITISMO.

Victor-Marie Hugo nasceu em Besançon, França, no dia 26 de fevereiro de 1802. Filho do Conde Joseph Léopold-Sigisbert Hugo, general de Napoleão, e Sophie Trébucher, ele passou quase toda a infância fora da França, em viagens constantes, que faziam parte da vida de seu pai.

De 1814 a 1816, fez seus estudos preparatórios no Liceu Louis le Grand. Nessa época, seus cadernos ficavam repletos de versos. Com 14 anos lia os livros de René Chateaubriand, iniciador do Romantismo francês. Dizia: "Quero ser Chateaubriand ou nada". Recusou-se a ingressar na Escola Politécnica para se dedicar à carreira literária. Em 1817, recebeu um prêmio em um concurso de poesia da Academia Francesa.

Em 1819, recebeu o "Lírio de Ouro", prêmio máximo da Academia de Jogos Florais de Toulouse, por uma Ode, ao restabelecimento da estátua do rei Henrique IV, que foi derrubada na Revolução. Nesse mesmo ano fundou, junto com os irmãos, a revista "O Conservador Literário". O primeiro ensaio publicado foi "Ode ao Gênio". Com quinze meses de vida a revista havia publicado mais de cem artigos, entre política e críticas literária, teatral e artística.

Em 1820, tem o seu talento reconhecido pelo rei Luís XVIII, que passa a lhe pagar uma pensão ao ver qualidade em sua obra “Ode Sobre a Morte do Duque de Berny”.

Em 1822, casa-se com Adèle Foucher, amiga de infância. Nesse mesmo ano publica sua primeira antologia poética "Odes e Poesias Diversas" e os poemas "Ode e Baladas, Orientais". Em 1823, publica seu primeiro romance: "Han de Islândia”. Em 1827, “Cromwell”, sucesso de público e crítica; e em 1829, publica "O Último Dia de um Condenado" e escreve a peça "Marion Delorme".

Em 1831, Victor-Hugo escreve seu grande romance histórico: “O Corcunda de Notre-Dame” e, no mesmo ano, publica “Folhas de Outono”. Em seguida, em 1833, lança "Lucrécia Borgia" e "Maria Tudor". Passa a viver com a atriz Juliette Drouet, sem se separar de Adèle. Em 1835, escreve “Cantos do Crepúsculo”, onde retrata toda a sua dor.

Em 1841, já célebre e rico, é eleito para a Academia Francesa de Letras, tendo sido a posteriori um dos maiores representantes da escola romântica, e frequenta a corte das Tulherias. Em 1848, após a revolução que depõe Luís Filipe, Victor Hugo é eleito deputado em Paris. Preocupado com a miséria do povo, funda o jornal "O Acontecimento", em que os filhos François e Charles são também redatores. Escreve artigos nos quais defende a candidatura do príncipe Luís Napoleão para a presidência da República. Eleito, Napoleão III viola a Constituição. Desiludido, Victor Hugo não aceita a política adotada por quem ajudara a eleger.

Ele, então, é perseguido ao tentar organizar a resistência à ditadura de Napoleão III e se exila por um longo período de 18 anos, a princípio na Bélgica e, posteriormente, na Ilha de Jersey, no Canal da Mancha, seguindo dali para a Ilha de Guernsey juntamente com sua esposa e filhos.

Nessa época, escreve “As Contemplações” (1856), "Os Miseráveis" (1862), e o "Homem que Ri" (1869). Retornou ao seu país em 1870; em 1876, é eleito Senador. Em 1883, morre Juliette Drouet, sua amante e companheira por 50 anos.

Victor Hugo desencarnou em Paris, no dia 22 de maio de 1885, aos 83 anos. Em seu testamento deixa cinquenta mil francos aos pobres e pede preces de todas as almas. Foi sepultado em 1º de junho no Panteão de Paris, o monumento fúnebre dos heróis nacionais.



CAUSAS SOCIAIS E ESPIRITISMO


Além de grande romancista, poeta e dramaturgo, Victor Hugo ficou conhecido pelas suas inclinações às causas sociais. Defendia a paz universal, os direitos das crianças e dos homens, a abolição da pena de morte e o progresso social. Aproximou-se da política ingressando no Parlamento Francês, defendendo a democracia como um sistema válido de governo.

Seu legado é imenso no âmbito da literatura, e seus pensamentos igualmente influenciaram filósofos e escritores modernos.

Victor Hugo aproximou-se dos estudos ocultistas e também do Espiritismo, especialmente após ter contato com as mesas girantes, no período em que ficou no exílio em Jersey, através da mediunidade da poetisa e romancista Madame Delphine Girardin, que também passava por exílio na Ilha de Jersey. Em uma das sessões com Madame Delphine, a mesa, através das pancadas, trouxe informações sobre a filha de Victor Hugo, Lèolpoldine, desencarnada em um naufrágio no rio Sena, em 1843. Após esta experiência, Victor Hugo continuou recebendo recados de sua filha, usando esta experiência concreta para desenvolver suas ideias sobre a imortalidade, sobrevivência e reencarnação.

Em 1863, Allan Kardec já reconhecia Victor Hugo como um expoente no Movimento Espírita, incluindo na Revista Espírita do mesmo ano uma carta de Hugo para o escritor, político e poeta francês Alphonse de Lamartine (1790-1869), em face da desencarnação da esposa deste.

A busca espiritual de Victor Hugo foi evidenciada por Emmanuel Godo, escritor e ensaísta atual no livro “Victor Hugo et Dieu”. No entendimento de Humberto Mariotti, em seu livro “Victor Hugo Espírita”, menciona que a qualidade espírita do escritor se depreendia da forma do seu estilo romântico que transcendeu as formas clássicas, pois a sua maneira de ver o mundo passava pelo invisível, ou seja, o fundamento imaterial do mundo físico.

Hoje, o Espírito Victor Hugo, lúcido e imortal, continua nos oferecendo a sua palavra espiritualizada, através da psicografia de vários médiuns brasileiros. Em 1923, 38 anos depois da morte do poeta francês, a médium mineira Zilda Gama psicografou, do genial escritor, as seguintes obras: “Na Sombra e na Luz” (1923); “Redenção” (1931); “Do Calvário ao Infinito” (1944); “Dor Suprema” (1945); “Almas Crucificadas”, e “O Solar de Apolo (1946)”.

Victor Hugo também manifestou-se através da mediunidade de Divaldo P. Franco, que declarou ser Zilda Gama o mesmo Espírito Lèopoldine, filha de Victor Hugo. Pela sua psicografia, o francês escreveu: “Párias em Redenção”; “Sublime Expiação”; “Do Abismo às Estrelas”; “Calvário de Libertação", e “Árdua Ascensão”.

LIVRO: AS MESAS GIRANTES E O ESPIRITISMO.
O ponto central do livro é mostrar que aquilo que inicialmente parecia um simples divertimento de salão ganhou, progressivamente, uma dimensão muito mais profunda. Os fenômenos de movimentação de objetos e das chamadas mesas falantes espalharam-se pela Europa e despertaram discussões entre curiosos, céticos, cientistas e intelectuais.
#AsMesasGirantes #AsMesasGirantesEOEspiritismo #ZêusWantuil #AllanKardec #Espiritismo #Espiritualismo #EspiritualismoModerno #HistóriaDoEspiritismo #HistóriaEspírita #FenômenosEspíritas #MesasFalantes #MesasGirantes #Mediunidade #ManifestaçõesEspíritas #OLivroDosMédiuns #OLivroDosEspíritos #RevistaEspírita #Kardec #CodificaçãoEspírita #DoutrinaEspírita #PesquisaEspírita #EstudoEspírita #CulturaEspírita #MemóriaEspírita #CEMS #GEEFF

OS MÉDIUNS DE EFEITOS FÍSICOS NO ESPIRITISMO BRASILEIRO. QUANDO OS FENÔMENOS OCORRIAM SEM A VONTADE DO MÉDIUM.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
O estudo da mediunidade demonstra que nem todos os fenômenos dependem da vontade consciente do médium. Desde as pesquisas pioneiras de Allan Kardec, verificou-se que muitos fenômenos surgem espontaneamente, independentemente do desejo daquele que lhes serve de intermediário. Essa realidade foi amplamente documentada em "O Livro dos Médiuns" e na "Revista Espírita", obras nas quais Kardec explica que a faculdade mediúnica é orgânica e natural, podendo manifestar-se antes mesmo de o indivíduo compreender sua origem.
No Brasil, diversos médiuns experimentaram esse tipo de ocorrência. Embora tenham se tornado conhecidos pela psicografia, pela psicofonia, pela vidência ou pelos efeitos de cura, muitos relataram que os primeiros fenômenos surgiram involuntariamente, causando surpresa, receio e, em alguns casos, profundo sofrimento até que encontrassem orientação doutrinária.

A MEDIUNIDADE NÃO SE SUBMETE À VONTADE HUMANA.
Em "O Livro dos Médiuns", Kardec esclarece que ninguém se torna médium simplesmente porque deseja, tampouco deixa de sê-lo apenas por querer. A faculdade mediúnica decorre da constituição orgânica e perispiritual do indivíduo, sendo regulada por leis naturais.
Em muitas ocasiões, o médium percebe ruídos inexplicáveis, movimentação de objetos, percepções espirituais, sonhos lúcidos, visões, inspirações ou comunicações espontâneas sem qualquer intenção consciente de produzi-las.
Esse princípio afasta completamente a ideia de fraude sistemática ou de produção deliberada dos fenômenos, distinguindo a mediunidade autêntica das manifestações provocadas pela imaginação.

CHICO XAVIER. A MEDIUNIDADE ESPONTÂNEA DESDE A INFÂNCIA.
Chico Xavier talvez seja o exemplo brasileiro mais conhecido.
Desde criança via Espíritos, conversava com eles e sofria incompreensão familiar. Não desejava tais experiências, mas elas aconteciam repetidamente.
Entre os episódios documentados encontram-se:
"Visões constantes de Espíritos."
"Comunicações espontâneas."
"Inspirações involuntárias."
"Psicografia que surgia independentemente de planejamento."
Seu desenvolvimento mediúnico ocorreu somente após estudo, disciplina e orientação em centros espíritas, conforme recomendava Kardec.

ZILDA GAMA. PSICOGRAFIA INVOLUNTÁRIA.
Zilda Gama iniciou sua mediunidade ainda jovem.
Relatava receber mensagens que não conseguia impedir de escrever. Muitas vezes, sentia intenso impulso para registrar comunicações cuja origem desconhecia inicialmente.
Posteriormente tornou-se uma das mais respeitadas médiuns psicógrafas do Brasil.

YVONNE A. PEREIRA. SOFRIMENTO MEDIÚNICO DESDE A INFÂNCIA.
Yvonne do Amaral Pereira descreveu detalhadamente suas experiências.
Desde menina via Espíritos, escutava vozes e experimentava desdobramentos durante o sono.
Esses fenômenos ocorriam sem qualquer intenção pessoal e somente foram compreendidos quando passou a estudar a Codificação Espírita.
Ela mesma advertia que a educação mediúnica era indispensável para evitar desequilíbrios.

PEIXOTINHO. EFEITOS FÍSICOS ESPONTÂNEOS.
Carmine Mirabelli e Francisco Peixoto Lins tornaram-se conhecidos principalmente pelos fenômenos de efeitos físicos.
No caso de Peixotinho, diversos pesquisadores relataram fenômenos de materialização, transporte de objetos e manifestações luminosas durante reuniões mediúnicas.
Embora esses fenômenos fossem posteriormente organizados em ambiente experimental, sua faculdade manifestou-se espontaneamente antes do completo domínio disciplinar.

CARMINE MIRABELLI. FENÔMENOS INVOLUNTÁRIOS.
Mirabelli constitui um dos casos mais estudados da mediunidade brasileira.
Desde jovem apresentava:
"Levitações."
"Movimentação espontânea de objetos."
"Escrita automática."
"Xenoglossia."
"Materializações."
Muitos desses episódios ocorriam sem que ele os provocasse conscientemente, despertando a atenção de médicos, cientistas e pesquisadores nacionais e estrangeiros.

O QUE KARDEC ENSINA.
Kardec afirma que:
"A mediunidade não representa santidade."
"Não constitui privilégio moral."
"Pode manifestar-se em qualquer pessoa."
"Necessita educação, disciplina e finalidade útil."
"O fenômeno isolado jamais basta para comprovar uma verdade espiritual."
Por isso, o Espiritismo valoriza muito mais as consequências morais do que o espetáculo dos efeitos físicos.

EXEMPLOS DE FENÔMENOS ESPONTÂNEOS.
Entre as manifestações registradas na literatura espírita destacam-se:
"Batidas inteligentes."
"Movimentação de móveis."
"Apports, ou transporte de objetos."
"Psicografia automática."
"Psicofonia involuntária."
"Vidência."
"Audiência espiritual."
"Desdobramento durante o sono."
"Curas mediúnicas."
"Materializações em reuniões especializadas."

A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO.
Kardec jamais recomendou que alguém buscasse fenômenos extraordinários.
Ao contrário, ensinou que toda faculdade mediúnica deve ser submetida ao estudo, ao controle universal do ensino dos Espíritos, ao exame racional e à observação criteriosa.
Quando surgem espontaneamente, os fenômenos constituem oportunidade de aprendizado, jamais motivo para vaidade, superstição ou fanatismo.
Os maiores médiuns brasileiros demonstraram justamente essa postura. Em vez de explorar o extraordinário, dedicaram suas vidas à caridade, ao estudo e ao aperfeiçoamento moral, confirmando que a verdadeira grandeza da mediunidade não reside no fenômeno em si, mas no serviço prestado ao próximo.
FONTES:
"Allan Kardec", "O Livro dos Médiuns".
"Allan Kardec", "Revista Espírita".
"Allan Kardec", "Obras Póstumas".
"Hermínio C. Miranda", estudos sobre mediunidade.
"Yvonne do Amaral Pereira", obras autobiográficas e mediúnicas.
"Ranolfo Prata", biografia de Chico Xavier.
"Elias Barbosa", "No Mundo de Chico Xavier".
"Canuto Abreu", pesquisas sobre Carmine Mirabelli.

#Espiritismo #AllanKardec #OLivroDosMédiuns #Mediunidade #ChicoXavier #YvonnePereira #Peixotinho #CarmineMirabelli #EfeitosFísicos #RevistaEspírita #DoutrinaEspírita #FenômenosMediúnicos

LEOPOLDO MACHADO: (1891–1957) — O EDUCADOR DO ESPIRITISMO E O SEMEADOR DA FRATERNIDADE CRISTÃ.
1930: quando a educação tornou-se instrumento de transformação espiritual
O ano de 1930 representa um marco luminoso na trajetória de Leopoldo Machado de Souza Barbosa. Não foi apenas uma data administrativa ou a fundação de uma instituição de ensino; foi a materialização de uma convicção profunda: a verdadeira transformação da humanidade começa pela educação do Espírito.
Naquele período, Leopoldo Machado já havia encontrado na Doutrina Espírita não apenas uma filosofia consoladora, mas um roteiro de renovação moral. Inspirado pelos princípios apresentados por Allan Kardec, compreendia que o conhecimento intelectual, sem a educação dos sentimentos, poderia produzir progresso técnico sem necessariamente produzir evolução humana.
Foi em Nova Iguaçu, no Estado do Rio de Janeiro, para onde se transferira em 1929 com sua esposa Marília Ferraz de Almeida, que sua visão educadora ganhou forma concreta. Em 1930, fundou o Colégio Leopoldo, instituição que expressava sua crença de que a escola deveria ser um templo de formação integral: preparando não apenas cidadãos instruídos, mas consciências responsáveis perante a vida.

O ESPIRITISMO COMO OBRA DE EDUCAÇÃO.
Uma das grandes contribuições intelectuais de Leopoldo Machado foi compreender que o Espiritismo não poderia limitar-se ao campo teórico ou ao estudo das manifestações espirituais. Para ele, a Doutrina Espírita possuía uma finalidade essencialmente educativa: educar o ser humano para que ele reconhecesse sua natureza espiritual e suas responsabilidades diante da existência.
Essa visão encontra profunda sintonia com a Codificação Espírita. Em O Livro dos Espíritos, Kardec demonstra que a educação moral possui papel fundamental na transformação da humanidade, pois o desenvolvimento das faculdades intelectuais precisa ser acompanhado pelo aperfeiçoamento dos sentimentos.
Leopoldo Machado transformou essa compreensão em ação.
Ele não via a criança e o jovem como simples receptores de informações, mas como Espíritos em processo evolutivo, necessitados de orientação, disciplina, amor e exemplos dignificantes.
Por isso tornou-se um dos grandes incentivadores da evangelização espírita infantojuvenil e das mocidades espíritas, criando espaços onde a juventude pudesse unir estudo, fraternidade, arte e serviço ao próximo.

O EDUCADOR QUE VIA ALÉM DO PRESENTE.
A grandeza de Leopoldo Machado não estava apenas no que realizou, mas na visão de futuro que possuía.
Em uma época em que muitos movimentos sociais estavam voltados principalmente para disputas materiais e ideológicas, ele defendia uma revolução silenciosa: a renovação interior do indivíduo.
Sob a perspectiva espírita, nenhuma sociedade se reforma verdadeiramente apenas por leis externas. As estruturas humanas são reflexos das consciências que as compõem.
Essa compreensão aproxima Leopoldo de uma reflexão essencial de Kardec: o progresso coletivo depende do progresso moral dos indivíduos.
Assim, a escola, para ele, era uma oficina espiritual. O professor não era somente transmissor de conteúdos; era um semeador de valores.
A sala de aula tornava-se um ambiente onde poderiam florescer:
responsabilidade;
solidariedade;
respeito;
disciplina interior;
amor ao próximo.

A FRATERNIDADE COMO PRÁTICA, NÃO COMO DISCURSO.
Leopoldo Machado não permaneceu apenas no campo das ideias.
Em Nova Iguaçu, participou ativamente das obras do Centro Espírita Fé, Esperança e Caridade, colaborando para iniciativas assistenciais como o Albergue Noturno Allan Kardec, o Lar de Jesus e trabalhos educacionais voltados à comunidade.
Sua compreensão do Evangelho era dinâmica: o amor cristão precisava sair das páginas dos livros e transformar-se em serviço.
A caridade, para ele, não era apenas auxílio material; era educação, acolhimento e oportunidade de crescimento.
Nesse ponto, sua trajetória recorda o ensinamento de Jesus: aquele que serve ao próximo encontra o verdadeiro sentido da existência.

O HOMEM DAS MOCIDADES ESPÍRITAS.
Um dos maiores legados de Leopoldo Machado foi reconhecer o potencial espiritual da juventude.
Ele percebeu que os jovens não deveriam ser vistos apenas como futuros trabalhadores do movimento espírita, mas como colaboradores presentes, capazes de construir desde cedo uma sociedade mais fraterna.
A criação e incentivo das mocidades espíritas representaram uma mudança significativa no movimento espírita brasileiro, pois aproximaram a juventude do estudo doutrinário, da convivência cristã e da participação ativa.
Sua mensagem era clara: a juventude não deveria apenas herdar valores; deveria vivenciá-los.

O DIVULGADOR INCANSÁVEL DA DOUTRINA.
Leopoldo Machado foi jornalista, escritor, poeta, compositor e orador. Utilizou diferentes linguagens para divulgar o Espiritismo, compreendendo que a mensagem espírita deveria alcançar os corações através da razão iluminada pelo sentimento. Entre suas obras destacam-se títulos como:
O Espiritismo é Obra de Educação;
Para Frente e Para o Alto;
Ide e Pregai;
Uma Grande Vida;
Caravana da Fraternidade.
Sua produção literária revela um pensamento profundamente educativo: o Espiritismo não deveria ser uma doutrina de isolamento, mas uma força de transformação moral e social.

A LUCIDEZ ESPÍRITA SOBRE SEU LEGADO.
Analisando sua trajetória à luz do Espiritismo, percebemos que Leopoldo Machado foi um exemplo de coerência entre pensamento e ação.
Ele compreendeu uma verdade fundamental:
A maior obra espírita não é aquela que impressiona pela aparência exterior, mas aquela que transforma consciências.
Construir prédios, organizar eventos e publicar livros são realizações importantes; porém, despertar no ser humano o desejo sincero de melhorar-se é uma tarefa ainda maior.
Leopoldo Machado dedicou sua existência a essa missão.
Seu legado permanece como uma lembrança de que o Espiritismo, quando verdadeiramente compreendido, é educação permanente da alma.
Não basta conhecer a verdade; é necessário tornar-se melhor através dela.
Reflexão final
"O verdadeiro educador não forma apenas inteligências; ele desperta consciências para a eternidade."

Fontes consultadas:
União Espírita Mineira — Biografia de Leopoldo Machado.
União Espirita Mineira
Espiritismo.tv — Biografia e trajetória de Leopoldo Machado.
Espiritismo TV
Revista Espírita Deus Conosco — Dados biográficos e atuação no movimento espírita. Estudo sobre O Espiritismo é Obra de Educação. Juventude Espírita.
#LeopoldoMachado #Espiritismo #AllanKardec #EducaçãoEspírita #EvangelhoDeJesus #MocidadesEspíritas #DoutrinaEspírita #HistóriaDoEspiritismo #FraternidadeCristã #EvangelizaçãoInfantojuvenil

SENSAÇÕES DOS ANIMAIS À LUZ DO ESPIRITISMO
UMA ANÁLISE DOUTRINÁRIA FUNDAMENTADA EM ALLAN KARDEC E NAS OBRAS COMPLEMENTARES DA LITERATURA ESPÍRITA.

* " Basta olharmos toda criação e fazermos uma íntima análise e sem nos faltar empatia obteremos muito em confirmação do que esses venerandos Espíritos nos apresentam. "

* Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Antes de adentrarmos no assunto um ponto importante: o texto-base para a apresentação da análise reúne passagens da Revista Espírita de julho de 1860, contendo comunicações atribuídas ao Espírito Charlet. Na metodologia kardequiana, essas comunicações devem ser lidas como opiniões espirituais submetidas ao controle universal do ensino dos Espíritos, e não como tendo a mesma autoridade doutrinária de O Livro dos Espíritos. Assim, convém utilizá-las em harmonia com a Codificação, especialmente com as questões 592 a 607 de O Livro dos Espíritos, evitando conclusões que ultrapassem aquilo que Allan Kardec consolidou como ensino doutrinário.

SENSAÇÕES DOS ANIMAIS À LUZ DO ESPIRITISMO
UMA ANÁLISE DOUTRINÁRIA FUNDAMENTADA EM ALLAN KARDEC E NAS OBRAS COMPLEMENTARES DA LITERATURA ESPÍRITA.
A maneira como os animais sentem, percebem o mundo e participam da obra da Criação sempre despertou o interesse da Filosofia, da Ciência e da Religião. Durante séculos, predominou a ideia de que os animais seriam simples máquinas biológicas, incapazes de experimentar sentimentos ou possuir qualquer princípio inteligente. O Espiritismo, porém, inaugurou uma compreensão muito mais ampla, racional e profundamente moral dessa questão.
Ao codificar a Doutrina Espírita, Allan Kardec afastou tanto o materialismo, que reduz o animal a um mecanismo orgânico, quanto a antiga metempsicose, que admitia a transmigração da alma humana para corpos animais. Em seu lugar, apresentou uma explicação coerente com a justiça divina, demonstrando que toda a Criação obedece à lei universal do progresso.
As comunicações publicadas na Revista Espírita de julho de 1860, atribuídas ao Espírito Charlet, ampliam essa reflexão ao descreverem os animais como seres igualmente inseridos na marcha evolutiva do Universo. Entretanto, o próprio método kardequiano recomenda que tais instruções sejam sempre confrontadas com o ensino geral da Codificação, preservando o equilíbrio doutrinário.

O PRINCÍPIO INTELIGENTE NOS ANIMAIS.
Em O Livro dos Espíritos, Parte Segunda, Capítulo XI, Allan Kardec dedica diversas questões ao estudo dos animais.
Na questão 592, os Espíritos ensinam:
"Os animais têm uma linguagem."
Acrescentam que essa linguagem corresponde às necessidades de sua existência, sendo limitada pelo grau de suas ideias.
Kardec observa que é evidente que os animais possuem meios próprios de comunicação, expressando medo, alegria, afeto, sofrimento, advertência e inúmeras outras sensações. Basta uma observação cuidadosa para perceber que os animais estabelecem vínculos sociais complexos e manifestam emoções claramente identificáveis.
Essa constatação elimina qualquer hipótese de que os animais sejam simples autômatos privados de sensibilidade.

SENSAÇÃO, INSTINTO E INTELIGÊNCIA.
Uma das maiores contribuições da Codificação consiste em distinguir instinto, inteligência e razão.
Na questão 597, os Espíritos esclarecem que o animal não possui pensamento refletido semelhante ao humano. O instinto predomina em sua existência.
Isso não significa ausência de inteligência.
Ao contrário.
Existe uma inteligência adaptada às necessidades de conservação, reprodução, alimentação, defesa e convivência.
Essa inteligência manifesta-se através do princípio inteligente em desenvolvimento.
O animal aprende pela experiência.
Reconhece pessoas.
Recorda acontecimentos.
Desenvolve hábitos.
Demonstra preferências.
Manifesta medo.
Sofre perdas.
Expressa alegria.
Tudo isso constitui um conjunto de sensações reais, embora ainda não alcance o livre-arbítrio moral característico do Espírito humano.

AS SENSAÇÕES SÃO REAIS.
O Espiritismo afirma categoricamente que os animais experimentam dor física e sofrimento emocional.
Seu organismo nervoso responde aos estímulos materiais.
Seu princípio inteligente registra experiências.
Seu envoltório espiritual conserva impressões adquiridas ao longo da existência.
Assim, quando um animal sofre violência, abandono ou maus-tratos, esse sofrimento não constitui mera reação mecânica.
Existe uma experiência sensível correspondente ao grau evolutivo em que se encontra.
Da mesma forma, carinho, proteção e convivência harmoniosa também representam aquisições importantes para seu progresso.

A EVOLUÇÃO DOS ANIMAIS.
A questão 603 de O Livro dos Espíritos esclarece que os animais igualmente seguem a lei do progresso.
Esse progresso, entretanto, difere profundamente daquele vivido pelo Espírito humano.
Enquanto o homem evolui mediante escolhas conscientes e responsabilidade moral, o animal progride predominantemente pela ação das leis naturais.
Sua evolução ocorre lentamente.
Cada experiência amplia suas possibilidades futuras.
Cada existência acrescenta novos elementos ao desenvolvimento do princípio inteligente.
Nada permanece estacionário na Criação.
Tudo avança.
Tudo progride.
Tudo obedece à sabedoria divina.

A CONTRIBUIÇÃO DA REVISTA ESPÍRITA DE 1860.
As dissertações do Espírito Charlet apresentam uma visão profundamente moral da relação entre homem e animal.
O Espírito destaca que muitos animais suportam pacientemente sofrimentos impostos pela brutalidade humana.
Afirma que Deus, sendo infinitamente justo, não deixa sem compensação qualquer criatura que padeça injustamente.
Outro aspecto digno de reflexão consiste na afirmação de que o progresso também alcança os animais, tornando-os gradualmente mais aptos à convivência harmoniosa com o homem.
Charlet descreve igualmente mundos mais adiantados, onde os animais revelariam maior desenvolvimento intelectual e comportamental, convivendo em perfeita ordem com os Espíritos superiores.
Embora tais informações pertençam ao campo das comunicações espíritas e devam ser analisadas com prudência metodológica, elas permanecem em plena concordância com o princípio kardequiano da evolução universal.

A GÊNESE E A INTELIGÊNCIA INSTINTIVA.
Em A Gênese, capítulo XI, Allan Kardec reafirma que os animais possuem inteligência instintiva.
Sua consciência existe de maneira restrita.
Não alcança ainda a reflexão moral.
Entretanto, não pode ser confundida com ausência de sensibilidade.
A inteligência animal dirige todas as funções necessárias à conservação da vida.
Essa inteligência representa etapa indispensável da evolução do princípio inteligente.

LÉON DENIS E A ALMA EM ASCENSÃO.
Léon Denis amplia essa compreensão em O Problema do Ser, do Destino e da Dor.
Segundo o eminente consolidador da obra kardequiana, o animal sofre muito mais do que normalmente imaginamos.
Ama.
Reconhece.
Experimenta alegria.
Vivencia tristeza.
Desenvolve afeição.
Sua alma encontra-se em estado inicial de evolução, preparando-se lentamente para etapas superiores.
Essa interpretação permanece inteiramente coerente com o pensamento desenvolvido por Allan Kardec.

ANDRÉ LUIZ E O PERISPÍRITO DOS ANIMAIS.
Em Evolução em Dois Mundos, André Luiz ensina que o perispírito animal registra continuamente as experiências vividas.
As sensações físicas.
Os impulsos emocionais.
As reações instintivas.
Tudo constitui patrimônio evolutivo.
Essas aquisições sucessivas colaboram para o aperfeiçoamento gradual do princípio inteligente.
A evolução jamais ocorre por saltos.
Tudo se desenvolve segundo as leis imutáveis estabelecidas pelo Criador.

EMMANUEL E A FRATERNIDADE UNIVERSAL.
Em O Consolador, Emmanuel define os animais como nossos irmãos em ascensão.
Essa expressão resume admiravelmente a posição espírita.
Os animais não ocupam posição inferior por condenação.
Também não existem apenas para servir ao homem.
São criaturas de Deus.
Participam da mesma obra universal.
Caminham para destinos cada vez mais elevados.
Por isso, merecem respeito, proteção e misericórdia.

O ESPIRITISMO E A CIÊNCIA CONTEMPORÂNEA.
As pesquisas atuais em etologia, neurociência e comportamento animal confirmam numerosos aspectos observados por Allan Kardec há mais de um século e meio.
Hoje sabemos que diversas espécies demonstram:
Reconhecimento individual.
Aprendizagem complexa.
Empatia.
Luto.
Cooperação.
Memória duradoura.
Capacidade de resolver problemas.
Expressões emocionais variadas.
A Ciência descreve os mecanismos biológicos dessas manifestações.
O Espiritismo amplia essa compreensão, ensinando que tais experiências possuem igualmente significado espiritual, contribuindo para a evolução contínua do princípio inteligente.

O DEVER MORAL DO HOMEM.
Reconhecer a sensibilidade dos animais impõe responsabilidades.
Toda crueldade representa grave violação da lei de amor.
Toda violência gratuita constitui abuso da superioridade intelectual concedida ao homem.
O verdadeiro progresso espiritual manifesta-se também na maneira como tratamos aqueles que dependem de nossa proteção.
Quanto mais elevada a inteligência, maior deve ser a compaixão.
Quanto maior a força, maior a responsabilidade.
O Cristo ensinou a misericórdia para todas as criaturas.
O Espiritismo amplia esse ensinamento ao demonstrar que toda a Natureza participa da mesma obra divina.

CONCLUSÃO.
A Doutrina Espírita apresenta uma das mais belas concepções acerca dos animais.
Eles não são máquinas biológicas.
Não possuem ainda a razão moral do homem.
Também não são Espíritos humanos reencarnados.
Constituem princípios inteligentes em marcha evolutiva, dotados de sensibilidade, inteligência instintiva e capacidade progressiva de adquirir experiências.
Suas dores são reais.
Seu afeto é verdadeiro.
Suas emoções participam da grande lei do progresso.
Ao respeitarmos os animais, respeitamos igualmente a sabedoria do Criador, que nada fez inútil e conduz toda a Criação, desde os seres mais simples até os Espíritos mais elevados, pela mesma lei eterna de amor, justiça e progresso.

FONTES:
Allan Kardec. O Livro dos Espíritos. Parte Segunda. Capítulo XI. Questões 592 a 607.
Allan Kardec. A Gênese. Capítulo XI.
Allan Kardec. Revista Espírita. Julho de 1860. "Dos Animais". Comunicações do Espírito Charlet.
Léon Denis. O Problema do Ser, do Destino e da Dor. Capítulo II.
André Luiz, psicografia de Chico Xavier. Evolução em Dois Mundos. Primeira Parte.
Emmanuel, psicografia de Chico Xavier. O Consolador. Questão 79.

REFLEXÃO:
"Quando aprendemos a enxergar nos animais os primeiros degraus da inteligência criada por Deus, compreendemos que a verdadeira superioridade humana não consiste em dominá-los, mas em protegê-los com amor, justiça e misericórdia."

#Espiritismo #AllanKardec #LivroDosEspíritos #RevistaEspírita #Animais #EvoluçãoEspiritual #PrincípioInteligente #DoutrinaEspírita

DOGMA E ESPIRITISMO: ENTRE A RAZÃO FILOSÓFICA E A FÉ RACIOCINADA.
PARTE II
Marcelo Caetano Monteiro.
A palavra dogma, ao longo dos séculos, percorreu diferentes caminhos semânticos, adquirindo significados distintos conforme a cultura, a filosofia e as instituições que dela fizeram uso. Compreender sua verdadeira acepção dentro do Espiritismo exige retornar às suas raízes históricas e confrontá-la com o método, a estrutura e os princípios estabelecidos por Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita.
A pergunta fundamental é: qual definição de dogma melhor se harmoniza com o Espiritismo: a grega, a latina ou a cristã tradicional?
A resposta encontra-se no próprio espírito filosófico da doutrina: o conceito que mais se aproxima do pensamento espírita é o da origem grega - dógma (δόγμα), entendido como opinião fundamentada, princípio ou ideia estabelecida após análise racional.
O Espiritismo não aceita o dogma como imposição autoritária, mas reconhece princípios fundamentais que podem ser chamados de "dogmas de razão", isto é, fundamentos que sustentam uma visão filosófica, porém permanecem submetidos ao exame da inteligência, da observação e da lógica.

A ORIGEM GREGA:
O DOGMA COMO PRINCÍPIO FILOSÓFICO.
Na Grécia Antiga, entre filósofos como Platão e Aristóteles, o termo dógma não possuía inicialmente o sentido moderno de uma verdade obrigatória e intocável. Representava uma conclusão racional, uma opinião fundamentada ou um princípio aceito dentro de determinado sistema filosófico.
O pensamento grego valorizava o diálogo, a investigação e a busca pela verdade através da razão. O conhecimento não era simplesmente recebido; era debatido.
É justamente nesse ponto que encontramos maior afinidade com o Espiritismo.
Allan Kardec, ao estruturar a Doutrina Espírita, não estabeleceu uma religião baseada em decretos humanos, mas um corpo de princípios derivados da observação dos fenômenos espirituais, do raciocínio filosófico e da análise das comunicações mediúnicas.
Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Kardec apresenta um dos pilares fundamentais do pensamento espírita:
"Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade."
Essa afirmação demonstra que a fé espírita não teme a investigação; ao contrário, necessita dela.

A DEFINIÇÃO LATINA:
O DOGMA COMO DECRETO E AUTORIDADE.
Na evolução histórica da palavra, o termo latino dogma aproximou-se do significado de decreto, determinação ou regra estabelecida por uma autoridade.
Essa interpretação não corresponde à estrutura espírita.
O Espiritismo não possui sacerdócio, hierarquia religiosa, tribunal de fé ou autoridade humana capaz de impor crenças obrigatórias. Não existe no movimento espírita uma figura equivalente a um pontífice que determine aquilo que todos devem aceitar sem questionamento.
Kardec estabeleceu um método baseado na universalidade dos ensinos dos Espíritos, na concordância das manifestações e no uso da razão.
Portanto, o sentido latino de dogma, quando entendido como uma ordem imposta por autoridade externa, distancia-se da proposta espírita.

A DEFINIÇÃO CRISTÃ TRADICIONAL:
O DOGMA COMO VERDADE ABSOLUTA.
No campo teológico tradicional, especialmente dentro de determinadas correntes cristãs, dogma passou a significar uma verdade revelada por Deus e definida oficialmente pela autoridade religiosa, tornando-se obrigatória para a fé dos seguidores.
Grandes pensadores cristãos, como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, trabalharam a relação entre fé e razão, porém dentro de uma estrutura teológica na qual certos princípios eram considerados verdades definitivas da revelação.
O Espiritismo, embora reconheça a importância moral e espiritual dos ensinamentos de Jesus, diferencia-se por não adotar verdades impostas como artigos de fé.
Para Kardec, a revelação espiritual não elimina a responsabilidade humana de raciocinar.
A doutrina espírita apresenta Jesus como modelo moral da Humanidade, mas interpreta seus ensinamentos pela perspectiva da evolução espiritual, da justiça divina e da lei de progresso.

ALLAN KARDEC E O CONCEITO DE "DOGMAS DE RAZÃO"
A grande inovação de Kardec foi unir espiritualidade, filosofia e investigação racional.
Em "O Livro dos Espíritos", publicado em 1857, princípios como:
existência de Deus;
imortalidade da alma;
reencarnação;
comunicabilidade dos Espíritos;
evolução moral do ser humano;
formam a estrutura filosófica do Espiritismo.
Esses princípios podem ser considerados "dogmas de razão" porque funcionam como fundamentos do sistema, mas não são aceitos por imposição.
O Espírito humano é convidado a estudar, compreender e refletir.
O próprio Kardec afirmou em "A Gênese":
"O Espiritismo, marchando com o progresso, jamais será ultrapassado, porque se novas descobertas demonstrarem que ele está em erro sobre algum ponto, ele se modificará nesse ponto."
Essa posição revela uma característica essencial: a Doutrina Espírita não teme a verdade, porque acredita que toda verdade legítima está em harmonia com a razão.

HERCULANO PIRES E A VISÃO FILOSÓFICA DO ESPIRITISMO.
O filósofo espírita J. Herculano Pires, conhecido como "o metro que melhor mediu Kardec", aprofundou essa questão ao defender que o Espiritismo deve ser compreendido como uma doutrina dinâmica, filosófica e racional.
Para Herculano Pires, transformar o Espiritismo em um sistema fechado seria contrariar sua própria essência.
A Doutrina Espírita não surgiu para substituir o pensamento humano por uma nova autoridade religiosa, mas para estimular a consciência a buscar a verdade através do estudo e da reflexão.

O ESPIRITISMO É DOGMÁTICO OU ANTIDOGMÁTICO?
A resposta depende do significado atribuído à palavra.
Se dogma significa imposição de uma verdade absoluta, sem exame e sem possibilidade de questionamento, o Espiritismo é claramente antidogmático.
Porém, se dogma significa princípio fundamental de um sistema filosófico, então o Espiritismo possui seus fundamentos, denominados por alguns estudiosos como dogmas de razão.
A diferença está na natureza desses princípios:
O dogma tradicional exige submissão.
O princípio espírita convida à compreensão.
O dogma religioso fechado encerra a investigação.
O pensamento espírita mantém aberta a busca pela verdade.

CONCLUSÃO:
A PALAVRA DOGMA SOB A LUZ ESPÍRITA.
Entre as três definições analisadas, a origem grega é a que melhor corresponde ao Espiritismo, pois preserva a ideia de princípio racional e filosófico.
O Espiritismo não se apresenta como uma doutrina de crenças cegas, mas como uma proposta de investigação espiritual fundamentada na razão, na moral de Jesus e na lei de progresso.
Seus princípios não são correntes que aprisionam a consciência; são caminhos que estimulam o pensamento.
Como ensinou Kardec, a verdadeira fé não teme a luz da razão, porque aquilo que é verdadeiramente divino jamais será destruído pelo conhecimento.

AFORISMO FILOSÓFICO.
( "Todo dogma que impede o pensamento transforma-se em prisão; porém, todo princípio que desperta a razão torna-se uma janela aberta para a verdade." )
M.C.M.

FONTES:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Paris, 1857.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Paris, 1864.
KARDEC, Allan. A Gênese — Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. Paris, 1868.
PIRES, J. Herculano. O Espírito e o Tempo. São Paulo, 1964.
PIRES, J. Herculano. Kardec: O Homem, a Época, o Meio, as Influências e a Missão.
AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus.
AQUINO, Tomás de. Suma Teológica.
Platão. Diálogos Filosóficos.
Aristóteles. Metafísica.

ENTENDENDO O DOGMA " NO ESPIRITISMO "
PARTE I
Marcelo Caetano Monteiro.
Qual a melhor definição que cabe para o espiritismo sobre a palavra dogma: e qual a definição que serve melhor ao espiritismo: a grega, a latina ou a cristã. Para o Espiritismo, a melhor definição da palavra dogma é a de um "dogma de razão" ou princípio fundamental aberto ao livre exame, rejeitando completamente o conceito de verdade indiscutível. Entre as três opções originárias, a definição grega é a que serve melhor à Doutrina Espírita.Por que a definição Grega serve melhor ao Espiritismo?Para compreender qual definição se ajusta ao Espiritismo, é necessário analisar a evolução histórica do termo e o modelo estrutural da doutrina:A Definição Grega (Dógma): Significa originalmente "opinião", "o que se pensa ser verdade" ou "fundamentado em princípios". Na Grécia Antiga, os filósofos usavam o termo para designar uma premissa elementar a partir da qual se desenvolvia um sistema de ideias, mas que passava constantemente pelo crivo do debate e da lógica. É a que melhor serve ao Espiritismo porque a doutrina trabalha com princípios e leis que derivam da observação e do bom senso, e não de imposições cegas.A Definição Latina (Dogma): Evoluiu para o sentido de "decreto", "regra" ou "ordem administrativa" imposta por uma autoridade política ou jurídica. O Espiritismo não possui uma estrutura hierárquica centralizada (como um Papa ou clero) que emita decretos ou obrigue a aceitação de normas comportamentais sob pena de excomunhão.A Definição Cristã (Teológica Tradicional): Define o dogma como uma "verdade absoluta de fé", revelada divinamente, que é definitiva, irrevogável e inquestionável. O catolicismo e outras vertentes cristãs tradicionais exigem que o fiel aceite o dogma sem discussão. Essa visão é incompatível com o Espiritismo.A Visão Espírita: "Dogmas de Razão"O codificador Allan Kardec e pensadores clássicos como J. Herculano Pires esclarecem que o Espiritismo se divide em relação ao termo:Rejeição ao Dogma de Fé: O Espiritismo é antidogmático no sentido clerical/cristão tradicional. Ele propõe a fé raciocinada e estabelece que "fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade". Nenhum ponto da doutrina é indiscutível ou imutável.Aceitação como Dogma de Razão: Se usarmos a palavra "dogma" apenas como sinônimo de eixo estrutural (o sentido grego), o Espiritismo possui seus pilares. Princípios como a reencarnação, a existência de Deus, a imortalidade da alma e a comunicabilidade dos espíritos são chamados de "dogmas de razão". Eles são as bases lógicas do sistema espírita, mas são oferecidos ao exame da inteligência e da ciência, e não impostos pela força.Se a ciência comprovar amanhã que algum princípio espírita está objetivamente errado, o Espiritismo se modificará nesse ponto, o que demonstra a total flexibilidade de seus "dogmas".Para aprofundar esse estudo, você gostaria de:Compreender como Allan Kardec detalha a fé raciocinada frente à ciência?Analisar as críticas que o Espiritismo faz aos dogmas específicos da Igreja (como as penas eternas ou a Santíssima Trindade)?Entender a diferença prática entre um princípio científico e um dogma religioso?

Espiritismo é algo que controla a sua mente, torna a sua vida escrava, deprimente e cheia de propósitos místicos, trazendo uma religião morta, infrutífera e frustrada, sem os oráculos de Cristo.

ESPIRITISMO E ESPIRITISMO KARDECISTA:
UM É CORPO DE DOUTRINA, O OUTRO, MÉTODO DE ESTUDO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Há uma distinção que merece ser examinada com maior atenção dentro do próprio movimento espírita: a diferença entre Espiritismo e aquilo que muitos denominam Espiritismo kardecista.

A primeira expressão designa a Doutrina.

A segunda, embora não seja uma denominação criada por Allan Kardec para nomear uma nova doutrina, é utilizada contemporaneamente por aqueles que desejam destacar sua vinculação à codificação kardeciana e, sobretudo, ao modo pelo qual Allan Kardec investigou, organizou e submeteu os ensinamentos espíritas ao exame da razão.

É nesse sentido que a distinção pode ser formulada:

O Espiritismo constitui o corpo de princípios doutrinários; o kardecista, em sua acepção metodológica, identifica aquele que toma Kardec e seu método como referência fundamental para o estudo e a compreensão desse corpo doutrinário.

Não se trata, portanto, de colocar uma coisa contra a outra.

Trata-se de compreender funções diferentes.

O QUE É O ESPIRITISMO?

Allan Kardec empregou a palavra Espiritismo para designar a doutrina decorrente do estudo dos fenômenos espíritas e dos ensinamentos dos Espíritos.

Em O Livro dos Espíritos, encontramos a conhecida definição:

“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.”

Há, portanto, um conjunto de princípios.

Deus.

A existência e imortalidade do Espírito.

A pluralidade das existências.

A pluralidade dos mundos habitados.

A comunicabilidade dos Espíritos.

A lei de causa e efeito.

O progresso espiritual.

A responsabilidade moral.

A vida futura.

Esses princípios compõem aquilo que podemos chamar de corpo doutrinário espírita.

O Espiritismo, nesse sentido, não é simplesmente uma maneira particular de estudar os Espíritos. É um conjunto organizado de conhecimentos e consequências filosóficas e morais decorrentes desse estudo.

E O QUE SIGNIFICA “KARDECISTA”?

É aqui que a palavra precisa ser empregada com precisão.

Kardecista é uma designação derivada do nome de Allan Kardec.

Não foi Kardec quem denominou sua doutrina de “Kardecista”, nem “Espiritismo kardecista” foi o nome original escolhido para a Doutrina.

O termo surgiu posteriormente e passou a ser utilizado para identificar aqueles que se vinculam de maneira especial à codificação de Allan Kardec.

Quando alguém afirma ser espírita kardecista, normalmente está procurando dizer que não deseja apenas identificar-se genericamente com o Espiritismo, mas enfatizar uma determinada fidelidade à obra de Kardec.

E essa fidelidade não deveria ser entendida como culto à personalidade.

Deveria ser entendida como fidelidade aos princípios e ao método de investigação que caracterizaram a Codificação.

É justamente aí que aparece o ponto central da nossa proposição.

O CORPO DE DOUTRINA E O MÉTODO.

O Espiritismo oferece o objeto do conhecimento.

A orientação kardecista procura preservar o modo de estudá-lo.

Em outras palavras:

O Espiritismo diz respeito ao conteúdo doutrinário.

O kardecista, quando utilizado em sentido metodológico, diz respeito à maneira de abordar esse conteúdo a partir da obra e do método de Kardec.

Essa diferença parece pequena, mas possui enormes consequências.

Porque uma doutrina pode ser conhecida sem que seu método seja compreendido.

É possível conhecer as conclusões de Kardec e desconhecer o caminho intelectual que conduziu a elas.

Pode-se decorar conceitos espíritas sem compreender como foram estabelecidos.

Pode-se repetir mensagens mediúnicas sem submetê-las ao exame racional.

Pode-se citar O Livro dos Espíritos sem estudar a metodologia que está por trás de sua elaboração.

E então ocorre uma inversão perigosa:

o estudante passa a tratar como dogma aquilo que Kardec tratou como objeto de investigação.

SER KARDECISTA NÃO É ACREDITAR EM KARDEC.

Aqui está talvez a questão mais importante.

Ser kardecista não deveria significar:

“Eu acredito em Kardec.”

Isso seria insuficiente.

E, em certa medida, contrariaria o próprio espírito da metodologia kardeciana.

O verdadeiro respeito a Kardec está menos em acreditar nele do que em compreender como ele trabalhou.

Kardec investigava.

Comparava.

Questionava.

Examinava.

Classificava.

Raciocinava.

Procurava concordâncias.

Identificava contradições.

Distinguia opinião de princípio.

Não aceitava automaticamente uma comunicação apenas porque ela vinha de um Espírito.

E não transformava a mediunidade em garantia absoluta da verdade.

Essa postura é fundamental.

Porque o médium pode equivocar-se.

O Espírito comunicante pode equivocar-se.

O intérprete pode equivocar-se.

E o próprio estudante pode equivocar-se.

Por isso, o método torna-se instrumento de proteção contra a precipitação.

O KARDECISTA E A RAZÃO.

O kardecista, nesse sentido, não deveria ser aquele que encerra a inteligência diante de Kardec.

Deveria ser aquele que aprendeu com Kardec a não abdicar da inteligência.

A fidelidade verdadeira não é repetição mecânica.

É compreensão.

Não consiste em transformar cada frase antiga em resposta definitiva para qualquer problema contemporâneo.

Consiste em compreender os princípios e aplicar o método de maneira coerente, sem adulterar seus fundamentos.

Isso explica por que a palavra “kardecista” pode ter utilidade quando alguém deseja diferenciar sua orientação de outras correntes que também utilizam a palavra “espiritismo”, mas que incorporaram elementos estranhos ou posteriores à codificação.

Nesse caso, “espiritismo kardecista” funciona como uma delimitação de referência.

Não significa uma segunda doutrina.

Significa uma identificação com a tradição doutrinária fundada na Codificação de Allan Kardec.

A DOUTRINA E A DISCIPLINA DO PENSAMENTO.

Talvez possamos representar a distinção de modo ainda mais simples.

O Espiritismo é o edifício doutrinário.

O kardecista é aquele que procura estudar esse edifício seguindo a orientação intelectual estabelecida por Kardec.

Um corresponde ao conhecimento.

O outro, à disciplina com que esse conhecimento é examinado.

E essa disciplina é indispensável.

Porque sem ela o Espiritismo pode ser progressivamente misturado com opiniões pessoais, superstições, revelações particulares, interpretações mediúnicas não verificadas e conceitos estranhos à Codificação.

O problema não está na evolução do pensamento.

O Espiritismo jamais precisaria temer o conhecimento novo.

O problema está em atribuir à Doutrina aquilo que pertence apenas à opinião individual de alguém.

É justamente para evitar essa confusão que o método possui tanta importância.

CONCLUSÃO.

Assim, quando alguém afirma:

“Sou espírita kardecista”,

podemos compreender essa declaração como uma maneira de afirmar:

“Minha referência fundamental para compreender o Espiritismo é a Codificação de Allan Kardec e o método de estudo que a caracteriza.”

Mas é importante não transformar essa expressão em uma nova religião.

O nome da Doutrina é Espiritismo.

Kardec é o codificador.

Kardecista é a designação posterior daquele que se vincula à orientação kardeciana.

E a diferença essencial está justamente aí.

O Espiritismo oferece o corpo de princípios.

A orientação kardecista preserva a importância do método de estudo, exame e discernimento legado por Kardec.

Por isso, talvez a maior homenagem que se possa prestar ao Codificador não seja repetir constantemente seu nome.

É fazer aquilo que ele nos ensinou:

estudar antes de afirmar, examinar antes de aceitar, raciocinar antes de concluir e jamais confundir a verdade com a simples autoridade de quem fala.

Porque o verdadeiro espírito kardeciano não é aquele que teme a pergunta.

É aquele que sabe que uma convicção verdadeiramente esclarecida não precisa fugir do exame.

E, no Espiritismo, estudar não é apenas acumular respostas.

É aprender a fazer perguntas melhores.

O ESPIRITISMO É PROGRESSIVO.

_ Períodos Espíritas – Fases de Uma Transição Consciente.

Com sua personalidade cientifica e alta capacidade para sintetizar conteúdos complexos de forma didática, Allan Kardec reuniu as mensagens dos mentores com os informes recebidos diariamente por cartas de grupos espalhados geograficamente. Aliada a estes dados havia ainda a forte impressão causada pelas seis semanas em que ele empreendeu uma viagem por mais de vinte cidades em 1862. Naquela ocasião o codificador teve contato direto com os espíritas e pode observar os impactos da doutrina no dia a dia daqueles grupos.

Na Revista Espírita, de dezembro de 1863, Allan Kardec publicou suas impressões sobre os rumos do Espiritismo, divido em seis fases, ou períodos, com características especificas:

O Primeiro Período, da “Curiosidade”.

Iniciado em 31 de março de 1848 com o caso de Hydesville, triste história das irmãs Fox e a sequência de fenômenos físicos que se seguiram, como as famosas mesas girantes que atraiam um publico diverso e na maioria despreocupados quanto aos significados científicos daquelas experiências.

O Segundo Período, chamado de “Filosófico”.
Iniciou em 18 de abril de 1857, quando foi publicado em Paris “O Livro dos Espíritos” trazendo ao público as consequências morais do Espiritismo, agora não mais um objeto de diversão curiosa, mas uma Ciência Filosófica embasada em análises, comparações, estudos e pesquisas.

Rapidamente aceito e difundido o Espiritismo respondia as indagações dos teóricos e indicava um norte seguro aos que buscavam respostas além dos limites impostos ao conhecimento daquela época.

A publicação de “O Livro dos Médiuns” em 15 de janeiro de 1861 coroava a doutrina com instruções práticas e métodos seguros, que permitiam a todos os grupos experimentar e comprovar o Espiritismo.

Era uma ameaça que as tradições dominantes, das religiões e do materialismo, não tardariam em responder, pois afetava diretamente o domínio que exerciam sobre as mentes da humanidade.

Em um primeiro momento tentaram desacreditar de forma jocosa o nascente movimento, mas suas piadas não tiveram força suficiente para vencer os fatos. Passaram então aos ataques por sermões contundentes, excomunhões, perseguições, calúnias e violência.

O Terceiro Período, de “Luta”.
Começou oficialmente no dia 09 de outubro de 1861, com o Auto de Fé de Barcelona, quando trezentas publicações foram queimadas em praça pública.

No ano de 1863, Allan Kardec encontrava-se em pleno período de confrontos e recebia a inspiração dos mentores quanto aos caminhos a serem seguidos:

Periodos_Espiritas_Fases de_Uma_Transição_Consci-ente.

Períodos Espíritas.
Com sua personalidade cientifica e alta capacidade para sintetizar conteúdos complexos de forma didática, Allan Kardec reuniu as mensagens dos mentores com os informes recebidos diariamente por cartas de grupos espalhados geograficamente. Aliada a estes dados havia ainda a forte impressão causada pelas seis semanas em que ele empreendeu uma viagem por mais de vinte cidades em 1862. Naquela ocasião o codificador teve contato direto com os espíritas e pode observar os impactos da doutrina no dia a dia daqueles grupos.

Na Revista Espírita, de dezembro de 1863, Allan Kardec publicou suas impressões sobre os rumos do Espiritismo, divido em seis fases, ou períodos, com características especificas:

O Primeiro Período, da “Curiosidade”.
Iniciado em 31 de março de 1848 com o caso de Hydesville, triste história das irmãs Fox e a sequência de fenômenos físicos que se seguiram, como as famosas mesas girantes que atraiam um publico diverso e na maioria despreocupados quanto aos significados científicos daquelas experiências.

O Segundo Período, chamado de “Filosófico”.
Iniciou em 18 de abril de 1857, quando foi publicado em Paris “O Livro dos Espíritos” trazendo ao público as consequências morais do Espiritismo, agora não mais um objeto de diversão curiosa, mas uma Ciência Filosófica embasada em análises, comparações, estudos e pesquisas.

Rapidamente aceito e difundido o Espiritismo respondia as indagações dos teóricos e indicava um norte seguro aos que buscavam respostas além dos limites impostos ao conhecimento daquela época.

A publicação de “O Livro dos Médiuns” em 15 de janeiro de 1861 coroava a doutrina com instruções práticas e métodos seguros, que permitiam a todos os grupos experimentar e comprovar o Espiritismo.

Era uma ameaça que as tradições dominantes, das religiões e do materialismo, não tardariam em responder, pois afetava diretamente o domínio que exerciam sobre as mentes da humanidade.

Em um primeiro momento tentaram desacreditar de forma jocosa o nascente movimento, mas suas piadas não tiveram força suficiente para vencer os fatos. Passaram então aos ataques por sermões contundentes, excomunhões, perseguições, calúnias e violência.

O Terceiro Período, de “Luta”.
Começou oficialmente no dia 09 de outubro de 1861, com o Auto da Fé de Barcelona, quando trezentas publicações foram queimadas em praça pública.

No ano de 1863, Allan Kardec encontrava-se em pleno período de confrontos e recebia a inspiração dos mentores quanto aos caminhos a serem seguidos:

… Estamos, pois, em pleno período de luta, que não terminou. Vendo a inutilidade dos ataques a céu aberto, vão ensaiar a guerra subterrânea, que se organiza e já começa. Uma calma aparente vai ser sentida, mas é a calma precursora da tempestade…”

E a comunicação do espírito Erasto, na mesma Revista Espírita em dezembro de 1863, era clara:
… Não vos martirizarão corporalmente, como nos primeiros tempos da Igreja; não erguerão fogueiras homicidas, como na Idade Média, mas vos torturarão moralmente; armarão ciladas, armadilhas tanto mais perigosas quanto usarão mãos amigas; agirão na sombra; recebereis golpes, sem que saibais de onde partem, e sereis feridos em pleno peito pelas setas envenenadas da calúnia. Nada faltará às vossas dores; suscitarão defecções em vossas fileiras e os pretensos espíritas, perdidos pelo orgulho e pela vaidade, se prevalecerão de sua independência, exclamando: “Somos nós que estamos no caminho certo”, a fim de que os vossos adversários natos possam dizer: “Vede como são unidos” Tentarão semear o joio entre os grupos, provocando a formação de grupos dissidentes; cooptarão os vossos médiuns para fazê-los entrar no mau caminho ou para desvia-los dos grupos sérios; empregarão a intimidação para uns, a captação para os outros; explorarão todas as fraquezas. Depois, não esqueçais que alguns viram no Espiritismo um papel a desempenhar, e um papel de primazia, que hoje experimentam mais de uma desilusão em sua ambição.

Prometer-lhes-ão de um lado o que não puderem achar no outro. Depois, enfim, com dinheiro, tão poderoso em vosso século atrasado, poderão encontrar comparsas para representar indignas comédias, visando a lançar o descrédito e o ridículo sobre a doutrina…

Prevendo o final do Período de Lutas, Allan Kardec antevia os próximos períodos que poderiam ser esperados:

O Quarto Período, “Religioso” ou “Fase Teológica do Espiritismo”.
De breve duração, como o romper das correntes que prendem o Espírito, seria logo superado.

O Quinto Período, ou “Fase Intermediária”.
Onde elementos das fases anteriores ainda estariam presentes, mas ajustando-se em entendimento mútuo e abrindo caminho para o último momento.

O Sexto Período, ou de “Regeneração Social”.
Enfim a humanidade realizaria o progresso interno capaz de nos trazer a noção do nosso verdadeiro dever. As pessoas compreenderiam que a cooperação não pode ser imposta por leis enquanto o egoísmo não for superado internamente e todos decidirem livremente pela solidariedade como opção consciente de evolução moral.

Nas previsões otimistas de Kardec, este último período deveria nascer no inicio do século XX, marcando o que hoje conhecemos como Transição Planetária.

Eram suposições lógicas com bases nos fatos anteriores, mas a “guerra subterrânea” promovida pelos opositores do ideal espírita teve sucessos que modificaram o ritmo de acontecimentos inicialmente previsto.

Hoje, de posse dos conhecimentos atuais dos rumos tomados naquele tempo, considero o inicio do Quarto Período, ou “Fase Teológica do Espiritismo”, no dia 15 de abril de 1864 com a publicação em Paris do “Evangelho segundo o Espiritismo”.

Este período religioso desenvolveu-se com a publicação de “O Céu e o Inferno” em 01 de agosto de 1865 e terminou três anos depois.

O Quinto Período, ou “Fase Intermediária”, iniciou com a publicação, em 06 de janeiro de 1868, do conteúdo original da obra “A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo”.

Allan Kardec desencarnou em 31 de março de 1869 nos deixando a missão de superar a “Fase Intermediária” compartilhando o conhecimento para que a última fase tivesse inicio em breve.

Porém, entre disputas pela primazia e pelo poder de decisão quanto aos rumos do movimento, a “guerra subterrânea” foi mantida. Seus esforços impediram o avanço da “Fase Intermediária” e tentam até hoje o retorno da “Fase Teológica”.

Chegamos ao século XXI ainda nos debatendo no “Período Intermediário” com representantes de diversos ramos disputando um poder ilusório enquanto o conhecimento vai, pouco a pouco, sendo esquecido.

O dever moral nos impele a resgatar as palavras do codificador fazendo que “A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo” realmente marque o fim da “Fase Teológica” e ilumine nossos passos conscientes na superação da “Fase Intermediária”.

O planeta não evolui sozinho, não existe Transição Planetária sem a participação de todos impulsionando a solidariedade como uma rede em sintonia.
Por muito tempo, ouvi teorias de cataclismos, cometas condutores e exílios em mundos distantes, mas hoje percebo que eram apenas ilusões nos impedindo de ver a verdade:

Continuaremos indefinidamente nas trevas da imperfeição e da ignorância enquanto não dermos o primeiro passo no caminho do conhecimento, como senhores e personagens principais da nossa própria evolução espiritual.

_Catálogo racional de obras para se fundar uma biblioteca espírita > III - Obras realizadas fora do Espiritismo.

III – OBRAS REALIZADAS FORA DO ESPIRITISMO.

As obras seguintes, escritas em diferentes épocas, interessam ao Espiritismo pela similitude dos princípios, pelos pensamentos espíritas que nelas se encontram, pelos documentos úteis que encerram ou pelos faltos que aí se acham casualmente relatados. Entre os autores contemporâneos, se alguns escreveram sem o conhecer, outros, sem o nomear, inspiraram-se evidentemente no todo ou em parte de seus princípios.

Se incluímos neste catálogo algumas obras que já não se encontram à venda, em razão de sua antiguidade ou porque estão esgotadas – o que tivemos o cuidado de indicar – é para chamar sobre elas a atenção das pessoas que possam encontrá-las nas bibliotecas ou em algum outro ligar.

FILOSOFIA E HISTORIA.

ALMA (A), demonstração de sua realidade deduzidas dos efeitos do clorofórmio da anestesia, por RAMON DE LA SAGRA, correspondente do Instituto 1868. – 1 vol. In-12,2 fr. 50 c.; pelo correio, 2 fr. C Paris, Germer Ballière.

Em ciência pura e experimental, o autor procura demonstrar, nos fenômenos da anestesia que a alma se revela independente da ação orgânica e que os incrédulos a encontrarão quando se derem ao trabalho de observar. (Revista Espírita, julho de 1868, pág. 219).

Sabermos que fora da caridade não há salvação. Esse é um do tripé do espiritismo. Podemos fazer caridade doando dinheiro, na casa espirita recebendo com carinho aquele que vem procurar ajuda espiritual e conforto para o momento ruim que está passando. Podemos fazer caridade, ouvindo com atenção e carinho um colega de trabalho que tem algum problema e tentar ajudar de qualquer maneira, mesmo que seja apenas com uma opinião. Podemos ser voluntários em um orfanato ou asilo, dando atenção e carinho a crianças e a velhos. Mas, a maior caridade é aquela que podemos fazer com conosco mesmo, nos reconhecendo como filhos de Deus, que nos ama e nos dá todas as oportunidades para continuarmos a nossa caminhada. Podemos fazer caridade nos aceitando com nossas limitações, aceitando os nossos erros e procurando nos policiar para que possamos mudar e melhorar, mas também, reconhecendo as nossas qualidades e sempre procurarmos ser melhores. O que não podemos é, em nome da caridade, nos deixar humilhar e permitir que qualquer pessoa nos faça sofrer. Cada um de nós tem um lugar neste mundo. Todos nós nascemos para ser livres. Se permitirmos que alguém nos humilhe, nunca poderemos atingir essa liberdade. Se alguém nos humilha, não somos nós quem precisa mudar quem precisa mudar é ele.

Inserida por LuPAComunicacao

"O Espiritismo, melhor compreendido hoje, acrescenta, para os incrédulos, a evidência à teoria. Prova o futuro por fatos patentes; diz em termos claros e inequívocos o que o Cristo disse por parábolas; explica as verdades desconhecidas ou falsamente interpretadas; revela a existência do mundo invisível ou dos Espíritos e inicia o homem nos mistérios da vida futura; vem combater o materialismo, que é uma revolta contra o poder de Deus. Vem, finalmente, estabelecer entre os homens o reinado da caridade e da solidariedade, anunciado pelo Cristo. Moisés lavrou, o Cristo semeou, o Espiritismo vem colher."
Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail)

"Uma idéia mais ou menos geral entre as pessoas que não conhecem o Espiritismo é crer que os Espíritos, apenas porque estão desprendidos da matéria, devem saber tudo e possuir a soberana sabedoria. Isto é um erro grave.
Não sendo os Espíritos mais que as almas dos homens, não adquiriram a perfeição ao deixarem o seu invólucro terrestre. O progresso do Espírito só se realiza com o tempo e não é senão aos poucos que ele se despoja de suas imperfeições e adquire os conhecimentos que lhe faltam. Seria igualmente ilógico admitir que o Espírito de um selvagem, ou de um criminoso, de repente se tornasse culto e virtuoso, como seria contrário à justiça de Deus imaginar que aquele permanecesse em perpétua inferioridade.
Assim como há homens de todos os graus de saber e de ignorância, de bondade e de malvadez, também os há entre os Espíritos. Existem os que são levianos e brincalhões; os que são mentirosos, velhacos, hipócritas, maus e vingativos; outros, ao contrário, possuem as mais sublimes virtudes e o saber em grau desconhecido na Terra. Essa diversidade na qualidade dos Espíritos é um dos pontos mais importantes a considerar, pois explica a natureza boa ou má das comunicações que se recebem. É sobretudo em distingui-los que nos devemos empenhar. (O Livro dos Espíritos, nº 100, "Escala Espírita". - O Livro dos Médiuns, capítulo XXIV.)"
Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail)

"O Espiritismo tem por fim demonstrar e estudar a manifestação dos Espíritos, suas faculdades, sua situação feliz ou infeliz, seu futuro; em suma, o conhecimento do mundo espiritual.
Essas manifestações, sendo averiguadas, conduzem à prova irrecusável da existência da alma, de sua sobrevivência ao corpo, de sua individualidade depois da morte, isto é, de sua vida futura; por isso ele é a negação das doutrinas materialistas, não tanto por meio de raciocínios, mas principalmente por fatos."
Allan Kardec (Hippolyte Léon Denizard Rivail)

(O que é o Espiritismo / por Allan Kardec. [tradução da Redação de Reformador em 1884] – 56. ed. 1. imp. – Brasília: FEB, 2013.)