Espiritismo
Espiritismo é algo que controla a sua mente, torna a sua vida escrava, deprimente e cheia de propósitos místicos, trazendo uma religião morta, infrutífera e frustrada, sem os oráculos de Cristo.
O Espiritismo ensina que quem aprende a respeitar os animais acelera sua própria evolução, porque aprende amor sem interesse, cuidado sem troca e responsabilidade sem glória.
O espiritismo tem suas ideologias
acreditam na reencarnação, a bíblia
fala que o homem só podem morrer uma
vez, anos e anos isso acontece monta se
uma teoria e se ganha fortunas com suas ideias....
" O Espiritismo matou a morte. Nele é comprovado que o túmulo da morte é a vida e vida inevitável. "
"Entre o Espiritismo e outros sistemas filosóficos há esta diferença capital; que todos estes são obras de homens mais ou menos esclarecidos, ao passo que, naquele que me atribui (o Espiritismo), eu não tenho o mérito da invenção de um só princípio. Diz-se: a filosofia de Platão, de Descartes, de Leibnitz; nunca se poderá dizer: a doutrina de Allan Kardec; e isto, felizmente, pois que valor pode ter um nome em assunto de tamanha gravidade? O Espiritismo tem auxiliares de maior preponderância, ao lado dos quais somos simples átomos. "
Allan Kardec, O Que é o Espiritismo - Cap. I, 2° diálogo: 'Elementos de convicção'
" O Espiritismo não disse ainda a sua última palavra... "
O Moinho de Vicq-sur-Nahon”, publicado na Revista Espírita 1867, mês de abril:
[…] estamos longe de conhecer todas as leis que regem o mundo invisível, todas as forças que este mundo encerra, todas as aplicações das leis que conhecemos. O Espiritismo não disse ainda a sua última palavra, muito longe disto, não mais sobre as coisas físicas do que sobre as coisas espirituais.
A LÂMPADA PERPÉTUA DO ESPÍRITO EM ASCENSÃO.
No solo fértil do Espiritismo, o campo moral revela-se como uma primavera constante, onde indagações e buscas se movem em harmonia com a lei do progresso. A estação que retorna, sempre mais clara, reflete o desvanecer gradual do homem velho, cuja sombra se afasta diante da luz cristã que se projeta com rigor e serenidade.
A marcha do Espírito delineia-se como processo de depuração contínua, sustentado pela disciplina íntima e pela ordem moral que atravessa os séculos. A coerência torna-se patrimônio sagrado, herança que não pode ser negligenciada. A geração vindoura aproxima-se, ávida por fundamentos sólidos, exigindo que o legado seja transmitido com gravidade, lucidez e fidelidade aos princípios revelados.
Nenhuma doutrina se mantém viva apenas pelas teorias que abriga; sustenta-se pela integridade que lhe confere substância. A continuidade do ensino espiritual requer firmeza ética, clareza de pensamento e respeito à tradição que moldou a consciência racional e sensível do Espiritismo. Cada gesto coerente ergue um marco, cada palavra reta preserva a lâmpada moral que deve seguir acesa através das eras.
A marcha coletiva segue adiante, silenciosa e austera, conduzida pelo brilho das leis universais. Que o fulgor dessa trajetória mantenha acesa a chama que, ao ultrapassar os limites do tempo, reafirma a vocação luminosa do Espírito rumo à sua perpetuidade ascendente.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
ENTRE A LUZ E A SUPERSTIÇÃO: A VERDADE ESSENCIAL SOBRE O QUE O ESPIRITISMO É E O QUE ELE JAMAIS FOI.
O VAZIO DAS FORMAS E A PUREZA DA IDEIA ESPÍRITA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
Há um desvio silencioso que, pouco a pouco, infiltra-se nas consciências menos vigilantes: a substituição do estudo pela aparência, da essência pelo símbolo, da verdade pela ornamentação ilusória. No campo do Espiritismo, tal desvio revela-se particularmente grave, porque atinge o núcleo de uma Doutrina que se fundamenta na razão, na moral e na simplicidade.
O Espiritismo não se edifica sobre formas exteriores. Não necessita de sinais, talismãs, objetos, vestimentas especiais, consagrados ou fórmulas ritualísticas. Toda tentativa de materializar o invisível por meio de instrumentos simbólicos constitui regressão às práticas supersticiosas que a própria Doutrina veio dissipar. A relação entre o mundo corporal e o mundo espiritual não se estabelece por meios mecânicos, mas por afinidade moral, elevação de pensamento e sinceridade de intenção.
A crença em objetos dotados de poder espiritual é expressão inequívoca de desconhecimento das leis que regem a comunicação entre os Espíritos e os homens. A matéria, por si mesma, não exerce ação sobre os Espíritos. Atribuir-lhe tal capacidade é reduzir o princípio inteligente a uma submissão que ele não possui. Espíritos não se atraem por amuletos, nem se afastam por símbolos. Aproximam-se ou se distanciam conforme a qualidade moral daqueles que os evocam.
Essa verdade, embora simples, exige disciplina intelectual para ser assimilada. E é justamente essa disciplina que muitos evitam. Preferem o caminho breve das crendices ao esforço contínuo do estudo. Onde falta investigação séria, proliferam invenções. Onde escasseia o compromisso doutrinário, surgem práticas híbridas, destituídas de fundamento, mas revestidas de aparente espiritualidade.
O resultado é uma adulteração da Doutrina. Introduzem-se elementos estranhos, mesclam-se conceitos inconciliáveis, e o Espiritismo, que é ciência de observação e filosofia moral, passa a ser confundido com um sistema de crenças arbitrárias. Essa deformação não apenas compromete a compreensão individual, mas também obscurece o caráter da Doutrina perante aqueles que a observam de fora.
É preciso afirmar com clareza: O Espiritismo repele toda forma de superstição. Não há dias propícios, objetos sagrados, palavras mágicas ou rituais secretos. Há, sim, consciência, responsabilidade e elevação moral. A mediunidade, quando existe, manifesta-se de modo natural, sem aparato, sem teatralidade, sem necessidade de qualquer suporte material.
O estudo sério constitui, portanto, o único antídoto contra tais desvios. Estudar não é acumular informações superficiais, mas compreender princípios, analisar consequências e aplicar ensinamentos à própria vida. Sem esse esforço, o indivíduo permanece na periferia da Doutrina, vulnerável a interpretações equivocadas e inclinado a preencher o vazio do desconhecimento com construções imaginárias.
Não se trata apenas de erro intelectual, mas de responsabilidade moral. Ao deturpar o Espiritismo, o indivíduo não compromete apenas a si mesmo, mas contribui para a disseminação de ideias falsas que afastam outros da verdade. A ignorância, quando assumida com humildade, pode ser corrigida. Mas quando se reveste de convicção infundada, torna-se obstáculo mais difícil de remover.
A simplicidade é, pois, o critério seguro. Onde há excesso de formas, desconfie-se da ausência de conteúdo. Onde há necessidade de símbolos, suspeite-se da fragilidade da compreensão. O Espiritismo é despojado porque é profundo. Não precisa de adornos porque se sustenta na coerência de suas leis e na elevação de seus propósitos.
Preservar sua pureza é tarefa de todos os que o estudam com seriedade. E essa preservação começa no íntimo, na recusa consciente de tudo aquilo que não encontra respaldo na razão, na moral e na observação.
Porque, em matéria espiritual, não é o que se inventa que ilumina, mas o que se compreende que transforma.
Há equívocos persistentes que atravessam os séculos, nutridos pela ignorância, pela má interpretação dos textos sagrados e pela tendência humana de associar o desconhecido ao temível. O Espiritismo, desde o seu surgimento no século XIX, tem sido frequentemente confundido com práticas mágicas, supersticiosas ou mesmo proibidas pelas Escrituras. Contudo, uma análise rigorosa, à luz da razão, da moral e da própria revelação espiritual progressiva, revela uma distinção profunda, essencial e intransponível entre a Doutrina Espírita e tudo aquilo que ela mesma condena.
O primeiro ponto que se impõe com clareza é o contexto histórico da proibição mosaica. Ao se referir ao trecho de Deuteronômio, capítulo 18, versículos 10 a 12, é imprescindível compreender que Moisés legislava para um povo rude, recém-saído da escravidão egípcia, profundamente inclinado às práticas idólatras e supersticiosas. As evocações, naquele tempo, não possuíam caráter moral, instrutivo ou elevado. Eram, ao contrário, instrumentos de adivinhação, comércio e manipulação, frequentemente associados a práticas degradantes, inclusive sacrifícios humanos.
Dessa forma, a proibição não recaía sobre a comunicação espiritual em si, mas sobre o uso indevido, interesseiro e supersticioso dessa faculdade. Tal distinção é capital. Confundir a interdição de abusos com a negação de um princípio natural é um erro de interpretação que não resiste a um exame sério.
A própria lógica bíblica reforça essa compreensão. Se Moisés proibiu a evocação dos mortos, é porque tal fenômeno era possível. Uma proibição de algo inexistente careceria de sentido. Logo, admite-se implicitamente a realidade da comunicação espiritual, ainda que mal utilizada à época.
Avançando na revelação espiritual, encontramos no Evangelho e nos escritos apostólicos indicações ainda mais claras. Em Atos dos Apóstolos, capítulo 2, versículos 17 e 18, lê-se que o Espírito seria derramado sobre toda carne, resultando em profecias, visões e sonhos. Já na primeira epístola de João, capítulo 4, versículo 1, há uma orientação precisa: "não creiais em todos os Espíritos, mas provai se os Espíritos são de Deus". Tal recomendação não apenas admite a comunicação espiritual, como estabelece o critério moral para sua validação.
Assim, a revelação cristã não apenas não proíbe a manifestação espiritual, mas a reconhece e a regula pelo discernimento e pela elevação moral.
O Espiritismo, ao surgir, não introduz um fenômeno novo, mas explica, organiza e moraliza uma realidade que sempre existiu. Ele retira o véu do mistério e do temor, substituindo-o pela compreensão racional e pelo propósito ético. Não há nele qualquer elemento de magia, feitiçaria ou milagre no sentido vulgar. Tudo se insere no campo das leis naturais, ainda que desconhecidas em épocas anteriores.
A Doutrina Espírita afirma, de maneira categórica, que os Espíritos são as almas dos homens que viveram na Terra. Não são entidades sobrenaturais, tampouco seres demoníacos. São consciências que prosseguem sua jornada após a morte do corpo físico, conservando suas qualidades morais, seus conhecimentos e suas imperfeições.
A comunicação com esses Espíritos, quando realizada sob princípios sérios, possui finalidades elevadas. Entre elas destacam-se o consolo aos aflitos, o esclarecimento dos encarnados, o auxílio aos Espíritos sofredores e o aperfeiçoamento moral de todos os envolvidos. Não há espaço para curiosidade fútil, interesses materiais ou pretensões de domínio sobre o invisível.
É igualmente fundamental destacar que o Espiritismo rejeita, de forma absoluta, qualquer prática supersticiosa. Não há talismãs, fórmulas, rituais secretos, horários especiais ou lugares privilegiados para a comunicação espiritual. A matéria não exerce influência direta sobre os Espíritos. O que determina a qualidade da comunicação é o estado moral e mental daquele que a busca.
A evocação, quando legítima, é simples, natural e desprovida de aparato. Realiza-se pelo pensamento elevado, pela prece sincera e pelo recolhimento interior. O Espírito não é constrangido a vir. Ele comparece, ou não, conforme sua vontade e conforme a permissão divina. Tal princípio preserva a dignidade do mundo espiritual e impede qualquer tentativa de subjugação.
Outro aspecto de grande relevância é a impossibilidade de utilização da comunicação espiritual para fins egoístas. O futuro, por exemplo, não é revelado livremente. Isso ocorre porque o desconhecimento do porvir é condição necessária para o exercício do livre-arbítrio. A revelação antecipada dos acontecimentos comprometeria a responsabilidade moral do indivíduo.
Do mesmo modo, os Espíritos não substituem o esforço humano no campo da ciência, da indústria ou do progresso intelectual. A evolução do conhecimento é fruto do trabalho, da inteligência e da perseverança. A intervenção espiritual ocorre apenas como inspiração, jamais como substituição do mérito humano.
A crítica que associa o Espiritismo à magia decorre, portanto, de uma confusão entre essência e desvio. Há, sem dúvida, práticas desviadas, exploradas por charlatães e indivíduos de má-fé. Contudo, tais abusos não pertencem à Doutrina, assim como a hipocrisia não define a religião verdadeira.
O Espiritismo, ao contrário, expõe esses desvios, denuncia-os e os combate. Ele não se oculta ao exame. Seus princípios são públicos, racionais e passíveis de verificação. Não exige fé cega, mas propõe uma fé raciocinada, que se harmoniza com a ciência e com a moral universal.
Há ainda um ponto de profunda significação filosófica. Ao explicar a natureza dos Espíritos e suas relações com o mundo material, o Espiritismo oferece uma chave interpretativa para inúmeros fenômenos que outrora eram considerados prodígios. Ao compreender as leis que regem esses fenômenos, desaparece o maravilhoso, e tudo se insere na ordem natural das coisas.
Dessa forma, o Espiritismo não destrói a religião, mas a purifica. Não nega a revelação, mas a amplia. Não combate a fé, mas a esclarece.
Ele se apresenta, enfim, como o Consolador Prometido, não no sentido de substituir os ensinamentos do Cristo, mas de explicá-los em sua profundidade, retirando-os das sombras da alegoria e conduzindo-os à luz da compreensão.
E ao fazê-lo, revela ao homem não apenas a continuidade da vida, mas o sentido do sofrimento, a justiça das provas e a finalidade educativa da existência.
Porque compreender é libertar-se. E libertar-se é, enfim, aprender a caminhar com lucidez diante da eternidade que nos observa em silêncio.
FONTES CONSULTADAS.
"O Livro dos Espíritos", 1857.
"O Livro dos Médiuns", 1861.
"O Evangelho Segundo o Espiritismo", 1864.
"O Céu e o Inferno", 1865.
"Bíblia Sagrada", Deuteronômio 18:10 a 12.
"Bíblia Sagrada", Atos dos Apóstolos 2:17 e 18.
"Bíblia Sagrada", 1 João 4:1.
"Bíblia Sagrada", Isaías 8:19 e 19:3.
Traduções e estudos doutrinários segundo José Herculano Pires.
MOISÉS, JESUS E O ESPIRITISMO.
A TRÍPLICE REVELAÇÃO E O DEVER INTERIOR.
A sentença proposta condensa, com rara precisão, o itinerário pedagógico da consciência humana sob a regência da lei divina. Não se trata de mera metáfora agrícola, mas de uma arquitetura espiritual que se desdobra em três momentos distintos e complementares.
Na figura de Moisés, observa-se o estabelecimento da lei. A revelação mosaica, sintetizada no Decálogo, representa a contenção das paixões primitivas e a organização moral de um povo ainda inclinado à exterioridade. A lei, nesse estágio, impõe-se como freio. Conforme registrado na tradição bíblica em Êxodo 20, a norma surge como voz imperativa, moldando a conduta pelo temor e pela obediência.
Com o advento do Jesus Cristo, a lei não é abolida, mas interiorizada. O Cristo semeia. Sua doutrina desloca o eixo da moralidade do gesto exterior para a intenção íntima. Em Evangelho de Mateus 5:17, afirma-se a continuidade da lei, agora elevada ao campo do amor e da consciência. A caridade deixa de ser imposição e torna-se expressão espontânea do espírito. Aqui, a humanidade é convidada a sentir.
Por fim, o Espiritismo, codificado por Allan Kardec, apresenta-se como a etapa da compreensão. Em O Espiritismo em sua Expressão mais Simples, item 29, encontra-se a formulação que inspira esta reflexão. Não se trata de nova revelação no sentido de ruptura, mas de esclarecimento. A fé, outrora cega, torna-se raciocinada. A colheita ocorre no campo do entendimento, onde a razão e a espiritualidade deixam de ser opostas.
Essa progressão evidencia um movimento ascensional. Primeiro, o homem teme. Depois, ama. Por fim, compreende.
A pergunta que se impõe não é retórica, mas ontologicamente exigente. Que sementes têm sido lançadas no terreno do próprio ser. Pensamentos, intenções e atos constituem lavouras invisíveis que, inevitavelmente, produzirão frutos proporcionais à sua natureza.
Se a lei foi escrita em tábuas, e o amor foi inscrito nos gestos do Cristo, a compreensão exige gravação no âmago da consciência. E isso não se delega, não se herda, não se improvisa. Cultiva-se.
Porque, no silêncio do espírito, cada escolha já é colheita em formação.
O QUE ENSINA O ESPIRITISMO.
Há criaturas que perguntam quais são as conquistas novas que devemos ao Espiritismo. Pelo fato de ele não ter dotado o mundo com uma nova indústria produtiva, como o vapor, concluem que ele nada produziu. A maior parte dos que fazem tal pergunta, não se tendo dado ao trabalho de estudá-lo, só conhecem o Espiritismo de fantasia, criado para as necessidades da crítica, e que nada tem de comum com o Espiritismo sério. Não é, pois, de admirar que perguntem qual pode ser o seu lado útil e prático. Teriam tido que buscá-lo em sua fonte, e não nas caricaturas que dele fizeram os que só têm interesse em denegri-lo. Assim, desde o início, impõe-se uma distinção essencial entre o Espiritismo autêntico e as representações deformadas que dele fazem os espíritos apressados ou os críticos de ocasião.
Numa outra ordem de ideias, alguns acham, ao contrário, a marcha do Espiritismo muito lenta para o seu gosto. Admiram-se que ele não tenha ainda sondado todos os mistérios da Natureza, nem abordado todas as questões que parecem ser de sua alçada. Gostariam de vê-lo diariamente ensinar coisas novas, ou enriquecer-se com alguma descoberta espetacular. Como ele ainda não resolveu a questão da origem dos seres, do princípio e do fim de todas as coisas, da essência divina e de algumas outras do mesmo porte, concluem que não saiu do alfabeto, que ainda não entrou na verdadeira via filosófica e que se arrasta nos lugares comuns, porque prega incessantemente a humildade e a caridade. Dizem eles que nada de novo foi ensinado, pois a reencarnação, a negação das penas eternas, a sobrevivência da alma, a gradação do princípio inteligente e o perispírito não seriam descobertas propriamente espíritas. Contudo, tal objeção revela mais a incompreensão do método do que qualquer deficiência real do corpo doutrinário.
A tal respeito julgamos que devemos apresentar algumas observações, que também não serão novidades, mas há verdades que, pela sua importância, exigem repetição sob múltiplas formas, a fim de que penetrem mais profundamente no entendimento humano. A repetição, neste caso, não é redundância estéril, mas pedagogia da verdade.
É verdade que o Espiritismo nada inventou de tudo isso, pois não há verdades autênticas senão aquelas que são eternas e que, por isso mesmo, devem ter germinado em todas as épocas. Mas não é alguma coisa havê-las tirado do esquecimento, de um germe fazer uma planta vivaz, de uma ideia dispersa fazer uma convicção coletiva. Não é mérito haver provado o que estava apenas em estado de hipótese, demonstrado a existência de leis onde se via o acaso, transformado teorias vagas em aplicações práticas e fecundas. Nada é mais verdadeiro que o antigo provérbio que afirma não haver nada de novo sob o sol. Ainda assim, cada época tem o seu dever de redescobrir, organizar e aplicar o que antes estava disperso.
Além disso, é incontestável que o Espiritismo ainda tem muito a nos ensinar. Nunca pretendeu haver dito a última palavra. Mas reconhecer que há um vasto campo ainda a explorar não implica afirmar que nada foi feito. Seu alfabeto foram as manifestações iniciais, e desde então o progresso foi sensível e, em muitos aspectos, notável. Comparado com outras ciências, que levaram séculos para atingir certo grau de maturidade, o avanço em poucos anos é digno de consideração. Nenhuma ciência atinge o seu ápice de imediato. Todas avançam conforme as circunstâncias permitem, pois há uma ordem providencial que regula o ritmo das descobertas.
Em falta de novas descobertas espetaculares, cessaria o trabalho dos estudiosos. A Química deixaria de existir por não descobrir novos elementos diariamente. A Astronomia se tornaria inútil por não encontrar novos astros a cada observação. Em todas as áreas do saber, há um tempo de assimilação, aplicação e consolidação. A Providência, em sua sabedoria, estabelece intervalos para que o conhecimento seja assimilado e frutifique. Não há estagnação, mas maturação silenciosa.
O Espírito humano não pode absorver incessantemente ideias novas sem se desorganizar. Assim como a terra necessita de repouso para produzir, o entendimento necessita de tempo para integrar o que aprende. Ideias novas devem apoiar-se nas já adquiridas. Sem base consolidada, toda tentativa de avanço resulta em esterilidade intelectual.
Dá-se o mesmo com o Espiritismo. Seus adeptos já assimilaram plenamente suas lições. Já se tornaram inteiramente caridosos, humildes, desinteressados, benevolentes. Já dominaram o orgulho, a inveja, o ódio e o egoísmo. Se a resposta for negativa, então ainda há muito a fazer. As lições consideradas simples são, na verdade, as mais difíceis de viver. É por meio delas que o ser se eleva e se torna apto a compreender ensinamentos superiores.
O objetivo essencial do Espiritismo é a regeneração da Humanidade pelo aperfeiçoamento moral. Os conhecimentos metafísicos são acessórios diante da necessidade de transformação íntima. Não se trata apenas de saber, mas de ser. O valor do indivíduo não se mede pelo acúmulo de ideias, mas pelo bem que realiza e pelas inclinações que vence.
Vejamos, entretanto, os resultados práticos que ultrapassam o campo puramente moral.
1.º Inicialmente ele fornece a prova da existência e da sobrevivência da alma. Ao transformar hipótese em certeza, combate o materialismo e suas consequências desagregadoras, promovendo uma revolução silenciosa nas ideias humanas.
2.º Pela convicção que estabelece, exerce profunda influência moral. Consola nas dores, fortalece nas provas e desvia o pensamento do desespero.
3.º Corrige concepções errôneas acerca do destino da alma, eliminando concepções incompatíveis com a justiça divina e apresentando uma visão racional do futuro.
4.º Esclarece o fenômeno da morte, retirando-lhe o caráter de mistério absoluto e oferecendo compreensão sobre essa transição inevitável.
5.º Pela lei da pluralidade das existências, fornece chave interpretativa para as desigualdades humanas e estabelece bases racionais para a fraternidade e a justiça.
6.º Pela teoria dos fluidos perispirituais, explica fenômenos psíquicos antes incompreendidos, ampliando o campo de estudo da fisiologia e da psicologia.
7.º Demonstra a interação entre o mundo material e o espiritual, revelando uma dimensão ativa da natureza antes ignorada.
8.º Elucida a origem de diversas perturbações atribuídas exclusivamente a causas orgânicas, oferecendo novos caminhos de tratamento.
9.º Explica a natureza da prece e a interação entre encarnados e desencarnados, mostrando o poder moral como instrumento de auxílio e regeneração.
10.º Introduz o conceito de magnetização espiritual, ampliando o horizonte das práticas terapêuticas.
O mérito não está em criar princípios inéditos, mas em dar-lhes aplicação viva. Ideias como a reencarnação e o corpo espiritual existiam, mas permaneciam como conceitos inertes. O Espiritismo as transformou em elementos dinâmicos, integrando-as em um sistema coerente e operativo.
Esses princípios, outrora dispersos, tornaram-se base de uma nova filosofia que abrange a moral, a ciência e a religião em uma síntese harmônica. Longe de serem estéreis, produziram uma fecundidade intelectual e prática que continua a expandir-se.
Em resumo, um conjunto de verdades fundamentais, antes fragmentadas, foi organizado, demonstrado e aplicado, abrindo novos horizontes ao pensamento humano. Mesmo que se limitasse a isso, já representaria um avanço significativo. Contudo, trata-se apenas do início de uma obra muito mais vasta.
Esses pontos são centros irradiadores de novas compreensões que se desenvolvem progressivamente. Cabe aos adeptos aplicá-los antes de exigir novas revelações. O progresso não consiste apenas em adquirir conhecimento, mas em vivê-lo.
Dizem que os espíritas conhecem apenas o alfabeto. Se assim for, é preciso antes aprender a soletrar com exatidão. Há ainda muito a ensinar, a consolar, a esclarecer e a transformar. A tarefa está longe de concluída.
Saibamos, pois, estudar, assimilar e aplicar, antes de desejar avançar precipitadamente. O grande livro da Natureza se abre gradualmente àqueles que demonstram maturidade para compreendê-lo. O tempo não pode ser violentado sem prejuízo.
A árvore do conhecimento não se conquista por impaciência, mas por crescimento legítimo. Quem tenta elevar-se sem preparo arrisca-se à queda. Quem persevera no aperfeiçoamento moral, esse sim, gradualmente se torna digno de compreender as verdades mais elevadas.
E assim, entre a disciplina do espírito e a fidelidade ao bem, o Espiritismo não apenas ensina, mas forma consciências capazes de transformar o mundo a partir de si mesmas.
- O Evangelho Segundo o Espiritismo -
A COERÊNCIA ENTRE A PALAVRA E O SER.
A advertência contida no capítulo 18, item 8, de O Evangelho Segundo o Espiritismo não se limita a uma exortação moral superficial. Trata-se de um princípio de rigor ético absoluto, que estabelece a supremacia da coerência entre aquilo que se professa e aquilo que se vive.
A sentença evangélica registrada em Evangelho de Mateus 5:19 enuncia uma lei de responsabilidade espiritual que transcende o discurso e alcança o domínio das ações. Não basta reconhecer a autoridade do bem, nem pronunciar fórmulas de devoção. O critério que rege a justiça divina é a prática efetiva da lei moral. Aquele que viola os mandamentos, sobretudo influenciando outros à transgressão, compromete não apenas a si mesmo, mas amplia o desequilíbrio no tecido moral coletivo. Por isso, é considerado “o menor”, não por condenação arbitrária, mas por consequência lógica de sua própria conduta.
Em contrapartida, aquele que cumpre e ensina, isto é, que harmoniza ação e palavra, eleva-se na hierarquia espiritual. Aqui se revela um princípio antropológico profundo. O ser humano não é julgado por sua aparência religiosa, mas por sua estrutura íntima, por sua adesão real ao bem. A pedagogia do Cristo não admite a duplicidade moral. Há, portanto, uma exigência de autenticidade que se impõe como condição de progresso.
A exortação “Nem todos que dizem Senhor, Senhor, entrarão no Reino dos Céus” constitui uma crítica direta à religiosidade meramente formal. Sob a ótica da razão espírita, essa passagem desvela a insuficiência do ritual desprovido de transformação interior. A fé, para ser legítima, deve ser raciocinada, consciente e operante, conforme estabelece a codificação kardequiana. Crer, sem viver, é instaurar uma cisão interna que inviabiliza o avanço espiritual.
Daí decorre a necessidade de um movimento integral do espírito. Ler, meditar, estudar, conhecer, viver, praticar e divulgar não são etapas isoladas, mas dimensões interdependentes de um mesmo processo de assimilação da verdade. O conhecimento que não se converte em conduta torna-se estéril. A prática que não se fundamenta no entendimento degenera em automatismo.
A declaração “Espiritismo, doutrina consoladora e bendita, felizes os que te conhecem e tiram proveito dos teus ensinamentos” revela um ponto essencial. O consolo verdadeiro não reside na promessa vazia, mas no esclarecimento que ilumina a consciência. Somente aquilo que se compreende pode ser incorporado de modo duradouro. O consolo espírita não anestesia, ele esclarece. E ao esclarecer, responsabiliza.
Quando se afirma que “Deus é amor, e aqueles que amam santamente ele os abençoa”, apresenta-se a síntese suprema da lei moral. Amar santamente não é um sentimento passivo, mas uma disposição ativa de viver segundo a justiça, a caridade e a verdade. A bênção divina não é privilégio, mas efeito natural da sintonia com essa lei.
Assim, a lição central deste trecho impõe-se com clareza inexorável. Não é o verbo que eleva o homem, mas a vivência. Não é a aparência de fé que o transforma, mas a sua incorporação na intimidade do ser. Entre dizer e fazer, é no fazer que se decide o destino espiritual.
"Eu ri como todo mundo do Espiritismo, mas o que eu considerava como o riso de Voltaire não era mais que o riso do idiota, muito mais comum que o primeiro."
Eugène Bonnemère.
JOSÉ HERCULANO PIRES.
O Espiritismo não criou igrejas, não precisa de templos suntuosos e tribunas luxuosas com pregadores enfatuados. Não tem rituais, não dispensa bênçãos, não promete lugar celeste a ninguém, não confere honrarias em títulos ou diplomas especiais, não disputa regalias oficiais. Sua única missão é esclarecer, orientar, indicar o caminho da autenticidade humana e da verdade espiritual do homem.
José Herculano Pires
Curso Dinâmico de Espiritismo
ENTRE O MEDO E A VERDADE.
O ESPIRITISMO NÃO NASCEU PARA O SILÊNCIO.
Existe uma enfermidade silenciosa que atravessa parte do Movimento Espírita contemporâneo. Não se trata da ausência de estudo, nem da falta de obras, reuniões ou instituições. Trata-se do medo. Medo de investigar. Medo de questionar. Medo de evocar. Medo de ouvir. Medo até mesmo de aplicar integralmente o método que o próprio Allan Kardec estruturou.
Curiosamente, muitos homens afirmam defender a razão enquanto transformam prudência em interdição absoluta. E nisso nasce um paradoxo psicológico profundo. O mesmo Espiritismo que surgiu através do intercâmbio entre encarnados e desencarnados passa a ser defendido por pessoas que demonstram receio do próprio fenômeno mediúnico que lhe deu origem.
É necessário compreender algo fundamental. Kardec jamais proibiu evocação. Pelo contrário. O Livro dos Médiuns dedica capítulos inteiros ao estudo das evocações, dos métodos, das condições morais e dos perigos envolvidos. O codificador não construiu um sistema de silêncio espiritual. Construiu um método de discernimento.
A diferença é gigantesca.
O problema nunca esteve no ato de evocar. O problema sempre esteve na intenção moral do evocador.
Existe enorme distância entre evocação séria e curiosidade frívola. Entre investigação filosófica e espetáculo mediúnico. Entre estudo criterioso e dependência psicológica dos Espíritos.
Quando alguns afirmam que não se deve colher informações de Espíritos como André Luiz, Emmanuel ou Humberto de Campos, inevitavelmente acabam mergulhando numa contradição lógica. Porque grande parte da literatura espírita posterior à Codificação nasceu precisamente de comunicações espirituais.
Se toda comunicação posterior é automaticamente suspeita apenas por ser mediúnica, então muitos dos próprios pilares culturais do Movimento Espírita moderno seriam colocados sob desconfiança permanente.
Entretanto, também seria ingenuidade aceitar tudo indiscriminadamente. Kardec jamais ensinou credulidade cega. Ele advertiu severamente acerca da fascinação, da mistificação e do orgulho mediúnico. Eis o ponto frequentemente negligenciado. O Espiritismo não exige ingenuidade emocional. Exige análise racional aliada ao critério moral.
A evocação não constitui pecado doutrinário. A irresponsabilidade moral, sim.
Quando Moisés proibiu práticas necromânticas em Israel, o contexto era profundamente sociológico e civilizatório. A humanidade antiga encontrava-se mergulhada em magia tribal, idolatria, manipulação sacerdotal e superstições violentas. A proibição mosaica possuía caráter disciplinador para uma sociedade ainda dominada pelo instinto coletivo.
O próprio Espiritismo reconhece o progresso gradual da Revelação divina. Kardec jamais tratou os textos mosaicos como congelamento eterno da compreensão espiritual humana.
Além disso, existe uma questão psicológica raramente discutida. Muitos homens não temem os Espíritos. Temem perder o controle interpretativo sobre a Doutrina. Temem o surgimento de novas análises, novos estudos, novas comunicações e novas perspectivas. O receio da fragmentação transforma-se então em centralização do pensamento.
E toda centralização excessiva produz muros intelectuais.
O chamado “controle universal dos ensinos dos Espíritos”, elaborado por Kardec, jamais foi concebido como mecanismo de censura doutrinária. Tratava-se de um método comparativo, racional e universalista para evitar personalismos mediúnicos e sistemas isolados de revelação.
Porém, quando homens emocionalmente inseguros se apropriam de princípios metodológicos, frequentemente transformam discernimento em policiamento ideológico.
Então surgem divisões.
Discussões intermináveis.
Disputas de autoridade.
Grupos que se observam mutuamente como se fossem guardiões exclusivos da legitimidade espírita.
Tudo isso enquanto o fator moral íntimo permanece relegado ao segundo plano.
O próprio Kardec advertiu que o verdadeiro espírita reconhece-se pela transformação moral e pelo esforço em domar suas más inclinações. Não pela quantidade de proibições que impõe aos outros.
Existe também um orgulho intelectual extremamente sofisticado dentro dos ambientes religiosos. Não é o orgulho agressivo e visível. É o orgulho da convicção absoluta. O orgulho de acreditar que somente determinado grupo possui capacidade legítima para validar comunicações espirituais.
E nisso reside uma tragédia silenciosa.
Porque nem mesmo uma eventual comunicação atribuída ao próprio Kardec seria unanimemente aceita hoje. Muitos a rejeitariam antes mesmo de analisá-la. Não por critério racional legítimo, mas porque o homem frequentemente teme aquilo que ameaça suas estruturas psicológicas de segurança doutrinária.
Enquanto isso, esquecem-se da essência.
O Espiritismo não nasceu para fabricar tribunais espirituais entre encarnados. Nasceu para iluminar consciências.
Se um homem evoca apenas por curiosidade vazia, colherá perturbação.
Se evoca com orgulho, encontrará Espíritos orgulhosos.
Se busca espetáculo, atrairá mistificação.
Mas se investiga com seriedade, humildade e equilíbrio moral, estará apenas utilizando um mecanismo que o próprio Espiritismo reconheceu como legítimo dentro de critérios elevados.
A pergunta mais importante nunca foi “podemos evocar”.
A pergunta correta sempre foi “com que finalidade moral desejamos fazê-lo”.
Porque nenhuma evocação será mais perigosa do que a própria inferioridade psicológica do evocador.
No fim, muitos discutem Espíritos enquanto negligenciam a própria alma. Debatem fenômenos enquanto ignoram a reforma íntima. Erguem muralhas doutrinárias enquanto o orgulho continua intacto no interior da consciência.
E talvez por isso exista tanta inquietação.
O homem teme ouvir os Espíritos porque ainda não aprendeu completamente a ouvir a própria consciência.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
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" O LUTO COMO PURIFICAÇÃO AFETIVA À LUZ DO ESPIRITISMO.
“Determinamos o encarceramento nas próprias criações inferiores.” Tal advertência de Francisco Cândido Xavier, pela voz espiritual de Voltei através de Irmão Jacob, representa uma das mais profundas reflexões sobre o sofrimento humano. O luto, ante a ótica espírita, não constitui punição emocional nem expressão de fragilidade da alma encarnada. "
" A ciência investiga os mecanismos da hereditariedade. O Espiritismo amplia essa análise ao demonstrar que a consciência sobrevive à morte e continua responsável por suas decisões. Os genes podem predispor, mas não determinam o valor moral de uma criatura. Acima das circunstâncias biológicas encontra-se a vontade do Espírito, capaz de superar tendências inferiores e construir novos caminhos. "
O SONHO DE CIPIÃO À LUZ DO ESPIRITISMO: A VIAGEM DA ALMA ENTRE O TEMPO E A ETERNIDADE.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Entre os mais belos testemunhos da Antiguidade acerca da imortalidade da alma encontra-se O Sonho de Cipião, célebre fragmento da obra De re publica, de Marco Túlio Cícero. Embora escrito cerca de cinquenta anos antes do nascimento de Jesus, o texto apresenta ideias que, sob a ótica espírita, revelam surpreendentes aproximações com os ensinamentos posteriormente sistematizados por Allan Kardec.
A narrativa descreve uma experiência extraordinária vivida por Cipião Emiliano durante o sono. Após adormecer, ele se vê transportado para uma realidade superior, onde encontra Espíritos de seus antepassados e recebe instruções acerca de seu destino, da natureza da existência e da posição do ser humano diante da imensidão do cosmos.
Para a Doutrina Espírita, essa passagem não constitui apenas um recurso literário ou uma construção filosófica. Ela pode ser compreendida como um fenômeno de emancipação da alma, explicado por Kardec em O Livro dos Espíritos. Durante o sono, os laços que unem o Espírito ao corpo físico se afrouxam, permitindo que a alma recobre parte de sua liberdade e entre em contato com outras inteligências espirituais.
Assim, o encontro de Cipião com seu ancestral, Cipião Africano, encontra perfeita correspondência com os ensinamentos espíritas acerca das comunicações entre encarnados e desencarnados. O Espírito, liberto parcialmente da matéria, pode receber orientações, conselhos e ensinamentos de entidades mais elevadas, retornando ao corpo com lembranças que se manifestam sob a forma de sonhos.
A experiência relatada por Cícero torna-se ainda mais significativa quando Cipião contempla a vastidão do universo. Diante da harmonia celeste, da ordem dos astros e da grandiosidade dos espaços infinitos, a Terra lhe parece pequena e quase insignificante.
Sob a perspectiva espírita, essa visão possui um profundo significado moral e filosófico. O homem costuma considerar seus problemas, ambições e conquistas como o centro da existência. Entretanto, quando a alma amplia sua percepção e contempla a grandeza da Criação, compreende que a vida material representa apenas um breve capítulo de uma jornada muito mais extensa.
É justamente essa ampliação da consciência que leva Cipião a perceber a inutilidade da vaidade humana. A fama, o poder político, os aplausos das multidões e os monumentos erguidos pelos homens revelam-se efêmeros diante da eternidade.
Essa conclusão harmoniza-se integralmente com a moral espírita. Segundo os Espíritos superiores, nenhuma riqueza material acompanha o ser após a morte. Nenhum título social atravessa os umbrais da vida espiritual. Nenhuma posição de destaque na Terra garante elevação moral no além.
O único patrimônio verdadeiramente imperecível é aquele que o Espírito constrói dentro de si mesmo.
As virtudes, os conhecimentos adquiridos, os esforços realizados em favor do próximo, a capacidade de amar e servir são tesouros que sobrevivem ao túmulo e acompanham o ser através das múltiplas existências.
Outro aspecto notável do relato é a presença dos antepassados de Cipião como seres conscientes e ativos. Eles não aparecem como sombras vagas ou abstrações mitológicas. Demonstram inteligência, memória, afeto e interesse pelos destinos humanos.
Essa descrição aproxima-se da concepção espírita do mundo espiritual. A morte não destrói a individualidade. O Espírito conserva sua identidade, seus afetos e suas conquistas intelectuais e morais. Os vínculos construídos pelo amor continuam existindo, e aqueles que nos precederam na grande viagem frequentemente acompanham nossa trajetória, auxiliando-nos de maneira discreta e providencial.
Sob esse prisma, O Sonho de Cipião pode ser visto como uma das muitas manifestações daquilo que Kardec chamaria, séculos depois, de sobrevivência da alma.
Naturalmente, o Espiritismo também ensina que nem todos os sonhos correspondem a experiências espirituais autênticas. Muitas vezes eles refletem preocupações do cotidiano, recordações fragmentadas ou construções do subconsciente. Contudo, há sonhos especiais, mais lúcidos, mais profundos e mais coerentes, que podem representar verdadeiras vivências do Espírito fora do corpo.
A narrativa de Cipião apresenta justamente características que a aproximam dessa segunda categoria: ele recebe ensinamentos elevados, contempla realidades superiores e retorna transformado pela experiência.
Talvez por isso a obra tenha atravessado os séculos sem perder sua força. Sua mensagem não se limita à Roma Antiga, nem pertence exclusivamente à filosofia clássica. Ela fala a todas as épocas porque toca uma das questões mais profundas da existência humana: qual é o verdadeiro sentido da vida?
A resposta apresentada por Cícero encontra notável sintonia com o pensamento espírita. A existência terrestre não tem por finalidade a conquista da glória exterior, mas o aperfeiçoamento interior. O homem não foi criado para acumular honrarias passageiras, mas para desenvolver sua consciência, purificar seus sentimentos e aproximar-se das leis divinas.
Quando a alma compreende essa verdade, os triunfos mundanos perdem seu brilho ilusório e a virtude passa a ocupar o lugar central da existência.
Sob a luz do Espiritismo, portanto, O Sonho de Cipião pode ser interpretado como uma valiosa antecipação das grandes realidades espirituais que seriam mais tarde esclarecidas pela Codificação Espírita: a imortalidade da alma, a emancipação do Espírito durante o sono, a comunicação entre os mundos visível e invisível e a supremacia da evolução moral sobre todas as conquistas materiais.
Através das brumas do tempo, a voz de Cícero continua ecoando como um convite à reflexão. Enquanto os impérios desaparecem, as civilizações se transformam e os nomes ilustres são esquecidos, permanece intacta a única conquista que atravessa os séculos e acompanha o Espírito pela eternidade: a conquista de si mesmo.
“As glórias humanas passam; a virtude permanece.”
Fontes.
De re publica, Livro VI — Somnium Scipionis (O Sonho de Cipião).
Macróbio, Comentário ao Sonho de Cipião.
O Livro dos Espíritos, Parte Segunda, Capítulo VIII — "Da Emancipação da Alma", questões 400 a 412.
Allan Kardec.
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RESUMO SOBRE O QUE É O ESPIRITISMO.
UMA JORNADA PELA VIDA, PELA CONSCIÊNCIA E PELA IMORTALIDADE.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
O Espiritismo é uma doutrina de caráter filosófico, científico e moral codificada por Allan Kardec em 1857, a partir do estudo criterioso dos fenômenos mediúnicos e dos ensinamentos transmitidos pelos Espíritos superiores. Seu propósito não consiste apenas em demonstrar a sobrevivência da alma após a morte, mas em esclarecer a origem, o destino e a finalidade da existência humana.
O QUE É O ESPIRITISMO.
O Espiritismo ensina que o ser humano é um Espírito imortal temporariamente unido a um corpo físico. A vida terrena representa apenas um capítulo de uma trajetória muito mais ampla, cujo objetivo é o aperfeiçoamento moral e intelectual.
A doutrina fundamenta-se em princípios essenciais.
"Deus existe como inteligência suprema e causa primária de todas as coisas."
"A alma é imortal."
"A reencarnação é uma lei natural."
"Os Espíritos podem comunicar-se com os encarnados."
"O progresso é inevitável."
Fonte: O Livro dos Espíritos.
HISTÓRIA DO ESPIRITISMO.
Os fenômenos espirituais acompanham a humanidade desde a Antiguidade. Entretanto, em meados do século XIX, manifestações observadas nos Estados Unidos chamaram a atenção de estudiosos. A partir desses acontecimentos, Kardec iniciou extensa investigação baseada na observação, comparação e análise de milhares de comunicações mediúnicas.
Em 18 de abril de 1857 foi publicada a primeira edição de O Livro dos Espíritos, considerada o marco inaugural da Doutrina Espírita.
Posteriormente surgiram as demais obras fundamentais.
O Livro dos Médiuns.
O Evangelho Segundo o Espiritismo.
O Céu e o Inferno.
A Gênese.
REENCARNAÇÃO.
A reencarnação constitui um dos pilares do Espiritismo. Segundo essa lei, o Espírito retorna diversas vezes ao mundo corporal para desenvolver virtudes, corrigir equívocos e ampliar conhecimentos.
As diferenças intelectuais, morais e sociais observadas entre os indivíduos não são compreendidas como privilégios ou castigos arbitrários, mas como reflexos de experiências acumuladas ao longo de múltiplas existências.
Fonte: O Livro dos Espíritos, questões 166 a 222.
IDEIAS INATAS.
Certas aptidões extraordinárias, inclinações morais e conhecimentos aparentemente espontâneos encontram explicação na bagagem espiritual adquirida em existências anteriores.
A questão 218 de O Livro dos Espíritos ensina que o Espírito conserva vagas lembranças das conquistas obtidas no passado, manifestando-as sob a forma das chamadas ideias inatas.
Fonte: O Livro dos Espíritos, questão 218.
LEI DE CAUSA E EFEITO.
Toda ação produz consequências. Nenhum acontecimento ocorre sem causa.
A lei de causa e efeito demonstra que a justiça divina não opera por favoritismos nem por condenações eternas. Cada Espírito colhe os resultados de suas escolhas e aprende através das experiências que vivencia.
O sofrimento pode representar correção, aprendizado ou oportunidade de crescimento.
Fonte: O Céu e o Inferno.
MEDIUNIDADE.
A mediunidade é a faculdade que permite o intercâmbio entre os Espíritos e os homens.
Ela manifesta-se em diferentes graus e modalidades. Não constitui sinal de santidade nem privilégio espiritual. Trata-se de uma faculdade natural que exige disciplina, estudo e responsabilidade moral.
Fonte: O Livro dos Médiuns.
VIDA APÓS A MORTE.
Para o Espiritismo, a morte física representa apenas a libertação do Espírito em relação ao corpo material.
A individualidade permanece intacta. A consciência conserva memórias, sentimentos, conhecimentos e características adquiridas durante a existência terrena.
O túmulo não encerra a vida. Apenas marca a transição entre estados diferentes da existência.
Fonte: O Céu e o Inferno.
OBSESSÃO ESPIRITUAL.
A obsessão ocorre quando um Espírito exerce influência persistente sobre uma pessoa.
Pode manifestar-se de forma sutil ou intensa, afetando pensamentos, emoções e comportamentos.
O combate à obsessão não depende de fórmulas mágicas, mas da renovação moral, da oração, da vigilância mental e da prática do bem.
Fonte: O Livro dos Médiuns, capítulos XXIII a XXVIII.
PLURALIDADE DOS MUNDOS HABITADOS.
O Universo não foi criado apenas para a Terra.
Segundo o Espiritismo, inúmeros mundos são habitados por seres em diferentes estágios evolutivos. Alguns encontram-se em condições inferiores às nossas, enquanto outros apresentam elevado progresso moral e intelectual.
Fonte: A Gênese, capítulo VI.
CIÊNCIA E ESPIRITISMO.
O Espiritismo não propõe uma fé cega.
Kardec afirmou que a doutrina deve acompanhar o progresso científico e revisar interpretações quando novos fatos comprovados assim o exigirem.
A proposta espírita busca harmonizar razão, observação e espiritualidade.
Fonte: A Gênese, capítulo I.
REFORMA ÍNTIMA.
Todo conhecimento espiritual perde valor quando não produz transformação moral.
A reforma íntima consiste no esforço contínuo para vencer o egoísmo, desenvolver virtudes e aproximar-se dos ensinamentos de Jesus.
Não se trata de perfeição instantânea, mas de progresso gradual e constante.
Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII.
DEUS NO ESPIRITISMO.
A definição espírita de Deus encontra-se na questão 1 de O Livro dos Espíritos.
"Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas."
Essa definição afasta concepções antropomórficas e apresenta Deus como princípio absoluto de sabedoria, justiça e amor.
Fonte: O Livro dos Espíritos, questão 1.
SOFRIMENTO E PROVAS DA VIDA.
As dificuldades da existência não constituem punições arbitrárias.
Cada prova possui finalidade educativa. O sofrimento, quando compreendido à luz da imortalidade da alma e da reencarnação, transforma-se em instrumento de amadurecimento espiritual.
Aquilo que hoje parece incompreensível frequentemente revela, no futuro, seu valor como experiência de crescimento.
Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V.
REFLEXÃO.
O Espiritismo convida o ser humano a enxergar além dos limites da matéria. Sua proposta não se resume à comunicação com os Espíritos, mas ao entendimento das leis que governam a vida, o destino e a evolução da consciência. Ao revelar a continuidade da existência, a responsabilidade pelos próprios atos e a possibilidade incessante de progresso, a doutrina oferece uma visão racional e consoladora da jornada humana, demonstrando que nenhum esforço no bem se perde e que cada passo dado em direção à virtude representa uma conquista para a eternidade.
Fontes: O Livro dos Espíritos. O Livro dos Médiuns. O Evangelho Segundo o Espiritismo. O Céu e o Inferno. A Gênese.
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Sabermos que fora da caridade não há salvação. Esse é um do tripé do espiritismo. Podemos fazer caridade doando dinheiro, na casa espirita recebendo com carinho aquele que vem procurar ajuda espiritual e conforto para o momento ruim que está passando. Podemos fazer caridade, ouvindo com atenção e carinho um colega de trabalho que tem algum problema e tentar ajudar de qualquer maneira, mesmo que seja apenas com uma opinião. Podemos ser voluntários em um orfanato ou asilo, dando atenção e carinho a crianças e a velhos. Mas, a maior caridade é aquela que podemos fazer com conosco mesmo, nos reconhecendo como filhos de Deus, que nos ama e nos dá todas as oportunidades para continuarmos a nossa caminhada. Podemos fazer caridade nos aceitando com nossas limitações, aceitando os nossos erros e procurando nos policiar para que possamos mudar e melhorar, mas também, reconhecendo as nossas qualidades e sempre procurarmos ser melhores. O que não podemos é, em nome da caridade, nos deixar humilhar e permitir que qualquer pessoa nos faça sofrer. Cada um de nós tem um lugar neste mundo. Todos nós nascemos para ser livres. Se permitirmos que alguém nos humilhe, nunca poderemos atingir essa liberdade. Se alguém nos humilha, não somos nós quem precisa mudar quem precisa mudar é ele.
